Abalos sísmicos : cartografias a partir de um consultório na rua

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Duarte, Luiz Gustavo
Orientador(a): Bortoletto, Maira Sayuri Sakay
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.uel.br/handle/123456789/18065
Resumo: Este estudo foi produzido a partir de uma vivência de um pesquisador autista em um Consultório na Rua (CnaR) em um município de grande porte no sul do país. Foi realizada uma sismografia, derivada da cartografia apresentada por Deleuze e Guattari. Para a produção do estudo, foram utilizados métodos e técnicas de pesquisa, que funcionaram como equipamentos e ferramentas, permitindo abranger os segmentos de discussão que as linhas de fuga produziram. Tais equipamentos são a cartografia e a genealogia, e as ferramentas de suporte e manutenção incluem diários cartográficos, processamentos coletivos, vivências, participação em reuniões, entrevistas e investigações em documentos. A partir de linhas de ruptura, denominadas epicentros, foram discutidos os mapeamentos produzidos. Os epicentros incluem os chamados: liberação de ondas, megamáquinas pandêmicas, máquinas de morar, investigações genealógicas sobre um CnaR. No primeiro epicentro, denominado "Liberação de ondas", examinou-se a construção do pesquisador ao longo do mestrado e doutorado, destacando a continuidade entre esses dois momentos e o diagnóstico tardio de transtorno do espectro autista. Isso promoveu uma ressignificação e autoanálise da cartografia até o momento, destacando como esse território produz abalos que direcionam as investigações subsequentes. Em “Megamáquinas pandêmicas” o pesquisador presenciou, durante a pandemia de COVID-19, como a equipe se organizou e produziu cuidado entre as fissuras da cidade, compreendida na pesquisa como uma megamáquina. Ele também observou como os modos de vida das multidões da rua escapam da racionalização da cidade e só podem ser acessadas por um serviço que produz outros territórios além dos estabelecidos tradicionalmente em serviços de saúde. Além disso, durante o período pandêmico, foi possível presenciar como a produção de morte gerou sofrimento e angústia, não somente entre a população em situação de rua, mas também na equipe do CnaR. O terceiro epicentro, “Máquinas de morar”, se refere a outros funcionamentos maquínicos no ambiente urbano, neste caso relacionados à moradia. Este abalo se estabeleceu ao encontrar uma vivente da rua que, em suas linhas de fuga, questiona, com seu modo de vida, as definições tradicionais de domicílio e casa racionalizadas pelo aparelho de captura do Estado. Este modo de habitar, leva a subversão do conceito de Le Corbusier a respeito do lar como máquinas de morar modernistas, voltado apenas para seus aspectos funcionais, e traz à máquina de morar como expressão da subjetividade produzida através das linhas de fuga, como potência imanente, da vivente de rua. Por fim, ao realizar tais cartografias, outra linha de ruptura que foi perseguida, direcionou-se para a compreensão de questões surgidas ao longo da vivência, trilhando um caminho pela análise das pistas genealógicas, a fim de compreender como as produções de regimes de verdade do CnaR se estabeleceram. Com a elaboração desta sismografia, foi possível perceber que a produção urbana atua continuamente num estriamento dos modos de vida daqueles que a habitam, impulsionada pelo Estado moderno capitalista, onde a própria cidade funciona como axioma, na produção de desejo, buscando esquadrinhar os modos de vida. Ao se deparar com um modo de vida que atua como um corte, uma linha de fuga, nas concepções preestabelecidas de casa, percebe-se que a moradia, ou o viver, não diz respeito apenas a um espaço físico, mas sim, que funciona numa maquinação própria, em máquinas de morar que podem ser maquinadas como potencializadores de vida, mesmo em indivíduos que têm, muitas vezes sua condição de existência ignorados. Estes apontamentos fizeram emergir aspectos de condições que não caminham em acordo com o direcionamento de políticas públicas que, muitas vezes, podem visar o controle e assimilação do vivente de rua pelo Estado, não considerando sua subjetividade. O fato de a vivência ter ocorrido em um período de pandemia da COVID-19 permitiu constatar como a equipe do CnaR se relacionava com a cidade de maneira diferenciada dos serviços de saúde tradicionais, conseguindo se aproximar das redes vivas dos viventes da rua.
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Tais equipamentos são a cartografia e a genealogia, e as ferramentas de suporte e manutenção incluem diários cartográficos, processamentos coletivos, vivências, participação em reuniões, entrevistas e investigações em documentos. A partir de linhas de ruptura, denominadas epicentros, foram discutidos os mapeamentos produzidos. Os epicentros incluem os chamados: liberação de ondas, megamáquinas pandêmicas, máquinas de morar, investigações genealógicas sobre um CnaR. No primeiro epicentro, denominado "Liberação de ondas", examinou-se a construção do pesquisador ao longo do mestrado e doutorado, destacando a continuidade entre esses dois momentos e o diagnóstico tardio de transtorno do espectro autista. Isso promoveu uma ressignificação e autoanálise da cartografia até o momento, destacando como esse território produz abalos que direcionam as investigações subsequentes. Em “Megamáquinas pandêmicas” o pesquisador presenciou, durante a pandemia de COVID-19, como a equipe se organizou e produziu cuidado entre as fissuras da cidade, compreendida na pesquisa como uma megamáquina. Ele também observou como os modos de vida das multidões da rua escapam da racionalização da cidade e só podem ser acessadas por um serviço que produz outros territórios além dos estabelecidos tradicionalmente em serviços de saúde. Além disso, durante o período pandêmico, foi possível presenciar como a produção de morte gerou sofrimento e angústia, não somente entre a população em situação de rua, mas também na equipe do CnaR. O terceiro epicentro, “Máquinas de morar”, se refere a outros funcionamentos maquínicos no ambiente urbano, neste caso relacionados à moradia. Este abalo se estabeleceu ao encontrar uma vivente da rua que, em suas linhas de fuga, questiona, com seu modo de vida, as definições tradicionais de domicílio e casa racionalizadas pelo aparelho de captura do Estado. 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Ao se deparar com um modo de vida que atua como um corte, uma linha de fuga, nas concepções preestabelecidas de casa, percebe-se que a moradia, ou o viver, não diz respeito apenas a um espaço físico, mas sim, que funciona numa maquinação própria, em máquinas de morar que podem ser maquinadas como potencializadores de vida, mesmo em indivíduos que têm, muitas vezes sua condição de existência ignorados. Estes apontamentos fizeram emergir aspectos de condições que não caminham em acordo com o direcionamento de políticas públicas que, muitas vezes, podem visar o controle e assimilação do vivente de rua pelo Estado, não considerando sua subjetividade. O fato de a vivência ter ocorrido em um período de pandemia da COVID-19 permitiu constatar como a equipe do CnaR se relacionava com a cidade de maneira diferenciada dos serviços de saúde tradicionais, conseguindo se aproximar das redes vivas dos viventes da rua.This research stems from the immersive engagement of an autistic researcher within a Street Clinic (CnaR) located in a major municipality in the southern region of the country. Employing a seismographic approach inspired by Deleuze and Guattari's cartography, the study utilized various research methods and techniques as instrumental tools. These tools, including cartography and genealogy, alongside supporting instruments such as cartographic diaries, collective processing, experiences, participation in meetings, interviews, and document investigations, facilitated the exploration of escape lines and their associated discourse segments. The study unfolds across several epicenters, each representing ruptures or focal points of inquiry. In the initial epicenter, termed "Release of Waves," the researcher's academic journey, spanning master's and doctoral studies, was scrutinized, emphasizing the continuity between these phases and the belated diagnosis of autism spectrum disorder. This examination prompted a reevaluation and self-analysis of the cartography undertaken to date, illuminating how this conceptual territory generates impactful shocks that guide subsequent investigations. The second epicenter, "The Pandemic Megamachine," delves into the experiences witnessed during the COVID-19 pandemic, unveiling how the CnaR team organized itself amidst the fissures of the city, conceptualized as a megamachine. The study also observes how the lifestyles of street populations elude the rationalization of the city, necessitating services capable of establishing territories beyond traditional health service norms. Furthermore, the research captures the toll of death production, causing suffering not only among the homeless but also affecting the well-being of the CnaR team. The third epicenter, “Housing Machines” explores alternative functions within the urban environment, specifically related to housing. This investigation originated from an encounter with a street individual whose lifestyle challenges conventional definitions of domicile and home dictated by the state apparatus. This unconventional living arrangement subverts Le Corbusier's modernist concept of homes as functional machines, highlighting the living machine as an expression of subjectivity emerging through lines of flight. The cartographic exploration, guided by genealogical clues, reveals insights into the establishment of regimes of truth within CnaR. The resulting seismograph underscores how urban production, steered by the modern capitalist state, imposes a striation on the ways of life of its inhabitants, treating the city itself as an axiom in the production of desire. By acknowledging housing not merely as a physical space but as a machination of living machines capable of enhancing life, the study challenges pre-established conceptions. It sheds light on conditions incongruent with prevailing public policies, which often seek to control and assimilate homeless individuals without due consideration for their subjectivity. The unique context of the COVID-19 pandemic further demonstrates how the CnaR team, in contrast to traditional health services, engaged with the city, establishing a closer connection with the living networks of those residing on the streets.porCiências da Saúde - Saúde ColetivaCiências da Saúde - Saúde ColetivaHomeless peopleStreet dwellersClinic in the streetsCartographyGenealogyStreet Clinic (CnaR) - Program - Unified Health SystemCartography (research technique)Genealogy (Research technique)Pessoas em situação de ruaViventes da ruaConsultório na ruaCartografiaGenealogiaSaúde coletivaConsultório na Rua (CnaR) - Programa - Sistema Único de Saúde (SUS)Cartografia (Técnica de pesquisa)Genealogia (Técnica de pesquisa)Abalos sísmicos : cartografias a partir de um consultório na ruaSeismic shocks : cartographies from a clinic on the streetinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisCCS - Departamento de Saúde ColetivaPrograma de Pós-Graduação em Saúde ColetivaUniversidade Estadual de Londrina - UEL-1-1reponame:Repositório Institucional da UELinstname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)instacron:UELinfo:eu-repo/semantics/openAccessDoutoradoCentro de Ciências da SaúdeORIGINALCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G.pdfCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G.pdfTexto completo. id 191884application/pdf9769434https://repositorio.uel.br/bitstreams/48d2f7bd-08c6-46af-b352-cc19ca85b0e9/download5dfb5345abe18cb40aa36fe1f266f5c1MD51CS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G_TERMO.pdfCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G_TERMO.pdfTermo de autorizaçãoapplication/pdf57280https://repositorio.uel.br/bitstreams/4d51f839-348a-4a93-958d-a06dc75b05f7/download23eb158f8f894a2889f72e2108cd4057MD52LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-8555https://repositorio.uel.br/bitstreams/5c730cfc-cce7-4d3a-ac4f-2377804ca741/downloadb0875caec81dd1122312ab77c11250f1MD53TEXTCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G.pdf.txtCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G.pdf.txtExtracted texttext/plain555399https://repositorio.uel.br/bitstreams/0199f6ca-3db8-4914-9f54-73355f30bfd3/downloada7b6cda5731c5eb1bdfe2bf893838be1MD54CS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G_TERMO.pdf.txtCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G_TERMO.pdf.txtExtracted texttext/plain3345https://repositorio.uel.br/bitstreams/14211a71-6dfb-433f-88ae-933066562634/download2f580805c3fe4bc2df3c8c13a82d7f27MD56THUMBNAILCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G.pdf.jpgCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3379https://repositorio.uel.br/bitstreams/5f1ee73b-3a80-4cbd-84aa-4f3e48d77d1d/downloadfe2e68fb72c6356c3b0625e7d29b7a61MD55CS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G_TERMO.pdf.jpgCS_SAU_Dr_2023_Duarte_Luiz_G_TERMO.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg5258https://repositorio.uel.br/bitstreams/0933c563-6330-42b4-89df-c803e97a5512/download35df24f8601b9e7c8a9c30adcedbefebMD57123456789/180652025-01-09 08:34:55.138open.accessoai:repositorio.uel.br:123456789/18065https://repositorio.uel.brBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bibliotecadigital.uel.br/PUBhttp://www.bibliotecadigital.uel.br/OAI/oai2.phpbcuel@uel.br||opendoar:2025-01-09T11:34:55Repositório Institucional da UEL - Universidade Estadual de Londrina (UEL)falseQXV0b3Jpem8gYSBkaXZ1bGdhw6fDo28gbm8gUmVwb3NpdMOzcmlvIGRhIFVuaXZlcnNpZGFkZSBFc3RhZHVhbCBkZSBMb25kcmluYSAocmVwb3NpdG9yaW8udWVsLmJyKSwgZSBwZXJtaXRvIGEgcmVwcm9kdcOnw6NvIHRvdGFsIHBvciBtZWlvIGVsZXRyw7RuaWNvLCBzZW0gcmVzc2FyY2ltZW50byBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgZGEgT2JyYSwgYSBwYXJ0aXIgZGEgZGF0YSBpbmRpY2FkYSBubyBhcnF1aXZvIChiaXRzdHJlYW0pLCBvdSBhdMOpIHF1ZSBtYW5pZmVzdGHDp8OjbyBlbSBzZW50aWRvIGNvbnRyw6FyaW8gZGUgbWluaGEgcGFydGUgZGV0ZXJtaW5lIGEgY2Vzc2HDp8OjbyBkZXN0YSBhdXRvcml6YcOnw6NvLiBEZWNsYXJvLCB0YW1iw6ltLCBxdWUgbWUgcmVzcG9uc2FiaWxpem8gcGVsbyBjb250ZcO6ZG8gZGEgb2JyYSBvYmpldG8gZGVzdGEgYXV0b3JpemHDp8Ojbywgc2VuZG8gZGUgbWluaGEgcmVzcG9uc2FiaWxpZGFkZSBxdWFpc3F1ZXIgbWVkaWRhcyBqdWRpY2lhaXMgb3UgZXh0cmFqdWRpY2lhaXMgY29uY2VybmVudGVzIGFvIGNvbnRlw7pkby4K
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