Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, metais e foraminíferos em um estuário tropical: o caso do rio Serinhaém após um derrame de petróleo.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Carneiro, Luanna Maia lattes
Orientador(a): Hadlich, Gisele Mara lattes
Banca de defesa: Hadlich , Gisele Mara lattes, Moraes, Simone Souza de lattes, Silva Júnior, Jucelino Balbino da lattes, Soares, Sarah Adriana Rocha lattes, Barbosa, Ana Cecília Rizzatti de Albergaria lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Geoquímica: Petróleo e Meio Ambiente (POSPETRO) 
Departamento: Instituto de Geociências
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/42870
Resumo: O monitoramento de áreas impactadas por atividades diversas pode ser realizado através da análise de elementos químicos e hidrocarbonetos em sedimentos, tendo em vista a capacidade dessa matriz em preservar registros contínuos de mudanças ambientais. Somados a isso, biomonitores são utilizados na avaliação do ambiente. Em 2019, o litoral do Brasil foi atingido por um derramamento de petróleo que resultou em significativos impactos ambientais e socioeconômicos. O petróleo atingiu o estuário do rio Serinhaém, localizado no Baixo Sul do Estado da Bahia, ambiente tropical que faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pratigi e que é uma área pouco influenciada por atividades antropogênicas. A presente pesquisa teve como objetivo investigar a condição ambiental do estuário do rio Serinhaém após o derramamento de petróleo que atingiu a costa brasileira em 2019. Foram coletados sedimentos em 14 pontos amostrais, dos quais cinco foram testemunhos sedimentares e nove de sedimentos superficiais. Nos sedimentos foram determinados hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) e metais (Al, Ba, Co, Cr, Cu, Fe, Mn, Ni, Pb, V e Zn; semimetal As). Também foram realizadas análises de granulometria, pH, carbono orgânico total (COT) e nitrogênio total (NT). Foraminíferos foram utilizados como biomonitores pois mudanças nas carapaças registram alterações ambientais. Para os 16 HPAs considerados poluentes de controle prioritário, os valores máximos nos sedimentos superficiais de ΣBHPAs (HPAs com baixa massa molecular), ΣAHPAs (HPAs com alta massa molecular) e Σ16HPAs (somatório dos 16 HPAs) foram, respectivamente, 120,92, 152,56 e 273,48 ng g-1. Razões diagnósticas indicaram origem petrogênica de HPAs em pontos na parte jusante do estuário. Ao comparar os valores de HPAs, apenas a concentração de fenantreno (89,47 ng g-1) está acima do TEL (Threshold Effect Level) em um ponto localizado no estuário médio. Com relação aos testemunhos sedimentares, o T3 (médio estuário) foi o que apresentou maior Ʃ16HPAs (1508 ng g-1). Verificou-se maior presença de HPAs de alta massa molecular, sendo estes associados à origem pirogênica. As análises das razões diagnósticas mostraram que no T1, localizado junto à cidade de Ituberá, não foi encontrada fonte de origem petrogênica. Já no T5, localizado na jusante do estuário, a razão BMM/AMM indica origem petrogênica. Para foraminíferos, foram comparados dados de amostras de 2022 com amostras coletadas em 2013, sendo encontrada associação entre a diversidade e distribuição ao longo do estuário com variáveis físico-químicas. Em 2013 e 2022, a distribuição dos foraminíferos não teve relação com a presença de elementos químicos encontrados no estuário. As concentrações dos elementos químicos não diferiram entre 2013 e 2022. Portanto, a área do estuário do rio Serinhaém na APA do Pratigi, mesmo após o vazamento de petróleo de 2019, está preservada quanto às concentrações dos elementos químicos analisados. Quanto aos HPAs, há indicação de origem petrogênica tanto no testemunho mais a jusante do estuário, quanto nos sedimentos superficiais de jusante e do médio estuário, indicando contaminação por petróleo a partir da parte jusante do estuário, o que pode estar relacionado ao derrame de 2019.
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O petróleo atingiu o estuário do rio Serinhaém, localizado no Baixo Sul do Estado da Bahia, ambiente tropical que faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pratigi e que é uma área pouco influenciada por atividades antropogênicas. A presente pesquisa teve como objetivo investigar a condição ambiental do estuário do rio Serinhaém após o derramamento de petróleo que atingiu a costa brasileira em 2019. Foram coletados sedimentos em 14 pontos amostrais, dos quais cinco foram testemunhos sedimentares e nove de sedimentos superficiais. Nos sedimentos foram determinados hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) e metais (Al, Ba, Co, Cr, Cu, Fe, Mn, Ni, Pb, V e Zn; semimetal As). Também foram realizadas análises de granulometria, pH, carbono orgânico total (COT) e nitrogênio total (NT). Foraminíferos foram utilizados como biomonitores pois mudanças nas carapaças registram alterações ambientais. Para os 16 HPAs considerados poluentes de controle prioritário, os valores máximos nos sedimentos superficiais de ΣBHPAs (HPAs com baixa massa molecular), ΣAHPAs (HPAs com alta massa molecular) e Σ16HPAs (somatório dos 16 HPAs) foram, respectivamente, 120,92, 152,56 e 273,48 ng g-1. Razões diagnósticas indicaram origem petrogênica de HPAs em pontos na parte jusante do estuário. Ao comparar os valores de HPAs, apenas a concentração de fenantreno (89,47 ng g-1) está acima do TEL (Threshold Effect Level) em um ponto localizado no estuário médio. Com relação aos testemunhos sedimentares, o T3 (médio estuário) foi o que apresentou maior Ʃ16HPAs (1508 ng g-1). Verificou-se maior presença de HPAs de alta massa molecular, sendo estes associados à origem pirogênica. As análises das razões diagnósticas mostraram que no T1, localizado junto à cidade de Ituberá, não foi encontrada fonte de origem petrogênica. Já no T5, localizado na jusante do estuário, a razão BMM/AMM indica origem petrogênica. Para foraminíferos, foram comparados dados de amostras de 2022 com amostras coletadas em 2013, sendo encontrada associação entre a diversidade e distribuição ao longo do estuário com variáveis físico-químicas. Em 2013 e 2022, a distribuição dos foraminíferos não teve relação com a presença de elementos químicos encontrados no estuário. As concentrações dos elementos químicos não diferiram entre 2013 e 2022. Portanto, a área do estuário do rio Serinhaém na APA do Pratigi, mesmo após o vazamento de petróleo de 2019, está preservada quanto às concentrações dos elementos químicos analisados. Quanto aos HPAs, há indicação de origem petrogênica tanto no testemunho mais a jusante do estuário, quanto nos sedimentos superficiais de jusante e do médio estuário, indicando contaminação por petróleo a partir da parte jusante do estuário, o que pode estar relacionado ao derrame de 2019.Monitoring of areas impacted by various activities can be carried out through the analysis of chemical elements and hydrocarbons in sediments, given the capacity of this matrix to preserve continuous records of environmental changes. In addition, biomonitors are used to assess the environment. In 2019, the Brazilian coast was hit by an oil spill that resulted in significant environmental and socioeconomic impacts. The oil reached the estuary of the Serinhaém River, located in the Baixo Sul region of the State of Bahia. This tropical environment is part of the Pratigi Environmental Protection Area (APA) and is an area that is a little influenced by anthropogenic activities. The present research aimed to investigate the environmental condition of the Serinhaém River estuary after the oil spill that hit the Brazilian coast in 2019. Sediments were collected at 14 sampling points, of which five were sediment cores, and nine were surface sediments. Polycyclic aromatic hydrocarbons (PAHs) and metals (Al, Ba, Co, Cr, Cu, Fe, Mn, Ni, Pb, V, and Zn; semi-metallic As) were determined in the sediments. Granulometry, pH, total organic carbon (TOC), and total nitrogen (TN) analyses were also performed. Foraminifera were used as biomonitors because changes in the shells record environmental changes. For the 16 PAHs considered priority control pollutants, the maximum values in the surface sediments of ΣBHPAs (low molecular weight PAHs), ΣAHPAs (high molecular weight PAHs), and Σ16HPAs (sum of the 16 PAHs) were, respectively, 120.92, 152.56 and 273.48 ng g-1. Diagnostic ratios indicated the petrogenic origin of PAHs at points in the downstream part of the estuary. When comparing the PAH values, only the phenanthrene concentration (89.47 ng g-1) is above the TEL (Threshold Effect Level) at a point located in the middle estuary. Regarding the sedimentary cores, T3 (middle estuary) was the one that presented the highest Ω16PAHs (1508 ng g-1). A more significant presence of high molecular mass PAHs was observed, which was associated with a pyrogenic origin. The analyses of the diagnostic ratios showed that in T1, located near the city of Ituberá, no source of petrogenic origin was found. In T5, located downstream of the estuary, the BMM/AMM ratio indicates a petrogenic origin. For foraminifera, data from samples from 2022 were compared with samples collected in 2013, and an association was found between diversity and distribution along the estuary with physicochemical variables. In 2013 and 2022, the distribution of foraminifera was unrelated to the presence of chemical elements in the estuary. The concentrations of chemical elements did not differ between 2013 and 2022. Therefore, the area of the Serinhaém River estuary in the Pratigi APA, even after the 2019 oil spill, is preserved in terms of the concentrations of the analyzed chemical elements. As for the PAHs, there is an indication of petrogenic origin both in the core further downstream of the estuary and in the surface sediments of the downstream and middle estuary, indicating oil contamination from the downstream part of the estuary, which may be related to the 2019 spill.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPESporUniversidade Federal da BahiaPrograma de Pós-Graduação em Geoquímica: Petróleo e Meio Ambiente (POSPETRO) UFBABrasilInstituto de GeociênciasSedimentary coreForaminiferaMetalsHPAsCNPQ::CIENCIAS EXATAS E DA TERRA::GEOCIENCIASTestemunho sedimentarForaminíferosMetaisHPAsHidrocarbonetos policíclicos aromáticos, metais e foraminíferos em um estuário tropical: o caso do rio Serinhaém após um derrame de petróleo.Polycyclic aromatic hydrocarbons, metals, and foraminifera in a tropical estuary: the case of the Serinhaém river after an oil spill.Doutoradoinfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionHadlich, Gisele Marahttps://orcid.org/0000-0002-6304-0988http://lattes.cnpq.br/0146453135230315Jesus, Taise Bomfim dehttps://orcid.org/0000-0001-5238-9554http://lattes.cnpq.br/2896839202106073Hadlich , Gisele Marahttps://orcid.org/0000-0002-6304-0988http://lattes.cnpq.br/0146453135230315Moraes, Simone Souza dehttp://lattes.cnpq.br/1432443985052480Silva Júnior, Jucelino Balbino dahttps://orcid.org/0000-0002-8091-4165http://lattes.cnpq.br/5128832202856488Soares, Sarah Adriana Rochahttps://orcid.org/0000-0002-4322-1255http://lattes.cnpq.br/2101032120344148Barbosa, Ana Cecília Rizzatti de Albergariahttp://lattes.cnpq.br/2666263256585897http://lattes.cnpq.br/8196870744871004Carneiro, Luanna Maiainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFBAinstname:Universidade Federal da Bahia (UFBA)instacron:UFBAORIGINALTESE FINAL_Luanna Carneiro.pdfTESE FINAL_Luanna Carneiro.pdfapplication/pdf1517649https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/42870/1/TESE%20FINAL_Luanna%20Carneiro.pdfe54d9feed9a10834299a2fd29a7ff59eMD51open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain1720https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/42870/2/license.txtd9b7566281c22d808dbf8f29ff0425c8MD52open accessri/428702025-09-09 08:58:15.519open accessoai:repositorio.ufba.br:ri/42870TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkNvbSBhIGFwcmVzZW50YcOnw6NvIGRlc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBvIGF1dG9yIG91IHRpdHVsYXIgZG9zIGRpcmVpdG9zIGRlIGF1dG9yIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIEluc3RpdHVjaW9uYWwgbyBkaXJlaXRvIG7Do28tZXhjbHVzaXZvIGRlIHJlcHJvZHV6aXIsIHRyYWR1emlyIChjb25mb3JtZSBkZWZpbmlkbyBhYmFpeG8pIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gKGluY2x1aW5kbyBvIHJlc3Vtbykgbm8gZm9ybWF0byBpbXByZXNzbyBlL291IGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIGZvcm1hdG9zIMOhdWRpbyBlL291IHbDrWRlby4KCk8gYXV0b3Igb3UgdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IgY29uY29yZGEgcXVlIG8gUmVwb3NpdMOzcmlvIHBvZGUsIHNlbSBhbHRlcmFyIG8gY29udGXDumRvLCB0cmFuc3BvciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gcGFyYSBxdWFscXVlciBtZWlvIGUvb3UgZm9ybWF0byBwYXJhIGZpbnMgZGUgcHJlc2VydmHDp8OjbywgcG9kZW5kbyBtYW50ZXIgbWFpcyBkZSB1bWEgY8OzcGlhIHBhcmEgZmlucyBkZSBzZWd1cmFuw6dhLCBiYWNrdXAgZSBwcmVzZXJ2YcOnw6NvLiAKCk8gYXV0b3Igb3UgdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IgZGVjbGFyYSBxdWUgYSBzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIMOpIG9yaWdpbmFsIGUgcXVlIG7Do28sIHF1ZSBzZWphIGRlIHNldSBjb25oZWNpbWVudG8sIGluZnJpbmdlIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzIGRlIG5pbmd1w6ltLgoKQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgb2J0ZXZlIGEgcGVybWlzc8OjbyBpcnJlc3RyaXRhIGRvIGRldGVudG9yIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcyBwYXJhIGNvbmNlZGVyIGFvIFJlcG9zaXTDs3JpbyBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EgZSBxdWUgZXNzZSBtYXRlcmlhbCBkZSBwcm9wcmllZGFkZSBkZSB0ZXJjZWlyb3MgZXN0w6EgY2xhcmFtZW50ZSBpZGVudGlmaWNhZG8gZSByZWNvbmhlY2lkbyBubyB0ZXh0byBvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhLgoKQ0FTTyBBIFBVQkxJQ0HDh8ODTyBPUkEgREVQT1NJVEFEQSBSRVNVTFRFIERFIFVNIFBBVFJPQ8ONTklPIE9VIEFQT0lPIERFIFVNQSBBR8OKTkNJQSBERSBGT01FTlRPIE9VIE9VVFJPIE9SR0FOSVNNTywgVk9Dw4ogREVDTEFSQSBRVUUgUkVTUEVJVE9VIFRPRE9TIEUgUVVBSVNRVUVSIERJUkVJVE9TIERFIFJFVklTw4NPLCBDT01PIFRBTULDiU0gQVMgREVNQUlTIE9CUklHQcOHw5VFUyBFWElHSURBUyBQT1IgQ09OVFJBVE8gT1UgQUNPUkRPLgoKTyBSZXBvc2l0w7NyaW8gc2UgY29tcHJvbWV0ZSBhIGlkZW50aWZpY2FyLCBjbGFyYW1lbnRlLCBvIChzKSBzZXUocykgbm9tZSAocykgb3UgbyAocykgbm9tZSAocykgZG8gKHMpIGRldGVudG9yIChlcykgZG9zIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzIGRhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBlIG7Do28gZmFyw6EgcXVhbHF1ZXIgYWx0ZXJhw6fDo28sIGFsw6ltIGRhcXVlbGFzIGNvbmNlZGlkYXMgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EuCg==Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufba.br/oai/requestrepositorio@ufba.bropendoar:19322025-09-09T11:58:15Repositório Institucional da UFBA - Universidade Federal da Bahia (UFBA)false
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