Análise da certificação ambiental aqua-hqe para o grupo construção civil no Estado do Ceará

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Oliveira, Eugenio Da Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=116078
Resumo: O século XX presenciou a partir da década de 60 o aumento do interesse pela preservação dos recursos ambientais, resultando em uma série de eventos que consolidaram o termo desenvolvimento sustentável. Na mesma década foi introduzido o instrumento da avaliação de impacto ambiental a partir da política ambiental dos Estados Unidos da América, exigindo que os empreendimentos potencialmente causadores de impactos ambientais apontassem os efeitos negativos que suas atividades causassem ao meio ambiente. No Reino Unido, na década de 90 do século XX, surgem as certificações ambientais que buscavam construções mais eficientes e ecológicas. Licenciamento ambiental e certificação ambiental são dois instrumentos que tratam de construção civil e sua relação com o meio ambiente, sendo relevantes para o desenvolvimento sustentável, uma vez que o licenciamento é um instrumento legal essencial para controlar e mitigar os impactos das atividades de construção civil, assegurando que estas atendam às normas ambientais e minimizem os danos ao ecossistema; por seu turno, a certificação ambiental representa um padrão voluntário que visa promover práticas de construção sustentáveis, focando na eficiência energética, uso responsável de recursos e melhoria do bem-estar dos ocupantes dos edifícios. Embora trabalhem os mesmos objetos, a construção civil e o meio ambiente, licenciamento e certificação ambientais os abordam com focos distintos e procedimentos separados, o que acarreta em um processo mais moroso e oneroso para o empreendedor que opta pela certificação e precisa do licenciamento. A sinergia entre os dois instrumentos poderia resultar na redução da burocracia, custos e o tempo necessários para obtenção de licenças ambientais, sem comprometer a qualidade e a eficácia das medidas de proteção ambiental e incrementar a adoção mais ampla de práticas sustentáveis no setor da construção, incentivando empreendimentos que não apenas atendam às exigências legais, mas que também excedam as expectativas em termos de sustentabilidade. A partir do licenciamento ambiental e da certificação ambiental, considerando que ambos tratam da relação entre meio ambiente, sustentabilidade e construção civil, buscou-se investigar se o conteúdo produzido para fins de obtenção da certificação ambiental AQUA-HQE para edifícios em construção pode ser aproveitado nos estudos ambientais para fins de licenciamento ambiental no âmbito da Superintendência Estadual do Meio Ambiente – SEMACE das atividades do Subgrupo de Construção Civil do Estado do Ceará. Foi identificado que no processo de licenciamento ambiental realizado pela SEMACE para as atividades de construção civil são utilizados três tipos de estudos ambientais: Estudo de Impacto Ambiental; Estudo de Viabilidade Ambiental e Estudo Ambiental Simplificado. Os requisitos dos três tipos de estudos ambientais foram agrupados em três classes (Caracterização do empreendimento; Diagnóstico de áreas afetadas; Impactos) a fim de reunir as características comuns de cada estudo. A partir das classes de requisitos de estudos ambientais identificadas, buscaram-se associar às classes as Exigências dos Referenciais Técnicos de certificação a fim de identificar quais informações técnicas produzidas para fins de certificação podem ser aproveitadas no processo de licenciamento ambiental de construção civil da SEMACE. Os resultados mostram que todo o conteúdo necessário para obter a certificação ambiental AQUA-HQE pode ser aproveitado nos estudos ambientais, mas são insuficientes para diagnosticar as áreas de influência do empreendimento e essa caracterização é fundamental nos estudos ambientais em tela. O estudo constatou também que o processo de certificação contribui para um melhor desempenho ambiental na economia de recursos como água e energia e que o licenciamento ambiental não cobra este grau de desempenho e que deveria incentivar essas práticas em seus processos. Palavras–chave: certificação ambiental; desenvolvimento sustentável; licenciamento ambiental.
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Licenciamento ambiental e certificação ambiental são dois instrumentos que tratam de construção civil e sua relação com o meio ambiente, sendo relevantes para o desenvolvimento sustentável, uma vez que o licenciamento é um instrumento legal essencial para controlar e mitigar os impactos das atividades de construção civil, assegurando que estas atendam às normas ambientais e minimizem os danos ao ecossistema; por seu turno, a certificação ambiental representa um padrão voluntário que visa promover práticas de construção sustentáveis, focando na eficiência energética, uso responsável de recursos e melhoria do bem-estar dos ocupantes dos edifícios. Embora trabalhem os mesmos objetos, a construção civil e o meio ambiente, licenciamento e certificação ambientais os abordam com focos distintos e procedimentos separados, o que acarreta em um processo mais moroso e oneroso para o empreendedor que opta pela certificação e precisa do licenciamento. A sinergia entre os dois instrumentos poderia resultar na redução da burocracia, custos e o tempo necessários para obtenção de licenças ambientais, sem comprometer a qualidade e a eficácia das medidas de proteção ambiental e incrementar a adoção mais ampla de práticas sustentáveis no setor da construção, incentivando empreendimentos que não apenas atendam às exigências legais, mas que também excedam as expectativas em termos de sustentabilidade. A partir do licenciamento ambiental e da certificação ambiental, considerando que ambos tratam da relação entre meio ambiente, sustentabilidade e construção civil, buscou-se investigar se o conteúdo produzido para fins de obtenção da certificação ambiental AQUA-HQE para edifícios em construção pode ser aproveitado nos estudos ambientais para fins de licenciamento ambiental no âmbito da Superintendência Estadual do Meio Ambiente – SEMACE das atividades do Subgrupo de Construção Civil do Estado do Ceará. Foi identificado que no processo de licenciamento ambiental realizado pela SEMACE para as atividades de construção civil são utilizados três tipos de estudos ambientais: Estudo de Impacto Ambiental; Estudo de Viabilidade Ambiental e Estudo Ambiental Simplificado. Os requisitos dos três tipos de estudos ambientais foram agrupados em três classes (Caracterização do empreendimento; Diagnóstico de áreas afetadas; Impactos) a fim de reunir as características comuns de cada estudo. A partir das classes de requisitos de estudos ambientais identificadas, buscaram-se associar às classes as Exigências dos Referenciais Técnicos de certificação a fim de identificar quais informações técnicas produzidas para fins de certificação podem ser aproveitadas no processo de licenciamento ambiental de construção civil da SEMACE. Os resultados mostram que todo o conteúdo necessário para obter a certificação ambiental AQUA-HQE pode ser aproveitado nos estudos ambientais, mas são insuficientes para diagnosticar as áreas de influência do empreendimento e essa caracterização é fundamental nos estudos ambientais em tela. O estudo constatou também que o processo de certificação contribui para um melhor desempenho ambiental na economia de recursos como água e energia e que o licenciamento ambiental não cobra este grau de desempenho e que deveria incentivar essas práticas em seus processos. Palavras–chave: certificação ambiental; desenvolvimento sustentável; licenciamento ambiental. The 20th century witnessed an increased interest in environmental resource preservation from the 1960s onwards, resulting in a series of events that solidified the term sustainable development. During the same decade, the environmental impact assessment tool was introduced through the United States' environmental policy, requiring enterprises potentially causing environmental impacts to identify the negative effects their activities might have on the environment. In the United Kingdom, in the 1990s, environmental certifications emerged, aiming for more efficient and ecological constructions. Environmental licensing and environmental certification are two tools dealing with construction and its relationship with the environment, relevant for sustainable development. Licensing is an essential legal instrument for controlling and mitigating the impacts of construction activities, ensuring they meet environmental standards and minimize damage to ecosystems; in turn, environmental certification is a voluntary standard that aims to promote sustainable building practices, focusing on energy efficiency, responsible resource use, and improving the well-being of building occupants. Although they address the same subjectsconstruction and the environmentenvironmental licensing and certification approach them with different focuses and separate procedures, resulting in a more time-consuming and costly process for entrepreneurs who opt for certification and need licensing. The synergy between these two tools could reduce bureaucracy, costs, and the time needed to obtain environmental licenses, without compromising the quality and effectiveness of environmental protection measures, and increase the broader adoption of sustainable practices in the construction sector, encouraging enterprises not only to meet legal requirements but also to exceed expectations in terms of sustainability. Based on environmental licensing and certification, considering both deal with the relationship between the environment, sustainability, and construction, this study aimed to investigate whether the content produced to obtain the AQUA-HQE environmental certification for buildings under construction can be utilized in environmental studies for the purpose of environmental licensing within the State Environmental Superintendence (SEMACE) in the context of the Civil Construction Subgroup activities in the State of Ceará. It was identified that SEMACE's environmental licensing process for construction activities employs three types of environmental studies: Environmental Impact Study, Environmental Feasibility Study, and Simplified Environmental Study. The requirements of these three types of environmental studies were grouped into three categories (Project Characterization; Diagnosis of Affected Areas; Impacts) to gather the common characteristics of each study. Based on the identified environmental study requirement categories, the study sought to associate the categories with the Technical Reference Demands for certification to identify which technical information produced for certification purposes can be used in SEMACE's construction environmental licensing process. The results show that all the content needed to obtain the AQUA-HQE environmental certification can be utilized in the environmental studies but is insufficient for diagnosing the areas of influence of the project, which is essential in the environmental studies under consideration. The study also found that the certification process contributes to better environmental performance in resource conservation, such as water and energy, and that environmental licensing does not demand this level of performance, which it should encourage in its processes. Keywords: environmental certification; environmental licensing; sustainable development. 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