O telejornalismo e a pauta indígena: o desafio das rotinas produtivas e da interculturalidade

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Peruzi, Katia Andressa
Orientador(a): Kaseker, Mônica Panis
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.uel.br/handle/123456789/19003
Resumo: Nos últimos anos, experenciamos, de forma inédita no Brasil, o maior protagonismo Indígena em cargos políticos e em produções artístico-culturais. Esta dissertação problematiza o tratamento da temática Indígena pelo telejornalismo diário, à medida em que este se vê desafiado pela maior interlocução com fontes Indígenas. A fundamentação teórica apoia-se em autores que criticam a prática jornalística, como Moraes (2022) e Guedes (2024), e em intelectuais Indígenas, como Luciano Baniwa (2006), Munduruku (2010) e McCue (2022), articulando a perspectiva decolonial como eixo central de análise. A pesquisa ouviu seis repórteres da Rede Globo e afiliadas do Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, dentre eles, Indígenas e não Indígenas. Optou-se por escolher, dentre as várias funções no telejornalismo, os repórteres, por terem um contato direto e pessoal com entrevistados Indígenas. O objetivo foi identificar barreiras, facilitadores e estratégias adotadas pelos jornalistas na construção dessas coberturas. Os resultados apontam que a competência cultural dos repórteres não Indígenas é, em grande parte, construída pela experiência acumulada no dia a dia, sem formação adequada ou suporte institucional. Quanto maior a proximidade com comunidades e lideranças Indígenas, maior o nível de compreensão e sensibilidade demonstrado nas entrevistas. Entre as principais barreiras, destacam-se as rotinas produtivas rígidas, marcadas pela pressão do tempo e da dificuldade de criar vínculos - elemento essencial na comunicação intercultural. Constatou-se também que práticas arraigadas na cultura jornalística, como a simplificação das falas e a busca pela chamada “neutralidade”, limitam a pluralidade de perspectivas e dificultam a escuta efetiva das vozes Indígenas. A falta de reflexão dos jornalistas é agravada pelas rotinas produtivas do telejornalismo, que tem sua cultura e modo de operar, sendo que os jornalistas seguem padrões e sistemas que são difíceis de serem alterados. A agilidade e velocidade exigidas pelas emissoras de televisão não permitem que haja flexibilização das rotinas produtivas. Apesar disso, foram identificados caminhos de transformação: ampliar a presença de jornalistas Indígenas nas redações; repensar as etapas de produção, incorporando tempos e modos de fala próprios das comunidades; promover formação intercultural nas universidades e treinamentos contínuos nas empresas de comunicação. A pesquisa conclui que superar a visão ocidentalista e adotar práticas decoloniais no telejornalismo não é apenas uma necessidade ética, mas também uma oportunidade de qualificar a cobertura, tornando-a mais plural e representativa
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A fundamentação teórica apoia-se em autores que criticam a prática jornalística, como Moraes (2022) e Guedes (2024), e em intelectuais Indígenas, como Luciano Baniwa (2006), Munduruku (2010) e McCue (2022), articulando a perspectiva decolonial como eixo central de análise. A pesquisa ouviu seis repórteres da Rede Globo e afiliadas do Sul, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, dentre eles, Indígenas e não Indígenas. Optou-se por escolher, dentre as várias funções no telejornalismo, os repórteres, por terem um contato direto e pessoal com entrevistados Indígenas. O objetivo foi identificar barreiras, facilitadores e estratégias adotadas pelos jornalistas na construção dessas coberturas. Os resultados apontam que a competência cultural dos repórteres não Indígenas é, em grande parte, construída pela experiência acumulada no dia a dia, sem formação adequada ou suporte institucional. Quanto maior a proximidade com comunidades e lideranças Indígenas, maior o nível de compreensão e sensibilidade demonstrado nas entrevistas. Entre as principais barreiras, destacam-se as rotinas produtivas rígidas, marcadas pela pressão do tempo e da dificuldade de criar vínculos - elemento essencial na comunicação intercultural. Constatou-se também que práticas arraigadas na cultura jornalística, como a simplificação das falas e a busca pela chamada “neutralidade”, limitam a pluralidade de perspectivas e dificultam a escuta efetiva das vozes Indígenas. A falta de reflexão dos jornalistas é agravada pelas rotinas produtivas do telejornalismo, que tem sua cultura e modo de operar, sendo que os jornalistas seguem padrões e sistemas que são difíceis de serem alterados. A agilidade e velocidade exigidas pelas emissoras de televisão não permitem que haja flexibilização das rotinas produtivas. Apesar disso, foram identificados caminhos de transformação: ampliar a presença de jornalistas Indígenas nas redações; repensar as etapas de produção, incorporando tempos e modos de fala próprios das comunidades; promover formação intercultural nas universidades e treinamentos contínuos nas empresas de comunicação. A pesquisa conclui que superar a visão ocidentalista e adotar práticas decoloniais no telejornalismo não é apenas uma necessidade ética, mas também uma oportunidade de qualificar a cobertura, tornando-a mais plural e representativaIn recent years, Brazil has witnessed, in an unprecedented way, a growing Indigenous presence in political positions and artistic-cultural productions. This dissertation examines how daily television journalism addresses Indigenous issues, especially as it faces the challenge of increased interaction with Indigenous sources. The theoretical framework draws on authors who critically reflect on journalistic practice, such as Moraes (2022) and Guedes (2024), as well as Indigenous intellectuals such as Luciano Baniwa (2006), Munduruku (2010), and McCue (2022), using the decolonial perspective as the central analytical axis. The research interviewed six reporters from Rede Globo and its affiliates in the South, Midwest, and Southeast of Brazil, including both Indigenous and non-Indigenous professionals. Reporters were chosen among the various roles in television journalism because of their direct, personal contact with Indigenous interviewees. The aim was to identify barriers, facilitators, and strategies adopted by journalists in producing such coverage. Findings indicate that the cultural competence of non-Indigenous reporters is largely developed through day-to-day experience, without adequate training or institutional support. The greater the proximity to Indigenous communities and leaders, the higher the level of understanding and sensitivity demonstrated in interviews. Among the main barriers are rigid newsroom routines, marked by time pressure and the difficulty of building trust — an essential element in intercultural communication. It was also found that entrenched practices in journalistic culture, such as simplifying speech and the pursuit of so-called “neutrality,” limit the plurality of perspectives and hinder effective listening to Indigenous voices. Journalists’ lack of reflection is further aggravated by the operational culture of television journalism, in which professionals follow patterns and systems that are resistant to change. The speed and agility required by television broadcasters leave little room for flexibility in production routines. Despite these challenges, the study identified possible paths for transformation: increasing the presence of Indigenous journalists in newsrooms; rethinking production stages to incorporate the temporalities and speech styles of Indigenous communities; and promoting intercultural training both in universities and through ongoing professional development within media organizations. The research concludes that overcoming the Western-centric perspective and adopting decolonial practices in television journalism is not only an ethical imperative but also an opportunity to improve the quality of coverage, making it more plural and representativeporCiências Sociais Aplicadas - ComunicaçãoCiências Sociais Aplicadas - ComunicaçãoTelevision journalismIndigenous PeoplesReportersCultural competenceDecolonialityIntercultural communicationTelejornalismoPovos IndígenasRepórteresCompetência culturalDecolonialidadeComunicação interculturalO telejornalismo e a pauta indígena: o desafio das rotinas produtivas e da interculturalidadeIndigenous Issues in television journalism: the challenge of productive routines and interculturalityinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisCECA - Departamento de ComunicaçãoPrograma de Pós-Graduação em ComunicaçãoUniversidade Estadual de Londrina - UEL-1-1reponame:Repositório Institucional da UELinstname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)instacron:UELinfo:eu-repo/semantics/openAccessMestrado AcadêmicoCentro de Educação, Comunicação e ArtesORIGINALCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A.pdfCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A.pdfTexto completo ID. 194298application/pdf2626108https://repositorio.uel.br/bitstreams/85b4b734-3765-4f42-8313-6e26f1783f75/downloadd1ebd7ae7fc7e81d304200a9199f1c44MD51CSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A_Termo.pdfCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A_Termo.pdfTermo de autorizaçãoapplication/pdf111700https://repositorio.uel.br/bitstreams/522777a9-e6e2-4afc-b762-d168b151f724/download08bb31aced92b36dc7ba7ebc308cd445MD52LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-8555https://repositorio.uel.br/bitstreams/978662af-dd5d-44d3-97ab-dbd756885c8b/downloadb0875caec81dd1122312ab77c11250f1MD53TEXTCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A.pdf.txtCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A.pdf.txtExtracted texttext/plain25251https://repositorio.uel.br/bitstreams/2230574e-b2c4-4572-b2f2-b8c51a4d7137/download161706900d9a987a7709c338c7c4c294MD54CSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A_Termo.pdf.txtCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A_Termo.pdf.txtExtracted texttext/plain2102https://repositorio.uel.br/bitstreams/a1cb5084-a87f-43f8-a740-4c04e69b76f1/download7934c3cb2e8adf3e6ac6003a421d044dMD56THUMBNAILCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A.pdf.jpgCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3567https://repositorio.uel.br/bitstreams/9705d074-3244-4c26-9fb3-de3d67d918f0/download35cbb5b9b244e96e720116d6afa5d5e1MD55CSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A_Termo.pdf.jpgCSA_NIC_Me_2025_Peruzi_Kátia_A_Termo.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg5181https://repositorio.uel.br/bitstreams/10c41209-7abc-461c-8eaa-cea5aee23124/download234ec0b2f615a522021b090848c757a7MD57123456789/190032025-11-25 03:03:20.416open.accessoai:repositorio.uel.br:123456789/19003https://repositorio.uel.brBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bibliotecadigital.uel.br/PUBhttp://www.bibliotecadigital.uel.br/OAI/oai2.phpbcuel@uel.br||opendoar:2025-11-25T06:03:20Repositório Institucional da UEL - Universidade Estadual de Londrina (UEL)falseQXV0b3Jpem8gYSBkaXZ1bGdhw6fDo28gbm8gUmVwb3NpdMOzcmlvIGRhIFVuaXZlcnNpZGFkZSBFc3RhZHVhbCBkZSBMb25kcmluYSAocmVwb3NpdG9yaW8udWVsLmJyKSwgZSBwZXJtaXRvIGEgcmVwcm9kdcOnw6NvIHRvdGFsIHBvciBtZWlvIGVsZXRyw7RuaWNvLCBzZW0gcmVzc2FyY2ltZW50byBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgZGEgT2JyYSwgYSBwYXJ0aXIgZGEgZGF0YSBpbmRpY2FkYSBubyBhcnF1aXZvIChiaXRzdHJlYW0pLCBvdSBhdMOpIHF1ZSBtYW5pZmVzdGHDp8OjbyBlbSBzZW50aWRvIGNvbnRyw6FyaW8gZGUgbWluaGEgcGFydGUgZGV0ZXJtaW5lIGEgY2Vzc2HDp8OjbyBkZXN0YSBhdXRvcml6YcOnw6NvLiBEZWNsYXJvLCB0YW1iw6ltLCBxdWUgbWUgcmVzcG9uc2FiaWxpem8gcGVsbyBjb250ZcO6ZG8gZGEgb2JyYSBvYmpldG8gZGVzdGEgYXV0b3JpemHDp8Ojbywgc2VuZG8gZGUgbWluaGEgcmVzcG9uc2FiaWxpZGFkZSBxdWFpc3F1ZXIgbWVkaWRhcyBqdWRpY2lhaXMgb3UgZXh0cmFqdWRpY2lhaXMgY29uY2VybmVudGVzIGFvIGNvbnRlw7pkby4K
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