Derrotados, mas não esquecidos: Carlos Zilio e as artes plásticas na ditadura militar brasileira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Souza, Gabriela Silva de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/24161
Resumo: Este trabalho tem como objetivo observar a relação entre arte e política por meio dos trabalhos de Carlos Zilio. Analisou-se suas produções como testemunhos visuais de sua vivência durante a ditadura militar no Brasil, as quais contribuíram para a preservação da memória histórica desse período. A pesquisa, de caráter histórico e qualitativo, utilizou como fontes entrevistas concedidas por Zilio, jornais, catálogos de exposições, textos de críticos de arte e os próprios trabalhos artísticos. A pesquisa articula a trajetória de Zilio com o contexto artístico e político no qual ele se formou, considerando os movimentos coletivos dos quais participou e sua atuação em um campo artístico fragmentado, em consequência dos avanços do regime militar. Para conduzir a análise, utilizou-se o conceito de resistência, com o intuito de compreender as múltiplas formas de enfrentamento e as diferentes lutas que emergem em tempos de repressão. A noção de arte-testemunho também se mostrou fundamental para observar as obras de Zilio como testemunhos visuais de sua experiência em contexto autoritário. O recorte temporal adotado tem início em 1966, momento em que Zilio inicia sua produção artística. São analisadas as ambiguidades de sua trajetória, as diferentes formas de enfrentamento, que perpassam a atuação no campo artístico até a luta armada, o período de encarceramento, até o exílio em 1976. Esse marco cronológico permite compreender a complexidade de sua experiência e as diversas formas de resistência que adotou. A análise articula a experiência de Zilio, as transformações no campo artístico a partir da década de 1960, os debates sobre estética e as diferentes correntes artísticas que surgiram nesse período. Também examina a forma como os artistas se organizaram coletivamente para criticar e resistir à repressão às artes plásticas. Observa-se, ainda, o início da sua carreira, a participação em movimentos artísticos coletivos e a maneira como suas obras funcionam como testemunhos da experiência no contexto de resistência política. As produções realizadas durante e após seu período de prisão demonstram tanto a vivência no cárcere quanto o processo de reinserção artística. A investigação insere-se no campo da História do Tempo Presente, o que possibilita evidenciar conexões entre passado e presente, e como os trabalhos artísticos contribuem para a compreensão dos traumas do passado que ainda reverberam no presente. Dessa forma, a produção artística de Carlos Zilio além de expressar as formas de resistência do artista, também são testemunhos visuais das adversidades experienciada durante o regime militar brasileiro.
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