"As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Santos, Cíntia Machado
Orientador(a): Santos, Adilson dos [Orientador]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.uel.br/handle/123456789/12937
Resumo: Resumo: O arquétipo do andrógino constitui, de acordo o Dicionário de símbolos (212), de Chevalier e Gheerbrant, a figuração antropomórfica do ovo cósmico encontrada no alvorecer de toda cosmogonia, como também no final de toda escatologia, figurando nas mitologias de todas as culturas ao redor do mundo; caracterizando, sobretudo, uma espécie original de ser humano e um ideal de perfeição a ser alcançado/restaurado pela espécie humana Paradoxalmente a esta noção de totalidade e perfeição, Miguet (22) afirma que a figura arquetípica do andrógino evoca também a imagem da cisão do ser em termos cosmogônicos, resultante de uma queda que distancia o indivíduo da divindade Neste sentido, o andrógino personifica, de igual maneira, tanto a integralidade do homem, quanto a noção da dualidade de um mundo das aparências, a ânsia de salvação e de restauração da fusão com a realidade divina, a busca pela unicidade fundamental Como trabalho vinculado ao projeto O fantástico na contística do século XIX, coordenado pelo docente Adilson dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Letras, área de concentração de Estudos Literários, na linha de pesquisa de Literatura comparada, esta análise teve como objetivo realizar a leitura comparativa das obras Seráfita (1836) e “As academias de Sião” (1884), tomando como base o texto balzaquiano, tido como paradigma da representação da androginia na literatura para aprofundar a análise do símbolo no conto machadiano Na literatura, o grande modelo de representação do andrógino é Seráfita, do escritor francês Honoré de Balzac O texto balzaquiano não deixa dúvidas quanto ao caráter judaico-cristão na sua concepção do percurso do homem para realização da perfeição espiritual, e também da sua incapacidade para acessar a real natureza do mundo e da divindade, trazendo por traz do tema uma perspectiva doutrinária e pedagógica, especialmente no que tange ao papel da mulher na sociedade Apesar de se contrapor marcadamente ao andrógino paradigmático balzaquiano, o andrógino de Machado de Assis traz em si elementos arquetípicos da representação que marcam tanto referência ao mito quanto sua relação com o romance do escritor francês Deste modo, as confluências entre os textos aqui comparados, a saber, o tema da androginia, a ênfase na face feminina deste andrógino e a evocação da capacidade da ciência e da razão humana em responder a determinadas questões revelam duas diferentes percepções da realidade social e ideológica do século XIX Enquanto Balzac defende os pressupostos cientificistas e deterministas tanto no delineamento das suas personagens como na estrutura da sua narrativa, Machado de Assis os desestabiliza, delineando, de modo dissimulado e oblíquo como lhe é característico, uma crítica tanto ao cientificismo como à própria estética realista em seus aspectos doutrinador, simplificador da realidade e determinista
id UEL_fc80f6c3c49ec91cb9bb4ab5098f655d
oai_identifier_str oai:repositorio.uel.br:123456789/12937
network_acronym_str UEL
network_name_str Repositório Institucional da UEL
repository_id_str
spelling Santos, Cíntia MachadoLima, Sheila Oliveira de8f09e297-3b60-4874-b8cb-81d1db3c02c2-1Alves, Regina Célia dos Santosb6db0b1f-af6d-4c33-aa0b-139fdd70af44-1bc92112a-f377-4650-a31a-ec21df1a1980c59d3a50-a881-4625-af30-33023e50963eSantos, Adilson dos [Orientador]Londrina2024-05-01T14:04:18Z2024-05-01T14:04:18Z2016.0031.10.2016https://repositorio.uel.br/handle/123456789/12937Resumo: O arquétipo do andrógino constitui, de acordo o Dicionário de símbolos (212), de Chevalier e Gheerbrant, a figuração antropomórfica do ovo cósmico encontrada no alvorecer de toda cosmogonia, como também no final de toda escatologia, figurando nas mitologias de todas as culturas ao redor do mundo; caracterizando, sobretudo, uma espécie original de ser humano e um ideal de perfeição a ser alcançado/restaurado pela espécie humana Paradoxalmente a esta noção de totalidade e perfeição, Miguet (22) afirma que a figura arquetípica do andrógino evoca também a imagem da cisão do ser em termos cosmogônicos, resultante de uma queda que distancia o indivíduo da divindade Neste sentido, o andrógino personifica, de igual maneira, tanto a integralidade do homem, quanto a noção da dualidade de um mundo das aparências, a ânsia de salvação e de restauração da fusão com a realidade divina, a busca pela unicidade fundamental Como trabalho vinculado ao projeto O fantástico na contística do século XIX, coordenado pelo docente Adilson dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Letras, área de concentração de Estudos Literários, na linha de pesquisa de Literatura comparada, esta análise teve como objetivo realizar a leitura comparativa das obras Seráfita (1836) e “As academias de Sião” (1884), tomando como base o texto balzaquiano, tido como paradigma da representação da androginia na literatura para aprofundar a análise do símbolo no conto machadiano Na literatura, o grande modelo de representação do andrógino é Seráfita, do escritor francês Honoré de Balzac O texto balzaquiano não deixa dúvidas quanto ao caráter judaico-cristão na sua concepção do percurso do homem para realização da perfeição espiritual, e também da sua incapacidade para acessar a real natureza do mundo e da divindade, trazendo por traz do tema uma perspectiva doutrinária e pedagógica, especialmente no que tange ao papel da mulher na sociedade Apesar de se contrapor marcadamente ao andrógino paradigmático balzaquiano, o andrógino de Machado de Assis traz em si elementos arquetípicos da representação que marcam tanto referência ao mito quanto sua relação com o romance do escritor francês Deste modo, as confluências entre os textos aqui comparados, a saber, o tema da androginia, a ênfase na face feminina deste andrógino e a evocação da capacidade da ciência e da razão humana em responder a determinadas questões revelam duas diferentes percepções da realidade social e ideológica do século XIX Enquanto Balzac defende os pressupostos cientificistas e deterministas tanto no delineamento das suas personagens como na estrutura da sua narrativa, Machado de Assis os desestabiliza, delineando, de modo dissimulado e oblíquo como lhe é característico, uma crítica tanto ao cientificismo como à própria estética realista em seus aspectos doutrinador, simplificador da realidade e deterministaDissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Estadual de Londrina, Centro de Letras e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em LetrasAbstract: The androgynous archetype is, according to the Dictionary of symbols (212), by Chevalier and Gheerbrant, the anthropomorphic figuration of the cosmic egg found at the dawn of every cosmogony, as well as at the end of all eschatology, appearing in the mythologies of all cultures around the world; it characterizes, above all, an original kind of human being and an ideal of perfection to be achieved / restored by the human species Paradoxically to this notion of totality and perfection, Miguet (22) affirms that the archetypal figure of the androgyne also evokes the image of the breakup of being in cosmogonic terms resulting from a fall that distance the individual divinity In this sense, the androgynous embodies, in the same way both the completeness of man, as the notion of duality of a world of appearances, the yearning for salvation and restoration of the fusion with the divine reality, the search for fundamental uniqueness Linked to the project Fantastic in contística the nineteenth century, coordinated by teacher Adilson dos Santos, at the Pos-graduate in Letters Program, concentration area of Literary Studies in the Literature of comparative research line, this analysis is aimed at making comparative reading of the works Seráphita (1836) and The Zion academies (1884), based on the Balzac text, considered an androgyny representation paradigm in the literature, to deepen the symbol analysis in Machado's tale In the literature, the great androgynous representation model is Seráphita, written by the french writer Honoré de Balzac The Balzac text leaves no doubt about the Judeo-Christian character in its conception of the man's journey to the realization of spiritual perfection, and also its inability to access the real nature of the world and divinity, bringing behind the theme a doctrinal and pedagogic perspective, especially regarding the role of women in society Although markedly counter the androgynous paradigm of Balzac, androgynous of Machado de Assis brings itself archetypal elements of representation that mark both with the myth as its relationship with the novel by the french writer Thus, the confluences between the texts here compared, namely the theme of androgyny, the emphasis on the female face of the androgynous and the evocation of science capacity and of human reason to answer certain questions reveal two different perceptions of social reality and ideological from nineteenth century While Balzac defends the scientistic and determinist assumptions, both in the design of their characters as the structure of his narrative, Machado de Assis destabilizes them, on a concealed and obliquely way, as it is his characteristic This is a critical both to scientism as the very realistic aesthetic in their doctrinaire aspects of reality, simplifying reality and deterministicporLiteratura comparadaFrancesa e brasileiraLiteratura comparadaBrasileira e francesaAndroginia (Psicologia)Doppelgängers"As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquianainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisMestradoLetrasCentro de Letras e Ciências HumanasPrograma de Pós-Graduação em Letras-1-1reponame:Repositório Institucional da UELinstname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)instacron:UELinfo:eu-repo/semantics/openAccess149343vtls000209400SIMvtls000209400http://www.bibliotecadigital.uel.br/document/?code=vtls00020940064.00SIMhttp://www.bibliotecadigital.uel.br/document/?code=vtls0002094004813.pdf123456789/18102 - Mestrado - LetrasORIGINAL4813.pdfapplication/pdf606266https://repositorio.uel.br/bitstreams/048a43f9-0f20-4a16-a9db-8a108833add1/download5a1ce8815a4e76cd5b0a07ebc13ef47aMD51LICENCElicence.txttext/plain263https://repositorio.uel.br/bitstreams/ed10c779-9604-48e0-9b42-9e790479229c/download753f376dfdbc064b559839be95ac5523MD52TEXT4813.pdf.txt4813.pdf.txtExtracted texttext/plain262257https://repositorio.uel.br/bitstreams/28324b67-4b93-47df-b7c1-6b940142d4cc/download4c73c153d1db43d8f63e2b856b48f127MD53THUMBNAIL4813.pdf.jpg4813.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3450https://repositorio.uel.br/bitstreams/e3798766-939d-4c1c-8b7e-5164e0f94d56/download28836e75a8837d839dc604b648f29bf5MD54123456789/129372024-07-12 01:19:49.083open.accessoai:repositorio.uel.br:123456789/12937https://repositorio.uel.brBiblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bibliotecadigital.uel.br/PUBhttp://www.bibliotecadigital.uel.br/OAI/oai2.phpbcuel@uel.br||opendoar:2024-07-12T04:19:49Repositório Institucional da UEL - Universidade Estadual de Londrina (UEL)false
dc.title.pt_BR.fl_str_mv "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
title "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
spellingShingle "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
Santos, Cíntia Machado
Literatura comparada
Francesa e brasileira
Literatura comparada
Brasileira e francesa
Androginia (Psicologia)
Doppelgängers
title_short "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
title_full "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
title_fullStr "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
title_full_unstemmed "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
title_sort "As academias de Sião" : uma desconstrução do paradigma da androginia balzaquiana
author Santos, Cíntia Machado
author_facet Santos, Cíntia Machado
author_role author
dc.contributor.banca.pt_BR.fl_str_mv Lima, Sheila Oliveira de
Alves, Regina Célia dos Santos
dc.contributor.author.fl_str_mv Santos, Cíntia Machado
dc.contributor.authorID.fl_str_mv bc92112a-f377-4650-a31a-ec21df1a1980
dc.contributor.advisor1ID.fl_str_mv c59d3a50-a881-4625-af30-33023e50963e
dc.contributor.advisor1.fl_str_mv Santos, Adilson dos [Orientador]
contributor_str_mv Santos, Adilson dos [Orientador]
dc.subject.por.fl_str_mv Literatura comparada
Francesa e brasileira
Literatura comparada
Brasileira e francesa
Androginia (Psicologia)
Doppelgängers
topic Literatura comparada
Francesa e brasileira
Literatura comparada
Brasileira e francesa
Androginia (Psicologia)
Doppelgängers
description Resumo: O arquétipo do andrógino constitui, de acordo o Dicionário de símbolos (212), de Chevalier e Gheerbrant, a figuração antropomórfica do ovo cósmico encontrada no alvorecer de toda cosmogonia, como também no final de toda escatologia, figurando nas mitologias de todas as culturas ao redor do mundo; caracterizando, sobretudo, uma espécie original de ser humano e um ideal de perfeição a ser alcançado/restaurado pela espécie humana Paradoxalmente a esta noção de totalidade e perfeição, Miguet (22) afirma que a figura arquetípica do andrógino evoca também a imagem da cisão do ser em termos cosmogônicos, resultante de uma queda que distancia o indivíduo da divindade Neste sentido, o andrógino personifica, de igual maneira, tanto a integralidade do homem, quanto a noção da dualidade de um mundo das aparências, a ânsia de salvação e de restauração da fusão com a realidade divina, a busca pela unicidade fundamental Como trabalho vinculado ao projeto O fantástico na contística do século XIX, coordenado pelo docente Adilson dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Letras, área de concentração de Estudos Literários, na linha de pesquisa de Literatura comparada, esta análise teve como objetivo realizar a leitura comparativa das obras Seráfita (1836) e “As academias de Sião” (1884), tomando como base o texto balzaquiano, tido como paradigma da representação da androginia na literatura para aprofundar a análise do símbolo no conto machadiano Na literatura, o grande modelo de representação do andrógino é Seráfita, do escritor francês Honoré de Balzac O texto balzaquiano não deixa dúvidas quanto ao caráter judaico-cristão na sua concepção do percurso do homem para realização da perfeição espiritual, e também da sua incapacidade para acessar a real natureza do mundo e da divindade, trazendo por traz do tema uma perspectiva doutrinária e pedagógica, especialmente no que tange ao papel da mulher na sociedade Apesar de se contrapor marcadamente ao andrógino paradigmático balzaquiano, o andrógino de Machado de Assis traz em si elementos arquetípicos da representação que marcam tanto referência ao mito quanto sua relação com o romance do escritor francês Deste modo, as confluências entre os textos aqui comparados, a saber, o tema da androginia, a ênfase na face feminina deste andrógino e a evocação da capacidade da ciência e da razão humana em responder a determinadas questões revelam duas diferentes percepções da realidade social e ideológica do século XIX Enquanto Balzac defende os pressupostos cientificistas e deterministas tanto no delineamento das suas personagens como na estrutura da sua narrativa, Machado de Assis os desestabiliza, delineando, de modo dissimulado e oblíquo como lhe é característico, uma crítica tanto ao cientificismo como à própria estética realista em seus aspectos doutrinador, simplificador da realidade e determinista
publishDate 2024
dc.date.defesa.pt_BR.fl_str_mv 31.10.2016
dc.date.created.fl_str_mv 2016.00
dc.date.accessioned.fl_str_mv 2024-05-01T14:04:18Z
dc.date.available.fl_str_mv 2024-05-01T14:04:18Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://repositorio.uel.br/handle/123456789/12937
url https://repositorio.uel.br/handle/123456789/12937
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.confidence.fl_str_mv -1
-1
dc.relation.coursedegree.pt_BR.fl_str_mv Mestrado
dc.relation.coursename.pt_BR.fl_str_mv Letras
dc.relation.departament.pt_BR.fl_str_mv Centro de Letras e Ciências Humanas
dc.relation.ppgname.pt_BR.fl_str_mv Programa de Pós-Graduação em Letras
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.coverage.spatial.pt_BR.fl_str_mv Londrina
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UEL
instname:Universidade Estadual de Londrina (UEL)
instacron:UEL
instname_str Universidade Estadual de Londrina (UEL)
instacron_str UEL
institution UEL
reponame_str Repositório Institucional da UEL
collection Repositório Institucional da UEL
bitstream.url.fl_str_mv https://repositorio.uel.br/bitstreams/048a43f9-0f20-4a16-a9db-8a108833add1/download
https://repositorio.uel.br/bitstreams/ed10c779-9604-48e0-9b42-9e790479229c/download
https://repositorio.uel.br/bitstreams/28324b67-4b93-47df-b7c1-6b940142d4cc/download
https://repositorio.uel.br/bitstreams/e3798766-939d-4c1c-8b7e-5164e0f94d56/download
bitstream.checksum.fl_str_mv 5a1ce8815a4e76cd5b0a07ebc13ef47a
753f376dfdbc064b559839be95ac5523
4c73c153d1db43d8f63e2b856b48f127
28836e75a8837d839dc604b648f29bf5
bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv MD5
MD5
MD5
MD5
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UEL - Universidade Estadual de Londrina (UEL)
repository.mail.fl_str_mv bcuel@uel.br||
_version_ 1865915182160543744