Polimorfismo da apolipoproteína e e sua associação com fatores de risco cardiovascular e aterosclerose subclínica em pacientes com doença periodontal no Ceará
| Ano de defesa: | 2019 |
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Resumo: | O risco aterosclerótico em pacientes com doença periodontal pode estar relacionado a fatores nutricionais, bioquímicos e genéticos, dentre eles, a presença de genes de risco, como o alelo E4 da apolipoproteína E. A apolipoproteína E (ApoE) é envolvida no metabolismo do colesterol e influencia os parâmetros lipídicos e risco para a doença cardiovascular. O gene que codifica a ApoE é polimórfico, apresentando três alelos mais comuns: E2, E3 e E4, sendo esse último reconhecidamente associado à doença cardiovascular. Este estudo investigou a associação dos polimorfismos da apolipoproteína E com fatores de risco cardiovascular e aterosclerose subclínica em pacientes com doença periodontal no Ceará. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal caso-controle, com 239 pacientes recrutados com doença periodontal (casos) e controles atendidos nos Centros de Especialidades Odontológicas no período de setembro de 2014 a janeiro de 2018. 141 pacientes concluíram a genotipagem da ApoE e foram avaliados para o perfil sociodemográfico, anamnese nutricional, exames bioquímicos, espessura mediointimal carotídea por ultrassonografia modo B e exame clínico-odontológico. Amostras de células bucais foram coletadas para extração de DNA genômico e para análise dos polimorfismos da ApoE. Os dados foram expressos como média e desvio-padrão, analisados por teste de qui-quadrado e teste t de Student não pareado para as variáveis contínuas, com um intervalo de confiança de 95% e p < 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. O coeficiente de Pearson, teste exato de Fischer e análises multivariadas foram realizados para identificar as correlações dos fatores de risco aterosclerótico e a espessura mediointimal das carótidas (EMI) com os polimorfismos da ApoE. As frequências dos alelos e genótipos da ApoE foram analisadas e testadas para o equilíbrio de Hardy-Weinberg. Todas as análises estatísticas foram realizadas usando os pacotes estatísticos SPSS e o R. Resultados: Foram incluídos no estudo 141 pacientes, sendo 67 casos (53,5%) e 74 controles (47,5%), com média de idade de 44,5 ± 6,5 anos. Na população total, não foram encontradas diferenças nos dados sociodemográficos, exceto renda familiar, maior entre controles (p=0,028). Foi relatado entre os casos, um percentual maior de mobilidade dentária quando comparado aos controles (p=0,001). O alelo E3 foi identificado em 80,8%, o alelo E4 em 15% e o alelo E2 em 4,3% da população total estudada. Não houve diferença na frequência alélica e genotípica entre casos e controles. Portadores do alelo E4 relataram mais histórico familiar de doença periodontal quando comparado aos não portadores (p=0,007). A maioria dos pacientes apresentava excesso de peso (65,9%), circunferência da cintura de risco (66,4%) e índice de adiposidade corporal indicativo de excesso de gordura (77,8%) na população estudada de forma independente ao polimorfismo da ApoE. Não houve diferença também entre casos e controles. Na população total, verificou-se níveis séricos de LDL (73,5%) e HDL (56,2%) fora dos valores desejáveis, sendo que casos E2 positivos apresentaram valores médios mais elevados de HDL e reduzidos de LDL, quando comparados aos E2 negativos. Nos controles, os níveis de colesterol total sérico se correlacionaram positivamente com LDL (r=0,93, p=0,000) e com índice aterogênico plasmático (IAP) (r=0,62, p=0,000), enquanto nos casos, se correlacionaram positivamente com LDL (r=0,92, p=0,000), triglicerídeos (r=0,56, p=0,000), Castelli 1 (r=0,53, p=0,000) e 2 (r=0,46, p=0,010), e IAP (r=0,57, p=0,000). Em casos E4 positivos, níveis séricos de colesterol total se correlacionaram forte e positivamente com LDL (r=0,95, p=0,000), Castelli 2 (r=0,72, p=0,000) e IAP (r=0,80, p=0,000). Além disso, observou-se em casos E4 positivos um risco 4,2 vezes maior de apresentar EMI ≥ 1,0mm (OR=4,17, p=0,028), na carótida comum esquerda (OR=7,75; p=0,003), independente da severidade da doença periodontal (≥ 5 mm de profundidade da bolsa periodontal). Foi encontrada maior frequência do alelo E4 em indivíduos com baixo risco de desenvolver doença cardiovascular, em relação aos níveis séricos de proteína C-reativa (PCR). Conclusão: A correlação positiva de EMI elevada das carótidas comuns (≥ 1,0mm) em portadores de E4 sugere que esse alelo é um fator preditor de aterosclerose subclínica de forma independente aos níveis séricos de PCR e outros fatores de risco cardiovascular. Os resultados desse estudo também sugerem que o alelo 2 da ApoE foi protetor em alguns fatores de risco bioquímicos. |
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Rêgo, Juliana Magalhães CunhaOriá, Reinaldo Barreto2020-01-09T16:49:56Z2020-01-09T16:49:56Z2019-05-15RÊGO, J. M. C. Polimorfismo da apolipoproteína e e sua associação com fatores de risco cardiovascular e aterosclerose subclínica em pacientes com doença periodontal no Ceará. 2019. 190 f. Tese (Doutorado em Ciências Médicas) - Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, 2019.http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/49171PeriodontiteEstenose das CarótidasDoenças das Artérias CarótidasDoenças PeriodontaisPolimorfismo da apolipoproteína e e sua associação com fatores de risco cardiovascular e aterosclerose subclínica em pacientes com doença periodontal no Cearáinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisO risco aterosclerótico em pacientes com doença periodontal pode estar relacionado a fatores nutricionais, bioquímicos e genéticos, dentre eles, a presença de genes de risco, como o alelo E4 da apolipoproteína E. A apolipoproteína E (ApoE) é envolvida no metabolismo do colesterol e influencia os parâmetros lipídicos e risco para a doença cardiovascular. O gene que codifica a ApoE é polimórfico, apresentando três alelos mais comuns: E2, E3 e E4, sendo esse último reconhecidamente associado à doença cardiovascular. Este estudo investigou a associação dos polimorfismos da apolipoproteína E com fatores de risco cardiovascular e aterosclerose subclínica em pacientes com doença periodontal no Ceará. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal caso-controle, com 239 pacientes recrutados com doença periodontal (casos) e controles atendidos nos Centros de Especialidades Odontológicas no período de setembro de 2014 a janeiro de 2018. 141 pacientes concluíram a genotipagem da ApoE e foram avaliados para o perfil sociodemográfico, anamnese nutricional, exames bioquímicos, espessura mediointimal carotídea por ultrassonografia modo B e exame clínico-odontológico. Amostras de células bucais foram coletadas para extração de DNA genômico e para análise dos polimorfismos da ApoE. Os dados foram expressos como média e desvio-padrão, analisados por teste de qui-quadrado e teste t de Student não pareado para as variáveis contínuas, com um intervalo de confiança de 95% e p < 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. O coeficiente de Pearson, teste exato de Fischer e análises multivariadas foram realizados para identificar as correlações dos fatores de risco aterosclerótico e a espessura mediointimal das carótidas (EMI) com os polimorfismos da ApoE. As frequências dos alelos e genótipos da ApoE foram analisadas e testadas para o equilíbrio de Hardy-Weinberg. Todas as análises estatísticas foram realizadas usando os pacotes estatísticos SPSS e o R. Resultados: Foram incluídos no estudo 141 pacientes, sendo 67 casos (53,5%) e 74 controles (47,5%), com média de idade de 44,5 ± 6,5 anos. 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O risco aterosclerótico em pacientes com doença periodontal pode estar relacionado a fatores nutricionais, bioquímicos e genéticos, dentre eles, a presença de genes de risco, como o alelo E4 da apolipoproteína E. A apolipoproteína E (ApoE) é envolvida no metabolismo do colesterol e influencia os parâmetros lipídicos e risco para a doença cardiovascular. O gene que codifica a ApoE é polimórfico, apresentando três alelos mais comuns: E2, E3 e E4, sendo esse último reconhecidamente associado à doença cardiovascular. Este estudo investigou a associação dos polimorfismos da apolipoproteína E com fatores de risco cardiovascular e aterosclerose subclínica em pacientes com doença periodontal no Ceará. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal caso-controle, com 239 pacientes recrutados com doença periodontal (casos) e controles atendidos nos Centros de Especialidades Odontológicas no período de setembro de 2014 a janeiro de 2018. 141 pacientes concluíram a genotipagem da ApoE e foram avaliados para o perfil sociodemográfico, anamnese nutricional, exames bioquímicos, espessura mediointimal carotídea por ultrassonografia modo B e exame clínico-odontológico. Amostras de células bucais foram coletadas para extração de DNA genômico e para análise dos polimorfismos da ApoE. Os dados foram expressos como média e desvio-padrão, analisados por teste de qui-quadrado e teste t de Student não pareado para as variáveis contínuas, com um intervalo de confiança de 95% e p < 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. O coeficiente de Pearson, teste exato de Fischer e análises multivariadas foram realizados para identificar as correlações dos fatores de risco aterosclerótico e a espessura mediointimal das carótidas (EMI) com os polimorfismos da ApoE. As frequências dos alelos e genótipos da ApoE foram analisadas e testadas para o equilíbrio de Hardy-Weinberg. Todas as análises estatísticas foram realizadas usando os pacotes estatísticos SPSS e o R. Resultados: Foram incluídos no estudo 141 pacientes, sendo 67 casos (53,5%) e 74 controles (47,5%), com média de idade de 44,5 ± 6,5 anos. Na população total, não foram encontradas diferenças nos dados sociodemográficos, exceto renda familiar, maior entre controles (p=0,028). Foi relatado entre os casos, um percentual maior de mobilidade dentária quando comparado aos controles (p=0,001). O alelo E3 foi identificado em 80,8%, o alelo E4 em 15% e o alelo E2 em 4,3% da população total estudada. Não houve diferença na frequência alélica e genotípica entre casos e controles. Portadores do alelo E4 relataram mais histórico familiar de doença periodontal quando comparado aos não portadores (p=0,007). A maioria dos pacientes apresentava excesso de peso (65,9%), circunferência da cintura de risco (66,4%) e índice de adiposidade corporal indicativo de excesso de gordura (77,8%) na população estudada de forma independente ao polimorfismo da ApoE. Não houve diferença também entre casos e controles. Na população total, verificou-se níveis séricos de LDL (73,5%) e HDL (56,2%) fora dos valores desejáveis, sendo que casos E2 positivos apresentaram valores médios mais elevados de HDL e reduzidos de LDL, quando comparados aos E2 negativos. Nos controles, os níveis de colesterol total sérico se correlacionaram positivamente com LDL (r=0,93, p=0,000) e com índice aterogênico plasmático (IAP) (r=0,62, p=0,000), enquanto nos casos, se correlacionaram positivamente com LDL (r=0,92, p=0,000), triglicerídeos (r=0,56, p=0,000), Castelli 1 (r=0,53, p=0,000) e 2 (r=0,46, p=0,010), e IAP (r=0,57, p=0,000). Em casos E4 positivos, níveis séricos de colesterol total se correlacionaram forte e positivamente com LDL (r=0,95, p=0,000), Castelli 2 (r=0,72, p=0,000) e IAP (r=0,80, p=0,000). Além disso, observou-se em casos E4 positivos um risco 4,2 vezes maior de apresentar EMI ≥ 1,0mm (OR=4,17, p=0,028), na carótida comum esquerda (OR=7,75; p=0,003), independente da severidade da doença periodontal (≥ 5 mm de profundidade da bolsa periodontal). Foi encontrada maior frequência do alelo E4 em indivíduos com baixo risco de desenvolver doença cardiovascular, em relação aos níveis séricos de proteína C-reativa (PCR). Conclusão: A correlação positiva de EMI elevada das carótidas comuns (≥ 1,0mm) em portadores de E4 sugere que esse alelo é um fator preditor de aterosclerose subclínica de forma independente aos níveis séricos de PCR e outros fatores de risco cardiovascular. Os resultados desse estudo também sugerem que o alelo 2 da ApoE foi protetor em alguns fatores de risco bioquímicos. |
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