Campomanesia xanthocarpa (Mart.) O. Berg COMO FONTE DE COMPOSTOS FENÓLICOS BIOATIVOS: PROSPECÇÃO, MECANISMOS DE AÇÃO E VALIDAÇÃO FUNCIONAL IN VITRO, IN SILICO E IN VIVO

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Silva, Vanessa Ruana Ferreira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: eng
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/25578
Resumo: Campomanesia xanthocarpa (Mart.) O. Berg, conhecida popularmente como guabiroba, é uma espécie nativa do Brasil pertencente à família Myrtaceae, amplamente distribuída em diferentes biomas brasileiros e reconhecida por seu potencial funcional associado à presença de compostos fenólicos bioativos. Nos últimos anos, essa espécie tem despertado crescente interesse científico devido às suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, cardioprotetoras e moduladoras do metabolismo. Nesse contexto, esta tese teve como objetivo investigar de forma integrada o perfil fitoquímico, as atividades biológicas e o potencial funcional de preparações obtidas a partir de folhas e frutos de Campomanesia xanthocarpa, utilizando abordagens complementares in vitro, in silico e in vivo, a fim de compreender os mecanismos de ação de seus compostos fenólicos e seu potencial de aplicação em estratégias nutricionais e biotecnológicas. Inicialmente, foi conduzida uma análise abrangente da literatura científica com foco na composição fenólica e nas propriedades biológicas associadas à espécie. Os estudos reportados indicam que C. xanthocarpa apresenta elevada diversidade de compostos fenólicos, incluindo flavonoides e ácidos fenólicos como quercetina, miricetina, kaempferol, rutina, ácido gálico, ácido elágico e ácido clorogênico. Esses metabólitos têm sido associados a diferentes atividades biológicas, incluindo propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, cardioprotetoras e antidiabéticas. Além disso, evidências da literatura indicam que muitos desses compostos apresentam capacidade de interação com proteínas envolvidas em vias metabólicas e inflamatórias, sugerindo potencial modulação de alvos moleculares relevantes em processos fisiopatológicos complexos. Com base nessas evidências, o segundo estudo avaliou o potencial citotóxico de infusões obtidas a partir de folhas e frutos de C. xanthocarpa utilizando células de melanoma humano (SK-MEL-28). A caracterização fitoquímica foi realizada por cromatografia líquida de alta eficiência acoplada à espectrometria de massas em tandem (LC-ESI-MS/MS), permitindo a identificação de 18 compostos fenólicos na infusão das folhas e 9 compostos fenólicos na infusão dos frutos. A atividade citotóxica foi inicialmente avaliada por meio do ensaio de viabilidade celular MTT, no qual a infusão das folhas demonstrou redução significativa da viabilidade das células tumorais em todas as concentrações testadas, enquanto a infusão dos frutos foi efetiva apenas na concentração de 800 μg/mL. Análises adicionais demonstraram que a infusão das folhas promoveu aumento na produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), redução dos níveis de grupos sulfidrilas proteicos (PSH) e disfunção mitocondrial avaliada por meio da perda do potencial de membrana mitocondrial (ΔΨm). Esses resultados sugerem que os compostos fenólicos presentes nas folhas de C. xanthocarpa podem induzir alterações no estado redox celular e comprometimento da função mitocondrial, mecanismos frequentemente associados à indução de morte celular em células tumorais. Para aprofundar a compreensão desses efeitos, foram conduzidas análises in silico de acoplamento molecular (molecular docking), com o objetivo de investigar a interação entre compostos fenólicos majoritários e proteínas-alvo envolvidas na progressão do melanoma. Os resultados demonstraram elevadas afinidades de ligação para compostos como epigalocatequina galato, isoquercitrina, rutina, kaempferol-3-O-rutinosídeo, ácido clorogênico e ácido elágico com proteínas relacionadas à proliferação e sobrevivência celular, incluindo BRAF, CDK4, CDK6, MEK1 e MEK2. Esses resultados indicam que os compostos fenólicos de C. xanthocarpa podem interferir em vias de sinalização relacionadas à proliferação e sobrevivência de células tumorais, reforçando seu potencial no desenvolvimento de terapias antineoplásicas. O terceiro estudo avaliou o potencial funcional das infusões de folhas e frutos de C. xanthocarpa por meio de análises fitoquímicas, digestão gastrointestinal simulada, ensaios de inibição enzimática e avaliação in vivo de marcadores glicêmicos. As infusões das folhas apresentaram perfil fenólico mais complexo, maior teor de compostos fenólicos totais e maior capacidade antioxidante em comparação às infusões dos frutos. A digestão simulada confirmou a bioacessibilidade e estabilidade gastrointestinal de flavonoides glicosilados, como quercetina-3-glicosídeo e derivados de kaempferol, especialmente nas infusões das folhas. Ensaios in vitro demonstraram elevada atividade inibitória frente às enzimas α-amilase e β-glicosidase, sugerindo potencial de modulação do metabolismo de carboidratos. Esses resultados foram complementados por um estudo in vivo, no qual cães saudáveis da raça beagle receberam biscoitos enriquecidos com infusão das folhas durante 32 dias. Não foram observadas alterações significativas na glicose de jejum ou na atividade da amilase sérica; entretanto, observou-se uma interação significativa entre tratamento e tempo para a frutosamina sérica, indicando uma modulação tardia do controle glicêmico, possivelmente associada à atividade antioxidante e antiglicante dos compostos fenólicos. Esses resultados ressaltam o potencial das folhas de C. xanthocarpa como ingrediente funcional em formulações alimentares voltadas à regulação glicêmica e à promoção da saúde metabólica. Adicionalmente, o quarto estudo, foi avaliado o potencial funcional de uma matriz alimentar sólida enriquecida com extrato aquoso rico em compostos fenólicos obtidos das folhas de C. xanthocarpa. Para isso, foi desenvolvida uma formulação de biscoitos funcionais incorporando o extrato vegetal, permitindo avaliar os efeitos metabólicos e fisiológicos da ingestão desses compostos em um modelo alimentar real. Cães adultos saudáveis da raça beagle receberam suplementação diária dessa matriz alimentar durante 32 dias, sendo monitorados parâmetros hematológicos, bioquímicos e imunológicos. Os resultados demonstraram que a suplementação foi segura, não sendo observadas alterações adversas nos parâmetros hepáticos, renais ou hematológicos dos animais. Entre os achados mais relevantes deste estudo, destacou-se uma redução significativa nos níveis séricos de colesterol total, com diminuição aproximada de 14% ao final do período experimental nos animais suplementados. Esse resultado representa um dos principais achados funcionais desta tese e indica um potencial efeito hipocolesterolêmico associado ao consumo dos compostos fenólicos presentes nas folhas de Campomanesia xanthocarpa. A redução de aproximadamente 14% nos níveis de colesterol total observada no modelo in vivo sugere um efeito cardiometabólico relevante desses compostos bioativos, reforçando o potencial da espécie como fonte natural de substâncias capazes de contribuir para a modulação do metabolismo lipídico. Adicionalmente, foram observadas alterações positivas em outros biomarcadores fisiológicos relevantes, incluindo aumento significativo nos níveis séricos de albumina, elevação dos níveis de imunoglobulina A (IgA) e aumento da atividade da colinesterase sérica, indicando possíveis efeitos benéficos sobre o estado metabólico e a resposta imunológica dos animais. De forma integrada, os resultados obtidos nesta tese demonstram que Campomanesia xanthocarpa constitui uma fonte promissora de compostos fenólicos bioativos com múltiplos efeitos biológicos. Destaca-se particularmente o efeito observado na redução de aproximadamente 14% do colesterol total no modelo in vivo, evidenciando o potencial funcional da espécie na modulação do metabolismo lipídico e reforçando sua relevância para o desenvolvimento de alimentos funcionais, nutracêuticos e estratégias nutricionais voltadas à prevenção de distúrbios cardiometabólicos.
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Nesse contexto, esta tese teve como objetivo investigar de forma integrada o perfil fitoquímico, as atividades biológicas e o potencial funcional de preparações obtidas a partir de folhas e frutos de Campomanesia xanthocarpa, utilizando abordagens complementares in vitro, in silico e in vivo, a fim de compreender os mecanismos de ação de seus compostos fenólicos e seu potencial de aplicação em estratégias nutricionais e biotecnológicas. Inicialmente, foi conduzida uma análise abrangente da literatura científica com foco na composição fenólica e nas propriedades biológicas associadas à espécie. Os estudos reportados indicam que C. xanthocarpa apresenta elevada diversidade de compostos fenólicos, incluindo flavonoides e ácidos fenólicos como quercetina, miricetina, kaempferol, rutina, ácido gálico, ácido elágico e ácido clorogênico. Esses metabólitos têm sido associados a diferentes atividades biológicas, incluindo propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, cardioprotetoras e antidiabéticas. Além disso, evidências da literatura indicam que muitos desses compostos apresentam capacidade de interação com proteínas envolvidas em vias metabólicas e inflamatórias, sugerindo potencial modulação de alvos moleculares relevantes em processos fisiopatológicos complexos. Com base nessas evidências, o segundo estudo avaliou o potencial citotóxico de infusões obtidas a partir de folhas e frutos de C. xanthocarpa utilizando células de melanoma humano (SK-MEL-28). A caracterização fitoquímica foi realizada por cromatografia líquida de alta eficiência acoplada à espectrometria de massas em tandem (LC-ESI-MS/MS), permitindo a identificação de 18 compostos fenólicos na infusão das folhas e 9 compostos fenólicos na infusão dos frutos. 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Para aprofundar a compreensão desses efeitos, foram conduzidas análises in silico de acoplamento molecular (molecular docking), com o objetivo de investigar a interação entre compostos fenólicos majoritários e proteínas-alvo envolvidas na progressão do melanoma. Os resultados demonstraram elevadas afinidades de ligação para compostos como epigalocatequina galato, isoquercitrina, rutina, kaempferol-3-O-rutinosídeo, ácido clorogênico e ácido elágico com proteínas relacionadas à proliferação e sobrevivência celular, incluindo BRAF, CDK4, CDK6, MEK1 e MEK2. Esses resultados indicam que os compostos fenólicos de C. xanthocarpa podem interferir em vias de sinalização relacionadas à proliferação e sobrevivência de células tumorais, reforçando seu potencial no desenvolvimento de terapias antineoplásicas. 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Não foram observadas alterações significativas na glicose de jejum ou na atividade da amilase sérica; entretanto, observou-se uma interação significativa entre tratamento e tempo para a frutosamina sérica, indicando uma modulação tardia do controle glicêmico, possivelmente associada à atividade antioxidante e antiglicante dos compostos fenólicos. Esses resultados ressaltam o potencial das folhas de C. xanthocarpa como ingrediente funcional em formulações alimentares voltadas à regulação glicêmica e à promoção da saúde metabólica. Adicionalmente, o quarto estudo, foi avaliado o potencial funcional de uma matriz alimentar sólida enriquecida com extrato aquoso rico em compostos fenólicos obtidos das folhas de C. xanthocarpa. Para isso, foi desenvolvida uma formulação de biscoitos funcionais incorporando o extrato vegetal, permitindo avaliar os efeitos metabólicos e fisiológicos da ingestão desses compostos em um modelo alimentar real. Cães adultos saudáveis da raça beagle receberam suplementação diária dessa matriz alimentar durante 32 dias, sendo monitorados parâmetros hematológicos, bioquímicos e imunológicos. Os resultados demonstraram que a suplementação foi segura, não sendo observadas alterações adversas nos parâmetros hepáticos, renais ou hematológicos dos animais. Entre os achados mais relevantes deste estudo, destacou-se uma redução significativa nos níveis séricos de colesterol total, com diminuição aproximada de 14% ao final do período experimental nos animais suplementados. Esse resultado representa um dos principais achados funcionais desta tese e indica um potencial efeito hipocolesterolêmico associado ao consumo dos compostos fenólicos presentes nas folhas de Campomanesia xanthocarpa. A redução de aproximadamente 14% nos níveis de colesterol total observada no modelo in vivo sugere um efeito cardiometabólico relevante desses compostos bioativos, reforçando o potencial da espécie como fonte natural de substâncias capazes de contribuir para a modulação do metabolismo lipídico. Adicionalmente, foram observadas alterações positivas em outros biomarcadores fisiológicos relevantes, incluindo aumento significativo nos níveis séricos de albumina, elevação dos níveis de imunoglobulina A (IgA) e aumento da atividade da colinesterase sérica, indicando possíveis efeitos benéficos sobre o estado metabólico e a resposta imunológica dos animais. De forma integrada, os resultados obtidos nesta tese demonstram que Campomanesia xanthocarpa constitui uma fonte promissora de compostos fenólicos bioativos com múltiplos efeitos biológicos. 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Inicialmente, foi conduzida uma análise abrangente da literatura científica com foco na composição fenólica e nas propriedades biológicas associadas à espécie. Os estudos reportados indicam que C. xanthocarpa apresenta elevada diversidade de compostos fenólicos, incluindo flavonoides e ácidos fenólicos como quercetina, miricetina, kaempferol, rutina, ácido gálico, ácido elágico e ácido clorogênico. Esses metabólitos têm sido associados a diferentes atividades biológicas, incluindo propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, cardioprotetoras e antidiabéticas. Além disso, evidências da literatura indicam que muitos desses compostos apresentam capacidade de interação com proteínas envolvidas em vias metabólicas e inflamatórias, sugerindo potencial modulação de alvos moleculares relevantes em processos fisiopatológicos complexos. 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Análises adicionais demonstraram que a infusão das folhas promoveu aumento na produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), redução dos níveis de grupos sulfidrilas proteicos (PSH) e disfunção mitocondrial avaliada por meio da perda do potencial de membrana mitocondrial (ΔΨm). Esses resultados sugerem que os compostos fenólicos presentes nas folhas de C. xanthocarpa podem induzir alterações no estado redox celular e comprometimento da função mitocondrial, mecanismos frequentemente associados à indução de morte celular em células tumorais. Para aprofundar a compreensão desses efeitos, foram conduzidas análises in silico de acoplamento molecular (molecular docking), com o objetivo de investigar a interação entre compostos fenólicos majoritários e proteínas-alvo envolvidas na progressão do melanoma. 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A digestão simulada confirmou a bioacessibilidade e estabilidade gastrointestinal de flavonoides glicosilados, como quercetina-3-glicosídeo e derivados de kaempferol, especialmente nas infusões das folhas. Ensaios in vitro demonstraram elevada atividade inibitória frente às enzimas α-amilase e β-glicosidase, sugerindo potencial de modulação do metabolismo de carboidratos. Esses resultados foram complementados por um estudo in vivo, no qual cães saudáveis da raça beagle receberam biscoitos enriquecidos com infusão das folhas durante 32 dias. Não foram observadas alterações significativas na glicose de jejum ou na atividade da amilase sérica; entretanto, observou-se uma interação significativa entre tratamento e tempo para a frutosamina sérica, indicando uma modulação tardia do controle glicêmico, possivelmente associada à atividade antioxidante e antiglicante dos compostos fenólicos. Esses resultados ressaltam o potencial das folhas de C. xanthocarpa como ingrediente funcional em formulações alimentares voltadas à regulação glicêmica e à promoção da saúde metabólica. Adicionalmente, o quarto estudo, foi avaliado o potencial funcional de uma matriz alimentar sólida enriquecida com extrato aquoso rico em compostos fenólicos obtidos das folhas de C. xanthocarpa. Para isso, foi desenvolvida uma formulação de biscoitos funcionais incorporando o extrato vegetal, permitindo avaliar os efeitos metabólicos e fisiológicos da ingestão desses compostos em um modelo alimentar real. Cães adultos saudáveis da raça beagle receberam suplementação diária dessa matriz alimentar durante 32 dias, sendo monitorados parâmetros hematológicos, bioquímicos e imunológicos. Os resultados demonstraram que a suplementação foi segura, não sendo observadas alterações adversas nos parâmetros hepáticos, renais ou hematológicos dos animais. 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