A recepção de Maquiavel nos republicanismos de James Harrington e de Algernon Sidney

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Falcão, Luís Alves
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais::Instituto de Estudos Sociais e Políticos
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Ciência Política
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/12448
Resumo: A tese analisa a recepção de Maquiavel nos republicanismos de James Harrington e Algernon Sidney. Ao invés das abordagens mais comuns, que tendem a priorizar o contexto, as linguagens e suas transformações nas gerações de pensadores, pretende-se, ao invés disso, abordar as diferenças e semelhanças de cada proposta republicana a partir da ótica dos termos centrais do republicanismo maquiaveliano. Harrington é diversas vezes considerado o principal receptáculo do secretário florentino na Inglaterra do século XVII e o responsável por permitir a continuação dos termos centrais do republicanismo florentino. De fato, o autor de Oceana foi o que mais se referenciou ao autor dos Discorsi, embora não negue as críticas. Em sentido lato, a recepção de Harrington refere-se à cidadania militar e expansiva dos Estados republicanos, ao governo misto e ao império da lei em detrimento do governo dos homens. Sustenta-se, contrariamente à maioria das interpretações, que Harrington também segue a tese forte de Maquiavel com relação aos conflitos. As críticas, explícitas e constantes, ao florentino direcionam-se fundamentalmente aos aspectos secundários, as causas das explicações, embora as conclusões sejam, quase sempre, as mesmas. Com Sidney ocorre algo diferente, uma vez que, diferentemente de Harrington, aceita e torna-se partícipe do jusnaturalismo aos moldes hobbesianos, o que acaba por justificar suas críticas de fundo moral ao secretário. Ocorre que, devido à sua definição de liberdade, os homens são capazes de desrespeitar a lei da natureza como razão e, por isso, são igualmente aptos a agir de modo a transgredir o bem comum. O ideal de Sidney da virtude como o melhor dos governos encontra um claro limite quando confrontado com os acontecimentos históricos. O direito natural do autor dos Discourses depende, em algum nível, de confirmações históricas e, nesse caso, Maquiavel lhe serve como medida confiável para a construção de uma república bem-ordenada, inclusive com relação ao tema do conflito. Por fim, o contraste dos autores mostra que ambos contribuíram de modo incisivo para o republicanismo, através da rejeição ao critério da hereditariedade, da defesa do governo das leis, do governo misto, da liberdade como alternativa ao conceito meramente físico, da isonomia nas relações políticas, além do papel da cidadania e da virtude. As diferenças, sustentadas pela rejeição ou aceitação do direito natural, respectivamente, podem ser vistas claramente pelos diferentes usos de Maquiavel. Por motivos diferentes, o Maquiavel de cada um deles recebe uma forte carga de republicanismo.
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De fato, o autor de Oceana foi o que mais se referenciou ao autor dos Discorsi, embora não negue as críticas. Em sentido lato, a recepção de Harrington refere-se à cidadania militar e expansiva dos Estados republicanos, ao governo misto e ao império da lei em detrimento do governo dos homens. Sustenta-se, contrariamente à maioria das interpretações, que Harrington também segue a tese forte de Maquiavel com relação aos conflitos. As críticas, explícitas e constantes, ao florentino direcionam-se fundamentalmente aos aspectos secundários, as causas das explicações, embora as conclusões sejam, quase sempre, as mesmas. Com Sidney ocorre algo diferente, uma vez que, diferentemente de Harrington, aceita e torna-se partícipe do jusnaturalismo aos moldes hobbesianos, o que acaba por justificar suas críticas de fundo moral ao secretário. Ocorre que, devido à sua definição de liberdade, os homens são capazes de desrespeitar a lei da natureza como razão e, por isso, são igualmente aptos a agir de modo a transgredir o bem comum. O ideal de Sidney da virtude como o melhor dos governos encontra um claro limite quando confrontado com os acontecimentos históricos. O direito natural do autor dos Discourses depende, em algum nível, de confirmações históricas e, nesse caso, Maquiavel lhe serve como medida confiável para a construção de uma república bem-ordenada, inclusive com relação ao tema do conflito. Por fim, o contraste dos autores mostra que ambos contribuíram de modo incisivo para o republicanismo, através da rejeição ao critério da hereditariedade, da defesa do governo das leis, do governo misto, da liberdade como alternativa ao conceito meramente físico, da isonomia nas relações políticas, além do papel da cidadania e da virtude. As diferenças, sustentadas pela rejeição ou aceitação do direito natural, respectivamente, podem ser vistas claramente pelos diferentes usos de Maquiavel. Por motivos diferentes, o Maquiavel de cada um deles recebe uma forte carga de republicanismo.The thesis analyzes the reception of Machiavelli in the republicanisms of James Harrington and of Algernon Sidney. Instead of the more common approaches, which tend to prioritize the context, languages and their transformations in the generations of thinkers, it is intended, instead, to address the differences and similarities of each Republican proposal from the perspective of the central terms of Machiavellian republicanism. Harrington is several times considered the main receptacle of the Florentine secretary in seventeenth-century England and responsible for allowing the continuation of the central terms of the Florentine republicanism. In fact, the author of Oceana was that most referenced to the author of Discorsi, though not deny the criticism. In a broad sense, Harrington's reception refers to the military and expansive citizenship Republican States, the mixed government and the rule of law to the detriment of the government of men. It is argued, contrary to most interpretations, which Harrington also follows the strong claim Machiavelli in relation to conflicts. Criticism, explicit and constant, the Florentine are directed fundamentally to secondary aspects, the causes of explanations, although the findings are almost always the same. Sidney is something different, since, unlike Harrington, he accepted and is part of the natural law in Hobbesian terms, which ultimately justify his criticism of moral background to the secretary of Florence. His definition of freedom means that men are able to break the law of nature as reason and, therefore, men are also able to act to break the common good. The ideal of Sidney of virtue as the best of governments is a clear limit when confronted with historical events. The natural right of the author of Discourses depends on some level of historical confirmations, and if so, Machiavelli is helpful for him as a reliable measure for the construction of a well-ordered republic, including the theme of conflict. Finally, the contrast of the authors shows that both contributed incisively to republicanism, by rejecting the criterion of heredity, the government of the law, of mixed government, freedom as an alternative to purely physical concept, equality in political relations, and the role of citizenship and virtue. The differences, supported by the rejection or acceptance of natural law, respectively, can be seen clearly by Machiavelli different uses by Harrington and Sidney. For different reasons, the Machiavelli of each one receives a strong republican approach.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Ciências Sociais::Instituto de Estudos Sociais e PolíticosBRUERJPrograma de Pós-Graduação em Ciência PolíticaJasmin, Marcelo Gantushttp://lattes.cnpq.br/0635042395741656Guimarães, Cesar Augusto Coelhohttp://lattes.cnpq.br/9710067669759482Ostrensky, Eunicehttp://lattes.cnpq.br/9100209435464735Starling, Heloísa Maria Murgelhttp://lattes.cnpq.br/3321652451642202Silva, Bernardo Medeiros Ferreira dahttp://lattes.cnpq.br/6631614861991863Falcão, Luís Alves2021-01-06T20:42:41Z2017-07-272015-02-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfFALCÃO, Luís Alves. A recepção de Maquiavel nos republicanismos de James Harrington e de Algernon Sidney. 2015. 609 f. 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