Ruínas olímpicas e a destruição infraestrutural como modo de produção da cidade: uma etnografia da vida social do teleférico da Providência

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Duarte, Ana Clara Chequetti da Rocha
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais::Instituto de Estudos Sociais e Políticos
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/22772
Resumo: Inaugurado durante a Copa do Mundo 2014 e abandonado após os Jogos Olímpicos 2016, um gigantesco teleférico erguido na favela da Providência, no centro da cidade do Rio de Janeiro, definha com a deterioração de seus cabos de aço, torres metálicas e três enormes estações, que conectariam esta que é conhecida como "a primeira favela" à um circuito turístico, ligando à Central de transportes metropolitanos, de um lado, e à Zona Portuária, alvo da revitalização Porto Maravilha, de outro. O Teleférico da Providência participa de uma constelação de ruínas de projetos de urbanização de favelas inacabados ou abandonados, onde a mobilidade monumental simbolizava a integração das favelas e também as inseria em novos regimes de visibilidade, explorando seu potencial turístico e o valor que poderiam agregar ao marketing urbano da "Cidade Olímpica". Desde 2016, no entanto, o Rio de Janeiro passou a conviver com as diversas "carcaças" dos megaprojetos do urbanismo olímpico, muitos que, como na Providência, já eram considerados abandonados antes mesmo de estarem completos. Essa tese busca realizar uma etnografia da trajetória da vida social do Teleférico do Morro da Providência utilizando a abordagem da antropologia das infraestruturas como instrumento conceitual e metodológico para compreender seus efeitos sociopolíticos. Seguindo os escombros materiais e simbólicos gerados pelo plano de urbanização, analisam-se as racionalidades políticas que constituíram a prática do urbanismo olímpico, e sobretudo dos processos de arruinamento que as acompanham, a fim de compreender as produtividades sociais, políticas e econômicas das ruínas. Assim, essa tese pensa as ruínas não como fragilidade do poder, mas como dispositivo que constrói e gere o espaço urbano, defendendo então que a destruição infraestrutural configura um modo de produção da cidade.
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O Teleférico da Providência participa de uma constelação de ruínas de projetos de urbanização de favelas inacabados ou abandonados, onde a mobilidade monumental simbolizava a integração das favelas e também as inseria em novos regimes de visibilidade, explorando seu potencial turístico e o valor que poderiam agregar ao marketing urbano da "Cidade Olímpica". Desde 2016, no entanto, o Rio de Janeiro passou a conviver com as diversas "carcaças" dos megaprojetos do urbanismo olímpico, muitos que, como na Providência, já eram considerados abandonados antes mesmo de estarem completos. Essa tese busca realizar uma etnografia da trajetória da vida social do Teleférico do Morro da Providência utilizando a abordagem da antropologia das infraestruturas como instrumento conceitual e metodológico para compreender seus efeitos sociopolíticos. Seguindo os escombros materiais e simbólicos gerados pelo plano de urbanização, analisam-se as racionalidades políticas que constituíram a prática do urbanismo olímpico, e sobretudo dos processos de arruinamento que as acompanham, a fim de compreender as produtividades sociais, políticas e econômicas das ruínas. Assim, essa tese pensa as ruínas não como fragilidade do poder, mas como dispositivo que constrói e gere o espaço urbano, defendendo então que a destruição infraestrutural configura um modo de produção da cidade.Opened during the 2014 World Cup and abandoned after the 2016 Olympics, a massive cable car built in the Providência favela, in the center of the city of Rio de Janeiro, languishes with the deterioration of its steel cables, metal towers, and three enormous stations, which would connect what is known as "the first favela" to a tourist circuit, linking to the metropolitan transportation Center, on one side, and to the Port Zone, targeted with the Porto Maravilha revitalization project, on the other. The Providência Cable Car is part of a constellation of ruins of unfinished or abandoned favela urbanization projects, where monumental mobility symbolized the integration of the favelas and also inserted them into new regimes of visibility, exploring their tourist potential and the value they could add to the urban marketing of the "Olympic City". Since 2016, however, Rio de Janeiro has been living with the various "carcasses" of Olympic urbanism mega-projects, many of which, like in Providência, were already considered abandoned before they were completed. This thesis seeks to carry out an ethnography of the trajectory of the social life of the Morro da Providência Cable Car using the approach of the anthropology of infrastructures as a conceptual and methodological instrument to understand its sociopolitical effects. Following the material and symbolic rubble generated by the urbanization plan the political rationalities that constituted the practice of Olympic urbanism are analyzed, and above all the processes of ruination that follows it, in order to understand the social, political, and economic productivity of ruins. Thus, this thesis considers ruins not as a fragility of power, but as a device that constructs and manages urban space, arguing that infrastructural destruction constitutes a mode of city production.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Ciências Sociais::Instituto de Estudos Sociais e PolíticosBrasilUERJPrograma de Pós-Graduação em SociologiaSantos, Mariana Cavalcanti Rocha doshttp://lattes.cnpq.br/1003011436001008Menezes, Palloma Vallehttp://lattes.cnpq.br/6650446921513563Lima, Maria Raquel Passoshttp://lattes.cnpq.br/7346060260713704Kemmer, Laurahttp://lattes.cnpq.br/7551741936070283Pilo, FrancescaDuarte, Ana Clara Chequetti da Rocha2024-09-06T18:18:26Z2024-03-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfDUARTE, Ana Clara Chequetti da Rocha. Ruínas olímpicas e a destruição infraestrutural como modo de produção da cidade: uma etnografia da vida social do teleférico da Providência. Orientadora: Mariana Cavalcanti Rocha dos Santos. 2024. 287 f. Tese (Doutorado em Sociologia) – Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/22772porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-10-25T19:33:41Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/22772Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-10-25T19:33:41Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false
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