Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago
| Ano de defesa: | 2018 |
|---|---|
| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | , , , |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Instituto de Saúde Coletiva
|
| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pos Graduação em Saúde Coletiva
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
brasil
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Área do conhecimento CNPq: | |
| Link de acesso: | http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29011 |
Resumo: | Introdução - A agricultura é atividade econômica propulsora do crescimento econômico de muitos países e envolve grande contingente de trabalhadores. Todavia, detém elevado risco de agravos à saúde relacionados ao trabalho. Entre os agricultores, uma das exposições ocupacionais mais comuns são os agrotóxicos, alguns desses reconhecidos como cancerígenos. Agricultores apresentam maiores estimativas de mortalidade e incidência por câncer de estômago do que os de demais ramos de atividade econômica ou a população geral, sugestivo de que agrotóxicos podem ser fatores causais. No Brasil o consumo de agrotóxicos é elevado, além de expressiva a população de trabalhadores na agropecuária, mas são poucos os estudos nacionais sobre essa temática. Objetivos - 1) Sumarizar achados de pesquisas sobre fatores associados ao câncer de estômago em agricultores, com foco nos ocupacionais; 2) Descrever a mortalidade por câncer de estômago entre trabalhadores do sexo masculino da agropecuária e demais ocupações, de 1980 a 2015, no Brasil; 3) Investigar exploratoriamente a associação entre preditores contextuais e a razão de mortalidade para a associação entre o trabalho na agropecuária e o câncer de estômago no Brasil. Métodos - São três estudos independentes conduzidos com o mesmo objeto: 1) o primeiro estudo é uma revisão sistemática de publicações com as palavras chave, stomach cancer AND farmers, e sinônimos, nas bases PubMed, Scopus, Wiley Online Library, Science Direct, Web of Science, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Lilacs, com foco em estudos observacionais; 2)estudo de mortalidade conduzido com registros de óbitos por câncer de estômago do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e dados da população economicamente ativa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE), para o período de 1980 a 2015, no Brasil. A população do estudo foi limitada ao sexo masculino, com idade entre 30 a 69 anos, devido a concentração dos casos do câncer de estômago entre os homens e inconsistências de registros do campo ocupação no sexo feminino e nas idades superiores a 69 anos. Foram estimados o coeficiente anual de mortalidade por câncer de estômago e a razão de mortalidade agropecuária e demais ocupações, total e por grupos de idade; 3) estudo ecológico baseado em agregados por ano, no período entre 1980 e 2015. As variáveis preditoras contextuais foram: o nível de consumo de agrotóxicos, por hectare e por pessoa, a prevalência de tabagismo e o índice de desenvolvimento humano (IDH). O desfecho foi a razão de mortalidade para a associação entre o trabalho na agricultura e o câncer de estômago em agricultores, padronizada por idade. Medidas de associação correspondem aos coeficientes de regressão linear múltipla. Resultados - Estudo 1) Os achados dos 22 artigos revisados referem que, para ambos os sexos, o uso de agrotóxicos, o cultivo de cítricos e tempo na ocupação maior que 14 anos foram associados ao câncer de estômago em agricultores. Para os agrotóxicos, os tipos específicos foram Brometo de Metila, 2,4-D, Clordano, Propargite e Trifluralina. No sexo masculino, o uso de agrotóxicos por mais de 10 anos, herbicidas, o cultivo de azeitonas e milho, a criação de gado e produção do leite, além da residência rural, se associaram ao câncer de estômago em agricultores. Entre as agricultoras, as raças/etnias não brancas e a inserção como proprietárias. A maioria dos estudos foi avaliado como qualidade moderada. Estudo 2) Foram encontrados 150.937 casos de câncer de estômago, 52.164 (35%) em trabalhadores da agropecuária. Entre esses, em 1980, a mortalidade anual por câncer de estômago (ME) foi 36,6/100.000, maior que a de 18,2/100.000 do grupo referente, razão de mortalidade bruta (RME): 2,0. Em 2015, o ME foi de 18,3/100.000 e 11,2/100.000, respectivamente, RME: 1,6. Entre 1980 e 1995, a queda da RME foi de 33%, apresentando, a partir desse ano, estabilidade. A RME diminui com a idade, padrão que se repete ao longo dos anos do estudo. Estudo 3) Observou-se uma associação positiva do consumo de agrotóxicos por hectare (β=0,09,p<0,0001) e por pessoa (β=0,24, p<0,0001) com a razão de mortalidade (RMEp) para a associação entre o trabalho na agropecuária e o câncer de estômago no Brasil, independentemente dos demais preditores. O IDH se associou negativamente à RMEp (β= -0,03; p<0,0001). A prevalência de tabagismo também, porém apenas no modelo com latência de 10 anos (β= -0,04; p=0,0382). Conclusões - Com base na revisão, foram encontradas evidências para a associação entre fatores ocupacionais e ambientais, especialmente os agrotóxicos, e o câncer de estômago em agricultores. Todavia, vale notar que estudos futuros precisam considerar outros fatores de risco conhecidos para o câncer de estômago, como a infecção pelo Helicobacter pylori e o status socioeconômico. Trabalhadores brasileiros da agropecuária têm o dobro da ME estimada para os demais, desvantagem maior entre os mais jovens de 30 a 49 anos, em comparação com os mais idosos. Essa desvantagem se associa positivamente com as variáveis contextuais do consumo de agrotóxicos e negativamente com o IDH e prevalência de tabagismo. Pesquisas sobre substâncias químicas específicas presentes em agrotóxicos precisam ser realizadas, embora ações visando a redução de cancerígenos conhecidos devam ser urgentemente implementadas. |
| id |
UFBA-2_e4adfa1e6c36fab76eafc8a5d4fe181c |
|---|---|
| oai_identifier_str |
oai:repositorio.ufba.br:ri/29011 |
| network_acronym_str |
UFBA-2 |
| network_name_str |
Repositório Institucional da UFBA |
| repository_id_str |
|
| spelling |
Almeida, Milena Maria Cordeiro deAlmeida, Milena Maria Cordeiro deSantana, Vilma SousaCosta, FedericoWunsch Filho, VictorSilva, Gulnar Azevedo eCurado, MAria Paula2019-03-26T19:22:51Z2019-03-262018-08-02http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29011Introdução - A agricultura é atividade econômica propulsora do crescimento econômico de muitos países e envolve grande contingente de trabalhadores. Todavia, detém elevado risco de agravos à saúde relacionados ao trabalho. Entre os agricultores, uma das exposições ocupacionais mais comuns são os agrotóxicos, alguns desses reconhecidos como cancerígenos. Agricultores apresentam maiores estimativas de mortalidade e incidência por câncer de estômago do que os de demais ramos de atividade econômica ou a população geral, sugestivo de que agrotóxicos podem ser fatores causais. No Brasil o consumo de agrotóxicos é elevado, além de expressiva a população de trabalhadores na agropecuária, mas são poucos os estudos nacionais sobre essa temática. Objetivos - 1) Sumarizar achados de pesquisas sobre fatores associados ao câncer de estômago em agricultores, com foco nos ocupacionais; 2) Descrever a mortalidade por câncer de estômago entre trabalhadores do sexo masculino da agropecuária e demais ocupações, de 1980 a 2015, no Brasil; 3) Investigar exploratoriamente a associação entre preditores contextuais e a razão de mortalidade para a associação entre o trabalho na agropecuária e o câncer de estômago no Brasil. Métodos - São três estudos independentes conduzidos com o mesmo objeto: 1) o primeiro estudo é uma revisão sistemática de publicações com as palavras chave, stomach cancer AND farmers, e sinônimos, nas bases PubMed, Scopus, Wiley Online Library, Science Direct, Web of Science, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Lilacs, com foco em estudos observacionais; 2)estudo de mortalidade conduzido com registros de óbitos por câncer de estômago do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e dados da população economicamente ativa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE), para o período de 1980 a 2015, no Brasil. A população do estudo foi limitada ao sexo masculino, com idade entre 30 a 69 anos, devido a concentração dos casos do câncer de estômago entre os homens e inconsistências de registros do campo ocupação no sexo feminino e nas idades superiores a 69 anos. Foram estimados o coeficiente anual de mortalidade por câncer de estômago e a razão de mortalidade agropecuária e demais ocupações, total e por grupos de idade; 3) estudo ecológico baseado em agregados por ano, no período entre 1980 e 2015. As variáveis preditoras contextuais foram: o nível de consumo de agrotóxicos, por hectare e por pessoa, a prevalência de tabagismo e o índice de desenvolvimento humano (IDH). O desfecho foi a razão de mortalidade para a associação entre o trabalho na agricultura e o câncer de estômago em agricultores, padronizada por idade. Medidas de associação correspondem aos coeficientes de regressão linear múltipla. Resultados - Estudo 1) Os achados dos 22 artigos revisados referem que, para ambos os sexos, o uso de agrotóxicos, o cultivo de cítricos e tempo na ocupação maior que 14 anos foram associados ao câncer de estômago em agricultores. Para os agrotóxicos, os tipos específicos foram Brometo de Metila, 2,4-D, Clordano, Propargite e Trifluralina. No sexo masculino, o uso de agrotóxicos por mais de 10 anos, herbicidas, o cultivo de azeitonas e milho, a criação de gado e produção do leite, além da residência rural, se associaram ao câncer de estômago em agricultores. Entre as agricultoras, as raças/etnias não brancas e a inserção como proprietárias. A maioria dos estudos foi avaliado como qualidade moderada. Estudo 2) Foram encontrados 150.937 casos de câncer de estômago, 52.164 (35%) em trabalhadores da agropecuária. Entre esses, em 1980, a mortalidade anual por câncer de estômago (ME) foi 36,6/100.000, maior que a de 18,2/100.000 do grupo referente, razão de mortalidade bruta (RME): 2,0. Em 2015, o ME foi de 18,3/100.000 e 11,2/100.000, respectivamente, RME: 1,6. Entre 1980 e 1995, a queda da RME foi de 33%, apresentando, a partir desse ano, estabilidade. A RME diminui com a idade, padrão que se repete ao longo dos anos do estudo. Estudo 3) Observou-se uma associação positiva do consumo de agrotóxicos por hectare (β=0,09,p<0,0001) e por pessoa (β=0,24, p<0,0001) com a razão de mortalidade (RMEp) para a associação entre o trabalho na agropecuária e o câncer de estômago no Brasil, independentemente dos demais preditores. O IDH se associou negativamente à RMEp (β= -0,03; p<0,0001). A prevalência de tabagismo também, porém apenas no modelo com latência de 10 anos (β= -0,04; p=0,0382). Conclusões - Com base na revisão, foram encontradas evidências para a associação entre fatores ocupacionais e ambientais, especialmente os agrotóxicos, e o câncer de estômago em agricultores. Todavia, vale notar que estudos futuros precisam considerar outros fatores de risco conhecidos para o câncer de estômago, como a infecção pelo Helicobacter pylori e o status socioeconômico. Trabalhadores brasileiros da agropecuária têm o dobro da ME estimada para os demais, desvantagem maior entre os mais jovens de 30 a 49 anos, em comparação com os mais idosos. Essa desvantagem se associa positivamente com as variáveis contextuais do consumo de agrotóxicos e negativamente com o IDH e prevalência de tabagismo. Pesquisas sobre substâncias químicas específicas presentes em agrotóxicos precisam ser realizadas, embora ações visando a redução de cancerígenos conhecidos devam ser urgentemente implementadas.Submitted by Maria Creuza Silva (mariakreuza@yahoo.com.br) on 2019-03-21T19:00:07Z No. of bitstreams: 1 Tese de Doutorado - Milena Maria Cordeiro de Almeida. 2018.pdf: 2151199 bytes, checksum: dd8642658f8d3c6b75069235bb70cbca (MD5)Approved for entry into archive by Maria Creuza Silva (mariakreuza@yahoo.com.br) on 2019-03-26T19:22:51Z (GMT) No. of bitstreams: 1 Tese de Doutorado - Milena Maria Cordeiro de Almeida. 2018.pdf: 2151199 bytes, checksum: dd8642658f8d3c6b75069235bb70cbca (MD5)Made available in DSpace on 2019-03-26T19:22:51Z (GMT). No. of bitstreams: 1 Tese de Doutorado - Milena Maria Cordeiro de Almeida. 2018.pdf: 2151199 bytes, checksum: dd8642658f8d3c6b75069235bb70cbca (MD5)Saúde ColetivaAgricultoresAgrotóxicosNeoplasias gástricasTrabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômagoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesis10000-01-01Instituto de Saúde ColetivaPrograma de Pos Graduação em Saúde ColetivaISC-UFBAbrasilinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UFBAinstname:Universidade Federal da Bahia (UFBA)instacron:UFBAORIGINALTese de Doutorado - Milena Maria Cordeiro de Almeida. 2018.pdfTese de Doutorado - Milena Maria Cordeiro de Almeida. 2018.pdfapplication/pdf2151199https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/29011/1/Tese%20de%20Doutorado%20-%20Milena%20Maria%20Cordeiro%20de%20Almeida.%202018.pdfdd8642658f8d3c6b75069235bb70cbcaMD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain1383https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/29011/2/license.txt690bb9e0ab0d79c4ae420a800ae539f0MD52TEXTTese de Doutorado - Milena Maria Cordeiro de Almeida. 2018.pdf.txtTese de Doutorado - Milena Maria Cordeiro de Almeida. 2018.pdf.txtExtracted texttext/plain283100https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/29011/3/Tese%20de%20Doutorado%20-%20Milena%20Maria%20Cordeiro%20de%20Almeida.%202018.pdf.txt976dd2f20a0e650337a7ab6e7473458cMD53ri/290112022-07-05 14:04:22.019oai:repositorio.ufba.br:ri/29011VGVybW8gZGUgTGljZW4/P2EsIG4/P28gZXhjbHVzaXZvLCBwYXJhIG8gZGVwPz9zaXRvIG5vIFJlcG9zaXQ/P3JpbyBJbnN0aXR1Y2lvbmFsIGRhIFVGQkEuCgogUGVsbyBwcm9jZXNzbyBkZSBzdWJtaXNzPz9vIGRlIGRvY3VtZW50b3MsIG8gYXV0b3Igb3Ugc2V1IHJlcHJlc2VudGFudGUgbGVnYWwsIGFvIGFjZWl0YXIgCmVzc2UgdGVybW8gZGUgbGljZW4/P2EsIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdD8/cmlvIEluc3RpdHVjaW9uYWwgZGEgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGEgQmFoaWEgCm8gZGlyZWl0byBkZSBtYW50ZXIgdW1hIGM/P3BpYSBlbSBzZXUgcmVwb3NpdD8/cmlvIGNvbSBhIGZpbmFsaWRhZGUsIHByaW1laXJhLCBkZSBwcmVzZXJ2YT8/Pz9vLiAKRXNzZXMgdGVybW9zLCBuPz9vIGV4Y2x1c2l2b3MsIG1hbnQ/P20gb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IvY29weXJpZ2h0LCBtYXMgZW50ZW5kZSBvIGRvY3VtZW50byAKY29tbyBwYXJ0ZSBkbyBhY2Vydm8gaW50ZWxlY3R1YWwgZGVzc2EgVW5pdmVyc2lkYWRlLgoKIFBhcmEgb3MgZG9jdW1lbnRvcyBwdWJsaWNhZG9zIGNvbSByZXBhc3NlIGRlIGRpcmVpdG9zIGRlIGRpc3RyaWJ1aT8/Pz9vLCBlc3NlIHRlcm1vIGRlIGxpY2VuPz9hIAplbnRlbmRlIHF1ZToKCiBNYW50ZW5kbyBvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgcmVwYXNzYWRvcyBhIHRlcmNlaXJvcywgZW0gY2FzbyBkZSBwdWJsaWNhPz8/P2VzLCBvIHJlcG9zaXQ/P3Jpbwpwb2RlIHJlc3RyaW5naXIgbyBhY2Vzc28gYW8gdGV4dG8gaW50ZWdyYWwsIG1hcyBsaWJlcmEgYXMgaW5mb3JtYT8/Pz9lcyBzb2JyZSBvIGRvY3VtZW50bwooTWV0YWRhZG9zIGVzY3JpdGl2b3MpLgoKIERlc3RhIGZvcm1hLCBhdGVuZGVuZG8gYW9zIGFuc2Vpb3MgZGVzc2EgdW5pdmVyc2lkYWRlIGVtIG1hbnRlciBzdWEgcHJvZHU/Pz8/byBjaWVudD8/ZmljYSBjb20gCmFzIHJlc3RyaT8/Pz9lcyBpbXBvc3RhcyBwZWxvcyBlZGl0b3JlcyBkZSBwZXJpPz9kaWNvcy4KCiBQYXJhIGFzIHB1YmxpY2E/Pz8/ZXMgc2VtIGluaWNpYXRpdmFzIHF1ZSBzZWd1ZW0gYSBwb2w/P3RpY2EgZGUgQWNlc3NvIEFiZXJ0bywgb3MgZGVwPz9zaXRvcyAKY29tcHVscz8/cmlvcyBuZXNzZSByZXBvc2l0Pz9yaW8gbWFudD8/bSBvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgbWFzIG1hbnQ/P20gYWNlc3NvIGlycmVzdHJpdG8gCmFvIG1ldGFkYWRvcyBlIHRleHRvIGNvbXBsZXRvLiBBc3NpbSwgYSBhY2VpdGE/Pz8/byBkZXNzZSB0ZXJtbyBuPz9vIG5lY2Vzc2l0YSBkZSBjb25zZW50aW1lbnRvCiBwb3IgcGFydGUgZGUgYXV0b3Jlcy9kZXRlbnRvcmVzIGRvcyBkaXJlaXRvcywgcG9yIGVzdGFyZW0gZW0gaW5pY2lhdGl2YXMgZGUgYWNlc3NvIGFiZXJ0by4KRepositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufba.br/oai/requestrepositorio@ufba.bropendoar:19322022-07-05T17:04:22Repositório Institucional da UFBA - Universidade Federal da Bahia (UFBA)false |
| dc.title.pt_BR.fl_str_mv |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago |
| title |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago |
| spellingShingle |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago Almeida, Milena Maria Cordeiro de Saúde Coletiva Agricultores Agrotóxicos Neoplasias gástricas |
| title_short |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago |
| title_full |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago |
| title_fullStr |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago |
| title_full_unstemmed |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago |
| title_sort |
Trabalho na agricultura, agrotóxicos e câncer de estômago |
| author |
Almeida, Milena Maria Cordeiro de |
| author_facet |
Almeida, Milena Maria Cordeiro de |
| author_role |
author |
| dc.contributor.author.fl_str_mv |
Almeida, Milena Maria Cordeiro de Almeida, Milena Maria Cordeiro de |
| dc.contributor.advisor1.fl_str_mv |
Santana, Vilma Sousa |
| dc.contributor.referee1.fl_str_mv |
Costa, Federico Wunsch Filho, Victor Silva, Gulnar Azevedo e Curado, MAria Paula |
| contributor_str_mv |
Santana, Vilma Sousa Costa, Federico Wunsch Filho, Victor Silva, Gulnar Azevedo e Curado, MAria Paula |
| dc.subject.cnpq.fl_str_mv |
Saúde Coletiva |
| topic |
Saúde Coletiva Agricultores Agrotóxicos Neoplasias gástricas |
| dc.subject.por.fl_str_mv |
Agricultores Agrotóxicos Neoplasias gástricas |
| description |
Introdução - A agricultura é atividade econômica propulsora do crescimento econômico de muitos países e envolve grande contingente de trabalhadores. Todavia, detém elevado risco de agravos à saúde relacionados ao trabalho. Entre os agricultores, uma das exposições ocupacionais mais comuns são os agrotóxicos, alguns desses reconhecidos como cancerígenos. Agricultores apresentam maiores estimativas de mortalidade e incidência por câncer de estômago do que os de demais ramos de atividade econômica ou a população geral, sugestivo de que agrotóxicos podem ser fatores causais. No Brasil o consumo de agrotóxicos é elevado, além de expressiva a população de trabalhadores na agropecuária, mas são poucos os estudos nacionais sobre essa temática. Objetivos - 1) Sumarizar achados de pesquisas sobre fatores associados ao câncer de estômago em agricultores, com foco nos ocupacionais; 2) Descrever a mortalidade por câncer de estômago entre trabalhadores do sexo masculino da agropecuária e demais ocupações, de 1980 a 2015, no Brasil; 3) Investigar exploratoriamente a associação entre preditores contextuais e a razão de mortalidade para a associação entre o trabalho na agropecuária e o câncer de estômago no Brasil. Métodos - São três estudos independentes conduzidos com o mesmo objeto: 1) o primeiro estudo é uma revisão sistemática de publicações com as palavras chave, stomach cancer AND farmers, e sinônimos, nas bases PubMed, Scopus, Wiley Online Library, Science Direct, Web of Science, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Lilacs, com foco em estudos observacionais; 2)estudo de mortalidade conduzido com registros de óbitos por câncer de estômago do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e dados da população economicamente ativa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE), para o período de 1980 a 2015, no Brasil. A população do estudo foi limitada ao sexo masculino, com idade entre 30 a 69 anos, devido a concentração dos casos do câncer de estômago entre os homens e inconsistências de registros do campo ocupação no sexo feminino e nas idades superiores a 69 anos. Foram estimados o coeficiente anual de mortalidade por câncer de estômago e a razão de mortalidade agropecuária e demais ocupações, total e por grupos de idade; 3) estudo ecológico baseado em agregados por ano, no período entre 1980 e 2015. As variáveis preditoras contextuais foram: o nível de consumo de agrotóxicos, por hectare e por pessoa, a prevalência de tabagismo e o índice de desenvolvimento humano (IDH). O desfecho foi a razão de mortalidade para a associação entre o trabalho na agricultura e o câncer de estômago em agricultores, padronizada por idade. Medidas de associação correspondem aos coeficientes de regressão linear múltipla. Resultados - Estudo 1) Os achados dos 22 artigos revisados referem que, para ambos os sexos, o uso de agrotóxicos, o cultivo de cítricos e tempo na ocupação maior que 14 anos foram associados ao câncer de estômago em agricultores. Para os agrotóxicos, os tipos específicos foram Brometo de Metila, 2,4-D, Clordano, Propargite e Trifluralina. No sexo masculino, o uso de agrotóxicos por mais de 10 anos, herbicidas, o cultivo de azeitonas e milho, a criação de gado e produção do leite, além da residência rural, se associaram ao câncer de estômago em agricultores. Entre as agricultoras, as raças/etnias não brancas e a inserção como proprietárias. A maioria dos estudos foi avaliado como qualidade moderada. Estudo 2) Foram encontrados 150.937 casos de câncer de estômago, 52.164 (35%) em trabalhadores da agropecuária. Entre esses, em 1980, a mortalidade anual por câncer de estômago (ME) foi 36,6/100.000, maior que a de 18,2/100.000 do grupo referente, razão de mortalidade bruta (RME): 2,0. Em 2015, o ME foi de 18,3/100.000 e 11,2/100.000, respectivamente, RME: 1,6. Entre 1980 e 1995, a queda da RME foi de 33%, apresentando, a partir desse ano, estabilidade. A RME diminui com a idade, padrão que se repete ao longo dos anos do estudo. Estudo 3) Observou-se uma associação positiva do consumo de agrotóxicos por hectare (β=0,09,p<0,0001) e por pessoa (β=0,24, p<0,0001) com a razão de mortalidade (RMEp) para a associação entre o trabalho na agropecuária e o câncer de estômago no Brasil, independentemente dos demais preditores. O IDH se associou negativamente à RMEp (β= -0,03; p<0,0001). A prevalência de tabagismo também, porém apenas no modelo com latência de 10 anos (β= -0,04; p=0,0382). Conclusões - Com base na revisão, foram encontradas evidências para a associação entre fatores ocupacionais e ambientais, especialmente os agrotóxicos, e o câncer de estômago em agricultores. Todavia, vale notar que estudos futuros precisam considerar outros fatores de risco conhecidos para o câncer de estômago, como a infecção pelo Helicobacter pylori e o status socioeconômico. Trabalhadores brasileiros da agropecuária têm o dobro da ME estimada para os demais, desvantagem maior entre os mais jovens de 30 a 49 anos, em comparação com os mais idosos. Essa desvantagem se associa positivamente com as variáveis contextuais do consumo de agrotóxicos e negativamente com o IDH e prevalência de tabagismo. Pesquisas sobre substâncias químicas específicas presentes em agrotóxicos precisam ser realizadas, embora ações visando a redução de cancerígenos conhecidos devam ser urgentemente implementadas. |
| publishDate |
2018 |
| dc.date.submitted.none.fl_str_mv |
2018-08-02 |
| dc.date.accessioned.fl_str_mv |
2019-03-26T19:22:51Z |
| dc.date.issued.fl_str_mv |
2019-03-26 |
| dc.type.status.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/publishedVersion |
| dc.type.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/doctoralThesis |
| format |
doctoralThesis |
| status_str |
publishedVersion |
| dc.identifier.uri.fl_str_mv |
http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29011 |
| url |
http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29011 |
| dc.language.iso.fl_str_mv |
por |
| language |
por |
| dc.rights.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/openAccess |
| eu_rights_str_mv |
openAccess |
| dc.publisher.none.fl_str_mv |
Instituto de Saúde Coletiva |
| dc.publisher.program.fl_str_mv |
Programa de Pos Graduação em Saúde Coletiva |
| dc.publisher.initials.fl_str_mv |
ISC-UFBA |
| dc.publisher.country.fl_str_mv |
brasil |
| publisher.none.fl_str_mv |
Instituto de Saúde Coletiva |
| dc.source.none.fl_str_mv |
reponame:Repositório Institucional da UFBA instname:Universidade Federal da Bahia (UFBA) instacron:UFBA |
| instname_str |
Universidade Federal da Bahia (UFBA) |
| instacron_str |
UFBA |
| institution |
UFBA |
| reponame_str |
Repositório Institucional da UFBA |
| collection |
Repositório Institucional da UFBA |
| bitstream.url.fl_str_mv |
https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/29011/1/Tese%20de%20Doutorado%20-%20Milena%20Maria%20Cordeiro%20de%20Almeida.%202018.pdf https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/29011/2/license.txt https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/29011/3/Tese%20de%20Doutorado%20-%20Milena%20Maria%20Cordeiro%20de%20Almeida.%202018.pdf.txt |
| bitstream.checksum.fl_str_mv |
dd8642658f8d3c6b75069235bb70cbca 690bb9e0ab0d79c4ae420a800ae539f0 976dd2f20a0e650337a7ab6e7473458c |
| bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv |
MD5 MD5 MD5 |
| repository.name.fl_str_mv |
Repositório Institucional da UFBA - Universidade Federal da Bahia (UFBA) |
| repository.mail.fl_str_mv |
repositorio@ufba.br |
| _version_ |
1847342218296164352 |