Atividade tripanocida do ácido grandiflorênico e atividade leishmanicida dos análogos biotransformados do ácido caurenóico
| Ano de defesa: | 2021 |
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Resumo: | Os diterpenos ácido caurenóico (KA) e grandiflorênico (GFA), metabolitos secundários isolados da Sphagneticola trilobata (Asteraceae), são descritos na literatura como antiparasitários, antimicrobianos e antioxidantes, além de possuírem estruturas favoráveis para o processo de biotransformação por fungos filamentosos. A leishmaniose, doença causada por protozoários parasitos do gênero Leishmania, são transmitidos ao homem por meio da picada do inseto flebotomíneo. Apresentam diversas manifestações clínicas que vai desde a forma cutânea até a visceral e são dependentes da resposta imune do hospedeiro e da espécie do parasito. A Doença de Chagas é causada por protozoários parasitos do gênero Trypanosoma cruzi, os quais são transmitidos ao mamífero pela via vetorial através das fezes de triatomíneos infectados. O curso clínico está dividido em duas principais fases, a aguda e a crônica. O tratamento para ambas as enfermidades apesar de apresentarem eficiência terapêutica relatada, apresentam alta toxicidade ao paciente, causando diversos efeitos colaterais, além de resistência parasitológica resultando muitas vezes na descontinuação do tratamento. Deste modo, tem sido cada vez mais investigado a busca por compostos que possuam abordagem terapêutica para o tratamento dessas doenças. No capítulo II foi realizado o processo de biotransformação do KA pelo fungo filamentoso Cunninghamella elegans e foram obtidos dois análogos cauranos, o ácido 7-hidroxicaurenóico (7OHKA) e o ácido 7,9-diidroxicaurenóico (7,9OHKA). A partir do estudo in sílico, os compostos apresentaram características favoráveis segundo as regras propostas analisadas. No ensaio de citotoxicidade, por MTT, sobre macrófagos murinos J774A.1, o tratamento com KA (10 a 200 µM) reduziu a viabilidade celular a partir de 50 µM em 72 h e 96 h, enquanto 7OHKA e 7,9OHKA não diferiram do grupo controle (p>0,05), exceto nas maiores concentrações testadas (150 e 200 µM). No ensaio de cinética de proliferação das formas promastigotas de L. amazonensis, 7OHKA, nos tempos de 72 e 96 h, reduziu a viabilidade em 70 %, e para 7,9OHKA, essa redução foi observada após 96 h de tratamento. Assim, os análogos obtidos demonstraram características favoráveis para o estudo como candidatos em potencial na busca por novos fármacos antiprotozoário. No capítulo III, foi determinado o efeito do GFA sobre formas tripomastigotas e amastigotas de T. cruzi. Os resultados mostraram que o tratamento com GFA reduziu a viabilidade das formas tripomastigotas, com alterações morfológicas e ultraestruturais nos parasitos tratados, observou-se aumento nos níveis de espécies reativas de oxigênio (ERO), despolarização mitocondrial, acúmulo de corpos lipídicos, presença de vacúolos autofágicos, exposição de fosfatidilserina e danos à membrana plasmática. Além disso, GFA reduziu o número de formas amastigotas por macrófago (J774A.1), sem exibir toxicidade em linhagens de mamíferos (J774A.1, LLCMK2, THP-1 e AMJ2-C11). Por conseguinte, GFA aumentou os níveis de TNF-a e reduziu os níveis de IL-6 em macrófagos infectados. Assim, o tratamento com GFA atuou nas formas tripomastigotas por meio de mecanismo semelhante a apoptose e eliminação de parasitos intracelulares pela via do TNF-a/ERO. Ambos os capítulos (II e III) mostraram a importância dos estudos envolvendo os compostos isolados de fontes naturais, além de estruturalmente favoráveis para o processo de biotransformação fúngica, permitindo a obtenção de compostos biologicamente mais ativos. |
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Apresentam diversas manifestações clínicas que vai desde a forma cutânea até a visceral e são dependentes da resposta imune do hospedeiro e da espécie do parasito. A Doença de Chagas é causada por protozoários parasitos do gênero Trypanosoma cruzi, os quais são transmitidos ao mamífero pela via vetorial através das fezes de triatomíneos infectados. O curso clínico está dividido em duas principais fases, a aguda e a crônica. O tratamento para ambas as enfermidades apesar de apresentarem eficiência terapêutica relatada, apresentam alta toxicidade ao paciente, causando diversos efeitos colaterais, além de resistência parasitológica resultando muitas vezes na descontinuação do tratamento. Deste modo, tem sido cada vez mais investigado a busca por compostos que possuam abordagem terapêutica para o tratamento dessas doenças. No capítulo II foi realizado o processo de biotransformação do KA pelo fungo filamentoso Cunninghamella elegans e foram obtidos dois análogos cauranos, o ácido 7-hidroxicaurenóico (7OHKA) e o ácido 7,9-diidroxicaurenóico (7,9OHKA). A partir do estudo in sílico, os compostos apresentaram características favoráveis segundo as regras propostas analisadas. No ensaio de citotoxicidade, por MTT, sobre macrófagos murinos J774A.1, o tratamento com KA (10 a 200 µM) reduziu a viabilidade celular a partir de 50 µM em 72 h e 96 h, enquanto 7OHKA e 7,9OHKA não diferiram do grupo controle (p>0,05), exceto nas maiores concentrações testadas (150 e 200 µM). No ensaio de cinética de proliferação das formas promastigotas de L. amazonensis, 7OHKA, nos tempos de 72 e 96 h, reduziu a viabilidade em 70 %, e para 7,9OHKA, essa redução foi observada após 96 h de tratamento. Assim, os análogos obtidos demonstraram características favoráveis para o estudo como candidatos em potencial na busca por novos fármacos antiprotozoário. No capítulo III, foi determinado o efeito do GFA sobre formas tripomastigotas e amastigotas de T. cruzi. Os resultados mostraram que o tratamento com GFA reduziu a viabilidade das formas tripomastigotas, com alterações morfológicas e ultraestruturais nos parasitos tratados, observou-se aumento nos níveis de espécies reativas de oxigênio (ERO), despolarização mitocondrial, acúmulo de corpos lipídicos, presença de vacúolos autofágicos, exposição de fosfatidilserina e danos à membrana plasmática. Além disso, GFA reduziu o número de formas amastigotas por macrófago (J774A.1), sem exibir toxicidade em linhagens de mamíferos (J774A.1, LLCMK2, THP-1 e AMJ2-C11). Por conseguinte, GFA aumentou os níveis de TNF-a e reduziu os níveis de IL-6 em macrófagos infectados. Assim, o tratamento com GFA atuou nas formas tripomastigotas por meio de mecanismo semelhante a apoptose e eliminação de parasitos intracelulares pela via do TNF-a/ERO. Ambos os capítulos (II e III) mostraram a importância dos estudos envolvendo os compostos isolados de fontes naturais, além de estruturalmente favoráveis para o processo de biotransformação fúngica, permitindo a obtenção de compostos biologicamente mais ativos.The diterpenes kaurenoic acid (KA) and grandiflorenic acid (GFA), secondary metabolites isolated from Sphagneticola trilobata (Asteraceae), are described in the literature as antiparasitic, antimicrobial and antioxidant, in addition to having favorable structures for the biotransformation process by filamentous fungi. Leishmaniasis, a disease caused by parasitic protozoa of the Leishmania genus, is transmitted to humans through the bite of the sand fly insect. They present several clinical manifestations, ranging from the cutaneous to the visceral form, and are dependent on the host's immune response and the parasite species. Chagas disease is caused by parasitic protozoa of the genus Trypanosoma cruzi, which are transmitted to the mammal via the vector via the feces of infected triatomines. The clinical course is divided into two main phases, acute and chronic. Treatment for both diseases, despite having reported therapeutic efficiency, have high toxicity to the patient, causing several side effects, in addition to parasitological resistance, often resulting in treatment discontinuation. Thus, the search for compounds that have a therapeutic approach for the treatment of these diseases has been increasingly investigated. In chapter II, the KA biotransformation process was performed by the filamentous fungus Cunninghamella elegans and two kauran analogues were obtained, 7-hydroxykaurenoic acid (7OHKA) and 7,9-dihydroxykaurenoic acid (7,9OHKA). From the in silico study, the compounds showed favorable characteristics according to the proposed rules analyzed. In the MTT cytotoxicity assay on J774A.1 murine macrophages, treatment with KA (10 to 200 µM) reduced cell viability from 50 µM in 72 h and 96 h, while 7OHKA and 7.9OHKA did not differ from the group control (p> 0.05), except at the highest concentrations tested (150 and 200 µM). In the assay of proliferation kinetics of promastigote forms of L. amazonensis, 7OHKA, at 72 and 96 h times, it reduced viability by 70 %, and for 7.9OHKA, this reduction was observed after 96 h of treatment. Thus, the analogues obtained showed favorable characteristics for the study as potential candidates in the search for new antiprotozoan drugs. In chapter III, the effect of GFA on trypomastigote and amastigote forms of T. cruzi was determined. The results showed that GFA treatment reduced the viability of trypomastigote forms, with morphological and ultrastructural changes in the treated parasites, an increase in the levels of reactive oxygen species (ROS), mitochondrial depolarization, accumulation of lipid bodies, presence of vacuoles was observed autophagic, phosphatidylserine exposure and plasma membrane damage. Furthermore, GFA reduced the number of amastigote forms per macrophage (J774A.1), without exhibiting toxicity in mammalian strains (J774A.1, LLCMK2, THP-1 and AMJ2-C11). Therefore, GFA increased TNF-a levels and reduced IL-6 levels in infected macrophages. Thus, treatment with GFA acted on trypomastigote forms through a mechanism similar to apoptosis and elimination of intracellular parasites via the TNF-a/ROS pathway. Both chapters (II and III) showed the importance of studies involving compounds isolated from natural sources, in addition to being structurally favorable for the fungal biotransformation process, allowing the obtainment of more biologically active compounds.porCiências Exatas e da Terra - QuímicaCytochrome P450Filamentous fungiHydroxylationApoptosisChemistryBiotransformation (Metabolism)CompositaeFilamentous fungiHydroxylationCitocromo P450Fungos filamentososHidroxilaçãoApoptoseQuímicaBiotransformação (Metabolismo)CompostasFungos filamentososHidroxilaçãoAtividade tripanocida do ácido grandiflorênico e atividade leishmanicida dos análogos biotransformados do ácido caurenóicoTrypanocidal activity of grandiflorenic acid and leishmanicidal activity of biotransformed analogues of kaurenoic acidinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisCCE - Departamento de QuímicaPrograma de Pós-Graduação em QuímicaUniversidade Estadual de Londrina - UEL-1-1reponame:Repositório Institucional da UELinstname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)instacron:UELinfo:eu-repo/semantics/openAccessDoutoradoCentro de Ciências ExatasORIGINALCE_QUI_Dr_2021_Gonçalves_Manoela_D.pdfCE_QUI_Dr_2021_Gonçalves_Manoela_D.pdfTexto completo. 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Atividade tripanocida do ácido grandiflorênico e atividade leishmanicida dos análogos biotransformados do ácido caurenóico Gonçalves, Manoela Daiele Citocromo P450 Fungos filamentosos Hidroxilação Apoptose Química Biotransformação (Metabolismo) Compostas Fungos filamentosos Hidroxilação Ciências Exatas e da Terra - Química Cytochrome P450 Filamentous fungi Hydroxylation Apoptosis Chemistry Biotransformation (Metabolism) Compositae Filamentous fungi Hydroxylation |
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