Exportação concluída — 

O transtorno bipolar na rede: a construção do diagnóstico em um grupo online.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Corrêa, Luisa Motta
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4356
Resumo: A presente dissertação tem como tema a construção do diagnóstico de transtorno bipolar em um grupo do Facebook (rede social online), investigando, através de uma etnografia virtual, os significados e agenciamentos que os integrantes desta rede estão produzindo em torno da bipolaridade. Nestes fóruns, evidencia-se a construção de um novo lugar para o público leigo frente ao saber médico, que vem se delineando desde meados do século XX com a expansão de ativismos promovidos pelos próprios pacientes. A internet tem um papel chave neste contexto, por proporcionar novos canais e fluxos de divulgação do conhecimento científico. Em consonância com a crescente penetração dos referenciais psiquiátricos na cultura, o transtorno bipolar vem se disseminando por estes meios e participando do modo como inúmeras pessoas interpretam e experimentam as suas oscilações emocionais. Considerando esta conjuntura, a etnografia feita no grupo do Facebook buscou investigar os impactos deste diagnóstico na compreensão de si, os tons que os participantes dão ao modo como falam do transtorno, os tratamentos e formas de manejar a bipolaridade abordados por eles, as vozes de autoridade eleitas para falar sobre o tema, as concepções sobre natureza/causas do transtorno predominantes nesta rede social, etc. Para responder a estas perguntas, foram analisadas as 10 publicações mais comentadas do grupo no período de 1 mês e, com base nos diferentes eixos temáticos identificados, tiraram-se algumas conclusões: a maioria das publicações traz relatos de experiências dolorosas, situando a bipolaridade como obstáculo a ser contornado; o endosso e a identificação mútua pelo diagnóstico são freqüentes no grupo, estimulando relações de companheirismo; os medicamentos são o recurso privilegiado no tratamento do transtorno, que é visto como algo incurável, mas passível de regulação; o cultivo de pensamentos e atitudes positivos são algumas das estratégia usadas para contornar as fases difíceis da doença, mostrando uma postura pragmática para lidar com o sofrimento psíquico, que se associa aos valores da pós-modernidade; a bipolaridade é definida como uma entidade externa ao sujeito, da qual ele seria portador. Este último ponto se relaciona às concepções biológicas que vêm se disseminando desde a publicação do DSM III (1980) e transformando o transtorno bipolar em uma materialidade neuroquímica, dissociada da personalidade.
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Em consonância com a crescente penetração dos referenciais psiquiátricos na cultura, o transtorno bipolar vem se disseminando por estes meios e participando do modo como inúmeras pessoas interpretam e experimentam as suas oscilações emocionais. Considerando esta conjuntura, a etnografia feita no grupo do Facebook buscou investigar os impactos deste diagnóstico na compreensão de si, os tons que os participantes dão ao modo como falam do transtorno, os tratamentos e formas de manejar a bipolaridade abordados por eles, as vozes de autoridade eleitas para falar sobre o tema, as concepções sobre natureza/causas do transtorno predominantes nesta rede social, etc. Para responder a estas perguntas, foram analisadas as 10 publicações mais comentadas do grupo no período de 1 mês e, com base nos diferentes eixos temáticos identificados, tiraram-se algumas conclusões: a maioria das publicações traz relatos de experiências dolorosas, situando a bipolaridade como obstáculo a ser contornado; o endosso e a identificação mútua pelo diagnóstico são freqüentes no grupo, estimulando relações de companheirismo; os medicamentos são o recurso privilegiado no tratamento do transtorno, que é visto como algo incurável, mas passível de regulação; o cultivo de pensamentos e atitudes positivos são algumas das estratégia usadas para contornar as fases difíceis da doença, mostrando uma postura pragmática para lidar com o sofrimento psíquico, que se associa aos valores da pós-modernidade; a bipolaridade é definida como uma entidade externa ao sujeito, da qual ele seria portador. Este último ponto se relaciona às concepções biológicas que vêm se disseminando desde a publicação do DSM III (1980) e transformando o transtorno bipolar em uma materialidade neuroquímica, dissociada da personalidade.The theme of this work is the construction of the diagnosis of bipolar disorder in a Facebook group (online community), investigating, through a virtual ethnography, the meanings and agencies that the members of this network are producing around the bipolarity. These forums show the construction of a new place for the lay public front to medical knowledge, which has been taking shape since the mid-twentieth century with the expansion of activism promoted by the patients themselves. The internet plays a key role here, by providing new channels and flows for the divulgation of scientific knowledge. In line with the increasing penetration of psychiatric references in culture, bipolar disorder has been spreading through these means and participating in how many people interpret and experience their emotional swings. Considering this context, ethnography made in the Facebook group aimed to investigate the impact of this diagnosis in how people understand themselves, the tones that participants give to how they speak of the disorder, treatments and ways of managing bipolarity approached by them, the voices of authority elected to speak on the subject, the conceptions of nature/causes of the disorder that predominate in this social network, etc. To answer these questions, the 10 most commented publications of the group in one month period were analyzed and, based on the different themes identified, some conclusions were drawn: most publications brings painful experiences reports, placing bipolarity as an obstacle to be circumvented; endorsement and mutual identification by the diagnosis are common in the group, stimulating fellowship relations; drugs are the prime resource in the treatment of the disorder, which is seen as something incurable but subject to regulation; cultivating positive thoughts and attitudes are some of the strategies used to circumvent the difficult stages of the disease, showing a pragmatic approach to deal with the psychological distress, which is associated to post-modern values; bipolarity is defined as an entity outside the subject, of which he would be carrying. This last point relates to the biological concepts that has spread since the publication of the DSM III (1980) and transformed bipolar disorder in a neurochemical materiality, dissociated from personality.Universidade do Estado do Rio de JaneiroCentro Biomédico::Instituto de Medicina SocialBRUERJPrograma de Pós-Graduação em Saúde ColetivaLima, Rossano Cabralhttp://lattes.cnpq.br/2496113016025855Sívori, Horacio Federicohttp://lattes.cnpq.br/4874754171896904Zorzanelli, Rafaela Teixeirahttp://lattes.cnpq.br/6909613550231790Serpa Junior, Octávio Domont dehttp://lattes.cnpq.br/1067185873887711Corrêa, Luisa Motta2020-07-05T16:08:47Z2017-05-102016-03-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfCORRÊA, Luisa Motta. O transtorno bipolar na rede: a construção do diagnóstico em um grupo online.. 2016. 179 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas e Saúde; Epidemiologia; Política, Planejamento e Administração em Saúde; Administra) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4356porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-02-26T23:29:31Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/4356Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-02-26T23:29:31Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false
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