Livros em guerra: a escrita e a disputa do passado sobre a Guerrilha do Araguaia (1978-2015)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Silva, Wellington Sampaio da
Orientador(a): Duarte, Ana Rita Fonteles
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/40698
Resumo: A presente pesquisa analisa a construção das memórias por meio da escrita e da publicação de livros acerca da Guerrilha do Araguaia, movimento armado organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B) na região do Araguaia (sul do Pará, norte de Goiás, atual Tocantins e sul do Maranhão). A guerrilha, de forma geral, tinha o objetivo de, a partir do campo, conquistar as cidades e instaurar o comunismo no Brasil. Inspirados na teoria de Mao Tsé-Tung, os guerrilheiros começaram a chegar à região do Araguaia em 1966, permanecendo entre os seus moradores na clandestinidade até 1972, quando o movimento foi descoberto pelas Forças Armadas. Foram organizadas três operações militares para combater a guerrilha entre os anos de 1972 e 1974, tendo como resultado a vitória dos militares pelas armas. A discussão proposta nesta tese traz para o debate historiográfico as disputas sobre o passado desse acontecimento por meio da escrita, mais especificamente a partir dos livros publicados ao longo dos anos após o fim do conflito armado no sul do Pará. Nesse sentido, parto do princípio de que a “guerra não acabou”. Em termos bélicos a Guerrilha do Araguaia foi concluída, ou melhor, vencida pelos militares, em dezembro de 1974. Entretanto, a “vitória pelas armas” não encerrou outra batalha — a da memória —, presente de forma particular a partir dos livros publicados sobre o conflito. Neles, as memórias construídas enfatizam diferentes versões para a Guerrilha do Araguaia e demonstram sentimentos de revanchismos e ressentimentos de um movimento que tem várias lacunas, segredos de Estado, documentos e restos mortais de guerrilheiros ocultados. Assim, as disputas por meio da memória continuam existindo no presente e são travadas por jornalistas, militantes e militares. Nesse sentido, as obras analisadas ao longo deste trabalho são alguns exemplos dessa disputa/batalha a partir da escrita acerca da Guerrilha do Araguaia.
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Livros em guerra: a escrita e a disputa do passado sobre a Guerrilha do Araguaia (1978 - 2015). 2019. 260f. - Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Programa de Pós-Graduação em História, Fortaleza (CE), 2019.http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/40698LivrosGuerra de memóriaGuerrilha do AraguaiaLivros em guerra: a escrita e a disputa do passado sobre a Guerrilha do Araguaia (1978-2015)Books at war: the writing and the dispute of the past on the Araguaia Guerrilla (1978-2015)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisA presente pesquisa analisa a construção das memórias por meio da escrita e da publicação de livros acerca da Guerrilha do Araguaia, movimento armado organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B) na região do Araguaia (sul do Pará, norte de Goiás, atual Tocantins e sul do Maranhão). A guerrilha, de forma geral, tinha o objetivo de, a partir do campo, conquistar as cidades e instaurar o comunismo no Brasil. Inspirados na teoria de Mao Tsé-Tung, os guerrilheiros começaram a chegar à região do Araguaia em 1966, permanecendo entre os seus moradores na clandestinidade até 1972, quando o movimento foi descoberto pelas Forças Armadas. Foram organizadas três operações militares para combater a guerrilha entre os anos de 1972 e 1974, tendo como resultado a vitória dos militares pelas armas. A discussão proposta nesta tese traz para o debate historiográfico as disputas sobre o passado desse acontecimento por meio da escrita, mais especificamente a partir dos livros publicados ao longo dos anos após o fim do conflito armado no sul do Pará. Nesse sentido, parto do princípio de que a “guerra não acabou”. Em termos bélicos a Guerrilha do Araguaia foi concluída, ou melhor, vencida pelos militares, em dezembro de 1974. Entretanto, a “vitória pelas armas” não encerrou outra batalha — a da memória —, presente de forma particular a partir dos livros publicados sobre o conflito. Neles, as memórias construídas enfatizam diferentes versões para a Guerrilha do Araguaia e demonstram sentimentos de revanchismos e ressentimentos de um movimento que tem várias lacunas, segredos de Estado, documentos e restos mortais de guerrilheiros ocultados. Assim, as disputas por meio da memória continuam existindo no presente e são travadas por jornalistas, militantes e militares. Nesse sentido, as obras analisadas ao longo deste trabalho são alguns exemplos dessa disputa/batalha a partir da escrita acerca da Guerrilha do Araguaia.This research analyzes the construction of memories through the writing and publication of books about the Araguaia Guerrilla, an armed movement organized by the Communist Party of Brazil (PC do B) in the region of Araguaia (south of Pará, north of Goiás, currently Tocantins and south of Maranhão). The guerrilla, in general, aimed to conquer cities from the fields and institute communism in Brazil. Inspired by Mao Zedong's theory, the guerrilla fighters began arriving in the Araguaia region in 1966, remaining in hiding among their residents until 1972, when the movement was discovered by the Armed Forces. Three military operations were organized to combat the guerrilla between 1972 and 1974, resulting in the victory of the military by arms. The discussion proposed in this thesis brings to the historiographical debate the disputes over the past of this event through writing, more specifically from the books published in the years after the end of the armed conflict in the south of Pará. In this sense, I start from the principle that the “war is not over”. In warlike terms, the Araguaia Guerrilla was concluded, or rather defeated by the military, in December 1974. However, the “victory by arms” did not end another battle - that of memory -, particularly present in the published books about the conflict. In these books, constructed memories emphasize different versions for the Araguaia Guerrilla and demonstrate feelings of revenge and resentment of a movement that has several loopholes, state secrets, documents, and hidden mortal remains of guerrilla fighters. Thus, memory disputes continue to exist in the present and are fought by journalists, militants, and the military. In this sense, the works analyzed in this study are some examples of this dispute/battle which arises from the writing about the Araguaia Guerrilla.porreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC)instname:Universidade Federal do Ceará (UFC)instacron:UFCinfo:eu-repo/semantics/openAccessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81748http://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/40698/4/license.txt8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD54ORIGINAL2019_tese_wssilva.pdf2019_tese_wssilva.pdfapplication/pdf3225486http://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/40698/3/2019_tese_wssilva.pdf110849eeff1c72b91a2790cd166178f1MD53riufc/406982019-04-09 10:02:55.579oai:repositorio.ufc.br:riufc/40698Tk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=Repositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.ufc.br/ri-oai/requestbu@ufc.br || repositorio@ufc.bropendoar:2019-04-09T13:02:55Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Universidade Federal do Ceará (UFC)false
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