Os significados socioculturais do corpo obeso em marisqueiras
| Ano de defesa: | 2011 |
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| Orientador(a): | |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Faculdade de Medicina da Bahia
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| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
Brasil
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/31796 |
Resumo: | Existem hoje no Brasil mais de 600 mil pessoas que vivem da pesca artesanal. Destas, há um contingente significativo de mulheres. Na produção artesanal clássica, a atividade marcada pelo trabalho familiar é fundamentada em conhecimentos empíricos, transmitidos pelos mais velhos. Do ambiente natural, a maré, essas populações extraem a principal fonte de seu sustento, suprindo muitas das demandas sociais ainda sem resposta estatal. A maré molda comportamentos, sugere crenças e dita ritmos de trabalho. O presente estudo objetivou compreender os significados do corpo no trabalho, em particular o corpo obeso, atribuídos por marisqueiras de uma comunidade quilombola em Ilha de Maré, Bahia. A abordagem metodológica qualitativa utilizou ferramentas da etnografia e da análise hermenêutica dialética para compreender a complexidade do cotidiano das marisqueiras. Foram realizadas entrevistas em profundidade sobre as relações entre o corpo e o trabalho, corpo e condições de vida e de saúde destas trabalhadoras. Percebeu-se que as marisqueiras não se percebem como obesas, sendo esta uma nomenclatura técnica pouco presente em seu cotidiano. A despeito da dor do trabalho que as castiga, surge a necessidade de sobrevivência que as faz permanecer na labuta da maré. O corpo gordo não as incomoda e sim o cansaço e a exaustão que tomam conta deste corpo, no trabalho sob o sol e no mangue, frequentemente por mais de dez horas por dia. Para elas, gordo significa saúde e bastante força para o trabalho. As marisqueiras vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica e referiram que se sentem obrigadas a mariscar, desde a infância. As marisqueiras consideram o seu corpo como uma extensão do mangue e afirmam que o mangue e seus corpos estão entrelaçados pela força da maré. |
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A abordagem metodológica qualitativa utilizou ferramentas da etnografia e da análise hermenêutica dialética para compreender a complexidade do cotidiano das marisqueiras. Foram realizadas entrevistas em profundidade sobre as relações entre o corpo e o trabalho, corpo e condições de vida e de saúde destas trabalhadoras. Percebeu-se que as marisqueiras não se percebem como obesas, sendo esta uma nomenclatura técnica pouco presente em seu cotidiano. A despeito da dor do trabalho que as castiga, surge a necessidade de sobrevivência que as faz permanecer na labuta da maré. O corpo gordo não as incomoda e sim o cansaço e a exaustão que tomam conta deste corpo, no trabalho sob o sol e no mangue, frequentemente por mais de dez horas por dia. Para elas, gordo significa saúde e bastante força para o trabalho. As marisqueiras vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica e referiram que se sentem obrigadas a mariscar, desde a infância. 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