Quando eu era adulta...PIÁ e processos artísticos com Infâncias em perspectivas contracoloniais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lima, Joice Rodrigues de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/25261
Resumo: O território denominado latino-americano é forjado por complexas marcas históricas de invasão colonizadora e um legado escravocrata que continuam a impactar, profundamente, a constituição social, incluindo as relações estabelecidas com as Infâncias. Nessa perspectiva, esta pesquisa se propõe a investigar como esses ecos históricos reverberam nos processos artístico-pedagógicos contemporâneos e como é possível instaurar práticas que dissolvam, ainda que momentaneamente, aspectos típicos da colonialidade em um recorte específico realizado na cidade de São Paulo (SP). Nesse contexto, o foco da investigação se concentra no Programa de Iniciação Artística - PIÁ, uma iniciativa pública que acontece desde 2008. Esse Programa se destaca por manter princípios que favorecem o respeito às Infâncias considerando as crianças como centro dos processos artístico-pedagógicos, de modo a serem respeitadas tanto em suas potências singulares, quanto coletivas. O objetivo, nesta tese, é tecer reflexões sobre a forma específica e ética pela qual o PIÁ estabelece suas relações com as crianças e com os territórios, operando como ação em resistência ao adultocentrismo, enquanto promove e amplifica as suas potências de invenção e criação. Com esta pesquisa, tornou-se evidente a necessidade de acionar um conjunto de aspectos que se aproximam de características observadas em modos de vida e práticas próximas à contracolonialidade, de acordo com contribuições de Nego Bispo (Santos, 2019; 2023) quando se pretende estabelecer aspectos plurais nas relações com as Infâncias em contextos de criação artística. A metodologia adotada foi a pesquisa narrativa e autobiográfica composta por entrevistas narrativas com reflexões elaboradas com base nas vivências e arquivos pessoais da pesquisadora enquanto atuou no Programa, somadas às colaborações obtidas por meio de entrevistas realizadas com crianças, pessoas da comunidade e artistas-educadores/as que vivenciaram o PIÁ, postos em diálogo com o suporte bibliográfico. A discussão teórica se sustenta em eixos centrais que validam a perspectiva contracolonial em diálogo com as Infâncias: Temporalidade, Amor e Terra. O eixo Temporalidade questiona a linearidade ocidental, resgatando o tempo-espaço das Infâncias e os saberes ancestrais; o eixo Amor, concebido como prática política por bell hooks (2021), estabelece o vínculo afetivo como fundamento ético das relações artístico-pedagógicas e, por fim, o eixo Terra estabelece a comunidade como abrigo e referência ancestral para um território onde os modos de ser das crianças sejam validados. O referencial dialógico inclui, sobretudo, a Sociologia da Infância no Brasil e pesquisadores/as da Educação e Filosofia em Afroperspectivas, como Luiz Rufino (2019) e Renato Nogueira (2019), mobilizando, ainda, outros conceitos relacionados à perspectivas da decolonialidade, para a elaboração de uma noção sobre a invenção da América Latina.
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