Sob o fio da navalha: percepções de adolescentes em conflito com a lei sobre a medida sócio-educativa de liberdade assistida
| Ano de defesa: | 2010 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Estadual do Ceará
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=62156 |
Resumo: | A Liberdade Assistida é uma medida sócio-educativa estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente aos adolescentes autores de atos infracionais. Ela é uma medida não privativa de liberdade, sendo desempenhada em um sistema institucional aberto, de maneira que as regras de bom comportamento são incorporadas por outros caminhos que não o da vigilância e controle diretos. Esta pesquisa busca compreender como esses caminhos vêm sendo pedagogicamente construídos, isto é, de que forma o acompanhamento sócio-educativo de Liberdade Assistida atua para atingir seus objetivos, quais sejam: orientar, acompanhar e auxiliar o adolescente no sentido da ressocialização e inclusão social. Dessa forma, este trabalho levanta questões sobre o caráter pedagógico e sancionatório da Liberdade Assistida e sobre como os adolescentes percebem sua natureza híbrida na qual punição e educação se articulam no sentido da correção e inserção social desses adolescentes e jovens. Para tanto, analisa as estruturas objetivas sócio-jurídicas do sistema punitivo infanto-juvenil brasileiro, concretizadas mediante a aplicação de medidas sócio-educativas, bem como as formas subjetivas e microssociais do cotidiano que envolve os adolescentes em cumprimento de Liberdade Assistida na cidade de Fortaleza-Ceará. O percurso teórico desse trabalho pauta-se no resgate dos sistemas de vigilância e punição historicamente construídos e constituintes das ações voltadas para a criminalização e penalização da juventude pobre, tecendo um quadro das transformações ocorridas no sistema punitivo infanto-juvenil brasileiro e sua consolidação como sistema sócio-educativo. A metodologia utilizada é de natureza qualitativa, baseada na investigação do cotidiano. Por meio dela pode-se compreender as percepções atribuídas à Liberdade Assistida mediante os discursos dos sujeitos envolvidos na aplicação e execução dessa medida sócio-educativa e, em especial, os sócio-educandos. Para a obtenção dos dados, foram realizadas observações da rotina e das atividades das instituições pesquisadas, grupos focais e entrevistas individuais com os diversos agentes do sistema sócio-educativo, pesquisa documental, além das memórias e anotações da pesquisadora durante o período em que atuou na execução da medida sócio-educativa em estudo. A pesquisa indica que as experiências do sistema sócio-educativo, na trajetória de vida dos adolescentes entrevistados, confluem para uma realidade na qual o estar em Liberdade Assistida é compreendido como estar no limiar, no limbo, entre a liberdade e a privação. Tal percepção alia-se à construção social da juventude pobre como classe perigosa, colaborando para a construção, no imaginário desses adolescentes, das sensações de medo e suspeição, sendo estas ressaltadas por meio das práticas de atendimento sócio-educativo de Liberdade Assistida. Palavras-chave: Adolescente em conflito com a lei, liberdade assistida, punição, responsabilização e sócio-educação. |
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Sob o fio da navalha: percepções de adolescentes em conflito com a lei sobre a medida sócio-educativa de liberdade assistidaAdolescentes em conflito com a lei Liberdade assistida Políticas públicas PuniçãoA Liberdade Assistida é uma medida sócio-educativa estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente aos adolescentes autores de atos infracionais. Ela é uma medida não privativa de liberdade, sendo desempenhada em um sistema institucional aberto, de maneira que as regras de bom comportamento são incorporadas por outros caminhos que não o da vigilância e controle diretos. Esta pesquisa busca compreender como esses caminhos vêm sendo pedagogicamente construídos, isto é, de que forma o acompanhamento sócio-educativo de Liberdade Assistida atua para atingir seus objetivos, quais sejam: orientar, acompanhar e auxiliar o adolescente no sentido da ressocialização e inclusão social. Dessa forma, este trabalho levanta questões sobre o caráter pedagógico e sancionatório da Liberdade Assistida e sobre como os adolescentes percebem sua natureza híbrida na qual punição e educação se articulam no sentido da correção e inserção social desses adolescentes e jovens. Para tanto, analisa as estruturas objetivas sócio-jurídicas do sistema punitivo infanto-juvenil brasileiro, concretizadas mediante a aplicação de medidas sócio-educativas, bem como as formas subjetivas e microssociais do cotidiano que envolve os adolescentes em cumprimento de Liberdade Assistida na cidade de Fortaleza-Ceará. O percurso teórico desse trabalho pauta-se no resgate dos sistemas de vigilância e punição historicamente construídos e constituintes das ações voltadas para a criminalização e penalização da juventude pobre, tecendo um quadro das transformações ocorridas no sistema punitivo infanto-juvenil brasileiro e sua consolidação como sistema sócio-educativo. A metodologia utilizada é de natureza qualitativa, baseada na investigação do cotidiano. Por meio dela pode-se compreender as percepções atribuídas à Liberdade Assistida mediante os discursos dos sujeitos envolvidos na aplicação e execução dessa medida sócio-educativa e, em especial, os sócio-educandos. Para a obtenção dos dados, foram realizadas observações da rotina e das atividades das instituições pesquisadas, grupos focais e entrevistas individuais com os diversos agentes do sistema sócio-educativo, pesquisa documental, além das memórias e anotações da pesquisadora durante o período em que atuou na execução da medida sócio-educativa em estudo. A pesquisa indica que as experiências do sistema sócio-educativo, na trajetória de vida dos adolescentes entrevistados, confluem para uma realidade na qual o estar em Liberdade Assistida é compreendido como estar no limiar, no limbo, entre a liberdade e a privação. Tal percepção alia-se à construção social da juventude pobre como classe perigosa, colaborando para a construção, no imaginário desses adolescentes, das sensações de medo e suspeição, sendo estas ressaltadas por meio das práticas de atendimento sócio-educativo de Liberdade Assistida. Palavras-chave: Adolescente em conflito com a lei, liberdade assistida, punição, responsabilização e sócio-educação.La Libertad Asistida es una de las medidas socio-educativas establecidas por el estatuto de los niños y adolescentes para infractores adolescentes. Es una medida no privativa de libertad, siendo jugado en un sistema institucional de manera abierta, de modo que las normas de buena conducta se incorporan por los adolescentes de otras "formas" que la de la supervisión y control directo. Esta investigación busca entender cómo estas formas" han sido construidas pedagógicamente, es decir, cómo lo social-educativo de la Libertad Asistida actúa para lograr sus objetivos, que son: guiar, supervisar y ayudar a los adolescentes en el sentido de resocialización y la inclusión social. Así, esta investigación plantea interrogantes sobre el carácter pedagógico, y la sanción de la Libertad Asistida y cómo los adolescentes perciben este tipo híbrido en el que se articulan el castigo y la educación en el sentido de la corrección y la integración social de los adolescentes. Analiza el sistema de estructuras objetivas socio-jurídica de la infancia y juventud punitivas en Brasil, logrados mediante la aplicación de medidas socio-educativas y las formas subjetivas y la rutina de micro-social, que implica los adolescentes en el cumplimiento de la Libertad Asistida en Fortaleza - Ceará. El curso teórico de este programa de investigación en el rescate de la vigilancia y el castigo históricamente construidos y componentes de las acciones hacia la criminalización de los jóvenes pobres, la creación de un marco de cambios en el sistema punitivo de los niños y joven brasileños y su consolidación como un sistema socio-educativo. La metodología es cualitativa, basada en la investigación del cotidiano, esto es comprender los significados atribuidos a la Libertad Asistida por los discursos de los involucrados en la aplicación y ejecución de las medidas socio-educativas, en particular, las condiciones de los socioalumnos. Para obtener los datos fueron utilizados para observar la rutina y las actividades de las instituciones encuestadas, grupos focales y entrevistas individuales con los distintos agentes socio-educativos, de investigación documental, además de recuerdos y notas del investigador durante el período en que actuó en la ejecución de medidas socio-educativas en el estudio. El estudio muestra que las experiencias del sistema socio-educativo en la trayectoria de vida de los adolescentes entrevistados convergen a una realidad en la que está en Libertad Asistida se entiende como estar en el umbral, en el limbo, entre la libertad y la privación. Esta percepción se une a la construcción social de los jóvenes pobres como clase peligrosa, colaborando para construir en su imaginario adolescente sensación de estar bajo sospecha y vigilancia, que se destaca por la práctica de la atención socio-educativa para la libertad condicional. Palabras clave: Adolescente en conflicto con la ley, la libertad condicional, el castigo, responsabilización y la socio educación. Universidade Estadual do CearáRosemary de Oliveira AlmeidaSousa, Luiza Eridan Elmiro Martins de2010-07-08T00:00:00Z2010info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=62156info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2010-07-08T00:00:00Zoai:uece.br:62156Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2010-07-08T00:00Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse |
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A Liberdade Assistida é uma medida sócio-educativa estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente aos adolescentes autores de atos infracionais. Ela é uma medida não privativa de liberdade, sendo desempenhada em um sistema institucional aberto, de maneira que as regras de bom comportamento são incorporadas por outros caminhos que não o da vigilância e controle diretos. Esta pesquisa busca compreender como esses caminhos vêm sendo pedagogicamente construídos, isto é, de que forma o acompanhamento sócio-educativo de Liberdade Assistida atua para atingir seus objetivos, quais sejam: orientar, acompanhar e auxiliar o adolescente no sentido da ressocialização e inclusão social. Dessa forma, este trabalho levanta questões sobre o caráter pedagógico e sancionatório da Liberdade Assistida e sobre como os adolescentes percebem sua natureza híbrida na qual punição e educação se articulam no sentido da correção e inserção social desses adolescentes e jovens. Para tanto, analisa as estruturas objetivas sócio-jurídicas do sistema punitivo infanto-juvenil brasileiro, concretizadas mediante a aplicação de medidas sócio-educativas, bem como as formas subjetivas e microssociais do cotidiano que envolve os adolescentes em cumprimento de Liberdade Assistida na cidade de Fortaleza-Ceará. O percurso teórico desse trabalho pauta-se no resgate dos sistemas de vigilância e punição historicamente construídos e constituintes das ações voltadas para a criminalização e penalização da juventude pobre, tecendo um quadro das transformações ocorridas no sistema punitivo infanto-juvenil brasileiro e sua consolidação como sistema sócio-educativo. A metodologia utilizada é de natureza qualitativa, baseada na investigação do cotidiano. Por meio dela pode-se compreender as percepções atribuídas à Liberdade Assistida mediante os discursos dos sujeitos envolvidos na aplicação e execução dessa medida sócio-educativa e, em especial, os sócio-educandos. Para a obtenção dos dados, foram realizadas observações da rotina e das atividades das instituições pesquisadas, grupos focais e entrevistas individuais com os diversos agentes do sistema sócio-educativo, pesquisa documental, além das memórias e anotações da pesquisadora durante o período em que atuou na execução da medida sócio-educativa em estudo. A pesquisa indica que as experiências do sistema sócio-educativo, na trajetória de vida dos adolescentes entrevistados, confluem para uma realidade na qual o estar em Liberdade Assistida é compreendido como estar no limiar, no limbo, entre a liberdade e a privação. Tal percepção alia-se à construção social da juventude pobre como classe perigosa, colaborando para a construção, no imaginário desses adolescentes, das sensações de medo e suspeição, sendo estas ressaltadas por meio das práticas de atendimento sócio-educativo de Liberdade Assistida. Palavras-chave: Adolescente em conflito com a lei, liberdade assistida, punição, responsabilização e sócio-educação. |
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