Desprazer, realidade e consciência : o contracinema de Michael Haneke em Funny Games

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Ramari, Thiago Henrique
Orientador(a): Demétrio, Silvio Ricardo [Orientador]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.uel.br/handle/123456789/14615
Resumo: Resumo: A presente Dissertação explica os efeitos desagradáveis e reflexivos que o longa-metragem Funny Games (1997/27), do cineasta austríaco Michael Haneke (1942-), normalmente provoca entre os espectadores Como metodologia, o trabalho parte da cartografia realizada por Wheatley (29), para empreender revisões bibliográficas e analisar a obra fílmica, com um tom que se pretende didático e voltado ao leitor brasileiro Com base na autora supracitada, afirma-se primeiramente que Funny Games tensiona elementos de movimentos fílmicos distintos e opostos, o cinema realista clássico e o contracinema, com o objetivo de induzir o público a uma reflexão sobre o consumo de imagens de violência por entretenimento Em seguida, procede-se com um levantamento das teorias concernentes a cada escola, todas exemplificadas por excertos de filmes diferentes, para alcançar ao fim o principal objeto de estudo desta pesquisa Por esse trajeto, observa-se que, nos 29 minutos iniciais, Funny Games atua no perímetro do cinema realista clássico, a fim de estimular na plateia expectativas de entretenimento comuns a gêneros fílmicos alicerçados sobre a temática da violência, tais como a aventura, o thriller e o western Depois, elementos disjuntivos do contracinema, a exemplo dos apartes, da rebobinagem intradiegética e do estiramento temporal de determinados planos, são introduzidos para interromper o percurso do prazer e responsabilizar a audiência pelos assassinatos de três membros de uma mesma família em uma casa de campo Com o choque provocado, a espectador realiza que a violência é utilizada pela primeira escola apenas para satisfazer seu interesse por divertimento, fato que, além de remontar à apropriação da sensação de suspense pela indústria cultural no fim do século 19, abre um importante espaço à reflexão sobre o regozijo cotidiano da sociedade perante imagens que contenham agressões, brutalidades e selvagerias Assim, pode-se afirmar que, em Funny Games, o contracinema cumpre sua função de contracorrente quando desvela a relação de cumplicidade que os filmes comerciais sempre impõem entre o público e os antagonistas, situação que favorece o desencadeamento de sensações desagradáveis e encaminha o acionamento da consciência crítica A partir de tal análise, reitera-se a perenidade do contracinema entre as produções fílmicas contemporâneas, contrariando provavelmente as previsões de críticos e estudiosos que decretaram a “morte” do escopo teórico que lhe dá suporte, o modernismo político, devido às suas contradições internas Ao fim, defende-se que os ideais e os preceitos da escola continuam a influenciar diversos cineastas e contam com potencial relevante para promover debates sobre assuntos relevantes à sociedade contemporânea
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Universidade Estadual de Londrina, Centro de Educação, Comunicação e Artes, Programa de Pós-Graduação em ComunicaçãoAbstract: This dissertation explains the unpleasant and reflexive effects which Funny Games (1997/27), a movie by the Austrian Michael Haneke (1942-), usually provokes among the spectators As a methodology, the text begins in the cartography identified by Wheatley (29), to undertake bibliographic reviews and analyze the film with a didactic tone aimed at the Brazilian readers From the above-mentioned author, this work firstly considers that Funny Games stresses elements of distinct and opposing film movements, the classic realist cinema and the counter-cinema, with the aim of inducing the public to reflect on the consumption of violent images by entertainment Then, it proceeds with a survey of theories concerning each school, all exemplified by excerpts from different movies, to reach the main object of this research at the end Through this route, it observes that, in the first 29 minutes, Funny Games acts in the classic realist cinema’s perimeter, in order to stimulate entertainment expectations usually seen in filmic genres based on violence, such as adventure, thriller and western After this, counter-cinema’s disjunctive elements (eg characters looking at the camera, intradiegetic rewinding scenes and temporal stretching of certain plans) are introduced to interrupt the course of pleasure and to hold the audience accountable for the murders of three members of the same family in a country house With the shock provoked, the spectator becomes able to see that violence is used by the first school only to satisfy his interest for pleasure, fact that 1) remembers the appropriation of suspense feeling by cultural industry, and 2) opens a space to the reflection on the social enjoyment with images that contain aggression, brutality and savagery Thus, it is clear that counter-cinema fulfills its counter-current function when the movie reveals the complicity that commercial movies always impose between public and antagonists, a situation that favors the unleashing of unpleasant sensations and directs the activation of critical awareness From this analysis, it reiterates the perenniality of counter-cinema in contemporary film productions, probably against the predictions of critics and scholars who have decreed the “death” of the theoretical scope that supports it, the political modernism, due to its internal contradictions Finally, it argues that the ideals and precepts of this school continue to influence several filmmakers and have a relevant potential to promote debates on important issues to the contemporary societyporCineastasÁustriaArte e comunicaçãoCinemaMovies - Political aspectsArt and communicationCinematographersAustriaDesprazer, realidade e consciência : o contracinema de Michael Haneke em Funny Gamesinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisMestradoComunicaçãoCentro de Educação, Comunicação e ArtesPrograma de Pós-graduação em Comunicação-1-1reponame:Repositório Institucional da UELinstname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)instacron:UELinfo:eu-repo/semantics/openAccess167565vtls000212477SIMvtls000212477http://www.bibliotecadigital.uel.br/document/?code=vtls00021247764.00SIMhttp://www.bibliotecadigital.uel.br/document/?code=vtls0002124775175.pdf123456789/10602 - Mestrado - ComunicaçãoORIGINAL5175.pdfapplication/pdf1788418https://repositorio.uel.br/bitstreams/865dd1d0-c856-4528-9d9e-ee6cac190731/downloadc54f86d2a86f6fc8ad6f2b887fb0ab79MD51LICENCElicence.txttext/plain263https://repositorio.uel.br/bitstreams/3c6a289c-0a4f-4ea7-bce2-3cd3b1cabdcd/download753f376dfdbc064b559839be95ac5523MD52TEXT5175.pdf.txt5175.pdf.txtExtracted texttext/plain277501https://repositorio.uel.br/bitstreams/064c8c1f-aa2e-4250-98e4-cb60d935adaa/downloadbb1d28c48569d440a0892f7e29f9f9d1MD53THUMBNAIL5175.pdf.jpg5175.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3493https://repositorio.uel.br/bitstreams/672424d9-9280-463b-b409-72537a4d8298/download913b3d0669ddd9d47f32a732c87d1195MD54123456789/146152024-07-12 01:20:03.708open.accessoai:repositorio.uel.br:123456789/14615https://repositorio.uel.brBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bibliotecadigital.uel.br/PUBhttp://www.bibliotecadigital.uel.br/OAI/oai2.phpbcuel@uel.br||opendoar:2024-07-12T04:20:03Repositório Institucional da UEL - 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