A experiência do uso de crack e sua interlocução com a clínica: dispositivos para o cuidado integral do usuário
| Ano de defesa: | 2013 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Estadual do Ceará
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=76148 |
Resumo: | Nos últimos anos vemos constantemente o alarde sobre o consumo de crack no Brasil. Atualmente, o consumo desta substância tem se apresentado como um importante problema social e de saúde. Os usuários desta droga passam a consumi-lá através de um padrão danoso em pouco tempo de uso. Vemos isto diariamente nos serviços de saúde que cuidam destas pessoas. Porém, a experiência do uso de substâncias não depende somente do efeito da substância em si. Aspectos relacionados às características individuais, aspectos sociais e culturais são indissociáveis da experiência que o indivíduo terá com o uso da substância. A centralização dos estudos no caráter negativo do uso desta substância agrega à sociedade uma visão negativa do consumo de drogas, dando-se ênfase à patologia do consumo e centralizando-se na substância como principal vilã. Isso também acarreta uma percepção patológica do uso de crack por parte dos profissionais de saúde distanciando-os dos usuários que na maioria das vezes não buscam os serviços de saúde. Os cuidados aos usuários de drogas no Brasil estão relacionados a modelos punitivos de tratamento, de reclusão, pautados em modelo de internação de longo prazo como o único recurso para que as pessoas se livrem das drogas. São percebidos como sujeitos que transgridem a ordem social e precisam ser distanciados dos espaços sociais de convivência, assim distanciados dos serviços responsáveis pelos cuidados à saúde. Diante do contexto, definimos como objetivo principal: compreender o modelo de clínica e seus significados culturais utilizados pelos trabalhadores de saúde de Fortaleza-CE no cuidado aos usuários de crack e como objetivos específicos: apreender como os trabalhadores de saúde compreendem o uso de crack; descrever como os usuários de crack significam o uso desta substância nas suas vidas; descrever como os usuários experimentam os efeitos do uso de crack, Identificar o significado cultural que eles dão ao uso de crack na sociedade; discutir como se constrói o processo de uso dos consumidores de crack; discutir o modelo de clinica utilizado pelos trabalhadores de saúde no cuidado ao usuário de crackTrata-se de um estudo com abordagem qualitativa hermenêutica. A pesquisa foi realizada nas Secretarias Executivas Regionais (SER) IV e V do município de Fortaleza CE. Os participantes da pesquisa foram definidos pela saturação teórico-empírica. Foram entrevistados 21 trabalhadores de saúde de dois Caps-ad e de quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 25 usuários de crack que estavam em tratamento nos serviços de saúde Caps-ad e UBS no período de janeiro de 2011 a agosto de 2012. Para coleta de dados foram utilizadas a entrevista semi-estruturada e a observação participante. A análise das entrevistas se deu através da hermenêutica de Paul Ricoeur, por meio das seguintes etapas: transformação dos discursos em textos, leitura exaustiva, análise estrutural, compreensão do texto de forma abrangente, interpretação e análise. O estudo demonstou que o acesso ao uso do crack é facilitado por uma política proibicionista que tenta distanciar o homem da droga, mas que na prática torna a droga ainda mais acessível. Seja através de políticas públicas que facilitam o acesso ao uso do álcool, substância ilícita que tem aceitação social positiva e que é acessada de forma fácil por adolescentes, seja através da associação do mercado do crack como da maconha. A criminalização do uso de droga reforça o componente marginal do consumo e dificulta o acesso dos usuários aos veículos formais de cuidados. Os trabalhadores de saúde, portanto, têm medo de intervir junto a estes usuários, pois, estão envolvidos numa estrutura de comércio que se desenvolve em meio à violência, assaltos e mortes. Assim como os usuários não acessam os serviços por se sentirem discriminados. As intervenções de saúde são pautadas em modelos tradicionais que patologizam o consumo de drogas. As intervenções de saúde na atenção primária são limitadas a acompanhamentos pontuais. Os usuários são prontamente encaminhados aos Caps-ad que realizam intervenções limitadas aos espaços institucionais dos serviços, com infimas intervenções nos territórios e nas cenas de uso desta substância. Isto torna o trabalho pouco potente para intervir na melhoria das condições de uso, através de estratégias que minimizem os dados e os riscos da relação dos usuários com a droga. A patologização do consumo de drogas reforça modelos que colocam os usuários numa posição passiva em relação ao seu tratamento. Os usuários são entendidos como pessoas acometidas por uma doença (dependência química) que tem de passar por um tratamento no qual o objetivo (cura) é abster-se da substância. Assim a clinica que intervem em relação aos usuários de crack é uma clínica que desprotagoniza o indivíduo tornando-o mais passivo em relação á substância, um doente a ser tratado e curado através de estratégias que o distancie da droga e dos seus espaços de consumo. O modelo de clínica utilizado em saúde mental para intervir junto aos usuários de crack é um reforçador da problemática do consumo desta droga na nossa sociedade, pois reforça a exclusão, a segregação e o comportamento passivo dos usuários no seu processo de acompanhamento. Palavras-chave: Usuário de crack, aspectos socioculturais do uso de crack, agravos à saúde, cuidados de saúde dos usuários de crack. |
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A experiência do uso de crack e sua interlocução com a clínica: dispositivos para o cuidado integral do usuárioCrack - Usuário Entorpecente Saúde coletiva Usuários de drogasNos últimos anos vemos constantemente o alarde sobre o consumo de crack no Brasil. Atualmente, o consumo desta substância tem se apresentado como um importante problema social e de saúde. Os usuários desta droga passam a consumi-lá através de um padrão danoso em pouco tempo de uso. Vemos isto diariamente nos serviços de saúde que cuidam destas pessoas. Porém, a experiência do uso de substâncias não depende somente do efeito da substância em si. Aspectos relacionados às características individuais, aspectos sociais e culturais são indissociáveis da experiência que o indivíduo terá com o uso da substância. A centralização dos estudos no caráter negativo do uso desta substância agrega à sociedade uma visão negativa do consumo de drogas, dando-se ênfase à patologia do consumo e centralizando-se na substância como principal vilã. Isso também acarreta uma percepção patológica do uso de crack por parte dos profissionais de saúde distanciando-os dos usuários que na maioria das vezes não buscam os serviços de saúde. Os cuidados aos usuários de drogas no Brasil estão relacionados a modelos punitivos de tratamento, de reclusão, pautados em modelo de internação de longo prazo como o único recurso para que as pessoas se livrem das drogas. São percebidos como sujeitos que transgridem a ordem social e precisam ser distanciados dos espaços sociais de convivência, assim distanciados dos serviços responsáveis pelos cuidados à saúde. Diante do contexto, definimos como objetivo principal: compreender o modelo de clínica e seus significados culturais utilizados pelos trabalhadores de saúde de Fortaleza-CE no cuidado aos usuários de crack e como objetivos específicos: apreender como os trabalhadores de saúde compreendem o uso de crack; descrever como os usuários de crack significam o uso desta substância nas suas vidas; descrever como os usuários experimentam os efeitos do uso de crack, Identificar o significado cultural que eles dão ao uso de crack na sociedade; discutir como se constrói o processo de uso dos consumidores de crack; discutir o modelo de clinica utilizado pelos trabalhadores de saúde no cuidado ao usuário de crackTrata-se de um estudo com abordagem qualitativa hermenêutica. A pesquisa foi realizada nas Secretarias Executivas Regionais (SER) IV e V do município de Fortaleza CE. Os participantes da pesquisa foram definidos pela saturação teórico-empírica. Foram entrevistados 21 trabalhadores de saúde de dois Caps-ad e de quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 25 usuários de crack que estavam em tratamento nos serviços de saúde Caps-ad e UBS no período de janeiro de 2011 a agosto de 2012. Para coleta de dados foram utilizadas a entrevista semi-estruturada e a observação participante. A análise das entrevistas se deu através da hermenêutica de Paul Ricoeur, por meio das seguintes etapas: transformação dos discursos em textos, leitura exaustiva, análise estrutural, compreensão do texto de forma abrangente, interpretação e análise. O estudo demonstou que o acesso ao uso do crack é facilitado por uma política proibicionista que tenta distanciar o homem da droga, mas que na prática torna a droga ainda mais acessível. Seja através de políticas públicas que facilitam o acesso ao uso do álcool, substância ilícita que tem aceitação social positiva e que é acessada de forma fácil por adolescentes, seja através da associação do mercado do crack como da maconha. A criminalização do uso de droga reforça o componente marginal do consumo e dificulta o acesso dos usuários aos veículos formais de cuidados. Os trabalhadores de saúde, portanto, têm medo de intervir junto a estes usuários, pois, estão envolvidos numa estrutura de comércio que se desenvolve em meio à violência, assaltos e mortes. Assim como os usuários não acessam os serviços por se sentirem discriminados. As intervenções de saúde são pautadas em modelos tradicionais que patologizam o consumo de drogas. As intervenções de saúde na atenção primária são limitadas a acompanhamentos pontuais. Os usuários são prontamente encaminhados aos Caps-ad que realizam intervenções limitadas aos espaços institucionais dos serviços, com infimas intervenções nos territórios e nas cenas de uso desta substância. Isto torna o trabalho pouco potente para intervir na melhoria das condições de uso, através de estratégias que minimizem os dados e os riscos da relação dos usuários com a droga. A patologização do consumo de drogas reforça modelos que colocam os usuários numa posição passiva em relação ao seu tratamento. Os usuários são entendidos como pessoas acometidas por uma doença (dependência química) que tem de passar por um tratamento no qual o objetivo (cura) é abster-se da substância. Assim a clinica que intervem em relação aos usuários de crack é uma clínica que desprotagoniza o indivíduo tornando-o mais passivo em relação á substância, um doente a ser tratado e curado através de estratégias que o distancie da droga e dos seus espaços de consumo. O modelo de clínica utilizado em saúde mental para intervir junto aos usuários de crack é um reforçador da problemática do consumo desta droga na nossa sociedade, pois reforça a exclusão, a segregação e o comportamento passivo dos usuários no seu processo de acompanhamento. Palavras-chave: Usuário de crack, aspectos socioculturais do uso de crack, agravos à saúde, cuidados de saúde dos usuários de crack.In recent years there has been a constant debate on the use of crack in Brazil. Nowadays, the use of this substance is a major social and health problem. Users have a standard short-time damaging way of using the drug. This can be observed daily in the health services that take care of these people. However, the experience with the use of substances does not depend only on the effect of the substance itself. Individual characteristics, social and cultural aspects are inseparable from the experience one might have with the use of a certain substance. Studies that focus on the negative nature of the use of this substance evoke a negative view on substance abuse in society, focusing on the pathology of consumption and considering the substance as the main villain. This also causes a pathologic perception of crack abuse by health professionals, distancing them from users who, in most cases, do not seek the healthcare services. The care policies for drug users in Brazil are related to punitive models of treatment and committal, based on a longterm hospitalization model as the only resource for people to get rid of drugs. These people are seen as individuals who violate social order and need to be put away from social spaces, distancing them from healthcare services. Within this context, the main objective of this study was to understand the clinic model of care and its cultural meanings used by healthcare professionals of Fortaleza-CE in the treatment of crack users. Specific objectives were: to learn how healthcare professionals see crack users; describe how crack users see the use of the substance in their lives; describe how users experience with the effects of crack abuse; identify the cultural significance of crack abuse in society for them; discuss how the process of crack use is constructed by users and discuss the clinic model of care used by health professionals in the treatment of crack users. This is a qualitative study that used the hermeneutic method. The research was conducted in the Regional Executive Secretaries (SER) IV and V of Fortaleza city, Ceara. The participants were defined by the theoretical and empirical saturation. Interviews were conducted with 21 health professionals of two psychosocial care centers for drug and alcohol users (Caps-ad) and four Basic Healthcare Units (UBS) and 25 crack users under treatment in these healthcare services from January 2011 to August 2012. Semi-structured interview and participant observation were used to collect data. The interviews were analyzed by using Paul Ricoeurs hermeneutics and followed the steps: transformation of discourse in texts, comprehensive reading, structural analysis, comprehensive understanding of the text, interpretation and analysis. The study showed that the access to the use of crack is facilitated by a prohibitionist drugs policy that attempts to put man away of drugs but ends up making the drug more accessible. Whether through public policies that facilitate the access to the use of alcohol, an illicit substance that has a positive social acceptance and that is easily accessed by teenager or through the association of crack market with marijuana market, the criminalization of drug abuse reinforces the marginal component of consumption and hampers the users access to formal healthcare facilities. Healthcare professionals, therefore, are afraid to intervene with users because they are involved in a trade structure that grows amid violence, robberies and deaths. Health interventions are based on traditional methods that pathologize drug abuse. Thus, users do not access the service because they feel discriminated. Healthcare interventions in primary care are limited to timely follow-ups. Users are promptly referred to the Caps-ad where interventions are performed, limited to the institutional spaces of the services with small interventions in the territories and sceneries where the substance is used. This makes the work little powerful to intervene in the improvement of the substance use conditions through strategies that minimize the data and risks of the relation between users and the drug. The pathologization of drug abuse reinforces models that put users in a passive position concerning their treatment. Users are treated as people attacked by a disease (chemical dependency) who have to undergo a treatment which the main objective (cure) is to abstain from drugs. Thus, the clinic that intervenes in the crack users condition is a clinic that makes them more passive concerning the substance and that considers them as sick people that must be treated and cured through strategies that abstain them from the drug and its consumption spaces. The clinic model used in mental health to intervene in crack users condition reinforces the problematic of the drug use in our society, for it reinforces exclusion, segregation and the passive behavior of users in their follow-up process. Key Words: Crack user, Socio-cultural aspects of crack use, Health harms, Crack users health care.Universidade Estadual do CearáMaria Salete Bessa JorgeQuinderé, Paulo Henrique Dias2013-09-04T00:00:00Z2013info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=76148info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UECEinstname:Universidade Estadual do Cearáinstacron:UECE2013-09-04T00:00:00Zoai:uece.br:76148Repositório InstitucionalPUBhttps://siduece.uece.br/siduece/api/oai/requestopendoar:2013-09-04T00:00Repositório Institucional da UECE - Universidade Estadual do Cearáfalse |
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Isso também acarreta uma percepção patológica do uso de crack por parte dos profissionais de saúde distanciando-os dos usuários que na maioria das vezes não buscam os serviços de saúde. Os cuidados aos usuários de drogas no Brasil estão relacionados a modelos punitivos de tratamento, de reclusão, pautados em modelo de internação de longo prazo como o único recurso para que as pessoas se livrem das drogas. São percebidos como sujeitos que transgridem a ordem social e precisam ser distanciados dos espaços sociais de convivência, assim distanciados dos serviços responsáveis pelos cuidados à saúde. Diante do contexto, definimos como objetivo principal: compreender o modelo de clínica e seus significados culturais utilizados pelos trabalhadores de saúde de Fortaleza-CE no cuidado aos usuários de crack e como objetivos específicos: apreender como os trabalhadores de saúde compreendem o uso de crack; descrever como os usuários de crack significam o uso desta substância nas suas vidas; descrever como os usuários experimentam os efeitos do uso de crack, Identificar o significado cultural que eles dão ao uso de crack na sociedade; discutir como se constrói o processo de uso dos consumidores de crack; discutir o modelo de clinica utilizado pelos trabalhadores de saúde no cuidado ao usuário de crackTrata-se de um estudo com abordagem qualitativa hermenêutica. A pesquisa foi realizada nas Secretarias Executivas Regionais (SER) IV e V do município de Fortaleza CE. Os participantes da pesquisa foram definidos pela saturação teórico-empírica. Foram entrevistados 21 trabalhadores de saúde de dois Caps-ad e de quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 25 usuários de crack que estavam em tratamento nos serviços de saúde Caps-ad e UBS no período de janeiro de 2011 a agosto de 2012. Para coleta de dados foram utilizadas a entrevista semi-estruturada e a observação participante. A análise das entrevistas se deu através da hermenêutica de Paul Ricoeur, por meio das seguintes etapas: transformação dos discursos em textos, leitura exaustiva, análise estrutural, compreensão do texto de forma abrangente, interpretação e análise. O estudo demonstou que o acesso ao uso do crack é facilitado por uma política proibicionista que tenta distanciar o homem da droga, mas que na prática torna a droga ainda mais acessível. Seja através de políticas públicas que facilitam o acesso ao uso do álcool, substância ilícita que tem aceitação social positiva e que é acessada de forma fácil por adolescentes, seja através da associação do mercado do crack como da maconha. A criminalização do uso de droga reforça o componente marginal do consumo e dificulta o acesso dos usuários aos veículos formais de cuidados. Os trabalhadores de saúde, portanto, têm medo de intervir junto a estes usuários, pois, estão envolvidos numa estrutura de comércio que se desenvolve em meio à violência, assaltos e mortes. Assim como os usuários não acessam os serviços por se sentirem discriminados. As intervenções de saúde são pautadas em modelos tradicionais que patologizam o consumo de drogas. As intervenções de saúde na atenção primária são limitadas a acompanhamentos pontuais. Os usuários são prontamente encaminhados aos Caps-ad que realizam intervenções limitadas aos espaços institucionais dos serviços, com infimas intervenções nos territórios e nas cenas de uso desta substância. Isto torna o trabalho pouco potente para intervir na melhoria das condições de uso, através de estratégias que minimizem os dados e os riscos da relação dos usuários com a droga. A patologização do consumo de drogas reforça modelos que colocam os usuários numa posição passiva em relação ao seu tratamento. Os usuários são entendidos como pessoas acometidas por uma doença (dependência química) que tem de passar por um tratamento no qual o objetivo (cura) é abster-se da substância. Assim a clinica que intervem em relação aos usuários de crack é uma clínica que desprotagoniza o indivíduo tornando-o mais passivo em relação á substância, um doente a ser tratado e curado através de estratégias que o distancie da droga e dos seus espaços de consumo. O modelo de clínica utilizado em saúde mental para intervir junto aos usuários de crack é um reforçador da problemática do consumo desta droga na nossa sociedade, pois reforça a exclusão, a segregação e o comportamento passivo dos usuários no seu processo de acompanhamento. Palavras-chave: Usuário de crack, aspectos socioculturais do uso de crack, agravos à saúde, cuidados de saúde dos usuários de crack. |
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