Godllywood Girls: um projeto colonizador de corporalidades e imaginários de meninas no âmbito da Igreja Universal do Reino de Deus
| Ano de defesa: | 2025 |
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Resumo: | Esta pesquisa busca identificar quais são os sentidos pretendidos pelos discursos do programa Godllywood Girls para a educação de gênero. A iniciativa é desenvolvida pela Igreja Universal do Reino de Deus e chegou ao Brasil em 2010, mesmo ano em que as manifestações antigênero começaram a obter maior projeção no país, tendo como um de seus principais alvos, o rechaço à inclusão dos debates sobre gênero nos espaços escolares (BIROLI, 2018; MARTINEZ, 2020). O programa conta a Godllywood School: “uma escola para a vida” voltada exclusivamente para meninas de 6 a 15 anos, localizada no Templo de Salomão, sede nacional da Universal. De dimensão transnacional, a iniciativa tem como finalidade principal “resgatar a essência feminina” (UNIVERSAL, 2023). Diante disso, esta investigação parte das seguintes questões: quais são os materiais e estratégias de comunicação produzidos pelo programa Godllywood Girls? Quais sentidos podem ser apreendidos dos discursos presentes nestes materiais no que tange à educação de gênero? As hipóteses iniciais partem da compreensão de que o programa Godllywood Girls opera como uma tecnologia colonial de gênero (LAURETIS, 1994; LUGONES, 2020; CASANOVA, 2006) responsável por estabelecer um discurso universalizante sobre “ser mulher” e acerca da noção de família, concepções estas assentadas em uma leitura dominante da cultura cristã ocidental e, portanto, reprodutora de estigmas e violências de gênero. Neste estudo, a perpetuação de opressões de gênero é vislumbrada tanto em cenário nacional, haja vista a invisibilidade às identidades, sexualidades dissidentes bem como a outros modelos de famílias para além do arranjo patriarcal, mas também em contexto internacional, já que o programa está presente em 77 países, apresentando crescimento, principalmente, no continente africano. A premissa leva a considerar a participação da Igreja Universal na ofensiva antigênero no Brasil, visto que além de propagar discursos contra o debate de gênero nos currículos escolares, a denominação cria a sua própria escola para ensinar garotas a serem mulheres que “agradem a Deus”. Neste estudo foram empregados os seguintes passos teórico-metodológicos: pesquisa bibliográfica, análise de discurso e de conteúdo. No total, foram analisados 42 vídeoaulas ofertadas para as garotas e dois livros empregados pelo programa, a saber: “Tecnicamente virgem – Qual é o limite?” e “Sexy Girls”. O trato de todas as informações coletadas ocorreu por meio da triangulação de dados. Foi possível apreender que através do programa, a Universal tem propagado uma série de regras que são repassadas às meninas visando moldar seus comportamentos e pensamentos. Além disso, constata-se que com o Godllywood Girls, a igreja tem fabricado uma modelo de feminilidade conservadora neoliberal (BROWN, 2019; MARTINEZ, 2020), que busca reafirmar papeis tradicionais de gênero, alicerçados no binarismo e heterossexualidade compulsória ao mesmo tempo em adota valores neoliberais como o “empreendedorismo de si”, a entrega de resultados, o controle do tempo, a meritocracia como sensores de conduta. A iniciativa também legitima apenas o arranjo de família patriarcal, violentando a existência de outros modelos e, ainda, associa identidades de gênero e sexualidades a “modismos” que estariam, segundo a igreja, difundindo “valores antifamiliares”. Verifica-se também que através do programa, a igreja contraria conquistas dos movimentos feministas, reconhecendo apenas aquelas que encampadas, sobretudo, pelo feminismo neoliberal. Nota-se que com o programa, a Universal objetiva a construção da “mulher virtuosa”, que é aquela multitarefa, que cuida da aparência, da casa, carreira, da família e dá suporte ao marido – sempre privilegiando o espaço doméstico ante o público. Percebe-se que através do Godllywood Girls, a Universal anseia incutir desde a infância e a adolescência a “política da prosperidade” (TEIXEIRA, 2018) entre as garotas, recorrendo ao controle do corpo e imaginários para estabelecer uma disciplina individual e familiar orientada pela lógica do desempenho. Assim, a igreja torna-se uma força importante na propagação do conservadorismo e da agenda antigênero na medida em que oferta um letramento de gênero que biologiza e universaliza as identidades bem como individualiza as desigualdades e violências |
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O programa conta a Godllywood School: “uma escola para a vida” voltada exclusivamente para meninas de 6 a 15 anos, localizada no Templo de Salomão, sede nacional da Universal. De dimensão transnacional, a iniciativa tem como finalidade principal “resgatar a essência feminina” (UNIVERSAL, 2023). Diante disso, esta investigação parte das seguintes questões: quais são os materiais e estratégias de comunicação produzidos pelo programa Godllywood Girls? Quais sentidos podem ser apreendidos dos discursos presentes nestes materiais no que tange à educação de gênero? As hipóteses iniciais partem da compreensão de que o programa Godllywood Girls opera como uma tecnologia colonial de gênero (LAURETIS, 1994; LUGONES, 2020; CASANOVA, 2006) responsável por estabelecer um discurso universalizante sobre “ser mulher” e acerca da noção de família, concepções estas assentadas em uma leitura dominante da cultura cristã ocidental e, portanto, reprodutora de estigmas e violências de gênero. Neste estudo, a perpetuação de opressões de gênero é vislumbrada tanto em cenário nacional, haja vista a invisibilidade às identidades, sexualidades dissidentes bem como a outros modelos de famílias para além do arranjo patriarcal, mas também em contexto internacional, já que o programa está presente em 77 países, apresentando crescimento, principalmente, no continente africano. A premissa leva a considerar a participação da Igreja Universal na ofensiva antigênero no Brasil, visto que além de propagar discursos contra o debate de gênero nos currículos escolares, a denominação cria a sua própria escola para ensinar garotas a serem mulheres que “agradem a Deus”. Neste estudo foram empregados os seguintes passos teórico-metodológicos: pesquisa bibliográfica, análise de discurso e de conteúdo. No total, foram analisados 42 vídeoaulas ofertadas para as garotas e dois livros empregados pelo programa, a saber: “Tecnicamente virgem – Qual é o limite?” e “Sexy Girls”. O trato de todas as informações coletadas ocorreu por meio da triangulação de dados. Foi possível apreender que através do programa, a Universal tem propagado uma série de regras que são repassadas às meninas visando moldar seus comportamentos e pensamentos. Além disso, constata-se que com o Godllywood Girls, a igreja tem fabricado uma modelo de feminilidade conservadora neoliberal (BROWN, 2019; MARTINEZ, 2020), que busca reafirmar papeis tradicionais de gênero, alicerçados no binarismo e heterossexualidade compulsória ao mesmo tempo em adota valores neoliberais como o “empreendedorismo de si”, a entrega de resultados, o controle do tempo, a meritocracia como sensores de conduta. A iniciativa também legitima apenas o arranjo de família patriarcal, violentando a existência de outros modelos e, ainda, associa identidades de gênero e sexualidades a “modismos” que estariam, segundo a igreja, difundindo “valores antifamiliares”. Verifica-se também que através do programa, a igreja contraria conquistas dos movimentos feministas, reconhecendo apenas aquelas que encampadas, sobretudo, pelo feminismo neoliberal. Nota-se que com o programa, a Universal objetiva a construção da “mulher virtuosa”, que é aquela multitarefa, que cuida da aparência, da casa, carreira, da família e dá suporte ao marido – sempre privilegiando o espaço doméstico ante o público. Percebe-se que através do Godllywood Girls, a Universal anseia incutir desde a infância e a adolescência a “política da prosperidade” (TEIXEIRA, 2018) entre as garotas, recorrendo ao controle do corpo e imaginários para estabelecer uma disciplina individual e familiar orientada pela lógica do desempenho. Assim, a igreja torna-se uma força importante na propagação do conservadorismo e da agenda antigênero na medida em que oferta um letramento de gênero que biologiza e universaliza as identidades bem como individualiza as desigualdades e violênciasThis research seeks to identify the intended meanings of the Godllywood Girls program's discourse on gender education. The initiative was developed by the Universal Church of the Kingdom of God and arrived in Brazil in 2010, the same year that anti-gender demonstrations began to gain greater prominence in the country, with one of their main targets being the rejection of the inclusion of gender debates in schools (BIROLI, 2018; MARTINEZ, 2020). The program includes Godllywood School: “a school for life” exclusively for girls aged 6 to 15, located in the Temple of Solomon, the national headquarters of the Universal Church. With a transnational dimension, the main purpose of the initiative is to “rescue the feminine essence” (UNIVERSAL, 2023). In view of this, this investigation starts from the following questions: what are the communication materials and strategies produced by the Godllywood Girls program? What meanings can be gleaned from the discourses present in these materials with regard to gender education? The initial hypotheses are based on the understanding that the Godllywood Girls program operates as a colonial gender technology (LAURETIS, 1994; LUGONES, 2020; CASANOVA, 2006) responsible for establishing a universalizing discourse on “being a woman” and on the notion of family, concepts based on a dominant reading of Western Christian culture and, therefore, reproducing gender stigmas and violence. In this study, the perpetuation of gender oppression is seen both in the national context, given the invisibility of dissident identities and sexualities, as well as other family models beyond the patriarchal arrangement, but also in the international context, since the program is present in 77 countries, with growth mainly on the African continent. This premise leads us to consider the participation of the Universal Church in the anti-gender offensive in Brazil, given that, in addition to propagating discourses against the debate on gender in school curricula, the denomination has created its own school to teach girls to be women who “please God.” The following theoretical and methodological steps were employed in this study: bibliographic research, discourse analysis, and content analysis. In total, 42 video lessons offered to the girls and two books used by the program were analyzed, namely: “Technically a Virgin – What is the Limit?” and “Sexy Girls.” All the information collected was processed using data triangulation. It was possible to understand that, through the program, the Universal Church has propagated a series of rules that are passed on to girls in order to shape their behavior and thoughts. In addition, it is clear that, with Godllywood Girls, the church has created a model of conservative neoliberal femininity (BROWN, 2019; MARTINEZ, 2020), which seeks to reaffirm traditional gender roles based on binary thinking and compulsory heterosexuality, while adopting neoliberal values such as “self-entrepreneurship,” delivery of results, time management, and meritocracy as sensors of conduct. The initiative also legitimizes only the patriarchal family arrangement, violating the existence of other models and, furthermore, associates gender identities and sexualities with “fads” that, according to the church, are spreading “anti-family values.” It is also clear that through the program, the church contradicts the achievements of feminist movements, recognizing only those championed, above all, by neoliberal feminism. It is noted that with the program, the Universal Church aims to construct the “virtuous woman,” who is multitasking, takes care of her appearance, home, career, family, and supports her husband—always privileging the domestic sphere over the public sphere. It is clear that through Godllywood Girls, the Universal Church seeks to instill the “politics of prosperity” (TEIXEIRA, 2018) in girls from childhood and adolescence, resorting to control of the body and imagery to establish individual and family discipline guided by the logic of performance. Thus, the church becomes an important force in the propagation of conservatism and the anti-gender agenda insofar as it offers a gender literacy that biologizes and universalizes identities as well as individualizes inequalities and violenceporCiências Humanas - SociologiaCiências Humanas - SociologiaIURDGodllywood GirlsEducationAnti-genderConservatismGenderReligionFemininityNeoliberalismPatriarchyDiscourse analysisIURDGodllywood GirlsEducaçãoAntigêneroConservadorismoGêneroReligiãoFeminilidadeNeoliberalismoPatriarcadoAnálise de discursosGodllywood Girls: um projeto colonizador de corporalidades e imaginários de meninas no âmbito da Igreja Universal do Reino de DeusGodllywood Girls: a project colonizing the corporalities and imaginations of girls within the Universal Church of the Kingdom of Godinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisCLCH - Departamento de Ciências SociaisPrograma de Pós-Graduação em Ciências SociaisUniversidade Estadual de Londrina - UEL-1-1reponame:Repositório Institucional da UELinstname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)instacron:UELinfo:eu-repo/semantics/openAccessDoutoradoCentro de Letras e Ciências HumanasORIGINALCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele.pdfCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele.pdfTexto completo ID. 194485application/pdf2993057https://repositorio.uel.br/bitstreams/2a9c5118-0bbe-4ece-bce4-32ccb6cbf384/download0024663f7e6370294bd6a4951f4dda50MD51CH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele_TERMO.pdfCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele_TERMO.pdfTermo de autorizaçãoapplication/pdf253154https://repositorio.uel.br/bitstreams/c9b67524-6a46-48bd-8319-8110e592aeab/downloaddfa5df27fe0772f3cba2d09c680725f4MD52LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-8555https://repositorio.uel.br/bitstreams/de19650d-f654-462f-8448-552e2849fdb0/downloadb0875caec81dd1122312ab77c11250f1MD53TEXTCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele.pdf.txtCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele.pdf.txtExtracted texttext/plain746607https://repositorio.uel.br/bitstreams/cd55b907-e7b8-4796-a3fc-1ca09dcd6d02/downloaddd470e0c03924b7c21431049ae63e606MD54CH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele_TERMO.pdf.txtCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele_TERMO.pdf.txtExtracted texttext/plain4479https://repositorio.uel.br/bitstreams/ae135c3a-966d-4e45-86ae-3d28f09278a2/download0aeba05044132c72c1d9aa5d526b8a7aMD56THUMBNAILCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele.pdf.jpgCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3764https://repositorio.uel.br/bitstreams/62249d81-7b46-4f43-b3a7-bdadbff4571f/downloadc6f4470375628fb4d6e056a843ab02d2MD55CH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele_TERMO.pdf.jpgCH_SOC_Dr_2025_Rodrigues_Franciele_TERMO.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg5402https://repositorio.uel.br/bitstreams/c202b95d-9246-4be8-a960-29f4d3f7ea33/download7e4030eefa36c536c3c1b08e9791a84fMD57123456789/191092026-02-10 03:00:55.732open.accessoai:repositorio.uel.br:123456789/19109https://repositorio.uel.brBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bibliotecadigital.uel.br/PUBhttp://www.bibliotecadigital.uel.br/OAI/oai2.phpbcuel@uel.br||opendoar:2026-02-10T06:00:55Repositório Institucional da UEL - Universidade Estadual de Londrina (UEL)falseQXV0b3Jpem8gYSBkaXZ1bGdhw6fDo28gbm8gUmVwb3NpdMOzcmlvIGRhIFVuaXZlcnNpZGFkZSBFc3RhZHVhbCBkZSBMb25kcmluYSAocmVwb3NpdG9yaW8udWVsLmJyKSwgZSBwZXJtaXRvIGEgcmVwcm9kdcOnw6NvIHRvdGFsIHBvciBtZWlvIGVsZXRyw7RuaWNvLCBzZW0gcmVzc2FyY2ltZW50byBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgZGEgT2JyYSwgYSBwYXJ0aXIgZGEgZGF0YSBpbmRpY2FkYSBubyBhcnF1aXZvIChiaXRzdHJlYW0pLCBvdSBhdMOpIHF1ZSBtYW5pZmVzdGHDp8OjbyBlbSBzZW50aWRvIGNvbnRyw6FyaW8gZGUgbWluaGEgcGFydGUgZGV0ZXJtaW5lIGEgY2Vzc2HDp8OjbyBkZXN0YSBhdXRvcml6YcOnw6NvLiBEZWNsYXJvLCB0YW1iw6ltLCBxdWUgbWUgcmVzcG9uc2FiaWxpem8gcGVsbyBjb250ZcO6ZG8gZGEgb2JyYSBvYmpldG8gZGVzdGEgYXV0b3JpemHDp8Ojbywgc2VuZG8gZGUgbWluaGEgcmVzcG9uc2FiaWxpZGFkZSBxdWFpc3F1ZXIgbWVkaWRhcyBqdWRpY2lhaXMgb3UgZXh0cmFqdWRpY2lhaXMgY29uY2VybmVudGVzIGFvIGNvbnRlw7pkby4K |
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Godllywood Girls: um projeto colonizador de corporalidades e imaginários de meninas no âmbito da Igreja Universal do Reino de Deus Rodrigues, Franciele Ciências Humanas - Sociologia IURD Godllywood Girls Educação Antigênero Conservadorismo Gênero Religião Feminilidade Neoliberalismo Patriarcado Análise de discursos Ciências Humanas - Sociologia IURD Godllywood Girls Education Anti-gender Conservatism Gender Religion Femininity Neoliberalism Patriarchy Discourse analysis |
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Repositório Institucional da UEL - Universidade Estadual de Londrina (UEL) |
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