A natureza do psíquico e o sentido da metapsicologia na psicanálise freudiana
| Ano de defesa: | 2006 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de São Carlos
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| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-Graduação em Filosofia - PPGFil
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
BR
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| Palavras-chave em Português: | |
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| Link de acesso: | https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/4740 |
Resumo: | O texto Sobre a concepção das afasias , publicado em 1891, pode ser considerado o passo inaugural da metapsicologia freudiana, devido à reflexão aí presente sobre a natureza da representação. A crítica empreendida por Freud às concepções neurológicas predominantes sobre as afasias e à teoria neurológica mais geral que as embasavam acaba levando-o a redefinir o conceito de representação, central para o que se tornaria a sua metapsicologia. Encontramos também, nesse texto, a origem da noção de aparelho : Freud apresenta aí o conceito de aparelho de linguagem , de cujos desenvolvimentos posteriores resultará, em 1900, a noção de aparelho psíquico . Embora encontremos, nessa monografia de 1891, uma primeira formulação dos conceitos freudianos de representação e de aparelho, não está presente ainda, nesse momento, a idéia de um psíquico inconsciente. Ao contrário, é notável a recusa explícita de Freud da possibilidade de existência de algo que seja ao mesmo tempo mental e inconsciente: a mente restringir-se-ia ao consciente e, portanto, a idéia de uma representação inconsciente, se entendida literalmente, seria uma contradição em termos, tendo em vista as hipóteses sustentadas por Freud nesse trabalho. O primeiro lugar em que Freud desvincula explicitamente os conceitos de mente e de consciência é no Projeto de uma psicologia , texto redigido em 1895, mas publicado postumamente em 1950. Nos textos sobre as neuroses que se intercalam entre 1891 e 1895, podemos perceber que já há uma certa relutância de Freud em manter a identificação do mental à consciência, mas ele não chega a descartá-la de fato, o que é feito somente no Projeto... . Freud propõe aí que o psíquico seja independente e mais amplo do que a consciência: esta deixa de corresponder a todo o psíquico e passa a ser pensada como uma qualidade que pode vir a se acrescentar a uma pequena parte dos processos psíquicos inconscientes. Para incorporar a noção de psíquico inconsciente em sua teoria, Freud passa a considerar, no Projeto... , que a representação não é mais, como havia sido pensado em 1891, o concomitante psíquico de um processo cortical associativo; a representação passa a ser o próprio processo cortical. Em 1895, Freud identifica claramente o psíquico inconsciente a processos cerebrais e tenta formular uma teoria sobre esses processos em termos neurológicos. A metapsicologia, portanto, nesse momento inicial do pensamento freudiano, ainda é explicitamente uma neuropsicologia. Sabemos que, nos textos metapsicológicos posteriores de Freud, essa referência explícita à neurologia desaparece. Mas será que isso quer dizer que Freud deixou de lado sua concepção do Projeto... de que os processos psíquicos inconscientes seriam processos cerebrais? A metapsicologia, de início claramente uma neurologia, passou a ser uma pura psicologia, porque a natureza do seu objeto de estudo passou a ser pensada de outra forma, isto é, porque Freud deixou de acreditar que os processos psíquicos inconscientes sejam processos cerebrais? Nessa tese, percorreremos os textos metapsicológicos de Freud tentando encontrar, por um lado, uma resposta a essas questões e, por outro, tentando esclarecer como esse conceito de psíquico inconsciente vai sendo desenvolvido ao longo do pensamento metapsicológico freudiano. O que justifica o conceito de um psíquico inconsciente? Quais são suas propriedades? Que relação há entre o inconsciente e a consciência? Qual a natureza desse psíquico inconsciente e qual é o estatuto da metapsicologia freudiana? Essas são as questões que se procurará desenvolver aqui. |
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Ao contrário, é notável a recusa explícita de Freud da possibilidade de existência de algo que seja ao mesmo tempo mental e inconsciente: a mente restringir-se-ia ao consciente e, portanto, a idéia de uma representação inconsciente, se entendida literalmente, seria uma contradição em termos, tendo em vista as hipóteses sustentadas por Freud nesse trabalho. O primeiro lugar em que Freud desvincula explicitamente os conceitos de mente e de consciência é no Projeto de uma psicologia , texto redigido em 1895, mas publicado postumamente em 1950. Nos textos sobre as neuroses que se intercalam entre 1891 e 1895, podemos perceber que já há uma certa relutância de Freud em manter a identificação do mental à consciência, mas ele não chega a descartá-la de fato, o que é feito somente no Projeto... . Freud propõe aí que o psíquico seja independente e mais amplo do que a consciência: esta deixa de corresponder a todo o psíquico e passa a ser pensada como uma qualidade que pode vir a se acrescentar a uma pequena parte dos processos psíquicos inconscientes. Para incorporar a noção de psíquico inconsciente em sua teoria, Freud passa a considerar, no Projeto... , que a representação não é mais, como havia sido pensado em 1891, o concomitante psíquico de um processo cortical associativo; a representação passa a ser o próprio processo cortical. Em 1895, Freud identifica claramente o psíquico inconsciente a processos cerebrais e tenta formular uma teoria sobre esses processos em termos neurológicos. A metapsicologia, portanto, nesse momento inicial do pensamento freudiano, ainda é explicitamente uma neuropsicologia. Sabemos que, nos textos metapsicológicos posteriores de Freud, essa referência explícita à neurologia desaparece. Mas será que isso quer dizer que Freud deixou de lado sua concepção do Projeto... de que os processos psíquicos inconscientes seriam processos cerebrais? A metapsicologia, de início claramente uma neurologia, passou a ser uma pura psicologia, porque a natureza do seu objeto de estudo passou a ser pensada de outra forma, isto é, porque Freud deixou de acreditar que os processos psíquicos inconscientes sejam processos cerebrais? Nessa tese, percorreremos os textos metapsicológicos de Freud tentando encontrar, por um lado, uma resposta a essas questões e, por outro, tentando esclarecer como esse conceito de psíquico inconsciente vai sendo desenvolvido ao longo do pensamento metapsicológico freudiano. O que justifica o conceito de um psíquico inconsciente? Quais são suas propriedades? Que relação há entre o inconsciente e a consciência? Qual a natureza desse psíquico inconsciente e qual é o estatuto da metapsicologia freudiana? 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