Fenomenologia do patrimônio ambiental

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Campos, Luis Candido Gomes de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/87559/001300000418m
Idioma: por
Instituição de defesa: Niterói
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/23594
Resumo: O presente trabalho é uma mudança de sentido no caminho percorrido ao longo de um quarto de século de atividade como arquiteto restaurador, em projeto, obras e no ensino. No percurso, a intermitência entre a prática e a reflexão levou-nos a duvidar da validade da restauração e, consequentemente, dos desdobramentos no modo de lidar, não apenas com o projeto de conservação e restauro, mas com o que significa projetar o urbano e a arquitetura em geral, posto que o projeto é sempre intervenção em preexistência. Partimos do questionamento da ideia fundamental de “patrimônio histórico e artístico”, em especial daquilo que, seguindo Heidegger2, passamos a chamar de “primado da historiografia”. Nossa hipótese é que tal fundamento “vela o ser do urbanismo” por trazer consigo uma série de problemas de compreensão resultantes da intercorrência das diferentes disciplinas de outras áreas (como a história) que convergem no campo disciplinar do urbanismo. Começamos, portanto, nossa mudança de sentido buscando fundamentos. Em ciências, sejam as da natureza ou as humanas, dizer “fundamento” significa dizer epistemologia. Assim propomos o aporte da fenomenologia que nos parece o mais adequado para tratar questões epistemológicas em urbanismo. Iniciamos então, no primeiro capítulo da tese, com Heidegger, para redirecionar nossa compreensão do sentido da arquitetura fora da lógica dedutiva que esconde o fenômeno urbano sob o véu da historiografia. Em seguida ensaiamos uma hermenêutica das teorias do urbanismo em busca do logos (lógica, linguagem), com especial interesse nos conceitos de “tipologia” em Quatremère de Quincy, e “morfologia” em Camilo Sitte; juntamente com Cesare Brandi, (reintegração na restauração) entre outros, buscando trazê-los para junto do ser-com heideggeriano, no modo fenomenológico, enquanto conceitos operacionais essenciais do projetar, ou seja, como disposição e compreensão. Prosseguindo, sempre na busca de um caminho fenomenológico, passamos em seguida a algumas considerações sobre a normativa representada nas Cartas Patrimoniais da UNESCO para interpretar os caminhos da mundificação do patrimônio mundial da humanidade, onde ao final encontramos o maior de todos os monumentos, o lixo como a verdadeira marca do nosso ser.Na sequência, propõe-se uma reflexão crítica, em estudos de caso, a partir de projetos e obras executados pelo autor, à luz das questões levantadas nos capítulos anteriores e por meio do olhar que o distanciamento temporal possibilita. Por fim, devido à natureza propositiva que concerne à profissão, chegamos, no último capítulo, à proposição de um “caminho metodológico” para o projeto urbano, onde, pretensamente superados o primado da historiografia e a ideia de restauração, o projeto “urbano-arquitetônico” (entendido como ação única e inseparável) possa se voltar para o modo dito “ambi-êntico” (no sentido do “ente ambíguo” que o neologismo indica), ou seja, enquanto fenômeno vivido e de maneira integrada.
id UFF-2_183dd136e116247b988030e8df99a5d9
oai_identifier_str oai:app.uff.br:1/23594
network_acronym_str UFF-2
network_name_str Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)
repository_id_str
spelling Fenomenologia do patrimônio ambientalFenomenologiaAmbienteUrbanismoArquitetura e Urbanismo - ProjetoFenomenologiaPatrimônio ambientalPhenomenologyUrbanismEnvironmentO presente trabalho é uma mudança de sentido no caminho percorrido ao longo de um quarto de século de atividade como arquiteto restaurador, em projeto, obras e no ensino. No percurso, a intermitência entre a prática e a reflexão levou-nos a duvidar da validade da restauração e, consequentemente, dos desdobramentos no modo de lidar, não apenas com o projeto de conservação e restauro, mas com o que significa projetar o urbano e a arquitetura em geral, posto que o projeto é sempre intervenção em preexistência. Partimos do questionamento da ideia fundamental de “patrimônio histórico e artístico”, em especial daquilo que, seguindo Heidegger2, passamos a chamar de “primado da historiografia”. Nossa hipótese é que tal fundamento “vela o ser do urbanismo” por trazer consigo uma série de problemas de compreensão resultantes da intercorrência das diferentes disciplinas de outras áreas (como a história) que convergem no campo disciplinar do urbanismo. Começamos, portanto, nossa mudança de sentido buscando fundamentos. Em ciências, sejam as da natureza ou as humanas, dizer “fundamento” significa dizer epistemologia. Assim propomos o aporte da fenomenologia que nos parece o mais adequado para tratar questões epistemológicas em urbanismo. Iniciamos então, no primeiro capítulo da tese, com Heidegger, para redirecionar nossa compreensão do sentido da arquitetura fora da lógica dedutiva que esconde o fenômeno urbano sob o véu da historiografia. Em seguida ensaiamos uma hermenêutica das teorias do urbanismo em busca do logos (lógica, linguagem), com especial interesse nos conceitos de “tipologia” em Quatremère de Quincy, e “morfologia” em Camilo Sitte; juntamente com Cesare Brandi, (reintegração na restauração) entre outros, buscando trazê-los para junto do ser-com heideggeriano, no modo fenomenológico, enquanto conceitos operacionais essenciais do projetar, ou seja, como disposição e compreensão. Prosseguindo, sempre na busca de um caminho fenomenológico, passamos em seguida a algumas considerações sobre a normativa representada nas Cartas Patrimoniais da UNESCO para interpretar os caminhos da mundificação do patrimônio mundial da humanidade, onde ao final encontramos o maior de todos os monumentos, o lixo como a verdadeira marca do nosso ser.Na sequência, propõe-se uma reflexão crítica, em estudos de caso, a partir de projetos e obras executados pelo autor, à luz das questões levantadas nos capítulos anteriores e por meio do olhar que o distanciamento temporal possibilita. Por fim, devido à natureza propositiva que concerne à profissão, chegamos, no último capítulo, à proposição de um “caminho metodológico” para o projeto urbano, onde, pretensamente superados o primado da historiografia e a ideia de restauração, o projeto “urbano-arquitetônico” (entendido como ação única e inseparável) possa se voltar para o modo dito “ambi-êntico” (no sentido do “ente ambíguo” que o neologismo indica), ou seja, enquanto fenômeno vivido e de maneira integrada.The present work is a change of meaning in the path taken over a quarter of a century of activity as a restorative architect, in design, works and teaching. Along the way, the intermittence between practice and reflection led us to doubt the validity of the restoration and, consequently, the consequences in the way of dealing, not only with the conservation and restoration project, but with what it means to project the urban and architecture in general, since the project is always a pre-existing intervention. We started by questioning the fundamental idea of “historical and artistic heritage”, especially what, following Heidegger, we came to call “the primacy of historiography”. Our hypothesis is that such a foundation "watches the being of urbanism" because it brings with it a series of problems of understanding resulting from the intercurrence of different disciplines from other areas (such as history) that converge in the disciplinary field of urbanism. Therefore, we begin our change of meaning in search of fundamentals. In sciences, whether in nature or in the humanities, saying "foundation" means saying epistemology. Thus, we propose the contribution of phenomenology that seems to us the most adequate to deal with epistemological issues in urbanism. We then started, in the first chapter of the thesis, with Heidegger, to redirect our understanding of the meaning of architecture outside the deductive logic that hides the urban phenomenon under the veil of historiography. Then we rehearse a hermeneutics of the theories of urbanism in search of logos (logic, language), with special interest in the concepts of “typology” in, Quatremère de Quincy, and “morphology” by Camilo Sitte; together with Cesare Brandi, (reintegration in restoration) among others, seeking to bring them together with the Heideggerian being-with, in the phenomenological way, as essential operational concepts of designing, that is, as disposition and understanding. Continuing, always in search of a phenomenological path, we then proceed to some considerations about the norms represented in the UNESCO Heritage Letters to interpret the ways of the world heritage of humanity, where at the end we find the greatest of all monuments, the garbage as the true mark of our being. In the sequence, a critical reflection is proposed, in case studies, from projects and works executed by the author, in the light of the issues raised in the previous chapters and through the view that the temporal distancing allows.Finally, due to the propositional nature that concerns the profession, in the last chapter, we arrive at the proposition of a “methodological path” for the urban project, where, supposedly overcoming the primacy of historiography and the idea of restoration, the “urban- architectural ”(understood as a unique and inseparable action) can turn to the so-called“ ambient-entice ”mode (in the sense of the“ ambiguous entity ”that neologism indicates), that is, as a lived and integrated phenomenon.292 p.NiteróiPessôa, José Simões de BelmontHolzer, WertherMoreira, Fernando DinizBaeta, Rodrigo EspinhaRibeiro, Otávio Leonídiohttp://lattes.cnpq.br/8187969338469382http://lattes.cnpq.br/6339561326164124Campos, Luis Candido Gomes de2021-10-29T16:26:52Z2021-10-29T16:26:52Z2020info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfCAMPOS, Luis Candido Gomes de. Fenomenologia do patrimônio ambiental. 2020. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Escola de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2020.https://app.uff.br/riuff/handle/1/23594Aluno de Doutoradoark:/87559/001300000418mCC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFF2021-10-29T16:26:52Zoai:app.uff.br:1/23594Repositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202021-10-29T16:26:52Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
dc.title.none.fl_str_mv Fenomenologia do patrimônio ambiental
title Fenomenologia do patrimônio ambiental
spellingShingle Fenomenologia do patrimônio ambiental
Campos, Luis Candido Gomes de
Fenomenologia
Ambiente
Urbanismo
Arquitetura e Urbanismo - Projeto
Fenomenologia
Patrimônio ambiental
Phenomenology
Urbanism
Environment
title_short Fenomenologia do patrimônio ambiental
title_full Fenomenologia do patrimônio ambiental
title_fullStr Fenomenologia do patrimônio ambiental
title_full_unstemmed Fenomenologia do patrimônio ambiental
title_sort Fenomenologia do patrimônio ambiental
author Campos, Luis Candido Gomes de
author_facet Campos, Luis Candido Gomes de
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Pessôa, José Simões de Belmont
Holzer, Werther
Moreira, Fernando Diniz
Baeta, Rodrigo Espinha
Ribeiro, Otávio Leonídio
http://lattes.cnpq.br/8187969338469382
http://lattes.cnpq.br/6339561326164124
dc.contributor.author.fl_str_mv Campos, Luis Candido Gomes de
dc.subject.por.fl_str_mv Fenomenologia
Ambiente
Urbanismo
Arquitetura e Urbanismo - Projeto
Fenomenologia
Patrimônio ambiental
Phenomenology
Urbanism
Environment
topic Fenomenologia
Ambiente
Urbanismo
Arquitetura e Urbanismo - Projeto
Fenomenologia
Patrimônio ambiental
Phenomenology
Urbanism
Environment
description O presente trabalho é uma mudança de sentido no caminho percorrido ao longo de um quarto de século de atividade como arquiteto restaurador, em projeto, obras e no ensino. No percurso, a intermitência entre a prática e a reflexão levou-nos a duvidar da validade da restauração e, consequentemente, dos desdobramentos no modo de lidar, não apenas com o projeto de conservação e restauro, mas com o que significa projetar o urbano e a arquitetura em geral, posto que o projeto é sempre intervenção em preexistência. Partimos do questionamento da ideia fundamental de “patrimônio histórico e artístico”, em especial daquilo que, seguindo Heidegger2, passamos a chamar de “primado da historiografia”. Nossa hipótese é que tal fundamento “vela o ser do urbanismo” por trazer consigo uma série de problemas de compreensão resultantes da intercorrência das diferentes disciplinas de outras áreas (como a história) que convergem no campo disciplinar do urbanismo. Começamos, portanto, nossa mudança de sentido buscando fundamentos. Em ciências, sejam as da natureza ou as humanas, dizer “fundamento” significa dizer epistemologia. Assim propomos o aporte da fenomenologia que nos parece o mais adequado para tratar questões epistemológicas em urbanismo. Iniciamos então, no primeiro capítulo da tese, com Heidegger, para redirecionar nossa compreensão do sentido da arquitetura fora da lógica dedutiva que esconde o fenômeno urbano sob o véu da historiografia. Em seguida ensaiamos uma hermenêutica das teorias do urbanismo em busca do logos (lógica, linguagem), com especial interesse nos conceitos de “tipologia” em Quatremère de Quincy, e “morfologia” em Camilo Sitte; juntamente com Cesare Brandi, (reintegração na restauração) entre outros, buscando trazê-los para junto do ser-com heideggeriano, no modo fenomenológico, enquanto conceitos operacionais essenciais do projetar, ou seja, como disposição e compreensão. Prosseguindo, sempre na busca de um caminho fenomenológico, passamos em seguida a algumas considerações sobre a normativa representada nas Cartas Patrimoniais da UNESCO para interpretar os caminhos da mundificação do patrimônio mundial da humanidade, onde ao final encontramos o maior de todos os monumentos, o lixo como a verdadeira marca do nosso ser.Na sequência, propõe-se uma reflexão crítica, em estudos de caso, a partir de projetos e obras executados pelo autor, à luz das questões levantadas nos capítulos anteriores e por meio do olhar que o distanciamento temporal possibilita. Por fim, devido à natureza propositiva que concerne à profissão, chegamos, no último capítulo, à proposição de um “caminho metodológico” para o projeto urbano, onde, pretensamente superados o primado da historiografia e a ideia de restauração, o projeto “urbano-arquitetônico” (entendido como ação única e inseparável) possa se voltar para o modo dito “ambi-êntico” (no sentido do “ente ambíguo” que o neologismo indica), ou seja, enquanto fenômeno vivido e de maneira integrada.
publishDate 2020
dc.date.none.fl_str_mv 2020
2021-10-29T16:26:52Z
2021-10-29T16:26:52Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv CAMPOS, Luis Candido Gomes de. Fenomenologia do patrimônio ambiental. 2020. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Escola de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2020.
https://app.uff.br/riuff/handle/1/23594
Aluno de Doutorado
dc.identifier.dark.fl_str_mv ark:/87559/001300000418m
identifier_str_mv CAMPOS, Luis Candido Gomes de. Fenomenologia do patrimônio ambiental. 2020. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Escola de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2020.
Aluno de Doutorado
ark:/87559/001300000418m
url https://app.uff.br/riuff/handle/1/23594
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv CC-BY-SA
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv CC-BY-SA
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Niterói
publisher.none.fl_str_mv Niterói
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)
instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)
instacron:UFF
instname_str Universidade Federal Fluminense (UFF)
instacron_str UFF
institution UFF
reponame_str Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)
collection Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)
repository.mail.fl_str_mv riuff@id.uff.br
_version_ 1848091190041247744