Mais além dos transtornos alimentares: a impulsão e a compulsão a partir da clínica psicanalitica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Fontes, Ana Carolina Pacheco Bittencourt
Orientador(a): Fontenele, Laéria Bezerra
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: www.teses.ufc.br
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8568
Resumo: Nossa pesquisa partiu dos achados advindos de nossa experiência clínica junto a uma equipe de trabalho interdisciplinar que tinha o propósito de tratar transtornos alimentares. No nosso caso, trabalhamos mais especificamente com pacientes que nos eram indicados com o diagnóstico prévio de transtorno de compulsão alimentar. Os problemas clínicos decorrentes desse tipo de diagnóstico nos levaram a problematizar os diferentes fenômenos relacionados com o esse tipo de patologia que incide sobre a pulsão em sua relação com o alimento. Tal aspecto nos levou ao objetivo de procurar compreender e diferenciar, à luz da teoria psicanalítica, as manifestações psicopatológicas da impulsão e da compulsão em geral e mais especificamente em relação ao alimento, em suas relações com os conceitos de gozo, desejo e angústia. Além disso, buscamos refletir acerca das implicações clínicas dessas relações para o tratamento de pacientes que manifestam tais sintomas ou atos, levando em consideração, principalmente, as possíveis medidas terapêuticas a serem propostas pela equipe para o tratamento do paciente, sobretudo sobre a prescrição ou não da cirurgia bariátrica e suas possíveis consequências para os pacientes em sua singularidade, tendo em vista a ocorrência, já registrada em pesquisas anteriores, de óbitos ou de reganho de peso após a realização da mesma. Do ponto de vista metodológico, nos valemos da precisão de conceitos necessários à nossa reflexão clínica, principal condutora de nossa análise, acerca de casos por nós atendidos e por casos clássicos e contemporâneos que se revelaram relevantes para o tratamento de nossas questões de pesquisa. Neste contexto nos ocuparmos, mais detidamente, na análise desses casos para compreendermos a complexidade e a relevância clínica das articulações que as impulsões e as compulsões estabelecem com as categorias de sintoma e ato. A partir disso, destacamos a importância de diferenciar a direção do tratamento e a posição do analista, quando no contexto de um tratamento padrão e quando inserido em equipes interdisciplinares que se dedicam ao tratamento de pacientes que manifestam tais sintomas ou atos como, por exemplo, é o caso dos programas voltados para o tratamento de patologias que produzem efeitos de recusa ou excesso alimentares e que, em geral, as definem, segundo a classificação internacional das doenças, como Transtornos Alimentares. Dentre nossos principais achados conclusivos, constatamos que as ações compulsivas devem ser compreendidas como encarnação dos sintomas, estão inseridas na lógica do gozo fálico e são formadas com o fito de evitar a emergência da angústia. Já as impulsões são atos que emergem suscitando uma satisfação corporal que deixa o sujeito mudo e sem lugar e estão inseridas na lógica de um gozo autoerótico, situado entre o gozo do ser e o gozo fálico. Por não serem compreendidas como sintomas, mas como atos, as impulsões podem aparecer em sujeitos organizados em qualquer uma das três estruturas clínicas. Tais achados nos possibilitaram refletir acerca da direção do tratamento em casos de compulsão e/ou impulsão diagnosticados pela psiquiatria como portadores de compulsão alimentar. Assim, a originalidade do nosso trabalho está na abordagem que realizamos do diagnóstico psiquiátrico de compulsão alimentar, a partir da perspectiva psicanalítica da impulsão e da compulsão. Consideramos, afinal, que os resultados deste trabalho podem contribuir para o tratamento de casos relacionados a outros quadros clínicos que envolvem outros objetos que não aqueles das patologias alimentares como, por exemplo, as adições em geral, o vício em jogo, o consumo patológico, dentre outros.
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Mais além dos transtornos alimentares: a impulsão e a compulsão a partir da clínica psicanalítica. 2014. 121f. – Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de Pós-graduação em Psicologia, Fortaleza (CE), 2014.http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/8568www.teses.ufc.brPsychoanalysisCompulsionDistúrbios alimentares – TratamentoPsicanáliseComportamento compulsivoDistúrbios do apetiteMais além dos transtornos alimentares: a impulsão e a compulsão a partir da clínica psicanaliticaBeyond the eating disorders: impulsion and compulsion from the psychoanalytic clinicinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisNossa pesquisa partiu dos achados advindos de nossa experiência clínica junto a uma equipe de trabalho interdisciplinar que tinha o propósito de tratar transtornos alimentares. No nosso caso, trabalhamos mais especificamente com pacientes que nos eram indicados com o diagnóstico prévio de transtorno de compulsão alimentar. Os problemas clínicos decorrentes desse tipo de diagnóstico nos levaram a problematizar os diferentes fenômenos relacionados com o esse tipo de patologia que incide sobre a pulsão em sua relação com o alimento. Tal aspecto nos levou ao objetivo de procurar compreender e diferenciar, à luz da teoria psicanalítica, as manifestações psicopatológicas da impulsão e da compulsão em geral e mais especificamente em relação ao alimento, em suas relações com os conceitos de gozo, desejo e angústia. 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Neste contexto nos ocuparmos, mais detidamente, na análise desses casos para compreendermos a complexidade e a relevância clínica das articulações que as impulsões e as compulsões estabelecem com as categorias de sintoma e ato. A partir disso, destacamos a importância de diferenciar a direção do tratamento e a posição do analista, quando no contexto de um tratamento padrão e quando inserido em equipes interdisciplinares que se dedicam ao tratamento de pacientes que manifestam tais sintomas ou atos como, por exemplo, é o caso dos programas voltados para o tratamento de patologias que produzem efeitos de recusa ou excesso alimentares e que, em geral, as definem, segundo a classificação internacional das doenças, como Transtornos Alimentares. Dentre nossos principais achados conclusivos, constatamos que as ações compulsivas devem ser compreendidas como encarnação dos sintomas, estão inseridas na lógica do gozo fálico e são formadas com o fito de evitar a emergência da angústia. 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Consideramos, afinal, que os resultados deste trabalho podem contribuir para o tratamento de casos relacionados a outros quadros clínicos que envolvem outros objetos que não aqueles das patologias alimentares como, por exemplo, as adições em geral, o vício em jogo, o consumo patológico, dentre outros.porreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC)instname:Universidade Federal do Ceará (UFC)instacron:UFCinfo:eu-repo/semantics/openAccessORIGINAL2014_dis_acpbfontes.pdf2014_dis_acpbfontes.pdfapplication/pdf728100http://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/8568/1/2014_dis_acpbfontes.pdfa70f87a197b518bf48161bc0aac3c6faMD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81786http://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/8568/2/license.txt8c4401d3d14722a7ca2d07c782a1aab3MD52riufc/85682022-08-09 15:49:42.379oai:repositorio.ufc.br:riufc/8568w4kgbmVjZXNzw6FyaW8gY29uY29yZGFyIGNvbSBhIGxpY2Vuw6dhIGRlIGRpc3RyaWJ1acOnw6NvIG7Do28tZXhjbHVzaXZhLAphbnRlcyBxdWUgbyBkb2N1bWVudG8gcG9zc2EgYXBhcmVjZXIgbm8gUmVwb3NpdMOzcmlvLiBQb3IgZmF2b3IsIGxlaWEgYQpsaWNlbsOnYSBhdGVudGFtZW50ZS4gQ2FzbyBuZWNlc3NpdGUgZGUgYWxndW0gZXNjbGFyZWNpbWVudG8gZW50cmUgZW0KY29udGF0byBhdHJhdsOpcyBkZTogcmVwb3NpdG9yaW9AdWZjLmJyIG91ICg4NSkzMzY2LTk1MDguCgpMSUNFTsOHQSBERSBESVNUUklCVUnDh8ODTyBOw4NPLUVYQ0xVU0lWQQoKQW8gYXNzaW5hciBlIGVudHJlZ2FyIGVzdGEgbGljZW7Dp2EsIG8vYSBTci4vU3JhLiAoYXV0b3Igb3UgZGV0ZW50b3IgZG9zIGRpcmVpdG9zIGRlIGF1dG9yKToKCmEpIENvbmNlZGUgw6AgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZG8gQ2VhcsOhIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZQpyZXByb2R1emlyLCBjb252ZXJ0ZXIgKGNvbW8gZGVmaW5pZG8gYWJhaXhvKSwgY29tdW5pY2FyIGUvb3UKZGlzdHJpYnVpciBvIGRvY3VtZW50byBlbnRyZWd1ZSAoaW5jbHVpbmRvIG8gcmVzdW1vL2Fic3RyYWN0KSBlbQpmb3JtYXRvIGRpZ2l0YWwgb3UgaW1wcmVzc28gZSBlbSBxdWFscXVlciBtZWlvLgoKYikgRGVjbGFyYSBxdWUgbyBkb2N1bWVudG8gZW50cmVndWUgw6kgc2V1IHRyYWJhbGhvIG9yaWdpbmFsLCBlIHF1ZQpkZXTDqW0gbyBkaXJlaXRvIGRlIGNvbmNlZGVyIG9zIGRpcmVpdG9zIGNvbnRpZG9zIG5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLiBEZWNsYXJhIHRhbWLDqW0gcXVlIGEgZW50cmVnYSBkbyBkb2N1bWVudG8gbsOjbyBpbmZyaW5nZSwgdGFudG8gcXVhbnRvIGxoZSDDqSBwb3Nzw612ZWwgc2FiZXIsIG9zIGRpcmVpdG9zIGRlIHF1YWxxdWVyIG91dHJhIHBlc3NvYSBvdSBlbnRpZGFkZS4KCmMpIFNlIG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlIGNvbnTDqW0gbWF0ZXJpYWwgZG8gcXVhbCBuw6NvIGRldMOpbSBvcwpkaXJlaXRvcyBkZSBhdXRvciwgZGVjbGFyYSBxdWUgb2J0ZXZlIGF1dG9yaXphw6fDo28gZG8gZGV0ZW50b3IgZG9zCmRpcmVpdG9zIGRlIGF1dG9yIHBhcmEgY29uY2VkZXIgw6AgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZG8gQ2VhcsOhIG9zIGRpcmVpdG9zIHJlcXVlcmlkb3MgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EsIGUgcXVlIGVzc2UgbWF0ZXJpYWwgY3Vqb3MgZGlyZWl0b3Mgc8OjbyBkZSB0ZXJjZWlyb3MgZXN0w6EgY2xhcmFtZW50ZSBpZGVudGlmaWNhZG8gZSByZWNvbmhlY2lkbyBubyB0ZXh0byBvdSBjb250ZcO6ZG8gZG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlLgoKU2UgbyBkb2N1bWVudG8gZW50cmVndWUgw6kgYmFzZWFkbyBlbSB0cmFiYWxobyBmaW5hbmNpYWRvIG91IGFwb2lhZG8KcG9yIG91dHJhIGluc3RpdHVpw6fDo28gcXVlIG7Do28gYSBVbml2ZXJzaWRhZGUgRmVkZXJhbCBkbyBDZWFyw6EsIGRlY2xhcmEgcXVlIGN1bXByaXUgcXVhaXNxdWVyIG9icmlnYcOnw7VlcyBleGlnaWRhcyBwZWxvIHJlc3BlY3Rpdm8gY29udHJhdG8gb3UKYWNvcmRvLgoKQSBVbml2ZXJzaWRhZGUgRmVkZXJhbCBkbyBDZWFyw6EgaWRlbnRpZmljYXLDoSBjbGFyYW1lbnRlIG8ocykgc2V1IChzKSBub21lIChzKSBjb21vIG8gKHMpIGF1dG9yIChlcykgb3UgZGV0ZW50b3IgKGVzKSBkb3MgZGlyZWl0b3MgZG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlLCBlIG7Do28gZmFyw6EgcXVhbHF1ZXIgYWx0ZXJhw6fDo28sIHBhcmEgYWzDqW0gZGFzIHBlcm1pdGlkYXMgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EuCg==Repositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.ufc.br/ri-oai/requestbu@ufc.br || repositorio@ufc.bropendoar:2022-08-09T18:49:42Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Universidade Federal do Ceará (UFC)false
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