Visões naturalistas sobre os indígenas brasileiros entre 1880 e 1910.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Machado, Ricardo Ferreira
Orientador(a): Sánchez Arteaga, Juan Manuel
Banca de defesa: Sepulveda, Cláudia de Alencar, Vieira, Marina Cavalcante, Silva, Indianara Lima, Souza, Vanderlei Sebastião de, Sánchez Arteaga, Juan Manuel
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Faculdade de Educação da UFBA
Programa de Pós-Graduação: em Ensino, Filosofia e História das Ciências
Departamento: Não Informado pela instituição
País: brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32767
Resumo: Nessa tese são analisadas diferentes abordagens teóricas antropológicas que buscaram estudar os povos indígenas do Brasil entre 1880 e 1910. Nesse período a antropologia passou de uma ciência centrada nos estudos craniométricos, para uma ciência que buscava estudar os aspectos culturais. O advento da perspectiva cultural dentro da antropologia não significou o fim dos estudos craniométricos. Para o desenvolvimento dessa tese foram escolhidas as obras principais de Lacerda, Mello-Netto, von Ihering e Ehrenreich para analisar as visões desses autores a respeito dos povos indígenas do Brasil. Em suas obras foram investigadas as discussões antropológicas a respeito dos povos indígenas do Brasil que estavam em disputa no meio científico entre 1880 e 1910. Foram analisadas as publicações relacionadas aos povos indígenas nos arquivos e em revistas de museus e instituições científicas brasileiras, com especial ênfase no Museu Nacional e no Museu Paulista. Também foi feita uma revisão da literatura produzida no âmbito da história da ciência nas últimas décadas sobre as visões antropológicas, sobre as expedições naturalistas e sobre os autores estudados. O período de 1880 a 1910 pode ser considerado como um momento de intensas discussões a respeito da origem do ser humano no continente americano. Teria o homem americano uma origem independente das outras raças humanas do mundo ou teriam todas as raças humanas uma origem comum? Essa pergunta impulsionou muitos estudos dentro da antropologia desse período. Vários pesquisadores se apoiaram nos estudos craniométricos para tentar responder às perguntas relativas à origem do homem americano, ao mesmo tempo, tais estudos serviram como base para sustentar e legitimar as hierarquias raciais, tão marcantes na sociedade brasileira daquele período. Por meio dos dados craniométricos, os pesquisadores buscavam compreender as relações de parentesco entre diferentes raças, diferentes tribos ou diferentes etnias indígenas. No Brasil, os estudos de João Baptista Lacerda e de Ladislau Netto, sobre os índios que aqui viviam, foram intensamente influenciados pela craniometria inspirada em Paul Broca. Ao tempo em que a craniometria foi compreendida como a melhor forma de se estudar as raças indígenas, alguns autores começaram a questionar as limitações que essas medições teriam para dar as respostas para as perguntas postas dentro da antropologia. Nessa corrente de pensamento, Paul Ehrenreich e Hermann von Ihering, que vieram da escola de antropologia liderada por Rudolf Virchow e por Aldof Bastian na Alemanha, reconheceram várias limitações na craniometria. A antropologia centrada na craniometria não dava conta de responder às perguntas relativas à origem e as relações entre diferentes raças. Esses autores, oriundos da escola de antropologia alemã, contribuíram, por meio dos estudos antropológicos dos povos indígenas do Brasil, para alicerçar a mudança epistemológica que aconteceu na antropologia no início do século XX.
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Vários pesquisadores se apoiaram nos estudos craniométricos para tentar responder às perguntas relativas à origem do homem americano, ao mesmo tempo, tais estudos serviram como base para sustentar e legitimar as hierarquias raciais, tão marcantes na sociedade brasileira daquele período. Por meio dos dados craniométricos, os pesquisadores buscavam compreender as relações de parentesco entre diferentes raças, diferentes tribos ou diferentes etnias indígenas. No Brasil, os estudos de João Baptista Lacerda e de Ladislau Netto, sobre os índios que aqui viviam, foram intensamente influenciados pela craniometria inspirada em Paul Broca. Ao tempo em que a craniometria foi compreendida como a melhor forma de se estudar as raças indígenas, alguns autores começaram a questionar as limitações que essas medições teriam para dar as respostas para as perguntas postas dentro da antropologia. Nessa corrente de pensamento, Paul Ehrenreich e Hermann von Ihering, que vieram da escola de antropologia liderada por Rudolf Virchow e por Aldof Bastian na Alemanha, reconheceram várias limitações na craniometria. A antropologia centrada na craniometria não dava conta de responder às perguntas relativas à origem e as relações entre diferentes raças. Esses autores, oriundos da escola de antropologia alemã, contribuíram, por meio dos estudos antropológicos dos povos indígenas do Brasil, para alicerçar a mudança epistemológica que aconteceu na antropologia no início do século XX.Abstract This thesis different anthropological theoretical approaches that sought to study the indigenous peoples of Brazil between 1880 and 1910. During this period, anthropology went from a science centered on craniometric studies, to a science that sought to study cultural aspects. The advent of the cultural perspective within anthropology did not mean the end of craniometric studies. For the development of this thesis the main works of Lacerda, Mello-Netto, von Ihering and Ehrenreich were chosen to analyze the views of these authors regarding the indigenous peoples of Brazil. In his works, anthropological discussions about the indigenous peoples of Brazil that were in dispute in the scientific environment between 1880 and 1910 were investigated. Publications related to indigenous peoples were analyzed in the archives and in magazines of Brazilian museums and scientific institutions, mainly focusing on the National Museum and the Paulista Museum. This research also includes a review of recent literature focusing on the authors here studied, as well as on the history of anthropological views and naturalistic expeditions during the period considered in this. The period from 1880 to 1910 can be considered as a time of intense discussions about the origin of human beings in the American continent. Did American man have an origin independent of the other human races in the world, or did all human races have a common origin? This question prompted many studies within the anthropology of that period. Several researchers relied on craniometric studies to try to answer questions related to the origin of the American man, at the same time, these studies served as a basis to support and legitimize the racial hierarchies, so striking in Brazilian society of that period. Through craniometric data, the researchers sought to understand the kinship relationships between different races, different tribes or different indigenous ethnicities. In Brazil, the studies of João Baptista Lacerda and LadislauNetto, on the Indians who lived here, were heavily influenced by the craniometry inspired by Paul Broca. At the time when craniometry was understood as the best way to study indigenous races, some authors began to question the limitations that these measurements would have to give answers to the questions posed within anthropology. In this current of thought, Paul Ehrenreich and Hermann von Ihering, who came from the school of anthropology led by Rudolf Virchow and Aldof Bastian in Germany, recognized several limitations in craniometry. Anthropology centered on craniometry was unable to answer questions regarding the origin and the relationships between different races. These authors, from the German school of anthropology, contributed, through anthropological studies of the indigenous peoples of Brazil, to underpin the epistemological change that took place in anthropology in the early 20th century.Submitted by Ricardo Machado (r.ricardo.cau@hotmail.com) on 2021-02-08T22:02:32Z No. of bitstreams: 1 Tese.Ricardo.Machado...pdf: 3634808 bytes, checksum: ccfe5d2b5b69d5a7ef4c1de3ffc44105 (MD5)Approved for entry into archive by Ana Miria Moreira (anamiriamoreira@hotmail.com) on 2021-02-10T12:15:19Z (GMT) No. of bitstreams: 1 Tese.Ricardo.Machado...pdf: 3634808 bytes, checksum: ccfe5d2b5b69d5a7ef4c1de3ffc44105 (MD5)Made available in DSpace on 2021-02-10T12:15:19Z (GMT). No. of bitstreams: 1 Tese.Ricardo.Machado...pdf: 3634808 bytes, checksum: ccfe5d2b5b69d5a7ef4c1de3ffc44105 (MD5)Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorHistória das CiênciasLacerdaVon IheringErenhreichPovos indígenasAntropologia físicaAntropologia culturalHistórias das ciênciasRacismo científicoVon IheringEhrenreichIndigenous peoplesPhysicalanthropologyCultural anthropologyVisões naturalistas sobre os indígenas brasileiros entre 1880 e 1910.info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisFaculdade de Educação da UFBAem Ensino, Filosofia e História das CiênciasUFBA/FACEDUEFSbrasilinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UFBAinstname:Universidade Federal da Bahia (UFBA)instacron:UFBATEXTTese.Ricardo.Machado...pdf.txtTese.Ricardo.Machado...pdf.txtExtracted texttext/plain540612https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/32767/3/Tese.Ricardo.Machado...pdf.txtb0e3e106f1895fc9dad6e5e3a26a9441MD53ORIGINALTese.Ricardo.Machado...pdfTese.Ricardo.Machado...pdfapplication/pdf3634808https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/32767/1/Tese.Ricardo.Machado...pdfccfe5d2b5b69d5a7ef4c1de3ffc44105MD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain1442https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/32767/2/license.txte3e6f4a9287585a60c07547815529482MD52ri/327672021-12-30 09:02:01.468oai:repositorio.ufba.br:ri/32767VGVybW8gZGUgTGljZW4/YSwgbj9vIGV4Y2x1c2l2bywgcGFyYSBvIGRlcD9zaXRvIG5vIFJlcG9zaXQ/cmlvIEluc3RpdHVjaW9uYWwgZGEgVUZCQS4KCiBQZWxvIHByb2Nlc3NvIGRlIHN1Ym1pc3M/Pz8/byBkZSBkb2N1bWVudG9zLCBvIGF1dG9yIG91IHNldSByZXByZXNlbnRhbnRlIGxlZ2FsLCBhbyBhY2VpdGFyIGVzc2UgdGVybW8gZGUgbGljZW4/Pz8/YSwgY29uY2VkZSBhbyBSZXBvc2l0Pz8/P3JpbyBJbnN0aXR1Y2lvbmFsIGRhIFVuaXZlcnNpZGFkZSBGZWRlcmFsIGRhIEJhaGlhIG8gZGlyZWl0byBkZSBtYW50ZXIgdW1hIGM/Pz8/cGlhIGVtIHNldSByZXBvc2l0Pz8/P3JpbyBjb20gYSBmaW5hbGlkYWRlLCBwcmltZWlyYSwgZGUgcHJlc2VydmE/Pz8/Pz8/P28uIAoKRXNzZXMgdGVybW9zLCBuPz8/P28gZXhjbHVzaXZvcywgbWFudD8/Pz9tIG9zIGRpcmVpdG9zIGRlIGF1dG9yL2NvcHlyaWdodCwgbWFzIGVudGVuZGUgbyBkb2N1bWVudG8gY29tbyBwYXJ0ZSBkbyBhY2Vydm8gaW50ZWxlY3R1YWwgZGVzc2EgVW5pdmVyc2lkYWRlLgoKIFBhcmEgb3MgZG9jdW1lbnRvcyBwdWJsaWNhZG9zIGNvbSByZXBhc3NlIGRlIGRpcmVpdG9zIGRlIGRpc3RyaWJ1aT8/Pz8/Pz8/bywgZXNzZSB0ZXJtbyBkZSBsaWNlbj8/Pz9hIGVudGVuZGUgcXVlOgoKIE1hbnRlbmRvIG9zIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzLCByZXBhc3NhZG9zIGEgdGVyY2Vpcm9zLCBlbSBjYXNvIGRlIHB1YmxpY2E/Pz8/Pz8/P2VzLCBvIHJlcG9zaXQ/Pz8/cmlvIHBvZGUgcmVzdHJpbmdpciBvIGFjZXNzbyBhbyB0ZXh0byBpbnRlZ3JhbCwgbWFzIGxpYmVyYSBhcyBpbmZvcm1hPz8/Pz8/Pz9lcyBzb2JyZSBvIGRvY3VtZW50byAoTWV0YWRhZG9zIGRlc2NyaXRpdm9zKS4KCiBEZXN0YSBmb3JtYSwgYXRlbmRlbmRvIGFvcyBhbnNlaW9zIGRlc3NhIHVuaXZlcnNpZGFkZSBlbSBtYW50ZXIgc3VhIHByb2R1Pz8/Pz8/Pz9vIGNpZW50Pz8/P2ZpY2EgY29tIGFzIHJlc3RyaT8/Pz8/Pz8/ZXMgaW1wb3N0YXMgcGVsb3MgZWRpdG9yZXMgZGUgcGVyaT8/Pz9kaWNvcy4KCiBQYXJhIGFzIHB1YmxpY2E/Pz8/Pz8/P2VzIHNlbSBpbmljaWF0aXZhcyBxdWUgc2VndWVtIGEgcG9sPz8/P3RpY2EgZGUgQWNlc3NvIEFiZXJ0bywgb3MgZGVwPz8/P3NpdG9zIGNvbXB1bHM/Pz8/cmlvcyBuZXNzZSByZXBvc2l0Pz8/P3JpbyBtYW50Pz8/P20gb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMsIG1hcyBtYW50Pz8/P20gYWNlc3NvIGlycmVzdHJpdG8gYW9zIG1ldGFkYWRvcyBlIHRleHRvIGNvbXBsZXRvLiBBc3NpbSwgYSBhY2VpdGE/Pz8/Pz8/P28gZGVzc2UgdGVybW8gbj8/Pz9vIG5lY2Vzc2l0YSBkZSBjb25zZW50aW1lbnRvIHBvciBwYXJ0ZSBkZSBhdXRvcmVzL2RldGVudG9yZXMgZG9zIGRpcmVpdG9zLCBwb3IgZXN0YXJlbSBlbSBpbmljaWF0aXZhcyBkZSBhY2Vzc28gYWJlcnRvLgo=Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufba.br/oai/requestrepositorio@ufba.bropendoar:19322021-12-30T12:02:01Repositório Institucional da UFBA - Universidade Federal da Bahia (UFBA)false
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