A loucura sai do manicômio: dispositivos residenciais no Espírito Santo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2006
Autor(a) principal: Silva, Camila Mariani
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Psicologia
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/15267
Resumo: A maneira de lidar com a loucura vem sofrendo diversas transformações. Alguns autores propõem o fim do manicômio e a assistência aos que passam pela experiência da loucura longe de enclausuramentos. No Brasil, a partir dos anos 70, percebemos uma crescente mobilização por parte dos trabalhadores em saúde mental e de familiares de usuários de serviços psiquiátricos em prol de modificações na assistência aos loucos, buscando uma sociedade sem manicômios. As políticas públicas em saúde mental têm avançado na implementação de serviços substitutivos ao internamento asilar, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e os Dispositivos Residenciais para egressos de hospícios. O processo de desinstitucionalização da loucura visa extinguir a lógica manicomial de exclusão e isolamento vigente. Não basta retirar os internos dos hospitais psiquiátricos e acabar com estes estabelecimentos. É importante trabalhar no sentido de permitir que os loucos transitem e utilizem espaços outrora proibidos a eles: parques, ruas, lojas, etc, ou seja, desmanchar todo e qualquer preconceito e isolamento em relação aos que passam pela experiência da loucura, desmanchando também os manicômios invisíveis . No Espírito Santo as duas primeiras moradias para egressos do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho foram implantadas em outubro de 2004 no município de Cariacica. A proposta desse estudo foi acompanhar o processo de efetivação desses dispositivos residenciais e a luta em desnaturalizar a loucura como doença mental . Acompanhamos os moradores dessas duas residências em suas atividades, realizamos entrevistas semi-estruturadas com alguns dos profissionais envolvidos nesse processo, moradores e vizinhos dessas moradias. Através desse contato podemos perceber algumas mudanças na maneira de lidar com a loucura, e outras transformações ainda estão por vir. É importante destacarmos que o processo de desinstitucionalização é mais amplo do que a saída dos pacientes do hospital psiquiátrico. Estar morando em casas fora do hospital psiquiátrico não garante que os moradores assumam de fato aquele espaço, as ruas, o território. É necessário, portanto, ampliar as discussões e debates em todos os espaços sociais, não apenas entre os trabalhadores em saúde mental e nas instituições de saúde diretamente envolvidas. É interessante trazer todo o território para essa proposta.
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O processo de desinstitucionalização da loucura visa extinguir a lógica manicomial de exclusão e isolamento vigente. Não basta retirar os internos dos hospitais psiquiátricos e acabar com estes estabelecimentos. É importante trabalhar no sentido de permitir que os loucos transitem e utilizem espaços outrora proibidos a eles: parques, ruas, lojas, etc, ou seja, desmanchar todo e qualquer preconceito e isolamento em relação aos que passam pela experiência da loucura, desmanchando também os manicômios invisíveis . No Espírito Santo as duas primeiras moradias para egressos do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho foram implantadas em outubro de 2004 no município de Cariacica. A proposta desse estudo foi acompanhar o processo de efetivação desses dispositivos residenciais e a luta em desnaturalizar a loucura como doença mental . Acompanhamos os moradores dessas duas residências em suas atividades, realizamos entrevistas semi-estruturadas com alguns dos profissionais envolvidos nesse processo, moradores e vizinhos dessas moradias. Através desse contato podemos perceber algumas mudanças na maneira de lidar com a loucura, e outras transformações ainda estão por vir. É importante destacarmos que o processo de desinstitucionalização é mais amplo do que a saída dos pacientes do hospital psiquiátrico. Estar morando em casas fora do hospital psiquiátrico não garante que os moradores assumam de fato aquele espaço, as ruas, o território. É necessário, portanto, ampliar as discussões e debates em todos os espaços sociais, não apenas entre os trabalhadores em saúde mental e nas instituições de saúde diretamente envolvidas. É interessante trazer todo o território para essa proposta.The way of dealing with madness has been changing. Some authors propose the end of asylums and the care for those who experience madness far from enclosing. In Brazil, since the 70s, we may realize an increasing mobilization held by professionals who work in the mental health field and the relatives of those who use psychiatric services. They fight for changes in the care for people who experience madness, seeking a society without asylums. The public policies in mental health have moved forward creating services that substitute asylum enclosing, such as the Psicossocial Attention Centers (CAPS) and the Residential Devices for those who used to live in mental institutions. Madness deinstitutionalization process aims to extinguish the asylum logic of exclusion and isolation. It is not enough to take people out of psychiatric hospitals and end these establishments. It is important to work in the sense of allowing those who experience craziness to walk around and use the spaces prohibited to them in the past, such as squares, streets, shops etc, that is, to undo all and every prejudice towards those people, destroying also the invisible asylums . In the State of Espírito Santo the two first houses for people who left the Adauto Botelho Psychiatric Hospital started functioning in October 2004, in the town of Cariacica. The proposal of this study was to accompany the implementation process of these residential devices and the struggle in denaturalizing madness as mental illness . We accompanied the dwellers of these two houses in their activities and we interviewed some of the professionals involved in this process, some of the people who live in these houses and some of their neighbors. Thorough this contact we could realize some changes in the way of dealing with madness and other changes will still happen. It is important to highlight that the real deinstitutionalization process is ampler than the exit of those patients from the psychiatric hospital. The fact that they are living in houses outside the hospital doesn t guarantee that these people will, in fact, assume that space, the streets and the territory. It is necessary, therefore, to discuss and debate about the deinstitutionalization in every social area, not only among the professionals in mental health field and in the health institutions directly involved. It is interesting to bring all the territory into this proposal.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Educação e Humanidades::Instituto de PsicologiaBRUERJPrograma de Pós-Graduação em Psicologia SocialEwald, Ariane Patríciahttp://lattes.cnpq.br/4768356480631308Rodrigues, Heliana de Barros Condehttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4780470Y4Machado, Leila Aparecida Domingueshttp://lattes.cnpq.br/5711049634473006Amarante, Paulo Duarte de Carvalhohttp://lattes.cnpq.br/5548618710308950Silva, Camila Mariani2021-01-07T18:39:53Z2013-05-022006-06-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfSILVA, Camila Mariani. A loucura sai do manicômio: dispositivos residenciais no Espírito Santo. 2006. 121 f. 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