Até que a morte nos separe: o amor e a representação do indivíduo em quatro tragédias de William Shakespeare

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: Lima, Paulo Lúcio Scheffer
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Letras
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Letras
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/6558
Resumo: A presente pesquisa focaliza as maneiras através das quais a experiência amorosa faz parte da trama de quatro tragédias shakespearianas: Romeu e Julieta, Otelo, Hamlet e Macbeth. Trata do herói trágico como indivíduo autônomo, liberto da força do destino e do controle dos deuses, diferentemente do que acontecia na tragédia clássica. O herói ou a heroína é um ser que se considera livre para fazer escolhas, sendo porém responsável pelas decisões tomadas, principalmente ante os poderes superiores dos quais ainda não se encontra totalmente desvencilhado, como família e estado. Entre as escolhas feitas está a escolha amorosa que, devido ao seu caráter pessoal, torna-se obstáculo para o herói trágico, já que é normalmente um indivíduo de vida pública, cujos atos particulares tendem a ganhar uma dimensão ampliada. Suas escolhas tornam-se trágicas quando rompem com a convenção, na busca de um valor individual que ainda está em formação durante o Renascimento. Desta maneira, percebe-se o quanto a experiência amorosa virá a fazer parte da representação deste indivíduo. Embora o amor não possa ser considerado o tema central das quatro tragédias analisadas neste trabalho, elas têm em comum o fato de retratar heróis e heroínas envolvidos em relacionamentos amorosos inseparáveis da ação trágica. As análises de traços da tragédia clássica e do início do teatro inglês, além de possibilitarem uma investigação do comportamento das sociedades medieval e renascentista em relação a certos conceitos, tais como indivíduo, amor e casamento, fornecem um valioso embasamento para o entendimento das razões pelas quais Shakespeare usou o tema do amor para interagir com a noção de responsabilidade individual e para participar da marcha do protagonista rumo ao seu fim trágico. O estudo de cada uma das quatro tragédias mostra quão diferentemente o bardo inglês lidava com a imbricação entre amor e liberdade de forma a refletir, em vários contextos, os novos modos de pensamento dentre eles, a própria noção de indivíduo que começaram a se estabelecer durante o Renascimento
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O herói ou a heroína é um ser que se considera livre para fazer escolhas, sendo porém responsável pelas decisões tomadas, principalmente ante os poderes superiores dos quais ainda não se encontra totalmente desvencilhado, como família e estado. Entre as escolhas feitas está a escolha amorosa que, devido ao seu caráter pessoal, torna-se obstáculo para o herói trágico, já que é normalmente um indivíduo de vida pública, cujos atos particulares tendem a ganhar uma dimensão ampliada. Suas escolhas tornam-se trágicas quando rompem com a convenção, na busca de um valor individual que ainda está em formação durante o Renascimento. Desta maneira, percebe-se o quanto a experiência amorosa virá a fazer parte da representação deste indivíduo. Embora o amor não possa ser considerado o tema central das quatro tragédias analisadas neste trabalho, elas têm em comum o fato de retratar heróis e heroínas envolvidos em relacionamentos amorosos inseparáveis da ação trágica. As análises de traços da tragédia clássica e do início do teatro inglês, além de possibilitarem uma investigação do comportamento das sociedades medieval e renascentista em relação a certos conceitos, tais como indivíduo, amor e casamento, fornecem um valioso embasamento para o entendimento das razões pelas quais Shakespeare usou o tema do amor para interagir com a noção de responsabilidade individual e para participar da marcha do protagonista rumo ao seu fim trágico. O estudo de cada uma das quatro tragédias mostra quão diferentemente o bardo inglês lidava com a imbricação entre amor e liberdade de forma a refletir, em vários contextos, os novos modos de pensamento dentre eles, a própria noção de indivíduo que começaram a se estabelecer durante o RenascimentoThis research focuses on the ways through which love/ erotic experience takes part in the plot of four Shakespearian tragedies: Romeo and Juliet, Othello, Hamlet and Macbeth. It treats the tragic hero as an autonomous individual, free from the power of fate and the control of the gods, differently from what happened in the classical tragedy. The hero or heroine is a being who considers himself/ herself free to make choices, yet being responsible for the decisions made, especially before superior powers from which he or she has not been totally released, such as family and state. Among his or her choices is the choice of a spouse or partner which, due to its personal nature, becomes a hindrance to the tragic hero or heroine, once he or she is usually a public person, whose private acts tend to gain a magnified dimension. His or her choices become thus tragic when they break conventions in search of an individual value that is still being shaped during Renaissance. One can thus perceive the extent to which love/ erotic experience will take part in the representation of this individual. Even though love cannot be considered the central theme of all the four tragedies analyzed in this work, they share the fact that they all portray heroes and heroines who are involved in romantic relationships which are inseparable from the tragic action. Analyses of features from the classical tragedy and from the beginning of the English drama, besides enabling an investigation of the behavior of medieval and Renaissance societies toward certain concepts such as individual, love and marriage, provide an invaluable background for the understanding of the reasons why Shakespeare used such a theme as love to interact with the notion of individual responsibility and to take part in the protagonist's march towards his or her tragic end. The study of each one of the four tragedies shows how differently the English bard handled the imbricacy between love and freedom so as to reflect, in a variety of contexts, the new modes of thought among which, the very notion of 'individual' that started to be established during the RenaissanceUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Educação e Humanidades::Instituto de LetrasBRUERJPrograma de Pós-Graduação em LetrasMedeiros, Fernanda Teixeira dehttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4792112Z6Guedes, Peonia Vianahttp://lattes.cnpq.br/4224828880058401Rocha, Roberto Ferreira dahttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4782849H2Lima, Paulo Lúcio Scheffer2021-01-05T15:08:56Z2008-07-072008-03-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfLIMA, Paulo Lúcio Scheffer. Até que a morte nos separe: o amor e a representação do indivíduo em quatro tragédias de William Shakespeare. 2008. 95 f. 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