Invisíveis sociais: elementos para pensar formas de (des)integração de uma sociedade de capitalismo dependente

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Andrade, Juarez de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/14771
Resumo: Diante do estreitamento do horizonte emancipatório para uma parcela significativa da população brasileira, procuramos, neste estudo, descrever a história real destes muitos, para não dizer milhões, que acabaram condenados à margem de formas sociais, econômicas, estilísticas, consagradas pelos aparatos ideológicos que perpetuam e justificam a reprodução da racionalidade do capital como o único e exclusivo sistema social. Na contemporaneidade, a mercantilização da vida em sociedade e seu indissociável processo de descartabilidade marcam presença constante no cenário das médias e grandes cidades brasileiras. Perscrutando o campo exploratório, presenciamos grupos humanos cada vez mais desvinculados do sistema produtivo. Destituídos de qualidades aceitáveis circunscritas à esfera econômica e moral capitalista, figuram, apenas, como paisagem, apenas, como fragmentos do universo objetivo. Vidas em sobrestado permanente, confundidas e misturadas com o descartável, sem lugar no mundo produtivo, galgam a invisibilidade social . É esta incivilidade levada ao seu paroxismo chamada invisibilidade que, aqui, identificamos e trazemos à luz. Uma invisibilidade que se constrói não pelo olhar, mas num imaginário persistente que fixa a pobreza como marca de inferioridade, potencializando um modo de ser que descredencia indivíduos para o exercício de seus direitos e da vida social, já que percebidos numa diferença incomensurável, aquém das regras da equivalência, isto é, da alteridade que a formalidade da lei e o exercício dos direitos deveriam concretizar. É neste espaço de interpelação do outro que a invisibilidade se constitui. Ela habita o registro do impensável, do conflito com a ideia de essência, de alteridade que arbitra todas as formas de ser . O invisível surge como alguém que não É, provocação que incita o estranhamento, o que o torna assediado por um forte ranço moral que preserva a depreciação de tudo que perdeu o valor de uso. É assim decretada a sua tripla negação: desistoricizado, desumanizado e dessignificado, mesclado a um universo de contravalores que imobilizam a vida, tornando-o incodificável, um personagem inefável colocando em xeque toda a lógica da representação. Nossa proposta, com este trabalho, foi o de ir além de um trabalho documental, mas de constatação e denúncia, procurando ultrapassar visões reducionistas que naturalizam a pobreza e a miséria, reencontrando assim, nas mediações e contrapontos, as contradições fundas que conduzem muitos a invalidação social, cujas violações e mutilações, de toda ordem, prosperam a favor de uma ordem econômica que se apresenta desvinculada e independente de limites e de justificações morais
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Na contemporaneidade, a mercantilização da vida em sociedade e seu indissociável processo de descartabilidade marcam presença constante no cenário das médias e grandes cidades brasileiras. Perscrutando o campo exploratório, presenciamos grupos humanos cada vez mais desvinculados do sistema produtivo. Destituídos de qualidades aceitáveis circunscritas à esfera econômica e moral capitalista, figuram, apenas, como paisagem, apenas, como fragmentos do universo objetivo. Vidas em sobrestado permanente, confundidas e misturadas com o descartável, sem lugar no mundo produtivo, galgam a invisibilidade social . É esta incivilidade levada ao seu paroxismo chamada invisibilidade que, aqui, identificamos e trazemos à luz. Uma invisibilidade que se constrói não pelo olhar, mas num imaginário persistente que fixa a pobreza como marca de inferioridade, potencializando um modo de ser que descredencia indivíduos para o exercício de seus direitos e da vida social, já que percebidos numa diferença incomensurável, aquém das regras da equivalência, isto é, da alteridade que a formalidade da lei e o exercício dos direitos deveriam concretizar. É neste espaço de interpelação do outro que a invisibilidade se constitui. Ela habita o registro do impensável, do conflito com a ideia de essência, de alteridade que arbitra todas as formas de ser . O invisível surge como alguém que não É, provocação que incita o estranhamento, o que o torna assediado por um forte ranço moral que preserva a depreciação de tudo que perdeu o valor de uso. É assim decretada a sua tripla negação: desistoricizado, desumanizado e dessignificado, mesclado a um universo de contravalores que imobilizam a vida, tornando-o incodificável, um personagem inefável colocando em xeque toda a lógica da representação. Nossa proposta, com este trabalho, foi o de ir além de um trabalho documental, mas de constatação e denúncia, procurando ultrapassar visões reducionistas que naturalizam a pobreza e a miséria, reencontrando assim, nas mediações e contrapontos, as contradições fundas que conduzem muitos a invalidação social, cujas violações e mutilações, de toda ordem, prosperam a favor de uma ordem econômica que se apresenta desvinculada e independente de limites e de justificações moraisGiven the narrowing of the emancipatory horizon for a significant portion of the Brazilian population, we seek in this study to describe the real story of these many, not to say millions, who ended up sentenced to the fringes of social, economic, stylistic forms enshrined by the ideological apparatuses which perpetuate and justify the reproduction of the rationality of capital as the only and exclusive social system. In contemporary times, the commodification of social life and its indissociable disposability process are constantly present in the scenario of medium and large Brazilian cities. By scrutinizing the exploratory field, we witness human groups being increasingly disconnected from the productive system. Devoid of acceptable qualities that are confined to the economic and moral capitalist sphere, they appear only as a landscape, just as fragments of the objective universe. Lives permanently halted, confused and mixed with the disposable, with no place in the productive world, reaching "social invisibility". It is this incivility taken to its paroxysm called "invisibility" that here we identify and bring to light. An "invisibility" which is built not by the look, but by a persistent imagery that sets poverty as a mark of inferiority, reinforcing a way of being that disqualifies individuals to exercise their rights and social life, perceived as an immeasurable difference below the rules of equivalence, i.e. the otherness that the formality of the law and the exercise of rights should achieve. It is through questioning each other that the "invisibility" is constituted. It abides in the records of the unthinkable, of the conflict with the idea of essence, of otherness that arbitrates all forms of "being". The invisible emerges as someone who ISN T, a provocation which encourages strangeness, which makes him harassed by a strong moral rancidity that preserves the depreciation of everything that has lost value. It is thus declared his triple denial: dishistoricized, dehumanized and insignificant, blended to a universe of countervalues which immobilize life, making him uncodifiable, an unfathomable character jeopardizing the entire logic of representation. Our proposal in this paper, was to go beyond a documentary work, but to verify and report, seeking to overcome reductionist views that naturalize poverty and misery, thus rediscovering, in mediations and counterpoints, the deep contradictions which lead many to social invalidation, whose violation and mutilation of all kinds thrive in favor of an economic order that appears detached and independent from limits and moral groundsFundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de JaneiroUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Educação e HumanidadesBRUERJPrograma de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação HumanaFrigotto, Gaudênciohttp://lattes.cnpq.br/4535332644982596Pinto, Vicente Paulo dos Santoshttp://lattes.cnpq.br/7127738828178155Fontes, Virgínia Maria Gomes de Mattoshttp://lattes.cnpq.br/6459112125274953Algebaile, Eveline Bertinottp://lattes.cnpq.br/9630763216536906Motta, Vania Cardoso dahttp://lattes.cnpq.br/9019395807508288Andrade, Juarez de2021-01-07T18:09:17Z2015-01-292014-09-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfANDRADE, Juarez de. Invisíveis sociais: elementos para pensar formas de (des)integração de uma sociedade de capitalismo dependente. 2014. 336 f. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/14771porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJinstname:Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)instacron:UERJ2024-05-08T16:09:13Zoai:www.bdtd.uerj.br:1/14771Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.bdtd.uerj.br/PUBhttps://www.bdtd.uerj.br:8443/oai/requestbdtd.suporte@uerj.bropendoar:29032024-05-08T16:09:13Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)false
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