A estética da melancolia em romances de Lúcio Cardoso

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Hodas, Flávia Aparecida
Orientador(a): Mello, Luiz Carlos Migliozzi Ferreira de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.uel.br/handle/123456789/18391
Resumo: Nos romances do escritor mineiro Lúcio Cardoso, principalmente naqueles publicados após o ano de 1936, data que marca a publicação de A luz no subsolo (1936) e, ao mesmo tempo, a abertura para a sua vertente mais intimista, pode-se dizer que a melancolia é um dos estados de alma centrais que percorre as suas obras. As personagens cardosianas são sujeitos entregues a um sofrimento incessante e a um doloroso desencanto existencial, fruto de perdas que elas não conseguem transpor. Sem dúvida, o desejo irrealizado, elemento salientado frequentemente pela crítica literária dentro da obra de Lúcio Cardoso, é o pivô que desencadeia o sentimento melancólico em suas narrativas. As personagens que se apresentam em seus romances, indivíduos essencialmente sequiosos, querem estar junto àquilo que desejam, mas, ao defrontarem-se com a impossibilidade de realizar os seus desejos, sentem-se incapazes de lidar com a dor que as domina. A melancolia torna-se tão evidente nas narrativas de Cardoso a ponto de se poder afirmar que existe nelas uma estética da melancolia. A presente tese tem como objetivo investigar como essa estética da melancolia se presentifica nos romances de Lúcio Cardoso. Afinal, como a melancolia se configura discursivamente em seus romances? Como algumas de suas personagens mais emblemáticas, imersas num estado de tormento e de sofrimento constantes, transitam pelos romances de Cardoso, revelando seus estados melancólicos? E, sobretudo, o que está em questão nos conflitos interiores dessas personagens que faz emergir essa estética da melancolia? Para responder a essas questões, três romances do escritor mineiro serão analisados: A luz no subsolo (1936), Dias perdidos (1943) e Crônica da casa assassinada (1959). A melancolia se apresenta na obra cardosiana tanto como um elemento estrutural do texto, assim como uma espécie de cosmovisão sobre a condição humana, que reveste as suas narrativas com imagens peculiares e que desperta nelas a presença pujante do afeto melancólico. Nesse sentido, a análise dos livros abarcará uma investigação discursiva que pretende demonstrar como se organizam os percursos de sentido que fazem com que suas personagens possam ser caracterizadas como sujeitos melancólicos por excelência, como é o caso de Madalena, de A luz no subsolo, de Clara e de Sílvio, de Dias perdidos e de Nina e de Ana, de Crônica da casa assassinada. Além disso, analisar-se-ão as imagens e os topois que revestem esse discurso, permitindo observar que a melancolia, em Lúcio Cardoso, trata-se, na verdade, não somente de um sentimento intrínseco à vida de determinadas personagens, mas se trata, em última instância, de um modo específico de conceber e de enxergar a vida humana, que é vista como um espaço permeado por uma sucessão de perdas irreparáveis, por sofrimentos intermináveis e por lacunas intransponíveis, o que faz emergir uma estética da melancolia em seus romances.
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Sem dúvida, o desejo irrealizado, elemento salientado frequentemente pela crítica literária dentro da obra de Lúcio Cardoso, é o pivô que desencadeia o sentimento melancólico em suas narrativas. As personagens que se apresentam em seus romances, indivíduos essencialmente sequiosos, querem estar junto àquilo que desejam, mas, ao defrontarem-se com a impossibilidade de realizar os seus desejos, sentem-se incapazes de lidar com a dor que as domina. A melancolia torna-se tão evidente nas narrativas de Cardoso a ponto de se poder afirmar que existe nelas uma estética da melancolia. A presente tese tem como objetivo investigar como essa estética da melancolia se presentifica nos romances de Lúcio Cardoso. Afinal, como a melancolia se configura discursivamente em seus romances? Como algumas de suas personagens mais emblemáticas, imersas num estado de tormento e de sofrimento constantes, transitam pelos romances de Cardoso, revelando seus estados melancólicos? E, sobretudo, o que está em questão nos conflitos interiores dessas personagens que faz emergir essa estética da melancolia? Para responder a essas questões, três romances do escritor mineiro serão analisados: A luz no subsolo (1936), Dias perdidos (1943) e Crônica da casa assassinada (1959). A melancolia se apresenta na obra cardosiana tanto como um elemento estrutural do texto, assim como uma espécie de cosmovisão sobre a condição humana, que reveste as suas narrativas com imagens peculiares e que desperta nelas a presença pujante do afeto melancólico. Nesse sentido, a análise dos livros abarcará uma investigação discursiva que pretende demonstrar como se organizam os percursos de sentido que fazem com que suas personagens possam ser caracterizadas como sujeitos melancólicos por excelência, como é o caso de Madalena, de A luz no subsolo, de Clara e de Sílvio, de Dias perdidos e de Nina e de Ana, de Crônica da casa assassinada. Além disso, analisar-se-ão as imagens e os topois que revestem esse discurso, permitindo observar que a melancolia, em Lúcio Cardoso, trata-se, na verdade, não somente de um sentimento intrínseco à vida de determinadas personagens, mas se trata, em última instância, de um modo específico de conceber e de enxergar a vida humana, que é vista como um espaço permeado por uma sucessão de perdas irreparáveis, por sofrimentos intermináveis e por lacunas intransponíveis, o que faz emergir uma estética da melancolia em seus romances.In Lúcio Cardoso’s novels, especially those published after 1936, date that marks the publication of A luz no subsolo and at the same time the opening to its more intimate aspect, it can be said that melancholy is the beginning of its most intimate aspect, it can be said that melancholy is one of the central passions that is present in his works. Cardosian characters are subjects who suffer incessantly and have a painful existential disenchantment, the result of a loss that they cannot overcome. Undoubtedly, the unfulfilled desire, an element frequently pointed out by the literary critic in the work of Lúcio Cardoso, is the pivot that triggers the melancholic feeling in his narratives. The characters in their novels, essentially thirsty individuals, want to be close to their objects of love, but when they lose it, they are faced with the impossibility of repressing the pain that dominates them. Melancholy becomes so evident in Cardoso's narratives that it can be said that there is an aesthetic of melancholy in his novels. This doctoral thesis aims to investigate how this aesthetics of melancholy is presented in the novels of Lúcio Cardoso. After all, how is melancholy discursively configured in his novels? How do your characters, immersed in a state of constant torment and suffering, move through Cardoso's novels, revealing their melancholic states? And, above all, what is at issue in the intimate conflicts of these characters that make this aesthetic of melancholy emerge? To answer these questions, three novels by the writer from Minas Gerais will be analyzed: A luz no subsolo (1936), Dias perdidos (1943) and Crônica da casa assassinada (1959). Melancholy appears in the Cardosian work both as a structural element of the text, as well as a kind of worldview about the human condition, which covers its narratives with peculiar images and which show in them the strong presence of melancholic affection. In this sense, the analysis of the books will include a discursive investigation of their narratives, which will be supported by the theory provided by the Semiotics of the Passions. Thus, it is intended to demonstrate how the paths of meaning are organized so that their characters can be characterized as melancholic subjects, par excellence, as is the case of Madalena and Bernardo, A luz no subsolo, Clara and Sílvio, of Dias perdidos and of Nina and Ana, of Crônica da casa assassinada. In addition, the images and topos that cover this discourse will be analyzed, showing that melancholy, in Lúcio Cardoso, is, in fact, not only a passion intrinsic to the life of certain characters, but Ultimately, in a specific way of understanding and seeing human life, which is seen as a space full of irreparable losses and endless suffering, which therefore gives rise to an aesthetic of melancholy in his novels.porLingüística, Letras e Artes - LetrasLingüística, Letras e Artes - LetrasMelancholyLiteratureLúcio CardosoBrazilian fictionMelancholy in literatureMelancoliaLiteraturaLúcio CardosoFicção brasileiraMelancolia na literaturaA estética da melancolia em romances de Lúcio CardosoThe aesthetics of melancholy in Lúcio Cardoso's novelsinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisCLCH - Departamento de Letras Vernáculas e ClássicasPrograma de Pós-Graduação em LetrasUniversidade Estadual de Londrina - UEL-1-1reponame:Repositório Institucional da UELinstname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)instacron:UELinfo:eu-repo/semantics/openAccessDoutoradoCentro de Letras e Ciências HumanasORIGINALLA_LET_Dr_2021_Hodas_Flávia_A.pdfLA_LET_Dr_2021_Hodas_Flávia_A.pdfTexto completo. 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