Determinismo, relativismo e moralidade na filosofia de Spinoza

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Barbosa, Camila Palhares
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Humanidades
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9722
Resumo: Com este trabalho proponho uma leitura acerca da teoria da moralidade de Spinoza, especialmente a partir de sua principal obra Ética, em que o autor vincula à sua concepção metafísica e ontológica uma descrição de vida boa e de verdade que dê conta de uma visão sobre moralidade determinista e relativista sem cair em contradições teóricas. Proponho demonstrar que, por um lado, Spinoza oferece uma concepção imanente, inatista e objetiva acerca do bem; e, por outro lado, uma visão relativista que permite o desenvolvimento moral dentro de um contexto social. Defendo uma interpretação da moralidade em Spinoza que, relacionada à sua concepção de potência e conhecimento, permita uma visão da obra spinozista que possa contribuir para os diálogos contemporâneos da filosofia moral e ética, na medida em que ultrapassa uma dicotomia entre o determinismo e o relativismo e consegue propor uma concepção de vida boa e de liberdade que pode ser universal em seu núcleo mais essencial - enquanto relacionado a ideias verdadeiras que nos permitem “permanecer em nosso ser” -, sem abdicar de aspectos da moralidade enquanto uma construção social útil, mutável e variável. Para desenvolver este argumento, descrevo nos dois primeiros capítulos o desenvolvimento da epistemologia e da metafísica de Spinoza, incluindo sua teoria dos afetos e sua teoria do conhecimento. Ambos conceitos são centrais para a defesa de uma visão inatista do bem uma vez que, primeiro, explica como um conhecimento adequado e verdadeiro existe de maneira determinada na natureza e como nossa mente, enquanto parte deste todo, pode vislumbrar estas verdades eternas; e, em segundo lugar, como esse conhecimento se dá através da teoria dos afetos e através do conceito de corpo de Spinoza, logo, como o bem e o mal se relaciona com estes. Nos capítulos seguintes, apresento uma discussão acerca destes dois aspectos da moralidade, a saber, relativismo e objetivismo. A ontologia determinista, em certo sentido, se refere a uma visão objetivista da moral que prescreve normativamente aquilo que devemos fazer a fim de ter uma vida boa; um guia com o qual, através da razão, concebemos algum tipo de liberdade e eternidade em nós. Contudo, devido à condição parcial com que nosso intelecto concebe o mundo com o qual interage, também é descrito na moralidade spinozista uma concepção relativista sobre o bem e o mal cujo conteúdo depende daquilo que julgamos útil à nossa vida, mesmo se não possuirmos um conhecimento adequado e verdadeiro das leis objetivas que nos determinam neste sistema ontológico. Apresento então a defesa de Spinoza da obediência e do contrato social neste cenário no qual o conceito de bem e de mal não possui um conteúdo imanente. Por fim, meu objetivo é trazer essa leitura do spinozismo ao debate filosófico contemporâneo a fim de pensar sua contribuição neste sentido.
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Defendo uma interpretação da moralidade em Spinoza que, relacionada à sua concepção de potência e conhecimento, permita uma visão da obra spinozista que possa contribuir para os diálogos contemporâneos da filosofia moral e ética, na medida em que ultrapassa uma dicotomia entre o determinismo e o relativismo e consegue propor uma concepção de vida boa e de liberdade que pode ser universal em seu núcleo mais essencial - enquanto relacionado a ideias verdadeiras que nos permitem “permanecer em nosso ser” -, sem abdicar de aspectos da moralidade enquanto uma construção social útil, mutável e variável. Para desenvolver este argumento, descrevo nos dois primeiros capítulos o desenvolvimento da epistemologia e da metafísica de Spinoza, incluindo sua teoria dos afetos e sua teoria do conhecimento. Ambos conceitos são centrais para a defesa de uma visão inatista do bem uma vez que, primeiro, explica como um conhecimento adequado e verdadeiro existe de maneira determinada na natureza e como nossa mente, enquanto parte deste todo, pode vislumbrar estas verdades eternas; e, em segundo lugar, como esse conhecimento se dá através da teoria dos afetos e através do conceito de corpo de Spinoza, logo, como o bem e o mal se relaciona com estes. Nos capítulos seguintes, apresento uma discussão acerca destes dois aspectos da moralidade, a saber, relativismo e objetivismo. A ontologia determinista, em certo sentido, se refere a uma visão objetivista da moral que prescreve normativamente aquilo que devemos fazer a fim de ter uma vida boa; um guia com o qual, através da razão, concebemos algum tipo de liberdade e eternidade em nós. Contudo, devido à condição parcial com que nosso intelecto concebe o mundo com o qual interage, também é descrito na moralidade spinozista uma concepção relativista sobre o bem e o mal cujo conteúdo depende daquilo que julgamos útil à nossa vida, mesmo se não possuirmos um conhecimento adequado e verdadeiro das leis objetivas que nos determinam neste sistema ontológico. Apresento então a defesa de Spinoza da obediência e do contrato social neste cenário no qual o conceito de bem e de mal não possui um conteúdo imanente. Por fim, meu objetivo é trazer essa leitura do spinozismo ao debate filosófico contemporâneo a fim de pensar sua contribuição neste sentido.With this work, I propose a reading about Spinoza's theory of morality, especially from his main work Ethics, in which the author links to his metaphysical and ontological conception a description of a good and truthful life that gives an insight into morality deterministic and relativistic without falling into theoretical contradictions. I propose to demonstrate that, on the one hand, Spinoza offers an immanent, innate and objective conception about the good; and, on the other hand, a relativistic view that allows for moral development within a social context. I defend an interpretation of morality in Spinoza that, related to his conception of power and knowledge, allows a vision of the Spinozist work that can contribute to contemporary dialogues of moral and ethical philosophy, as it goes beyond a dichotomy between determinism and relativism and manages to propose a conception of good life and freedom that can be universal at its most essential core - while related to true ideas that allow us to “remain in our being” - without giving up aspects of morality as a useful, changing social construction and variable. To develop this argument, I describe in the first two chapters the development of Spinoza's epistemology and metaphysics, including his theory of affects and his theory of knowledge. Both concepts are central to the defense of an innate view of the good since, first, it explains how a proper and true knowledge exists in a determined way in nature and how our mind, as part of this whole, can glimpse these eternal truths; and, secondly, how this knowledge occurs through the theory of affects and through Spinoza's concept of the body, therefore, how good and evil relate to them. In the following chapters, I present a discussion of these two aspects of morality, namely, relativism and objectivism. Deterministic ontology, in a sense, refers to an objectivist view of morality that prescribes normatively what we must do in order to have a good life; a guide with which, through reason, we conceive some kind of freedom and eternity in us. However, due to the partial condition with which our intellect conceives the world with which it interacts, a relativistic conception of good and evil is also described in Spinozist morality, the content of which depends on what we consider useful in our life, even if we do not have knowledge. adequate and true of the objective laws that determine us in this ontological system. Then I present Spinoza's defense of obedience and the social contract in this scenario in which the concept of good and evil does not have an immanent content. Finally, my objective is to bring this reading of Spinozism to the contemporary philosophical debate in order to think about its contribution in this sense.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de HumanidadesBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em FilosofiaOliveira, Nythamar Hilario Fernandes deBarbosa, Camila Palhares2021-06-16T13:25:22Z2021-03-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9722porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2021-06-16T23:00:15Zoai:tede2.pucrs.br:tede/9722Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2021-06-16T23:00:15Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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