A influência do samba brasileiro em indivíduos com Doença de Parkinson
| Ano de defesa: | 2017 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/24499 |
Resumo: | Introdução: A doença de Parkinson (DP), promove sintomas motores e não motores, que ao se agravarem aumentam as limitações destes indivíduos afetando diretamente na qualidade de vida (QV) destes. Apesar de diferentes opções de tratamento já desenvolvidas para a doença, o envolvimento concomitante de outras áreas de cuidados de saúde, como a dança, desempenha um papel importante na complementação do tratamento. Objetivo: Analisar a influência do samba brasileiro por meio de um protocolo nos sintomas motores e não motores de indivíduos com DP. Metodologia: Esta pesquisa seguiu três etapas: 1. Criação de um protocolo de Samba Brasileiro para tratamento adjuvante de indivíduos com DP; 2. Verificar a viabilidade deste protocolo nesta população; e 3. Aplicação do protocolo por meio de ensaio clínico não randomizado para averiguar a influência do mesmo nos sintomas motores (desfecho 1) e não motores (desfecho 2). O estudo de viabilidade contou com 20 participantes, integrantes da Associação Parkinson Santa Catarina (APASC), com média de idade de 66,4±10,7 anos, divididos em grupo controle (GC) e experimental (CE). O ensaio clínico não randomizado foi composto por 47 integrantes da APASC (68,3±9,3 anos), com 6,5±5,7 anos de sintomas iniciais da doença e aproximadamente 5,2±5,1 anos de diagnóstico da mesma. Destes 23 integraram o (GE) e 24 o (GC), ainda para a análise do segundo desfecho os indivíduos foram divididos nos dois subtipos da doença de acordo com as características predominantes do fenótipo motor de cada um em Tremor Dominante (TD) e instabilidade postural e dificuldade de andar (PIGD). Antes de iniciar a coleta de dados os indivíduos com DP responderam ao Mini Exame do Estado Mental (MEEM), que foi utilizado como critério de exclusão. Para a coleta dos dados utilizou-se um questionário aplicado em formato de entrevista, dividido em dez partes: informações gerais; Escala de estágios de incapacidade de Hoehn e Yahr; Escala unificada de avaliação da doença de Parkinson - Parkinson Disease Questionnaire; Escala de sono para doença de Parkinson; Inventário de Depressão de Beck; Escala de equilíbrio de Berg; Escala de severidade de fadiga e escala likert para a obtenção da mínima diferença clinicamente importante; e o Protocolo de samba brasileiro para indivíduos com DP. A análise estatística foi realizada por meio dos testes: Qui quadrado, Teste Exato de Fisher, Teste T para amostras independentes, correlação de Pearson, Regressão linear múltipla, Anova Two way com medidas repetidas e Teste de comparação de Sydak, com nível de significância de 5%. Resultados: O protocolo de Samba Brasileiro foi formulado com doze semanas de intervenção, com duas aulas semanais de 60 minutos. O mesmo se mostrou viável para aplicação em indivíduos com DP, com alta frequência dos alunos e ausência de quedas. Por sua característica segura, prazerosa e por apresentar benefícios físicos suficientes a uma atividade concomitante ao tratamento medicamentoso, com benfeitoria também nas relações sociais se torna uma possível ferramenta de manutenção dos alunos em programas de intervenção. Quando observados os resultados do primeiro desfecho, após as doze semanas o GE apresentou melhora significativa no equilíbrio, com mudança de escore de 3,4 (p=0,003), e ao comparar com o período pós do GC, apresentou também diferença significativa (p=0,010). A exploração motora apresentou mudança no GE com destaque para os valores totais, com mudança de escore de 5,0 (p<0,001) e os movimentos rápidos alternados das mãos com mudança de 0,7 (p<0,001). Na comparação com o GC destacaram-se a agilidade das pernas (p=0,007) e a marcha (p=0,029). Também foram observadas mudanças positivas quanto as atividades de vida diária (AVDs) com destaque para higiene (p=0,043) e quedas (p=0,043). Ao verificar o impacto que as mudanças do equilíbrio, e da exploração motora causaram nas AVDs dos indivíduos com DP observou-se a influência da melhora dos sintomas motores também na melhora dos escores das AVDs, em especial para o item marcha em todos os modelos ajustados seguidos pela bradicinesia, agilidade dos dedos, tremor postural (caracterizado pelo tremor ao executar uma ação) além dos escores totais de exploração motora UPDRS III. Ao analisar o segundo desfecho após as doze semanas de intervenção, observa-se que o GE apresentou melhora nos escores de todos os testes (sem mudanças significativas). A comparação entre os grupos, porém indicou diferença significativa no período pós do UPDRS I (p=0,020) no qual o grupo GE apresentou melhora no comprometimento cognitivo, enquanto que o GC apresentou déficit nesses valores (ME=0,4/ ME= -0,4). Os resultados a partir da divisão entre os subtipos da doença, mostram uma maior mudança nos valores entre os indivíduos do grupo TD, onde apenas o sono não apresentou diferenças significativas quando comparado ao GE com o GC. E quanto ao GE, a maior diferença encontrada entre o período pré e pós foi em relação a fadiga (ME=7,8/ p=0,013). Entre os indivíduos que apresentaram PIGD como principal característica, não foi observada mudanças significativas quando comparadas ao período pós entre o GE e GC, nem entre os períodos pré e pós do GE. Já no GC observou-se melhora significativa nos escores dos sintomas depressivos (ME= 4,1/ p= 0,041). Conclusão: Por meio dos resultados desta dissertação, observou-se que o samba brasileiro aparenta ser uma ferramenta viável a essa população, uma vez que parece ser uma atividade segura e benéfica, física e psicologicamente, a ser utilizada concomitantemente ao tratamento medicamentoso. Influenciou positivamente nos sintomas motores da DP após as doze semanas de intervenção e apesar das evidencias quanto aos sintomas não motores não terem sido tão marcantes quanto as encontradas nas manifestações motoras, houve uma tendência positiva em todas as variáveis estudadas. Ainda as diferenças encontradas após a intervenção entre os subtipos da DP, onde indivíduos com características TD parecem apresentar melhores resultados, demonstram que as intervenções como a dança podem acarretar maiores efeitos nos sintomas não motores dependendo da progressão já esperada da doença. Talvez a escassez de estudos que utilizem essa abordagem em suas análises seja a razão para o menor número de evidencias nesses sintomas quando relacionado a dança. É importante salientar também que, nem sempre os resultados numéricos apontam os valores desejados, porém as mudanças clinicamente importantes apontadas por eles foram muitas e mostram-se bastante relevantes pelo caráter progressivo da doença, em que a mínima melhora ou mesmo a estagnação temporária da evolução dos sintomas devem ser comemoradas e levadas em consideração para novas propostas de protocolos, ações de reabilitação e estudos. Neste interim, estimula-se a produção de novos programas de reabilitação que não enfatizem o envolvimento médico, e sim um ambiente agradável de interação que acarrete também os benefícios físicos necessários aos indivíduos com DP. |
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Aplicação do protocolo por meio de ensaio clínico não randomizado para averiguar a influência do mesmo nos sintomas motores (desfecho 1) e não motores (desfecho 2). O estudo de viabilidade contou com 20 participantes, integrantes da Associação Parkinson Santa Catarina (APASC), com média de idade de 66,4±10,7 anos, divididos em grupo controle (GC) e experimental (CE). O ensaio clínico não randomizado foi composto por 47 integrantes da APASC (68,3±9,3 anos), com 6,5±5,7 anos de sintomas iniciais da doença e aproximadamente 5,2±5,1 anos de diagnóstico da mesma. Destes 23 integraram o (GE) e 24 o (GC), ainda para a análise do segundo desfecho os indivíduos foram divididos nos dois subtipos da doença de acordo com as características predominantes do fenótipo motor de cada um em Tremor Dominante (TD) e instabilidade postural e dificuldade de andar (PIGD). Antes de iniciar a coleta de dados os indivíduos com DP responderam ao Mini Exame do Estado Mental (MEEM), que foi utilizado como critério de exclusão. Para a coleta dos dados utilizou-se um questionário aplicado em formato de entrevista, dividido em dez partes: informações gerais; Escala de estágios de incapacidade de Hoehn e Yahr; Escala unificada de avaliação da doença de Parkinson - Parkinson Disease Questionnaire; Escala de sono para doença de Parkinson; Inventário de Depressão de Beck; Escala de equilíbrio de Berg; Escala de severidade de fadiga e escala likert para a obtenção da mínima diferença clinicamente importante; e o Protocolo de samba brasileiro para indivíduos com DP. A análise estatística foi realizada por meio dos testes: Qui quadrado, Teste Exato de Fisher, Teste T para amostras independentes, correlação de Pearson, Regressão linear múltipla, Anova Two way com medidas repetidas e Teste de comparação de Sydak, com nível de significância de 5%. Resultados: O protocolo de Samba Brasileiro foi formulado com doze semanas de intervenção, com duas aulas semanais de 60 minutos. O mesmo se mostrou viável para aplicação em indivíduos com DP, com alta frequência dos alunos e ausência de quedas. Por sua característica segura, prazerosa e por apresentar benefícios físicos suficientes a uma atividade concomitante ao tratamento medicamentoso, com benfeitoria também nas relações sociais se torna uma possível ferramenta de manutenção dos alunos em programas de intervenção. Quando observados os resultados do primeiro desfecho, após as doze semanas o GE apresentou melhora significativa no equilíbrio, com mudança de escore de 3,4 (p=0,003), e ao comparar com o período pós do GC, apresentou também diferença significativa (p=0,010). A exploração motora apresentou mudança no GE com destaque para os valores totais, com mudança de escore de 5,0 (p<0,001) e os movimentos rápidos alternados das mãos com mudança de 0,7 (p<0,001). Na comparação com o GC destacaram-se a agilidade das pernas (p=0,007) e a marcha (p=0,029). Também foram observadas mudanças positivas quanto as atividades de vida diária (AVDs) com destaque para higiene (p=0,043) e quedas (p=0,043). Ao verificar o impacto que as mudanças do equilíbrio, e da exploração motora causaram nas AVDs dos indivíduos com DP observou-se a influência da melhora dos sintomas motores também na melhora dos escores das AVDs, em especial para o item marcha em todos os modelos ajustados seguidos pela bradicinesia, agilidade dos dedos, tremor postural (caracterizado pelo tremor ao executar uma ação) além dos escores totais de exploração motora UPDRS III. Ao analisar o segundo desfecho após as doze semanas de intervenção, observa-se que o GE apresentou melhora nos escores de todos os testes (sem mudanças significativas). A comparação entre os grupos, porém indicou diferença significativa no período pós do UPDRS I (p=0,020) no qual o grupo GE apresentou melhora no comprometimento cognitivo, enquanto que o GC apresentou déficit nesses valores (ME=0,4/ ME= -0,4). Os resultados a partir da divisão entre os subtipos da doença, mostram uma maior mudança nos valores entre os indivíduos do grupo TD, onde apenas o sono não apresentou diferenças significativas quando comparado ao GE com o GC. E quanto ao GE, a maior diferença encontrada entre o período pré e pós foi em relação a fadiga (ME=7,8/ p=0,013). Entre os indivíduos que apresentaram PIGD como principal característica, não foi observada mudanças significativas quando comparadas ao período pós entre o GE e GC, nem entre os períodos pré e pós do GE. Já no GC observou-se melhora significativa nos escores dos sintomas depressivos (ME= 4,1/ p= 0,041). Conclusão: Por meio dos resultados desta dissertação, observou-se que o samba brasileiro aparenta ser uma ferramenta viável a essa população, uma vez que parece ser uma atividade segura e benéfica, física e psicologicamente, a ser utilizada concomitantemente ao tratamento medicamentoso. Influenciou positivamente nos sintomas motores da DP após as doze semanas de intervenção e apesar das evidencias quanto aos sintomas não motores não terem sido tão marcantes quanto as encontradas nas manifestações motoras, houve uma tendência positiva em todas as variáveis estudadas. Ainda as diferenças encontradas após a intervenção entre os subtipos da DP, onde indivíduos com características TD parecem apresentar melhores resultados, demonstram que as intervenções como a dança podem acarretar maiores efeitos nos sintomas não motores dependendo da progressão já esperada da doença. Talvez a escassez de estudos que utilizem essa abordagem em suas análises seja a razão para o menor número de evidencias nesses sintomas quando relacionado a dança. É importante salientar também que, nem sempre os resultados numéricos apontam os valores desejados, porém as mudanças clinicamente importantes apontadas por eles foram muitas e mostram-se bastante relevantes pelo caráter progressivo da doença, em que a mínima melhora ou mesmo a estagnação temporária da evolução dos sintomas devem ser comemoradas e levadas em consideração para novas propostas de protocolos, ações de reabilitação e estudos. 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O estudo de viabilidade contou com 20 participantes, integrantes da Associação Parkinson Santa Catarina (APASC), com média de idade de 66,4±10,7 anos, divididos em grupo controle (GC) e experimental (CE). O ensaio clínico não randomizado foi composto por 47 integrantes da APASC (68,3±9,3 anos), com 6,5±5,7 anos de sintomas iniciais da doença e aproximadamente 5,2±5,1 anos de diagnóstico da mesma. Destes 23 integraram o (GE) e 24 o (GC), ainda para a análise do segundo desfecho os indivíduos foram divididos nos dois subtipos da doença de acordo com as características predominantes do fenótipo motor de cada um em Tremor Dominante (TD) e instabilidade postural e dificuldade de andar (PIGD). Antes de iniciar a coleta de dados os indivíduos com DP responderam ao Mini Exame do Estado Mental (MEEM), que foi utilizado como critério de exclusão. Para a coleta dos dados utilizou-se um questionário aplicado em formato de entrevista, dividido em dez partes: informações gerais; Escala de estágios de incapacidade de Hoehn e Yahr; Escala unificada de avaliação da doença de Parkinson - Parkinson Disease Questionnaire; Escala de sono para doença de Parkinson; Inventário de Depressão de Beck; Escala de equilíbrio de Berg; Escala de severidade de fadiga e escala likert para a obtenção da mínima diferença clinicamente importante; e o Protocolo de samba brasileiro para indivíduos com DP. A análise estatística foi realizada por meio dos testes: Qui quadrado, Teste Exato de Fisher, Teste T para amostras independentes, correlação de Pearson, Regressão linear múltipla, Anova Two way com medidas repetidas e Teste de comparação de Sydak, com nível de significância de 5%. Resultados: O protocolo de Samba Brasileiro foi formulado com doze semanas de intervenção, com duas aulas semanais de 60 minutos. O mesmo se mostrou viável para aplicação em indivíduos com DP, com alta frequência dos alunos e ausência de quedas. Por sua característica segura, prazerosa e por apresentar benefícios físicos suficientes a uma atividade concomitante ao tratamento medicamentoso, com benfeitoria também nas relações sociais se torna uma possível ferramenta de manutenção dos alunos em programas de intervenção. Quando observados os resultados do primeiro desfecho, após as doze semanas o GE apresentou melhora significativa no equilíbrio, com mudança de escore de 3,4 (p=0,003), e ao comparar com o período pós do GC, apresentou também diferença significativa (p=0,010). A exploração motora apresentou mudança no GE com destaque para os valores totais, com mudança de escore de 5,0 (p<0,001) e os movimentos rápidos alternados das mãos com mudança de 0,7 (p<0,001). Na comparação com o GC destacaram-se a agilidade das pernas (p=0,007) e a marcha (p=0,029). 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Os resultados a partir da divisão entre os subtipos da doença, mostram uma maior mudança nos valores entre os indivíduos do grupo TD, onde apenas o sono não apresentou diferenças significativas quando comparado ao GE com o GC. E quanto ao GE, a maior diferença encontrada entre o período pré e pós foi em relação a fadiga (ME=7,8/ p=0,013). Entre os indivíduos que apresentaram PIGD como principal característica, não foi observada mudanças significativas quando comparadas ao período pós entre o GE e GC, nem entre os períodos pré e pós do GE. Já no GC observou-se melhora significativa nos escores dos sintomas depressivos (ME= 4,1/ p= 0,041). Conclusão: Por meio dos resultados desta dissertação, observou-se que o samba brasileiro aparenta ser uma ferramenta viável a essa população, uma vez que parece ser uma atividade segura e benéfica, física e psicologicamente, a ser utilizada concomitantemente ao tratamento medicamentoso. 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TILLMANN, Ana Cristina. <b>A influência do samba brasileiro em indivíduos com Doença de Parkinson</b>. 2025. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano) - Udesc, Florianópolis, 2017. Disponível em: https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/24499. Acesso em: insira aqui a data de acesso ao material. Ex: 18 fev. 2025. https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/24499 |
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