A construção social do delinquente: audiência de custódia como etiquetamento dos indesejáveis.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: CRUZ, Thalita Barbosa. lattes
Orientador(a): SILVA, Vanderlan Francisco da.
Banca de defesa: LADOSKY, Mário Henrique Guedes., COSTA, João Bosco de Araújo da.
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Campina Grande
Programa de Pós-Graduação: PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
Departamento: Centro de Humanidades - CH
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/44709
Resumo: A dissertação tem como objetivo analisar as categorias conceituais incorporadas aos despachos de conversão da prisão em flagrante em preventiva nas varas criminais de Campina Grande-PB; como forma de verificar os processos de etiquetamento e rotulação praticados em desfavor dos corpos encarcerados. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com a utilização da análise de conteúdo em pesquisa documental, tendo como foco um ato processual específico: as audiências de custódia. A análise foi realizada através de amostragem aleatória, considerando o quantitativo de processos por Varas. Nas de maior volume, foram analisados quinze processos; nas demais, dez. Como critérios de inclusão, previamente definiu-se: a) ser do gênero masculino (público alvo da Penitenciária Padrão); b) ter tido a prisão em flagrante convertida em preventiva; e, c) ser a única pessoa cadastrada como réu do processo. Enquanto critérios de exclusão tivemos: a) ser do gênero feminino; b) ter sido liberado sob fiança ou medidas cautelares; e, c) ser cadastrado como corréu. O estudo demonstrou que o judiciário é formado por homens brancos e ricos que julgam e condenam homens pretos e pobres. Ainda, a fé pública dada a agentes policiais resulta na omissão da revogação da prisão mesmo nos casos de denúncias de maus tratos. Destaca-se que presos em situação de rua ou com prévias condenações criminais já chegam à audiência de custódia descredibilizados, sendo vistos como candidatos ideais a uma vaga na prisão, enquadrados no rótulo “indivíduos de classe perigosa”. Ademais, nas ações que versam sobre crimes previstos na lei de drogas, o depoimento policial, por mais inverossímil que seja, é timbrado e tratado como oficial. Além disso, objetos pessoais como dinheiro, celular e vestuário são rotulados como produtos de crime unicamente por terem sido encontrados com o preso no momento de sua prisão. Essa estigmatização, contudo, recai apenas sob os presos pobres. Com isso, constatou-se a necessidade de que as pesquisas acadêmicas sobre prisões e poder judiciário recaiam, cada vez mais, sobre os argumentos que levam ao encarceramento. Afinal, a prisão é o fim de uma série de acontecimentos prévios que criminalizam o indivíduo e não a suposta prática delitiva.
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Como critérios de inclusão, previamente definiu-se: a) ser do gênero masculino (público alvo da Penitenciária Padrão); b) ter tido a prisão em flagrante convertida em preventiva; e, c) ser a única pessoa cadastrada como réu do processo. Enquanto critérios de exclusão tivemos: a) ser do gênero feminino; b) ter sido liberado sob fiança ou medidas cautelares; e, c) ser cadastrado como corréu. O estudo demonstrou que o judiciário é formado por homens brancos e ricos que julgam e condenam homens pretos e pobres. Ainda, a fé pública dada a agentes policiais resulta na omissão da revogação da prisão mesmo nos casos de denúncias de maus tratos. Destaca-se que presos em situação de rua ou com prévias condenações criminais já chegam à audiência de custódia descredibilizados, sendo vistos como candidatos ideais a uma vaga na prisão, enquadrados no rótulo “indivíduos de classe perigosa”. Ademais, nas ações que versam sobre crimes previstos na lei de drogas, o depoimento policial, por mais inverossímil que seja, é timbrado e tratado como oficial. Além disso, objetos pessoais como dinheiro, celular e vestuário são rotulados como produtos de crime unicamente por terem sido encontrados com o preso no momento de sua prisão. Essa estigmatização, contudo, recai apenas sob os presos pobres. Com isso, constatou-se a necessidade de que as pesquisas acadêmicas sobre prisões e poder judiciário recaiam, cada vez mais, sobre os argumentos que levam ao encarceramento. Afinal, a prisão é o fim de uma série de acontecimentos prévios que criminalizam o indivíduo e não a suposta prática delitiva.This dissertation aims to analyze the conceptual categories incorporated into judicial orders that convert arrests in flagrante into preventive pretrial detention in the criminal courts of Campina Grande, Paraíba (PB), as a way to examine the processes of labeling carried out against incarcerated bodies. It is a qualitative study employing content analysis of documentary materials, focusing on a specific procedural act: custody hearings. The analysis was conducted through random sampling that took into account the number of cases per court division: in higher-volume divisions, fifteen cases were analyzed; in the others, ten. Inclusion criteria were: (a) male (target population of the Penitenciária Padrão); (b) having an arrest in flagrante converted into preventive detention; and (c) being the sole defendant in the case. Exclusion criteria were: (a) female; (b) release on bail or alternative precautionary measures; and (c) being listed as a co-defendant. Findings indicate that the judiciary is composed of white and wealthy men who judge and convict black and poor men. Moreover, the presumption of veracity accorded to police officers results in the failure to revoke detention even when allegations of ill-treatment are raised. Detainees who are unhoused or have prior convictions arrive at custody hearings already discredited and are treated as ideal candidates for imprisonment, fitting the label of a “dangerous class.” In cases involving offenses under the drug law, police testimony no matter how implausible is placed on official letterhead and treated as authoritative. Personal items such as money, cell phones, and clothing are labeled as proceeds or instruments of crime solely because they were found on the arrestee at the time of arrest; this stigmatization, however, falls only upon poor detainees. These results underscore the need for academic research on prisons and the judiciary to focus increasingly on the argumentative pathways that lead to incarceration. Ultimately, imprisonment is the endpoint of a series of prior events that criminalize the individual rather than the alleged criminal act itself.Submitted by Helder Soares Dantas (helder-dantas@hotmail.com) on 2025-12-29T13:11:02Z No. of bitstreams: 1 THALITA BARBOSA CRUZ - DISSERTAÇÃO - (PPGCS) 2025.pdf: 1897998 bytes, checksum: fe03821e2603a2e96dea5586d52029e2 (MD5)Made available in DSpace on 2025-12-29T13:11:02Z (GMT). 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Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Centro de Humanidades, Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2025.info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisporinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCGinstname:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)instacron:UFCGTEXTTHALITA BARBOSA CRUZ - DISSERTAÇÃO - (PPGCS) 2025.pdf.txtTHALITA BARBOSA CRUZ - DISSERTAÇÃO - (PPGCS) 2025.pdf.txttext/plain208224https://dspace.sti.ufcg.edu.br/bitstream/riufcg/44709/3/THALITA+BARBOSA+CRUZ+-+DISSERTA%C3%87%C3%83O+-+%28PPGCS%29+2025.pdf.txtc66652e2fde5888b25fc7062dafe2791MD53LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81748https://dspace.sti.ufcg.edu.br/bitstream/riufcg/44709/2/license.txt8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD52ORIGINALTHALITA BARBOSA CRUZ - DISSERTAÇÃO - (PPGCS) 2025.pdfTHALITA BARBOSA CRUZ - DISSERTAÇÃO - (PPGCS) 2025.pdfapplication/pdf1897998https://dspace.sti.ufcg.edu.br/bitstream/riufcg/44709/1/THALITA+BARBOSA+CRUZ+-+DISSERTA%C3%87%C3%83O+-+%28PPGCS%29+2025.pdffe03821e2603a2e96dea5586d52029e2MD51riufcg/447092025-12-30 03:00:08.727oai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/44709Tk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://bdtd.ufcg.edu.br/PUBhttp://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/oai/requestbdtd@setor.ufcg.edu.br || bdtd@setor.ufcg.edu.bropendoar:48512025-12-30T06:00:08Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)false
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