O Benefício de Prestação Continuada para a pessoa com deficiência: um estudo sobre o significado do BPC para as famílias dos beneficiários

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Rodrigues, Alice Sousa
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=88703
Resumo: <div style="">Essa dissertação analisa a relação entre Deficiência, Benefício de Prestação Continuada – BPC e família. O BPC integra a proteção social básica no âmbito da Política de Assistência Social e trata-se de um benefício individual, não vitalício e intransferível, que assegura aos idosos, a partir de 65 anos, e às pessoas com deficiência em situação de pobreza, uma transferência mensal de 1 (um) salário-mínimo, devendo, em ambos os casos, comprovar uma renda per capita inferior a ¼ do salário mínimo. No caso específico das pessoas com deficiência, além do critério da renda, devem se submeter a uma avaliação social e médica para avaliação do grau da deficiência, realizados respectivamente por Assistente Social e Médico do INSS. O objetivo geral da pesquisa foi compreender o significado do BPC a partir do olhar das famílias dos beneficiários, sobretudo, daqueles que vivenciam uma relação de cuidado/dependência. Para tanto, utilizou-se da pesquisa qualitativa, cujo percurso metodológico incluiu revisão bibliográfica, pesquisa de fontes documentais e pesquisa de campo. Na pesquisa de campo, utilizamos técnicas como a observação sistemática com registro em diário de campo, a entrevista e o depoimento pessoal. A amostra representativa desta pesquisa constituiu-se mediante critérios qualitativos, tais como: famílias de beneficiários do BPC na condição de cuidadores de pessoas com deficiência mental/doença mental, considerando a relação de dependência destes para com seus familiares; famílias cujos benefícios são mantidos pela APS Itapipoca, há, pelo menos, dois anos, e que residam na sede do Município, mediante consentimento destes. Os principais resultados apontaram que, para as famílias que cuidam de pessoas com deficiência atendidas pelo BPC, este benefício representa a possibilidade real de acesso a uma renda, garantindo o atendimento aos mínimos sociais e o acesso aos bens materiais; apontou ainda que no imaginário dessas famílias, a deficiência é percebida de forma diversa, gerando sentimentos como insegurança, culpa, medo do futuro ou até a superproteção, e que as famílias estão sendo sobrecarregadas nos cuidados de seus familiares com deficiência, evidenciando, nesse estudo, a redução da responsabilidade do Estado na oferta e garantia de proteção social. Uma dentre as várias conclusões a que se poderia chegar, temos que o BPC tem conseguido gerar impactos positivos sobre a redução da desigualdade e da pobreza, contudo, por caminhar de forma desarticulada das demais políticas públicas, não tem conseguido, de fato, cumprir com seu papel de benefício social. Verificamos que o BPC, seguindo os ditames do ajuste neoliberal, tem assumido a tendência familista no trato com as famílias, qual seja, aquela que oferta benefícios (renda), mas cobra, em contrapartida, uma responsabilização ainda maior desta instituição, não sendo as famílias apoiadas para que cumpram com sua função protetiva, evidenciando a redução da responsabilidade do Estado na oferta e garantia de proteção social. Por fim, entendemos que se torna urgente uma maior intervenção estatal no âmbito das políticas públicas, colocando as pessoas com deficiência e seus cuidadores no centro dos programas, projetos e serviços, reconhecendo-os como sujeitos de direitos, respeitando sua dignidade e fortalecendo sua condição de cidadão. Palavras-chave: Política de Assistência Social. Deficiência. Benefício de Prestação Continuada. Família. Proteção Social.</div>
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No caso específico das pessoas com deficiência, além do critério da renda, devem se submeter a uma avaliação social e médica para avaliação do grau da deficiência, realizados respectivamente por Assistente Social e Médico do INSS. O objetivo geral da pesquisa foi compreender o significado do BPC a partir do olhar das famílias dos beneficiários, sobretudo, daqueles que vivenciam uma relação de cuidado/dependência. Para tanto, utilizou-se da pesquisa qualitativa, cujo percurso metodológico incluiu revisão bibliográfica, pesquisa de fontes documentais e pesquisa de campo. Na pesquisa de campo, utilizamos técnicas como a observação sistemática com registro em diário de campo, a entrevista e o depoimento pessoal. 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Verificamos que o BPC, seguindo os ditames do ajuste neoliberal, tem assumido a tendência familista no trato com as famílias, qual seja, aquela que oferta benefícios (renda), mas cobra, em contrapartida, uma responsabilização ainda maior desta instituição, não sendo as famílias apoiadas para que cumpram com sua função protetiva, evidenciando a redução da responsabilidade do Estado na oferta e garantia de proteção social. Por fim, entendemos que se torna urgente uma maior intervenção estatal no âmbito das políticas públicas, colocando as pessoas com deficiência e seus cuidadores no centro dos programas, projetos e serviços, reconhecendo-os como sujeitos de direitos, respeitando sua dignidade e fortalecendo sua condição de cidadão. Palavras-chave: Política de Assistência Social. Deficiência. Benefício de Prestação Continuada. Família. Proteção Social.</div><div style="">This dissertation examines the relationship between Disabilities Benefit of Continuous Cash – BPC and family. The BPC is part of the basic social protection under the Social Assistance Policy and this is an individual benefit, not for life and non-transferable, which ensures the elderly, from 65 years and persons with disabilities in poverty, a transfer monthly one (1) minimum wage; in both cases, prove a per capita income of less than ¼ of the minimum wage. In the specific case of persons with disabilities in addition to the criterion of income, should undergo a social and medical evaluation for disability degree assessment, conducted respectively by Social and Medical INSS Wizard. The overall objective of the research was to understand the meaning of the BPC from the look of the families of beneficiaries, especially those who experience a caring relationship / dependence. Therefore, we used qualitative research, whose methodological approach included literature review, documentary sources of research and field research. In the field research, we use techniques such as systematic observation with journaling field, the interview and the personal testimony. A representative sample of this research was constituted by qualitative criteria, such as: family BPC beneficiaries on condition of caregivers of people with disabilities mental disorder / mental illness, considering the interdependence of these to their families; families whose benefits are maintained by APS Itapipoca, for at least two years, residing in the seat of the municipality, by consent. The main results showed that, for families who care for people with disabilities served by the BPC, this benefit is the real possibility of access to an income, ensuring compliance with social standards and access to material goods; also showed that in the minds of these families, disability is perceived differently, generating feelings of insecurity, guilt, fear of the future or to the overprotection and that families are being overloaded in the care of their relatives with disabilities, showing that study, the reduction of state responsibility in supply and ensuring social protection. One, among several conclusions could be reached, we have to BPC has managed to generate a positive impact on reducing inequality and poverty, however, to walk in a disjointed manner of other public policies, has not been able, in fact, meet with its role of social benefit. We found that the BPC, following the dictates of neoliberal adjustment, has taken the familista trend in dealing with families, that is, one that offer benefits (income), but snake counterpart even greater accountability of this institution, not being families supported to fulfill their protective function, following the reduction of state responsibility in supply and ensuring social protection. Finally, we understand that it becomes urgent greater state intervention in the framework of public policies putting people with disabilities and their carers at the center of programs, projects and services, recognizing them as subjects of rights, respecting their dignity and strengthening it’s citizen’s condition. Keywords: Social Policy. Disabilities. The Continued Provision Benefit. Family. Social Protection.</div>Universidade Estadual do CearáMARIA DO SOCORRO FERREIRA OSTERNERodrigues, Alice Sousa2019-08-06T10:29:53Z2015info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=88703info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2019-08-06T10:29:53Zoai:uece.br:88703Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2019-08-06T10:29:53Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse
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