Contribuição à crítica da apropriação capitalista da água no Brasil do agronegócio

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Dias, Yanne Angelim
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Ciências Sociais::Faculdade de Serviço Social
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Serviço Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/19697
Resumo: A presente tese tem como tema a apropriação capitalista da água na atualidade. Delimitamos como objeto de estudo a relação entre valor e apropriação capitalista da água no Brasil, tomando como mediação central as commodities agrícolas e considerando a dinâmica da luta de classes no capitalismo em sua fase atual. Buscamos elementos da teoria marxista e marxiana como fundamentos teóricos essenciais para apanharmos os principais aspectos que constituem o objeto e determinam seu movimento na atualidade. A mediação pelas commodities agrícolas exigiu recuperar aspectos histórico-conceituais do agronegócio e problematizar a atuação do Estado para seu desenvolvimento no País no período recente. Adotamos como método de análise o materialismo histórico-dialético, e o estudo teve natureza quali-quantitativa, em que os levantamentos bibliográfico e documental possibilitaram o aporte teórico e a extração de dados factuais para análise. Os dados possibilitaram afirmar que a água participa da produção de valor ao ser incorporada como matéria auxiliar pelo processo de produção na agricultura do agronegócio e, portanto, é indispensável à acumulação capitalista no campo brasileiro, especialmente no contexto de crise do capital, quando a produção de commodities agrícolas ocupa um lugar estratégico na reprodução capitalista. O estudo apontou o agronegócio como uma expressão atual do movimento de expropriação que constitui a dinâmica de desenvolvimento do capitalismo desde sua gênese. Na produção agrícola, confere acentuada demanda de irrigação de monoculturas, apropriando-se privadamente de volumes significativos da água de domínio da União, além de utilizar mecanismos nocivos à natureza e à saúde humana, numa dinâmica destrutiva centralizada no mercado. Constatamos tendência à primarização no conjunto das exportações brasileiras recentes, o que nos remeteu a pensar no papel da produção agrícola do agronegócio na reafirmação e no aprofundamento da posição dependente do Brasil na relação com países capitalistas do centro do sistema. Com sua significativa reserva de água, o Brasil se apresenta, portanto, como grande atrativo ao capital internacional para a expansão do que podemos chamar de negócios da água. Os dados evidenciaram também que, nesse contexto, o Cerrado tem sido considerado lócus estratégico de expansão capitalista, e o avanço do agronegócio na região aponta que uma classe é prioritariamente beneficiada no uso da água destinada à irrigação no País. É uma prioridade sob anuência do Estado, que atua por meios jurídico-legais e financiamento articulados pelo amálgama ideo-político do “desenvolvimento nacional”, fielmente comprometido com interesses do mercado. Nesses termos, sob a relação indissociável entre direito (leis), Estado e mercado, é o capital o privilegiado no acesso a água para irrigação no Brasil. Constatamos que nesse contexto aprofunda-se a violência no campo nos últimos anos, destacam-se ocorrências cujo objeto central de disputa é a água. Aqui o Estado novamente demonstra compromisso com o capital, operando por vezes com violência e/ou por omissão com relação a trabalhadores/as do campo e povos tradicionais. Estes têm resistido em defesa da natureza até mesmo com suas vidas. A luta por água, elemento natural fundamental à vida, cujo uso deve ser comum e para responder necessidades humanas, trata-se de uma luta contra o capital.
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Buscamos elementos da teoria marxista e marxiana como fundamentos teóricos essenciais para apanharmos os principais aspectos que constituem o objeto e determinam seu movimento na atualidade. A mediação pelas commodities agrícolas exigiu recuperar aspectos histórico-conceituais do agronegócio e problematizar a atuação do Estado para seu desenvolvimento no País no período recente. Adotamos como método de análise o materialismo histórico-dialético, e o estudo teve natureza quali-quantitativa, em que os levantamentos bibliográfico e documental possibilitaram o aporte teórico e a extração de dados factuais para análise. Os dados possibilitaram afirmar que a água participa da produção de valor ao ser incorporada como matéria auxiliar pelo processo de produção na agricultura do agronegócio e, portanto, é indispensável à acumulação capitalista no campo brasileiro, especialmente no contexto de crise do capital, quando a produção de commodities agrícolas ocupa um lugar estratégico na reprodução capitalista. O estudo apontou o agronegócio como uma expressão atual do movimento de expropriação que constitui a dinâmica de desenvolvimento do capitalismo desde sua gênese. Na produção agrícola, confere acentuada demanda de irrigação de monoculturas, apropriando-se privadamente de volumes significativos da água de domínio da União, além de utilizar mecanismos nocivos à natureza e à saúde humana, numa dinâmica destrutiva centralizada no mercado. Constatamos tendência à primarização no conjunto das exportações brasileiras recentes, o que nos remeteu a pensar no papel da produção agrícola do agronegócio na reafirmação e no aprofundamento da posição dependente do Brasil na relação com países capitalistas do centro do sistema. Com sua significativa reserva de água, o Brasil se apresenta, portanto, como grande atrativo ao capital internacional para a expansão do que podemos chamar de negócios da água. Os dados evidenciaram também que, nesse contexto, o Cerrado tem sido considerado lócus estratégico de expansão capitalista, e o avanço do agronegócio na região aponta que uma classe é prioritariamente beneficiada no uso da água destinada à irrigação no País. É uma prioridade sob anuência do Estado, que atua por meios jurídico-legais e financiamento articulados pelo amálgama ideo-político do “desenvolvimento nacional”, fielmente comprometido com interesses do mercado. Nesses termos, sob a relação indissociável entre direito (leis), Estado e mercado, é o capital o privilegiado no acesso a água para irrigação no Brasil. Constatamos que nesse contexto aprofunda-se a violência no campo nos últimos anos, destacam-se ocorrências cujo objeto central de disputa é a água. Aqui o Estado novamente demonstra compromisso com o capital, operando por vezes com violência e/ou por omissão com relação a trabalhadores/as do campo e povos tradicionais. Estes têm resistido em defesa da natureza até mesmo com suas vidas. A luta por água, elemento natural fundamental à vida, cujo uso deve ser comum e para responder necessidades humanas, trata-se de uma luta contra o capital.The theme of this thesis is the contemporary capitalist appropriation of water. Our object of study is the relationship between value and capitalist appropriation of water in Brazil, taking agricultural commodities as central mediators and considering class struggle dynamics in the current stage of capitalism. We sought elements of Marxist and Marxian theory as essential theoretical foundations to capture the main traits that constitute the object and determine its current movements. Mediation by agricultural commodities demanded a review of historical-conceptual features of agribusiness and the problematization of State action towards its development in the country in recent years. We adopt historical-dialectical materialism as a method of analysis, and the study is quali-quantitative in nature, whereby a bibliographical and documental review provided the theoretical support and factual data extracted for analysis. Data allowed us to state that water is a part of the production of value upon its incorporation as a secondary input in the production processes of agribusiness and is, therefore, essential to capitalist accumulation in Brazilian agriculture, especially within a context of capitalist crisis when agricultural commodity production becomes strategic for capitalist reproduction. The study also finds agribusiness is a current expression of expropriation movements, which make up the dynamic of capitalist development since its inception. Agricultural production demands massive irrigation for monocultures, privately appropriating a significant volume of State-owned water, aside from utilizing techniques harmful to nature and human health, in a market-driven, destructive process. We have seen the trend towards “primarization” of Brazilian export structure, which led us to reflect on the role of agricultural production and agribusiness in reaffirming and deepening Brazil’s dependent position in its relationship with capitalist nations at the center of the system. Due to its major water reserves, Brazil stands as an appealing opportunity for international capital to expand what one might call the water business. The data also show that, in this context, the Cerrado has been the strategic locus of capitalist expansion and the push of gribusiness in the region benefits primarily one class when it comes to the use of irrigation water in the country. It is a priority, with the State’s acquiescence, which acts through legal, judicial and financial means, woven together by the political and ideological thread of “national development”, fully committed to market interests. In such terms, under the inseparable relationship between law, State and market, capital is the most privileged in its access to irrigation water in Brazil. In this context, we have seen an increase of violence in rural areas in recent years, at the heart of which are conflicts over water. Here, the State once again demonstrates its commitment to capital, often operating with violence and/or negligence towards rural workers and traditional communities. They have resisted in defense of nature even with their lives. The struggle for water, natural element indispensable to life, whose use must be shared and aimed toward the fulfillment of human needs, is a struggle against capital.El tema de la presente tesis es la apropiación capitalista del agua en la actualidad. Delimitamos como objeto de estudio la relación entre valor y apropiación capitalista del agua en Brasil, tomando como mediación central las commodities agrícolas y considerando la dinámica de la lucha de clases en la fase actual del capitalismo. Buscamos elementos de la teoría Marxista y Marxiana como fundamentos teóricos esenciales para reunir los principales aspectos que constituyen el objeto y determinan su movimiento en la actualidad. La mediación por las commodities agrícolas exigió recuperar aspectos histórico-conceptuales de la agroindustria y problematizar la actuación del Estado en el desarrollo de esta actividad en el período reciente. Adoptamos como método de análisis el materialismo histórico-dialéctico, el estudio tiene una naturaleza cuali-cuantitativa, en que los levantamientos bibliográfico y documental posibilitaron el aporte teórico y la extracción de datos factuales para análisis. Los datos permitieron afirmar que el agua participa de la producción de valor al ser incorporada como materia auxiliar en el proceso de producción agrícola de la agroindustria y, por lo tanto, es indispensable para la acumulación capitalista en la agricultura brasileña, especialmente en el contexto de crisis del capital cuando la producción de commodities agrícolas ocupa un lugar estratégico en la reproducción capitalista. El estudio señaló a la agroindustria como una expresión actual de movimientos de expropiación que constituye la dinámica del desarrollo capitalista desde su origen. La producción agrícola requiere de una irrigación masiva para los monocultivos, apropiándose privadamente de volúmenes significativos de agua de propiedad del Estado, aparte de utilizar mecanismos nocivos para la naturaleza y para la salud, en una dinámica destructiva motivada por el mercado. Constatamos una tendencia a la “primarización” del conjunto de exportaciones brasileñas recientes, lo que nos llevó a pensar en el papel que la producción agrícola y la agroindustria tienen en la reafirmación y profundización de la posición dependiente de Brasil en la relación con los países capitalistas del centro del sistema. Debido a su significativa reserva de agua, Brasil se presenta como un gran atractivo para el capital internacional para la expansión de lo que se puede llamar el negocio del agua. Los datos evidenciaron también que, en este contexto, el Cerrado ha sido considerado locus estratégico de la expansión capitalista y el progreso de la agroindustria en la región indica que una clase es la principal beneficiada en el uso del agua de riego en el país. Es una prioridad, con consentimiento del Estado, que actúa por medios jurídicos, legales y financieros, articulados por la amalgama ideo-política de “desarrollo nacional”, fielmente comprometida con los intereses del mercado. En esos términos, bajo la relación indisociable entre derecho (leyes), Estado y mercado, es el capital el privilegiado al acceso al agua de riego en Brasil. Constatamos que en ese contexto se ha profundizado la violencia en el campo en los últimos años, destacándose incidentes cuyo objeto central de disputa es el agua. Aquí el Estado demuestra nuevamente su compromiso con el capital, en ocasiones operando con violencia y/o negligencia en relación con los trabajadores(as) rurales y las comunidades tradicionales. Estos han resistido en defensa de la naturaleza incluso con sus vidas. La lucha por agua, elemento natural fundamental para la vida, cuyo uso debe ser compartido y para satisfacer necesidades humanas, se trata de una lucha contra el capital.Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJUniversidade do Estado do Rio de JaneiroCentro de Ciências Sociais::Faculdade de Serviço SocialBrasilUERJPrograma de Pós-Graduação em Serviço SocialBehring, Elaine Rossettihttp://lattes.cnpq.br/4485025858173992Boschetti, Ivanete Saletehttp://lattes.cnpq.br/2538174210879274Gomes, Gustavo Françahttp://lattes.cnpq.br/8122292661817784Alentejano, Paulo Roberto Raposohttp://lattes.cnpq.br/9607379381524239Medeiros, Leonilde Servolo dehttp://lattes.cnpq.br/6874717097891723Barbosa, Rosangela Nair de Carvalhohttp://lattes.cnpq.br/7909136036269249Dias, Yanne Angelim2023-06-01T14:12:25Z2019-05-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfDIAS, Yanne Angelim. 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