Atividade anti-inflamatória da fração metanólica de Sideroxylon obtusifolium e seu principal constituinte, a N-Metil-(2S, 4R)-Trans-4-Hidroxi-l-Prolina, na dermatite de contato irritativa em camundongos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Nunes, Paulo Iury Gomes
Orientador(a): Santos, Flávia Almeida
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/56415
Resumo: A pele constitui uma barreira biologicamente ativa que pode ser considerada como a primeira linha de defesa do corpo humano contra agentes lesivos, servindo como barreira física, órgão tátil, regulador térmico ou limitador da perda de água e da entrada de microrganismos e substâncias potencialmente nocivas. As dermatites são um conjunto de doenças cutâneas que possuem caráter inflamatório proeminente. Dentre as diferentes formas de ocorrência das dermatites, aquela que apresenta maior destaque, por sua alta taxa de ocorrência na população, vem a ser a dermatite de contato (DC). A DC é, por tanto, uma dermatose de origem irritativa (DCI) ou alérgica (DCA) que vem a afetar diferentes faixas etárias. A DCI ainda pode ser dividida em duas formas distintas, sendo estas a forma aguda (DCIA) e a crônica (DCIC). As opções terapêuticas atuais empregadas no tratamento de afecções inflamatórias da pele trazem consigo uma série de problemas, como a possibilidade de tolerância aos medicamentos, ocorrência de efeitos colaterais, de toxicidade e de inconvenientes vinculados à administração do medicamento, sendo o conjunto destas uma forte desvantagem nos tratamentos atuais. É nesse contexto que, ao longo da história, inúmeros estudos têm sido implementados acerca da utilização de produtos de origem natural no combate dos processos inflamatórios da pele. A Sideroxylon obtusifolium é conhecida popularmente por várias denominações, tais como quixaba, quixabeira, sacutiaba, rompe-gibão e maçaranduba da praia. A casca e folhas da S. obtusifolium são utilizadas popularmente para o tratamento de uma variada quantidade de afecções inflamatórias. Sendo assim, com base no conhecimento etnofarmacológico da Sideroxylon obtusifolium e em estudos prévios com N-metil-(2S, 4R)-trans-4-hidroxi-L-prolina (um constituinte das folhas dessa espécie), o presente estudo teve por propósito investigar o efeito anti-inflamatório tópico da fração metanólica das folhas de S. obtusifolium (FMSO), assim como de seu principal constituinte, a N-metil-(2S, 4R)-trans-4-hidroxi-L-prolina (MTHP), em modelos experimentais de DCI em camundongos, assim como em modelos in vitro complementares, com o intuito de verificar possíveis mecanismos de ação envolvidos nesse efeito. Foi possível avaliar o efeito anti-inflamatório de FMSO e MTHP, em modelos de DCIA induzida por 13-acetato-12-o-tetradecanoil-forbol (TPA) e DCIC induzida por Óleo de Croton em camundongos, assim como sua atividade anti-inflamatória e antioxidante in vitro. Verificou-se que ambos os tratamentos surtiram uma ação efetiva na redução do edema estabelecido junto aos modelos animais. No modelo de DCIA empregado, FMSO e MTHP demonstraram atividade sobre a redução da migração de neutrófilos (atividade da mieloperoxidase em tecido; MPO), na redução da expressão gênica para TNF-α, IL-6 e IL-1β e na redução dos níveis teciduais de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, IL-1β, INF-γ e MCP-1) dosadas por ensaio de imunoadsorção enzimática (ELISA), mas não aumentando os níveis IL-10. Junto às investigações histológicas dos tecidos submetidos aos modelos de DCIA e DCIC, ambos os tratamentos demonstraram uma ação anti-inflamatória, reduzindo o edema, os níveis de infiltrado inflamatório e tendendo a preservar o tecido frente aos respectivos estímulos inflamatórios realizados. Nos testes realizados em células RAW 264.7, ambos os tratamentos foram capazes de reverter os parâmetros inflamatórios avaliados quanto ao estímulo gerado pela indução pelo lipopolissacarídeo (LPS), reduzindo os níveis de nitra/nitrito, TNF-α, IL-6 e o estresse oxidativo nas células (redução do ânion superóxido intracelular). FMSO e MTHP também demonstraram ação antioxidante quando submetidas ao teste de eliminação do radical livre estável DPPH (2,2-difenil-1-picrilhidrazilo), além de citoproteger as células RAW 264.7 da peroxidação lipídica induzida por H2O2. De uma forma geral, a conjuntura dos dados aqui expostos aponta para o potencial da atividade anti-inflamatória tópica de FMSO e MTHP frente a modelos de DCIA induzida por TPA e DCIC induzida por Óleo de Croton, em associação a modulação negativa de citocinas pró-inflamatórias e controle do estresse oxidativo. Espera-se que os dados aqui obtidos venham a estimular futuros estudos translacionais com foco na investigação e resolução de maiores atividades biológicas no emprego de FMSO e MTHP, assim com da própria S. obtusifolium.
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