Estresse no trabalho e pressão arterial: reflexões metodológicas sobre linearidade e operacionalização da exposição

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Braga, Vivianne Cristinne Lima Melo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4059
Resumo: O modelo demanda-controle proposto por Karasek caracteriza as situações de estresse no ambiente laboral que é definido pela alta exigência no trabalho resultante da combinação do efeito da demanda psicológica no trabalho (estressores) e moderadores do estresse, especialmente a capacidade de tomar decisões (controle). Existem diversas formas de operacionalizar a exposição (alta exigência no trabalho) descritas na literatura. No entanto, não há consenso sobre qual a melhor operacionalização. Outra questão negligenciada pela maioria dos autores é a forma funcional da curva exposição-resposta ou não linearidade da associação. Entre os desfechos avaliados em estudos sobre os efeitos do estresse no trabalho, usando o modelo demanda-controle, estão as doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial. Contudo, os resultados relatados parecem conflitantes sobre a associação entre o estresse no trabalho e a hipertensão arterial. Os objetivos deste trabalho são estudar a associação entre o estresse no trabalho e aumento da pressão arterial/hipertensão arterial usando as diferentes formas de operacionalização do estresse no trabalho e avaliar a curva exposição-resposta quanto à linearidade. O trabalho é um estudo seccional desenvolvido na população do Estudo Pró-Saúde que é composta por servidores públicos de uma universidade no Rio de Janeiro. Modelos de regressão usando diferentes distribuições foram usados para estimar a associação entre a alta exigência no trabalho e a pressão arterial/hipertensão arterial. Funções não lineares foram utilizadas para investigar a linearidade da associação entre a exposição e os desfechos. Os resultados sugerem que a relação entre a dimensão controle e a pressão arterial seja não linear. Foram observadas associações significativas entre alta exigência no trabalho e pressão arterial sistólica e diastólica para algumas formas de operacionalização da exposição, quando analisados separadamente. No entanto, quando analisadas de forma conjunta por meio do modelo de resposta bivariada não foi encontrada associação. Também não foi encontrada associação entre a alta exigência no trabalho e hipertensão arterial para nenhuma forma de operacionalização da exposição. Os modelos estatísticos com melhor ajuste foram aqueles em que a exposição foi operacionalizada por meio de quadrantes gerados pela mediana de cada uma das dimensões e de forma dicotômica com termo de interação entre demanda psicológica e controle. Neste estudo estas foram as formas mais adequadas de operacionalização. Os resultados também mostram que a associação entre a dimensão controle e a pressão arterial é não linear. Conclui-se que não há garantia de linearidade da associação entre estresse no trabalho e pressão arterial e que essa associação pode ser influenciada pela forma de operacionalização da exposição e do desfecho ou da estratégia de modelagem.
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Outra questão negligenciada pela maioria dos autores é a forma funcional da curva exposição-resposta ou não linearidade da associação. Entre os desfechos avaliados em estudos sobre os efeitos do estresse no trabalho, usando o modelo demanda-controle, estão as doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial. Contudo, os resultados relatados parecem conflitantes sobre a associação entre o estresse no trabalho e a hipertensão arterial. Os objetivos deste trabalho são estudar a associação entre o estresse no trabalho e aumento da pressão arterial/hipertensão arterial usando as diferentes formas de operacionalização do estresse no trabalho e avaliar a curva exposição-resposta quanto à linearidade. O trabalho é um estudo seccional desenvolvido na população do Estudo Pró-Saúde que é composta por servidores públicos de uma universidade no Rio de Janeiro. Modelos de regressão usando diferentes distribuições foram usados para estimar a associação entre a alta exigência no trabalho e a pressão arterial/hipertensão arterial. Funções não lineares foram utilizadas para investigar a linearidade da associação entre a exposição e os desfechos. Os resultados sugerem que a relação entre a dimensão controle e a pressão arterial seja não linear. Foram observadas associações significativas entre alta exigência no trabalho e pressão arterial sistólica e diastólica para algumas formas de operacionalização da exposição, quando analisados separadamente. No entanto, quando analisadas de forma conjunta por meio do modelo de resposta bivariada não foi encontrada associação. Também não foi encontrada associação entre a alta exigência no trabalho e hipertensão arterial para nenhuma forma de operacionalização da exposição. Os modelos estatísticos com melhor ajuste foram aqueles em que a exposição foi operacionalizada por meio de quadrantes gerados pela mediana de cada uma das dimensões e de forma dicotômica com termo de interação entre demanda psicológica e controle. Neste estudo estas foram as formas mais adequadas de operacionalização. Os resultados também mostram que a associação entre a dimensão controle e a pressão arterial é não linear. Conclui-se que não há garantia de linearidade da associação entre estresse no trabalho e pressão arterial e que essa associação pode ser influenciada pela forma de operacionalização da exposição e do desfecho ou da estratégia de modelagem.The demand-control model proposed by Karasek characterizes situations of stress in the workplace, that is defined by job strain resulting from a combination of the effect of psychological demand at work (stressors) and moderators of stress, especially decision authority (decision latitude). There are several ways to operationalize the exposure (job strain) described in the literature, however, there is no consensus about which is the best way to do it. Another issue often neglected, by most authors, is the shape of the exposure-response function in order to explore non-linearity of the association. Hypertension is one of the main cardiovascular disease assessed in studies on the effects of job strain. However, conflicting results reported on the association between job strain and hypertension. The aim of this paper is the study the association between job strain and increased blood pressure/hypertension using different forms of operationalization of stress at work and evaluate the curve of exposure-response regarding the linearity. The work is a sectional study developed in the Pró-Saúde population which consists of public servants of a university in Rio de Janeiro. Regression models using different distributions were used to estimate the association between job strain and blood pressure/hypertension. Nonlinear functions were used to investigate the assumption of linearity of the association between exposure and the outcomes. The results suggest that the relationship between dimension decision latitude and blood pressure is not linear. Significant associations were found between job strain and systolic and diastolic blood pressure for some forms of operationalization of exposure, when analyzed separately. However, when analyzed jointly by means of bivariate response regression models no association was found. Also it was not found association between job strain and hypertension for any form of operationalization of the exposure. The best statistical models were those in which the exposure was operationalizated by means quadrants determined by the median of each of the dimensions and the interaction term between psychological demand and decision latitude. In this study, these were the most adequate way of operationalization. The results also show that the association between the dimension decision latitude and blood pressure is not linear. In conclusion, there is no guarantee of linearity of the association between job strain and blood pressure and that this association can be influenced by the way of operationalization of exposure and outcome or modeling strategy.Universidade do Estado do Rio de JaneiroCentro Biomédico::Instituto de Medicina SocialBRUERJPrograma de Pós-Graduação em Saúde ColetivaJunger, Washington Leitehttp://lattes.cnpq.br/7335317712079388Alves, Márcia Guimarães de Mellohttp://lattes.cnpq.br/5764802357434103Faerstein, Eduardohttp://lattes.cnpq.br/5617755960866690Griep, Rosane Härterhttp://lattes.cnpq.br/7964408437194114Brito, Alexandre dos Santoshttp://lattes.cnpq.br/5381961350933486Braga, Vivianne Cristinne Lima Melo2020-07-05T16:02:51Z2011-08-052011-03-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfBRAGA, Vivianne Cristinne Lima Melo. Estresse no trabalho e pressão arterial: reflexões metodológicas sobre linearidade e operacionalização da exposição. 2011. 161 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas e Saúde; Epidemiologia; Política, Planejamento e Administração em Saúde; Administra) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4059porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-02-26T23:29:22Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/4059Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-02-26T23:29:22Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false
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