Geografias do acontecer: as táticas espaciais de mobilização do(s) movimento(s) LGBT+ em Ponta Grossa – Paraná

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Chagas, Bruna Iara Lorian lattes
Orientador(a): Nabozny, Almir lattes
Banca de defesa: Heidrich, Álvaro Luiz lattes, Robaina, Igor Martins Medeiros lattes, Abranches Junior, Nilton lattes, Chimin Júnior, Alides Baptista lattes, Lima, Rosirene Martins lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual de Ponta Grossa
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação Doutorado em Geografia
Departamento: Setor de Ciências Exatas e Naturais
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://tede2.uepg.br/jspui/handle/prefix/4630
Resumo: Esta tese tem por objetivo investigar como se constituem as táticas espaciais do movimento LGBT+ em Ponta Grossa, Paraná, a partir da articulação entre pesquisa e ativismo, integrando a perspectiva etnogeográfica às teorias não-representacionais. Considerando a relevância do cotidiano e das performances no espaço como dimensões centrais da Geografia, buscou-se compreender as dinâmicas temporais e espaciais que configuram as ações do movimento LGBT+. Em alinhamento às teorias não-representacionais na Geografia (Anderson & Harrison, 2010) e na concepção relacional e multidimensional do espaço (Massey, 2008), buscou-se compreender às seguintes questões específicas: (i) Quais são os elementos materiais e imateriais que constituem as práticas do movimento LGBT+ em Ponta Grossa? (ii) Como ocorrem as táticas espaciais desse movimento em termos de produção, manutenção e transformação do espaço? (iii) De que maneira a temporalidade influencia essas táticas? A pesquisa utilizou uma abordagem autoetnográfica (Heidrich, 2016; Costa, 2016), fundamentada em observação participante e na elaboração de diários de campo, realizados em quatro grupos-chave nosdo movimento LGBT+ de Ponta Grossa, a constar, Associação Flor de Lis LGBT, Fórum Municipal dos Direitos LGBT+, Parada Cultural LGBTQIA+ e Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-Ponta Grossa. Para as interpretações, as perspectivas teóricas que enfatizam a processualidade e a relacionalidade, incorporando conceitos como performatividade (Butler, 2003) e a indissociabilidade entre espaço e tempo, considerando o espaço como co-produzido por práticas corporificadas, materialidades e afetos, em constante fluxo e transformação. A interpretação proposta destaca que o movimento LGBT+ em Ponta Grossa opera em múltiplas escalas e temporalidades, articulando táticas que vão desde grandes eventos públicos, como manifestações e paradas, até práticas cotidianas aparentemente efêmeras, como encontros informais, mobilizações virtuais e postagens em redes sociais. Essas ações destacam o caráter dinâmico e processual do movimento, cuja força política reside na capacidade de delinear espaços de resistência e contestação. As análises também propõem que o movimento atua em arranjos provisórios, efêmeros e fluídos, refletindo a complexidade e a heterogeneidade do grupo, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios impostos por estruturas normativas hegemônicas. De um ponto de vista não-representacional foram privilegiados o acontecimento, o movimento e a experiência vivida, este referencial permite compreender as práticas como acontecimentos emergentes. Por meio das imersões em campo, apreende-se que o movimento LGBT+ de Ponta Grossa opera por meio de táticas que vão desde grandes mobilizações públicas e ações institucionais até interações cotidianas aparentemente banais, como encontros em cafés e mobilizações virtuais. Essas práticas destacam um caráter dinâmico e processual, evidenciando a capacidade do movimento de resistir e se adaptar frente a estruturas hegemônicas que buscam restringir a pluralidade e a diversidade. Além disso, o movimento é marcado ações criativas que ressignificam tanto os espaços públicos quanto os privados, desafiando as normas hegemônicas e contestando por novas configurações políticas e culturais. A tese conclui que as táticas espaciais do movimento LGBT+ em Ponta Grossa são ações criativas e relacionais, operando simultaneamente em múltiplas escalas e temporalidades, reforçando a importância de compreender o espaço como uma dimensão performativa e relacional, em que corpos, significantes e materialidades se entrelaçam para contestar hegemonias e promover resistências.
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Tese (Doutorado em Geografia) - Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2025.http://tede2.uepg.br/jspui/handle/prefix/4630Esta tese tem por objetivo investigar como se constituem as táticas espaciais do movimento LGBT+ em Ponta Grossa, Paraná, a partir da articulação entre pesquisa e ativismo, integrando a perspectiva etnogeográfica às teorias não-representacionais. Considerando a relevância do cotidiano e das performances no espaço como dimensões centrais da Geografia, buscou-se compreender as dinâmicas temporais e espaciais que configuram as ações do movimento LGBT+. Em alinhamento às teorias não-representacionais na Geografia (Anderson & Harrison, 2010) e na concepção relacional e multidimensional do espaço (Massey, 2008), buscou-se compreender às seguintes questões específicas: (i) Quais são os elementos materiais e imateriais que constituem as práticas do movimento LGBT+ em Ponta Grossa? (ii) Como ocorrem as táticas espaciais desse movimento em termos de produção, manutenção e transformação do espaço? (iii) De que maneira a temporalidade influencia essas táticas? A pesquisa utilizou uma abordagem autoetnográfica (Heidrich, 2016; Costa, 2016), fundamentada em observação participante e na elaboração de diários de campo, realizados em quatro grupos-chave nosdo movimento LGBT+ de Ponta Grossa, a constar, Associação Flor de Lis LGBT, Fórum Municipal dos Direitos LGBT+, Parada Cultural LGBTQIA+ e Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-Ponta Grossa. Para as interpretações, as perspectivas teóricas que enfatizam a processualidade e a relacionalidade, incorporando conceitos como performatividade (Butler, 2003) e a indissociabilidade entre espaço e tempo, considerando o espaço como co-produzido por práticas corporificadas, materialidades e afetos, em constante fluxo e transformação. A interpretação proposta destaca que o movimento LGBT+ em Ponta Grossa opera em múltiplas escalas e temporalidades, articulando táticas que vão desde grandes eventos públicos, como manifestações e paradas, até práticas cotidianas aparentemente efêmeras, como encontros informais, mobilizações virtuais e postagens em redes sociais. Essas ações destacam o caráter dinâmico e processual do movimento, cuja força política reside na capacidade de delinear espaços de resistência e contestação. As análises também propõem que o movimento atua em arranjos provisórios, efêmeros e fluídos, refletindo a complexidade e a heterogeneidade do grupo, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios impostos por estruturas normativas hegemônicas. De um ponto de vista não-representacional foram privilegiados o acontecimento, o movimento e a experiência vivida, este referencial permite compreender as práticas como acontecimentos emergentes. Por meio das imersões em campo, apreende-se que o movimento LGBT+ de Ponta Grossa opera por meio de táticas que vão desde grandes mobilizações públicas e ações institucionais até interações cotidianas aparentemente banais, como encontros em cafés e mobilizações virtuais. Essas práticas destacam um caráter dinâmico e processual, evidenciando a capacidade do movimento de resistir e se adaptar frente a estruturas hegemônicas que buscam restringir a pluralidade e a diversidade. Além disso, o movimento é marcado ações criativas que ressignificam tanto os espaços públicos quanto os privados, desafiando as normas hegemônicas e contestando por novas configurações políticas e culturais. A tese conclui que as táticas espaciais do movimento LGBT+ em Ponta Grossa são ações criativas e relacionais, operando simultaneamente em múltiplas escalas e temporalidades, reforçando a importância de compreender o espaço como uma dimensão performativa e relacional, em que corpos, significantes e materialidades se entrelaçam para contestar hegemonias e promover resistências.This thesis aims to investigate how the spatial tactics of the LGBT+ movement in Ponta Grossa, Paraná, are constituted through the integration of research and activism, combining the ethnogeographic perspective with non-representational theories. Considering the relevance of daily life and performances in space as central dimensions of Geography, the research sought to understand the temporal and spatial dynamics that shape the actions of the LGBT+ movement. Aligned with non-representational theories in Geography (Anderson & Harrison, 2010) and the relational and multidimensional conception of space (Massey, 2008), the study addressed the following specific questions: (i) What are the material and immaterial elements that constitute the practices of the LGBT+ movement in Ponta Grossa? (ii) How are the spatial tactics of this movement carried out in terms of production, maintenance, and transformation of space? (iii) How does temporality influence these tactics? The research adopted an autoethnographic approach (Heidrich, 2016; Costa, 2016), grounded in participant observation and the creation of field diaries, conducted within four key groups of the LGBT+ movement in Ponta Grossa: Associação Flor de Lis LGBT, Fórum Municipal dos Direitos LGBT+, Parada Cultural LGBTQIA+, and Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-Ponta Grossa. For interpretations, theoretical perspectives emphasizing processuality and relationality were incorporated, employing concepts such as performativity (Butler, 2003) and the inseparability of space and time, considering space as co-produced by embodied practices, materialities, and affects in constant flux and transformation. The proposed interpretation highlights that the LGBT+ movement in Ponta Grossa operates across multiple scales and temporalities, articulating tactics ranging from large public events, such as demonstrations and parades, to seemingly ephemeral everyday practices, such as informal gatherings, virtual mobilizations, and social media posts. These actions underline the dynamic and processual nature of the movement, whose political strength lies in its ability to delineate spaces of resistance and contestation. The analyses also suggest that the movement operates through provisional, ephemeral, and fluid arrangements, reflecting the complexity and heterogeneity of the group while facing challenges imposed by hegemonic normative structures. From a non- representational perspective, the focus was on events, movement, and lived experience, allowing the understanding of practices as emerging phenomena. Through field immersions, it became evident that the LGBT+ movement in Ponta Grossa operates via tactics ranging from large public mobilizations and institutional actions to seemingly mundane everyday interactions, such as café meetings and virtual mobilizations. These practices demonstrate a dynamic and processual character, highlighting the movement’s ability to resist and adapt in the face of hegemonic structures that seek to restrict plurality and diversity. Furthermore, the movement is marked by creative actions that re-signify both public and private spaces, challenging hegemonic norms and advocating for new political and cultural configurations. The thesis concludes that the spatial tactics of the LGBT+ movement in Ponta Grossa are creative and relational actions, simultaneously operating across multiple scales and temporalities, emphasizing the importance of understanding space as a performative and relational dimension where bodies, meanings, and materialities intertwine to contest hegemonies and foster resistances.Submitted by Angela Maria de Oliveira (amolivei@uepg.br) on 2025-07-28T18:52:11Z No. of bitstreams: 1 Bruna Iara Lorian Chagas.pdf: 4643587 bytes, checksum: e59af19319f0ca7bc6fd7dfc6a8c5953 (MD5)Made available in DSpace on 2025-07-28T18:52:11Z (GMT). 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