A intersetorialidade como estratégia técnica e política da Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Abreu, Cassiane Cominoti
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Espírito Santo
BR
Doutorado em Política Social
Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas
UFES
Programa de Pós-Graduação em Política Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
32
Link de acesso: http://repositorio.ufes.br/handle/10/6865
Resumo: O objetivo desta tese é analisar os fundamentos da intersetorialidade como estratégia de gestão proposta pela Organização Mundial da Saúde e pelo Banco Mundial, caracterizando as intencionalidades contidas nas dimensões técnica e política. Para o alcance do objetivo, realizamos uma pesquisa qualitativa, envolvendo pesquisa documental a partir das palavras-chave intersectoral e multisectoral, a partir dos textos disponíveis nos sites dessas agências internacionais. A busca ocorreu entre os anos de 2015 e 2016. O método escolhido como referencial epistemológico foi o materialismo histórico dialético. Para a análise de dados utilizamos a análise de conteúdo do tipo temática. O significado da intersetorialidade para a Organização Mundial da Saúde e para o Banco Mundial está relacionado à: realização de ações, atividades ou esforços conjuntos entre vários setores; a uma estratégia de saúde adotada nas conferências internacionais de promoção da saúde; como sinônimo de ação multisetorial entre setores e ao trabalho conjunto entre profissionais de diferentes disciplinas/profissões para compartilhar saberes ou como uma forma de intervenção, abordagem, ações, coordenação entre setores diferentes. Os objetivos para o uso da intersetorialidade/multisetorialidade por ambas as Agências estão relacionados à resolução dos problemas sociais como a falta de saúde, educação, epidemias e a má gestão das políticas sociais. Relaciona-se o fomento das ações intersetoriais ao âmbito das políticas sociais, especialmente para os pobres e vulneráveis, como ferramenta técnica de gestão capaz de desfragmentar as políticas sociais e resolver os problemas sociais. Com o uso das categorias historicidade, essência/aparência desvendou-se a impossibilidade da resolução dos problemas sociais no capitalismo e da desfragmentação das políticas sociais pelo uso da intersetorialidade. Compreende-se que a gênese da fragmentação e dos problemas sociais postos pelas Agências estão associados à base material que os produzem: as relações sociais de produção. Essas comandam todo o processo e as necessidades humanas dos seres sociais não são a prioridade do sistema. Concluímos que a aparente racionalização técnica conferida a intersetorialidade/multisetorialidade pelas agências internacionais Organização Mundial da Saúde e Banco Mundial encobrem a determinações ideológicas e políticas a favor da reprodução de propostas de reforma social aliançadas ao neoliberalismo. Essas supõem que com boa administração e gestão dos recursos e intersetorialidade seja possível resolver expressões da Questão social. A intersetorialidade, no aspecto conceitual, deve ser compreendida como uma ação técnica e política de articulação entre setores visando à construção, reafirmação ou oposição a projetos coletivos.
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Para o alcance do objetivo, realizamos uma pesquisa qualitativa, envolvendo pesquisa documental a partir das palavras-chave intersectoral e multisectoral, a partir dos textos disponíveis nos sites dessas agências internacionais. A busca ocorreu entre os anos de 2015 e 2016. O método escolhido como referencial epistemológico foi o materialismo histórico dialético. Para a análise de dados utilizamos a análise de conteúdo do tipo temática. O significado da intersetorialidade para a Organização Mundial da Saúde e para o Banco Mundial está relacionado à: realização de ações, atividades ou esforços conjuntos entre vários setores; a uma estratégia de saúde adotada nas conferências internacionais de promoção da saúde; como sinônimo de ação multisetorial entre setores e ao trabalho conjunto entre profissionais de diferentes disciplinas/profissões para compartilhar saberes ou como uma forma de intervenção, abordagem, ações, coordenação entre setores diferentes. Os objetivos para o uso da intersetorialidade/multisetorialidade por ambas as Agências estão relacionados à resolução dos problemas sociais como a falta de saúde, educação, epidemias e a má gestão das políticas sociais. Relaciona-se o fomento das ações intersetoriais ao âmbito das políticas sociais, especialmente para os pobres e vulneráveis, como ferramenta técnica de gestão capaz de desfragmentar as políticas sociais e resolver os problemas sociais. Com o uso das categorias historicidade, essência/aparência desvendou-se a impossibilidade da resolução dos problemas sociais no capitalismo e da desfragmentação das políticas sociais pelo uso da intersetorialidade. Compreende-se que a gênese da fragmentação e dos problemas sociais postos pelas Agências estão associados à base material que os produzem: as relações sociais de produção. Essas comandam todo o processo e as necessidades humanas dos seres sociais não são a prioridade do sistema. Concluímos que a aparente racionalização técnica conferida a intersetorialidade/multisetorialidade pelas agências internacionais Organização Mundial da Saúde e Banco Mundial encobrem a determinações ideológicas e políticas a favor da reprodução de propostas de reforma social aliançadas ao neoliberalismo. Essas supõem que com boa administração e gestão dos recursos e intersetorialidade seja possível resolver expressões da Questão social. A intersetorialidade, no aspecto conceitual, deve ser compreendida como uma ação técnica e política de articulação entre setores visando à construção, reafirmação ou oposição a projetos coletivos.El objetivo de esta tesis es analizar los fundamentos de la intersectorialidad como estrategia de gestión, propuesta por la Organización Mundial de Salud y por el Banco Mundial, caracterizando las intencionalidades contenidas en las dimensiones técnica y política. Para el logro del objetivo, realizamos una investigación cualitativa, comprendiendo la investigación documental a partir de las palabras-clave intersectorial y multisectorial, desde los textos disponibles en los sitios de dichas agencias internacionales. La busqueda ocurrió entre los años de 2015 y 2016. El método elegido como referencial epistemológico fue el materialismo histórico dialéctico. Para el análisis de datos utilizamos el análise de contenido del tipo temática. El significado de la intersectorialidad para la Organización Mundial de Salud y el Banco Mundial se relaciona con: la realización de acciones, actividades o esfuerzos conjuntos entre varios sectores; una estrategia de salud adoptada em las conferencias internacionales de promoción de la salud; como sinónimo de acción multisectorial entre sectores y al trabajo conjunto entre profesionales de distintas disciplinas/profesiones para compartir saberes o como una forma de intervención, enfoques, acciones, coordinación entre sectores diferentes. Los objetivos para el uso de la intersectorialidad/multisectorialidad por ambas Agencias se relacionan a la resolución de los problemas sociales como la falta de salud, de educación, epidemias y la mala gestión de las políticas sociales. Se relaciona el fomento de las acciones intersectoriales al ámbito de las políticas sociales, especialmente para los pobres o vulnerable, como herramienta técnica de gestión capaz de desfragmentar las políticas sociales y resolver los problemas sociales. Con el uso de las categorías historicidad, esencia/apariencia se desveló la imposibilidad de la resolución de los problemas sociales en el capitalismo y de la desfragmentación de las políticas sociales por el uso de la intersectorialidad. Se entiende que la génesis de la fragmentación y de los problemas sociales puestos por la Agencias están asociados a la base material que los producem: las relaciones sociales de produción. Esas comandan todo el proceso, y las necessidades humanas de los seres sociales no son la prioridad del sistema. Concluímos que la apariente racionalización técnica conferida a laintersectorialidad/multisectorialidad por las agencias internacionales Organización Mundial de la Salud y Banco Mundial encubren determinaciones ideológicas y políticas a favor de la reproducción de propuestas de reforma social aliadas al neoliberalismo. Estas suponen que com buena administración y gestión de los recursos e intersectorialidad sea posible resolver expresiones de la cuestión social. La intersectorialidad, en el aspecto conceptual, deve ser comprendida como una acción técnica y política de articulación entre sectores, con miras a la construcción, reafirmación u oposición a proyectos colectivos.CAPESUniversidade Federal do Espírito SantoBRDoutorado em Política SocialCentro de Ciências Jurídicas e EconômicasUFESPrograma de Pós-Graduação em Política SocialGarcia, Maria Lúcia Teixeirahttps://orcid.org/0000-0001-9851.8411Mendonça, Luiz Vasconcellos Pessoa deCouto, Berenice RojasMendes, Jussara Maria RosaVieira, Ana Cristina de SouzaAbreu, Cassiane Cominoti2018-03-22T15:26:25Z2018-02-212018-03-22T15:26:25Z2017-11-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisTextapplication/pdfhttp://repositorio.ufes.br/handle/10/6865porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal do Espírito Santo (riUfes)instname:Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)instacron:UFES2024-12-01T21:37:03Zoai:repositorio.ufes.br:10/6865Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.ufes.br/oai/requestriufes@ufes.bropendoar:21082024-12-01T21:37:03Repositório Institucional da Universidade Federal do Espírito Santo (riUfes) - Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)false
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