Artista enquanto prática
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/22397 |
Resumo: | meu trabalho de artista não reside em objetos ou produções, mas em como existo. esta tese é a cartografia dessa premissa, um corpo textual que se move em espiral para provar seu ponto. o percurso se inicia no ensaio “antes de tudo, havia a escola”, um mergulho afetivo e crítico na memória para mapear a origem do desejo no chão de um caic (centro de atenção integral à criança e ao adolescente) de periferia, minha primeira utopia e o projeto arquitetônico de tudo que viria depois. a partir dessa origem, a tese se amplifica teoricamente com o manifesto “nós artistas não criamos obras de arte. nós inventamos práticas”, uma transluciferação combativa do texto de silvio lang (2019), que recusa o objeto para propor a invenção de práticas sensíveis como método de descolonização interior. essa recusa teórica ganha sustentação histórica em “artista enquanto prática”, ensaio autobiográfico que me inscreve em uma linhagem de resistência artística brasileira, demonstrando como a desmaterialização em hélio oiticica, lygia clark e leonilson não foi uma escolha estética, mas estratégia de sobrevivência. a teoria, então, desdobra-se em ação através de um conjunto de projetos performáticos que investigam o corpo como arquivo vivo. em “performance sob encomenda”, meu corpo se torna um dispositivo terceirizado para a colaboração radical, executando os desejos do público para tensionar a autoria. em seguida, “o homem que era só metade” adapta um ensaio original do meu trabalho de conclusão de curso da graduação e o expande com um novo texto sobre a logística afetiva do resgate; assim, apresenta um boneco que criei para ser meu duplo de tecido e adota um tom narrativo e melancólico para explorar a identidade fragmentada e o abandono. em “você não vai ficar triste?”, o tom se torna cru e confessional ao politizar um diagnóstico, transformando a experiência da doença e do estigma em uma prática de sobrevivência que só é possível pela construção de redes de cuidado. já em “‘filho, eu não me lembro mais de como você era sem tatuagem’ (e meu amigo jeff)”, a inscrição voluntária na pele se revela um método arqueológico para dar contorno ao caos, um gesto de autoarquivamento que só se completa pelo olhar de confiança de um amigo. entre esses gestos, insere-se “paisagem e a repetição do que é impermanente”, um capítulo visual composto por mais de cinco mil imagens capturadas nas praias, passagens e paisagens do leste da ilha de santa catarina, uma prática de observação obsessiva e contemplativa que busca a repetição no que é, por natureza, impermanente. por fim, a tese retorna ao ponto de partida com “depois de tudo, ainda existe a escola e a escola é o mundo”, um texto de tom resignado e esperançoso que sintetiza toda a jornada. aqui, a prática de habitar as ruínas da instituição e a pedagogia do afeto, inspirada no parangolé de oiticica, tornam-se a forma final de insubordinação, a aplicação de uma vida inteira de pesquisa no gesto de continuar existindo, mesmo quando ninguém chama isso de arte. |
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