Direito Penal Militar e a proteção dos Direitos Humanos: uma análise da violência hierárquica na tradição militar brasileira
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Catolica de Pelotas
Centro de Ciencias Sociais e Tecnologicas Brasil UCPel Programa de Pos-Graduacao em Politica Social |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://tede.ucpel.edu.br:8080/jspui/handle/jspui/1045 |
Resumo: | A presente dissertação tem como objetivo analisar em que medida o Direito Penal Militar atua na proteção dos direitos humanos no contexto das Forças Armadas brasileiras (Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira), com foco na violência hierárquica (aquela praticada por superiores hierárquicos). O estudo aborda a atuação do Sistema de Justiça Criminal Militar da União, composto pela Polícia Judiciária Militar, Auditorias Militares e Superior Tribunal Militar, destacando, inclusive, como esses órgãos desempenham suas funções no que tange à repressão e punição de condutas abusivas praticadas por superiores hierárquicos. A pesquisa examina os tipos penais previstos no Código Penal Militar (CPM), especialmente os crimes de violência contra inferior (art. 175) e de ofensa aviltante a inferior (art. 176), buscando compreender a efetividade dessas normas na proteção da dignidade dos militares de menor posto/graduação. Com base em uma abordagem histórico analítica, a dissertação contextualiza a origem e o desenvolvimento das tradições militares brasileiras e seu impacto na criação de um ambiente de subordinação incondicional. O conceito de tradição militar é diferenciado do costume militar, demonstrando-se como ele sustenta a estrutura hierárquica e a rígida disciplina, que servem, em algumas situações, como instrumento de legitimação de comportamentos violentos. O presente trabalho esclarece a estrutura da Justiça Militar da União, com ênfase no modelo do escabinato (composição híbrida de magistrado togado e de juízes militares). O estudo compara a Justiça Militar brasileira com sistemas de justiça militar de outros países, como Estados Unidos e Canadá, abordando as semelhanças e diferenças de modo a promover a distinção das Corte Marciais (no qual o julgamento dos militares fica sob a égide do Poder Executivo). Nesse sentido, o trabalho discute os desafios de alinhar a aplicação do Direito Penal Militar aos compromissos internacionais de proteção dos direitos humanos assumidos pelo Brasil, especialmente no que concerne à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). A pesquisa demonstra que, embora as normas do Direito Penal Militar visem à proteção da dignidade dos militares, a naturalização da violência e o decorrente “ilegalismo” impõem barreiras à efetiva tutela dos direitos humanos no contexto da caserna. Conclui-se que o Direito Penal Militar brasileiro, tal como estruturado atualmente, ainda apresenta desafios entre teoria e prática, uma vez que a existência de normas penais não afasta a existência de “trotes”, “chás de manta” e correlatos no dia a dia da vida militar. Dessa forma, para que o Direito Penal Militar cumpra plenamente seu papel no Estado Democrático de Direito, torna-se imprescindível para além da existência do campo normativo (norma criminal), uma transformação cultural que promova, nas Forças Armadas, um ambiente de respeito à dignidade humana e afastem práticas abusivas que minam a integridade dos militares subordinados. |
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A pesquisa examina os tipos penais previstos no Código Penal Militar (CPM), especialmente os crimes de violência contra inferior (art. 175) e de ofensa aviltante a inferior (art. 176), buscando compreender a efetividade dessas normas na proteção da dignidade dos militares de menor posto/graduação. Com base em uma abordagem histórico analítica, a dissertação contextualiza a origem e o desenvolvimento das tradições militares brasileiras e seu impacto na criação de um ambiente de subordinação incondicional. O conceito de tradição militar é diferenciado do costume militar, demonstrando-se como ele sustenta a estrutura hierárquica e a rígida disciplina, que servem, em algumas situações, como instrumento de legitimação de comportamentos violentos. O presente trabalho esclarece a estrutura da Justiça Militar da União, com ênfase no modelo do escabinato (composição híbrida de magistrado togado e de juízes militares). O estudo compara a Justiça Militar brasileira com sistemas de justiça militar de outros países, como Estados Unidos e Canadá, abordando as semelhanças e diferenças de modo a promover a distinção das Corte Marciais (no qual o julgamento dos militares fica sob a égide do Poder Executivo). Nesse sentido, o trabalho discute os desafios de alinhar a aplicação do Direito Penal Militar aos compromissos internacionais de proteção dos direitos humanos assumidos pelo Brasil, especialmente no que concerne à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). A pesquisa demonstra que, embora as normas do Direito Penal Militar visem à proteção da dignidade dos militares, a naturalização da violência e o decorrente “ilegalismo” impõem barreiras à efetiva tutela dos direitos humanos no contexto da caserna. Conclui-se que o Direito Penal Militar brasileiro, tal como estruturado atualmente, ainda apresenta desafios entre teoria e prática, uma vez que a existência de normas penais não afasta a existência de “trotes”, “chás de manta” e correlatos no dia a dia da vida militar. Dessa forma, para que o Direito Penal Militar cumpra plenamente seu papel no Estado Democrático de Direito, torna-se imprescindível para além da existência do campo normativo (norma criminal), uma transformação cultural que promova, nas Forças Armadas, um ambiente de respeito à dignidade humana e afastem práticas abusivas que minam a integridade dos militares subordinados.This dissertation aims to analyze the extent to which Military Criminal Law protects human rights within the context of the Brazilian Armed Forces, with a focus on hierarchical violence (that perpetrated by superiors). The study examines the role of the Union's Military Criminal Justice System, comprising the Military Judicial Police, Military Courts, and the Superior Military Court, highlighting how these bodies carry out their duties concerning the repression and punishment of abusive conduct by superiors. The research explores the criminal offenses set forth in the Military Penal Code (MPC), particularly the crimes of violence against subordinates (Art. 175) and degrading offenses against subordinates (Art. 176), to understand the effectiveness of these provisions in safeguarding the dignity of lower-ranking military personnel. Using a historical-analytical approach, the dissertation contextualizes the origin and development of Brazilian military traditions and their impact on creating an environment of unconditional subordination. The concept of military tradition is differentiated from custom, showing how it upholds the hierarchical structure and strict discipline, which, in certain situations, serve as instruments legitimizing violent behaviors. This work elucidates the structure of the Union’s Military Justice, emphasizing the model of the escabinato (a hybrid composition of a professional judge and military judges). The study compares the Brazilian Military Justice System with those of other countries, such as the United States and Canada, addressing similarities and differences to distinguish Courts-Martial. In this context, the dissertation discusses the challenges of aligning the application of Military Criminal Law with Brazil’s international human rights obligations, particularly regarding the American Convention on Human Rights (Pact of San José, Costa Rica). The research demonstrates that, although the norms of Military Criminal Law aim to protect the dignity of military members, the normalization of violence and the resulting “illegalism” pose obstacles to the effective protection of human rights within the barracks. The conclusion reached is that Brazilian Military Criminal Law, as currently structured, still faces challenges in bridging the gap between theory and practice, as the existence of criminal norms does not prevent practices such as “hazing,” “blanket parties,” and related behaviors in daily military life. Thus, for Military Criminal Law to fully fulfill its role within a Democratic State governed by the Rule of Law, it is essential, beyond the existence of the legal framework (criminal norms), to foster a cultural transformation within the Armed Forces that promotes an environment of respect for human dignity and eliminates abusive practices that undermine the integrity of subordinates.Universidade Catolica de PelotasCentro de Ciencias Sociais e TecnologicasBrasilUCPelPrograma de Pos-Graduacao em Politica SocialSOUZA, Aknaton ToczekSILVEIRA, Felipe Lazzari daBORDIN, MarceloKINOSHITA, AdrianaARAÚJO, Wendell Petrachim2025-02-11T12:45:59Z2024-12-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfARAÚJO, Wendell Petrachim. Direito Penal Militar e a proteção dos Direitos Humanos: uma análise da violência hierárquica na tradição militar brasileira. 2024. 112 f. Dissertação( Programa de Pós-Graduação em Politica Social) - Universidade Católica de Pelotas, Pelotas .http://tede.ucpel.edu.br:8080/jspui/handle/jspui/1045porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do UCpelinstname:Universidade Católica de Pelotas (UCPEL)instacron:UCPEL2025-02-12T03:10:15Zoai:tede.ucpel.edu.br:jspui/1045Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www2.ufpel.edu.br/tede/http://tede.ucpel.edu.br:8080/oai/requestbiblioteca@ucpel.edu.br||cristiane.chim@ucpel.tche.bropendoar:2025-02-12T03:10:15Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do UCpel - Universidade Católica de Pelotas (UCPEL)false |
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