Repertórios de negritude: racismo, música e teoria racial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Marpin, Ábia
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais::Instituto de Estudos Sociais e Políticos
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/18411
Resumo: Provocada pela intuição de que quando ialorixás e batuqueiros afros de Maceió (AL) diziam “negritude”, não estavam falando exatamente sobre a mesma coisa de que falavam os rimadores do hip-hop, os sambistas e os regueiros alagoanos (Marpin, 2018), a presente investigação se embala nas similaridades e singularidades dessas negritudes, para estudar os acervos estéticos, éticos e políticos dos movimentos musicais da, na e para a periferia dos centros urbanos brasileiros. A partir desses repertórios identitários concebidos por meio de um tipo de ação cultural característico das ambiências e das sociabilidades da feitura da música negra, o trabalho se dedica a matutar sobre o que as ciências sociais podem fazer pra ajudar a resolver a questão da (in)definição da negritude. Além de uma questão política central para o Brasil, para a projeção da autoimagem nacional e, após a implementação de ações afirmativas, para as tentativas de reparar assimetrias históricas desde a escravização racial massiva e genocida da colonização, esta incógnita é também uma questão epistemológica, visto que há um volume considerável de trabalhos sobre raça, racismo, negritude e temas correlatos, mas nem de longe há uma definição teórica que ofereça parâmetros para saber se estamos falando ou não da mesma coisa – pelo jeito, as ciências, e especialmente as várias correntes e perspectivas dos estudos de negritude, não estão em situação muito diferente daquela de artistas da periferia da capital alagoana. Diante da ausência de concepções teóricas mais consensualmente descritivas, o primeiro desafio é formular um conceito com fronteiras plásticas o suficiente para incluir todas estas negritudes, mas nem tanto a ponto de ele perder a sua validade. Para tanto, o racismo vivido na pele, pelas injunções da estrutura de sociedades atravessadas pela modernidade/colonialidade, é tomado como o requisito básico e fundamental para determinar se alguém é ou não uma pessoa negra. A partir dessa premissa, articulada a outras dos estudos culturais, da crítica à colonialidade e do realismo crítico, a negritude é compreendida enquanto um processo que se desenvolve na interação entre três medidas da densidade temporal das práticas: uma da estrutura (racializante), uma da identidade (racial) e uma da experiência (racializada). Com esse vórtice teórico, foi possível investigar de um lado os posicionamentos ao longo do continuum de negritude, entre a afirmação, a negação e a abstenção do marcador racial na narrativa identitária de pessoas negras, e do outro lado, os vários modos de existir da corporalidade, que podem ser classificados em quatro dimensões distintas dos repertórios de negritude: a somática, a performática, a discursiva e a política. A partir destas inflexões, foi possível ouvir as polifonias e propor um rascunho possível de uma teoria racial que não se constranja diante das cada vez mais evidentes diversidades, da criatividade e das inovações políticas de pessoas negras.
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A partir desses repertórios identitários concebidos por meio de um tipo de ação cultural característico das ambiências e das sociabilidades da feitura da música negra, o trabalho se dedica a matutar sobre o que as ciências sociais podem fazer pra ajudar a resolver a questão da (in)definição da negritude. Além de uma questão política central para o Brasil, para a projeção da autoimagem nacional e, após a implementação de ações afirmativas, para as tentativas de reparar assimetrias históricas desde a escravização racial massiva e genocida da colonização, esta incógnita é também uma questão epistemológica, visto que há um volume considerável de trabalhos sobre raça, racismo, negritude e temas correlatos, mas nem de longe há uma definição teórica que ofereça parâmetros para saber se estamos falando ou não da mesma coisa – pelo jeito, as ciências, e especialmente as várias correntes e perspectivas dos estudos de negritude, não estão em situação muito diferente daquela de artistas da periferia da capital alagoana. Diante da ausência de concepções teóricas mais consensualmente descritivas, o primeiro desafio é formular um conceito com fronteiras plásticas o suficiente para incluir todas estas negritudes, mas nem tanto a ponto de ele perder a sua validade. Para tanto, o racismo vivido na pele, pelas injunções da estrutura de sociedades atravessadas pela modernidade/colonialidade, é tomado como o requisito básico e fundamental para determinar se alguém é ou não uma pessoa negra. A partir dessa premissa, articulada a outras dos estudos culturais, da crítica à colonialidade e do realismo crítico, a negritude é compreendida enquanto um processo que se desenvolve na interação entre três medidas da densidade temporal das práticas: uma da estrutura (racializante), uma da identidade (racial) e uma da experiência (racializada). Com esse vórtice teórico, foi possível investigar de um lado os posicionamentos ao longo do continuum de negritude, entre a afirmação, a negação e a abstenção do marcador racial na narrativa identitária de pessoas negras, e do outro lado, os vários modos de existir da corporalidade, que podem ser classificados em quatro dimensões distintas dos repertórios de negritude: a somática, a performática, a discursiva e a política. A partir destas inflexões, foi possível ouvir as polifonias e propor um rascunho possível de uma teoria racial que não se constranja diante das cada vez mais evidentes diversidades, da criatividade e das inovações políticas de pessoas negras.The present investigation starts with a feeling: that when ialorixás and afro drummers from Maceió (AL) spoke of “blackness”, they weren’t referring to the same thing as hip-hop singers, samba, and reggae musicians from that same region (Marpin, 2018). Starting from this intuition, the research follow the similarities and singularities among those blacknesses, studying aesthetic, ethic and politic repertoires from musical movements from, in and for the periphery of Brazilian urban areas. From these identity repertoires conceived through a specific kind of cultural action, characteristic of ambiences and sociabilities in the making of black music, this work sets out to reflect on what the social sciences can do to help solve the question of the (in)definition of blackness. Apart from being a central political topic for Brazil – in its projection of a national self-image and, after the implementation of affirmative action in public universities, in its attempts to repair historical asymmetries dating from colonization’s massive and genocidal racial slavery regime – the question of blackness is also an enigma in the epistemological sense, given that there is a considerable amount of work regarding race, racism, blackness and correlate themes, but we are still far from a theoretical concept that offers parameters for knowing if we actually are talking about the same thing. In that sense, the sciences, and specifically the many schools of thought and perspectives in blackness studies, are in a very similar situation to those artists from the periphery of Alagoas’ capital. When facing the lack of consensus around theoretical conceptions, the first challenge is to formulate a concept with borders that are flexible enough to include all blacknesses, but not so flexible that it could lose its explanatory power. In response to such a challenge, I take racism as a lived experience, caused by the injunctions of the structure of societies marked by modernity/coloniality, as the basic and fundamental requisite to determine if someone is actually a black person. Starting from that premise, and articulating it with others drawn from Cultural Studies, Postcolonial Studies and Critical Realism, blackness is understood as a process that develops in the interface between three measures of the temporal density of practices: structure (racializing), identity (racial) and experience (racialized). Within this theoretical vortex, it became possible to investigate both the positionings of actors along the blackness continuum – ranging from affirmation, denial and abstention of the racial marker in the identity narrative of black people – and the various modes of existence of corporeality that can be described in four distinct dimensions of blackness repertoires: somatic, performatic, discursive and political. Given those inflections, It was possible to hear the polyphonies and propose a possible sketch for a theory of race that doesn’t abstain in the face of ever growing diversity, creativity and political innovation by black people.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Ciências Sociais::Instituto de Estudos Sociais e PolíticosBrasilUERJPrograma de Pós-Graduação em SociologiaVandenberghe, Frédérichttp://lattes.cnpq.br/5742667148140131Cardoso, Adalberto Moreirahttp://lattes.cnpq.br/2468028807671937Santos, Myrian Sepúlveda doshttp://lattes.cnpq.br/0342378193333117Oliveira, Otair Fernandes dehttp://lattes.cnpq.br/2554782696953531Santos, Ynaê Lopes dos29680499847http://lattes.cnpq.br/9825396116792460Marpin, Ábia2022-09-23T20:16:30Z2020-03-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfMARPIN, Ábia. Repertórios de negritude: racismo, música e teoria racial. 2020. 323 f. Tese (Doutorado em Sociologia) – Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/18411porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-02-27T16:37:44Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/18411Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-02-27T16:37:44Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false
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