História natural de Philodryas patagoniensis (sepentes: colubridae) no litoral do Rio Grande do Sul, Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2007
Autor(a) principal: Pontes, Glaucia Maria Funk
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Biociências
BR
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Zoologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/286
Resumo: O presente estudo foi realizado no litoral do Rio Grande do Sul, objetivando o conhecimento da história natural da serpente Philodryas patagoniensis nesta região. A metodologia utilizada foi o exame do tubo digestório e sistema reprodutor de espécimes depositados em coleções científicas procedentes do litoral do Estado, e o uso de marcação e recaptura de indivíduos em uma área de dunas com 333 ha localizada no Município de Balneário Pinhal. Informações sobre a dieta da espécie, foram obtidas a partir da análise de 89 exemplares depositados em coleções e em 507 encontros ocorridos na área de estudo. A partir de 51 serpentes com conteúdo no trato digestório foi registrado um total de 66 presas pertencentes a sete grupos taxonômicos (peixes, anuros, lagartos, anfisbenas, serpentes, aves e roedores), evidenciando o caráter generalista da espécie. Anuros foram a categoria mais consumida, estando presente em 56% das serpentes com algum conteúdo no trato digestório. Foi registrada variação ontogenética na dieta, tendo sido observadas diferenças quantitativas (número de itens diferentes consumidos e importância relativa de cada item) e qualitativas (tipos de itens consumidos). Para o estudo de aspectos reprodutivos e dimorfismo sexual, foram examinadas as gônadas de 88 exemplares (52 fem. e 36 mas.) depositados em coleções científicas, e analisadas informações de 393 indivíduos capturados na área de estudo. Fêmeas nascem com maior CRC que os machos e também atingem um CRC superior, mas estes possuem a cauda relativamente mais longa. Fêmeas alcançam a maturidade sexual a partir do segundo ano de vida, mas alguns machos podem atingí-la ainda no primeiro ano. A reprodução é sazonal, com vitelogênese ocorrendo de agosto a fevereiro, desovas entre novembro e fevereiro e nascimentos entre janeiro e março. O número de ovos por desova variou de sete a 21, enquanto o número de folículos vitelogênicos variou de cinco a 17. O número de ovos ou folículos vitelogênicos não foi relacionado ao CRC das fêmeas. A massa relativa da desova variou de 0,217 a 0,403. Os padrões de atividade sazonal e diária da espécie foram estudados a partir de 479 encontros ocorridos na área de estudo. Indivíduos ativos foram encontrados em todos os meses do ano, mas as taxas de encontro de juvenis foram mais elevadas no outono e primavera, e as taxas de encontro de adultos foram maiores na primavera e verão. O padrão de atividade sazonal foi semelhante para machos e fêmeas e as taxas de captura não foram correlacionadas com as temperaturas médias mensais, nem com a pluviosidade. A atividade foi exclusivamente diurna, tendo sido encontrados indivíduos ativos entre as 6:40 h e 18:15 h. A atividade diária variou ao longo do ano, sendo mais concentrada nos períodos mais quentes do dia durante o outono e inverno, e deslocada mais para o início da manhã e final da tarde durante os dias ensolarados da primavera e verão; nos dias nublados de primavera e verão a atividade se estendeu desde o início da manhã até o meio da tarde. Indivíduos ativos foram encontrados em temperaturas do substrato variando entre 20,0ºC e 39,5ºC, mas a maioria dos encontros ocorreu entre 25ºC e 33ºC
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