Entre a “cruz” e a "caldeirinha”: doses diárias de alienação nas comunidades terapêuticas religiosas
| Ano de defesa: | 2019 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Espírito Santo
BR Doutorado em Política Social Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas UFES Programa de Pós-Graduação em Política Social |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://repositorio.ufes.br/handle/10/13506 |
Resumo: | Desde que surgiram no Brasil, as comunidades terapêuticas se expandem, ganham força política e acessam, cada vez mais, financiamento público. As suas configurações, ainda que heterogêneas, apontam para metodologias de trabalho religiosas com o intuito de promover uma transformação subjetiva-moral dos indivíduos acolhidos. A partir desse cenário, nosso objetivo geral foi analisar os aspectos de alienação presentes nos discursos dos sujeitos egressos de comunidades terapêuticas religiosas. Como objetivos específicos tivemos: debater a relação orgânica entre o capital e a política proibicionista; refletir sobre a categoria alienação; e caracterizar as comunidades terapêuticas no Brasil, destacando o processo entre religião e modelo de tratamento ofertado. Os dados foram obtidos por meio de 28 entrevistas com indivíduos egressos desses locais, a partir de indicações dos profissionais dos CAPS ad da região Metropolitana do Espírito Santo, e outros informantes-chave que não possuíam vínculo com os CAPS ad. Para a análise dos dados recorremos à Análise do Discurso. Os entrevistados produziram discursos que foram organizados em três grupos, a saber: uma parte (oito sujeitos) demonstrou aceitação dos ensinamentos religiosos acessados no interior das comunidades terapêuticas; outra parte (nove sujeitos) demonstrou uma recusa desses ensinamentos, com a elaboração de críticas aos métodos utilizados nas instituições e a defesa por um tratamento em liberdade; e, outra parte (onze sujeitos) apresentou tanto discordâncias como concordâncias com os preceitos religiosos. Os indivíduos que incorporaram aspectos da ideologia religiosa passaram a atribuir ao plano espiritual os acontecimentos de suas vidas. Os nossos entrevistados oscilaram entre a “cruz” – a incorporação da religião enquanto salvadora no trajeto de tratamento – e a “caldeirinha” – a incorporação da droga como sendo fruto da interferência do demônio em suas vidas e da demonização construída historicamente pela ideologia proibicionista. Concluímos que o discurso difundido pelas instituições religiosas no campo das drogas legitima o proibicionismo e oculta, por meio de um discurso individualizante (com as particularidades da religião), a dinâmica do capital que necessita de suas ideologias para alienar os seres humanos de ontem, de hoje e de amanhã. Além de não tratarem, as comunidades terapêuticas difundem um discurso baseado no efeito protetivo da religião contra o dito mal que, na verdade, tem a finalidade de mascarar o verdadeiro mal-estar da nossa civilização: a dinâmica do capital. Essa tese rejeitou, ao longo de suas páginas, a naturalização de práticas e teorias moralistas, conservadoras e autoritárias dominantemente presentes em nossa sociedade. |
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