Da branquitude: espetáculo de ser branco e alerta de ser negro
| Ano de defesa: | 2026 |
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Resumo: | Esta dissertação analisa a branquitude como uma posição estrutural que opera simultaneamente como espetáculo silencioso da norma universal branca e como dispositivo de alerta permanente que regula, vigia e penaliza corpos negros. A partir de uma revisão bibliográfica que articula os Critical Whiteness Studies e a produção crítica brasileira, sustenta-se que a branquitude não constitui identidade biológica, mas uma construção histórica e relacional inscrita na colonialidade do poder, responsável por assegurar privilégios materiais, simbólicos e subjetivos, ao mesmo tempo em que organiza hierarquias raciais e naturaliza desigualdades. No contexto brasileiro, esse regime se reconfigura por meio do mito da democracia racial, da ideologia da mestiçagem e de uma lógica pigmentocrática que distribui posições sociais conforme a gradação da cor da pele, convertendo a branquitude em capital corporal e mecanismo de estratificação, conforme demonstram estudos recentes. Tal dinâmica se expressa também na dimensão territorial, institucional e simbólica, evidenciando que a branquitude não é fixa, mas relacional e capaz de reorganizar suas fronteiras sem perder sua centralidade normativa. Metodologicamente, a pesquisa realizou levantamento bibliográfico de escopo no portal SciELO, identificando 43 trabalhos que permitem mapear a consolidação do campo e suas principais categorias analíticas. Os resultados indicam que a invisibilidade autoatribuída, os pactos narcísicos e a fantasia de neutralidade racial constituem os principais mecanismos de reprodução da branquitude, mantendo privilégios sem nomeá-los. Em contraste, a negritude é submetida a um regime de hipervisibilidade punitiva, no qual o corpo negro é constantemente racializado, suspeito e passível de controle, inclusive no interior das instituições, como demonstram análises sobre o sistema penal e a seletividade racial. O estudo avança ao propor a noção de necrohabitus, compreendida como a internalização histórica de disposições que naturalizam a gestão desigual da vida e da morte, articulando racismo, Estado e subjetividade. A partir disso, defende-se uma virada epistemológica que desloca o foco do “problema negro” para o “problema branco”, desnaturalizando a branquitude como norma e exigindo responsabilidade ética e política de seus beneficiários. Conclui-se que a superação do racismo exige mais que o reconhecimento de privilégios: demanda a descolonização do saber, a transformação das instituições e a construção de uma branquitude crítica, capaz de romper com sua própria lógica de reprodução. A luta antirracista revela-se, assim, simultaneamente epistemológica, política e existencial: trata-se de transformar o alerta em insurgência e o espetáculo em crítica ativa das estruturas que sustentam a desigualdade racial. |
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Oliveira, Armando Luís deLima, Juliana VinutoRios, Flavia MateusSouza, Lilian Angélica da Silva2026-07-23T12:39:08Z2026-07-23T12:39:08ZOLIVEIRA, Armando Luís de. Da branquitude: espetáculo de ser branco e alerta de ser negro. 2026. 244 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) - Programa de Pós-Graduação em Sociologia, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2026.https://app.uff.br/riuff/handle/1/43668Esta dissertação analisa a branquitude como uma posição estrutural que opera simultaneamente como espetáculo silencioso da norma universal branca e como dispositivo de alerta permanente que regula, vigia e penaliza corpos negros. A partir de uma revisão bibliográfica que articula os Critical Whiteness Studies e a produção crítica brasileira, sustenta-se que a branquitude não constitui identidade biológica, mas uma construção histórica e relacional inscrita na colonialidade do poder, responsável por assegurar privilégios materiais, simbólicos e subjetivos, ao mesmo tempo em que organiza hierarquias raciais e naturaliza desigualdades. No contexto brasileiro, esse regime se reconfigura por meio do mito da democracia racial, da ideologia da mestiçagem e de uma lógica pigmentocrática que distribui posições sociais conforme a gradação da cor da pele, convertendo a branquitude em capital corporal e mecanismo de estratificação, conforme demonstram estudos recentes. Tal dinâmica se expressa também na dimensão territorial, institucional e simbólica, evidenciando que a branquitude não é fixa, mas relacional e capaz de reorganizar suas fronteiras sem perder sua centralidade normativa. Metodologicamente, a pesquisa realizou levantamento bibliográfico de escopo no portal SciELO, identificando 43 trabalhos que permitem mapear a consolidação do campo e suas principais categorias analíticas. Os resultados indicam que a invisibilidade autoatribuída, os pactos narcísicos e a fantasia de neutralidade racial constituem os principais mecanismos de reprodução da branquitude, mantendo privilégios sem nomeá-los. Em contraste, a negritude é submetida a um regime de hipervisibilidade punitiva, no qual o corpo negro é constantemente racializado, suspeito e passível de controle, inclusive no interior das instituições, como demonstram análises sobre o sistema penal e a seletividade racial. O estudo avança ao propor a noção de necrohabitus, compreendida como a internalização histórica de disposições que naturalizam a gestão desigual da vida e da morte, articulando racismo, Estado e subjetividade. A partir disso, defende-se uma virada epistemológica que desloca o foco do “problema negro” para o “problema branco”, desnaturalizando a branquitude como norma e exigindo responsabilidade ética e política de seus beneficiários. Conclui-se que a superação do racismo exige mais que o reconhecimento de privilégios: demanda a descolonização do saber, a transformação das instituições e a construção de uma branquitude crítica, capaz de romper com sua própria lógica de reprodução. A luta antirracista revela-se, assim, simultaneamente epistemológica, política e existencial: trata-se de transformar o alerta em insurgência e o espetáculo em crítica ativa das estruturas que sustentam a desigualdade racial.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorThis dissertation analyzes whiteness as a structural position that functions simultaneously as a silent spectacle of the universal white norm and as a mechanism of constant vigilance that regulates, monitors, and penalizes Black bodies. Based on a literature review that brings together Critical Whiteness Studies and Brazilian critical scholarship, it is argued that whiteness does not constitute a biological identity, but rather a historical and relational construction embedded in the coloniality of power, responsible for securing material, symbolic, and subjective privileges, while simultaneously organizing racial hierarchies and naturalizing inequalities. In the Brazilian context, this regime is reconfigured through the myth of racial democracy, the ideology of miscegenation, and a pigmentocratic logic that distributes social positions according to skin color gradation, converting whiteness into bodily capital and a mechanism of stratification, as recent studies demonstrate. This dynamic is also expressed in the territorial, institutional, and symbolic dimensions, demonstrating that whiteness is not fixed but relational and capable of reorganizing its boundaries without losing its normative centrality. Methodologically, the research conducted a scoping literature review on the SciELO portal, identifying 43 studies that allow for mapping the consolidation of the field and its main analytical categories. The results indicate that self-ascribed invisibility, narcissistic pacts, and the fantasy of racial neutrality constitute the primary mechanisms for the reproduction of whiteness, maintaining privileges without naming them. In contrast, Blackness is subjected to a regime of punitive hypervisibility, in which the Black body is constantly racialized, viewed with suspicion, and subject to control, even within institutions, as demonstrated by analyses of the criminal justice system and racial selectivity. The study goes further by proposing the notion of necrohabitus, understood as the historical internalization of dispositions that naturalize the unequal management of life and death, articulating racism, the state, and subjectivity. Based on this, an epistemological shift is advocated that shifts the focus from the “Black problem” to the “White problem,” denaturalizing whiteness as the norm and demanding ethical and political accountability from its beneficiaries. It is concluded that overcoming racism requires more than the recognition of privilege: it demands the decolonization of knowledge, the transformation of institutions, and the construction of a critical whiteness capable of breaking with its own logic of reproduction. The anti-racist struggle thus reveals itself to be simultaneously epistemological, political, and existential: it is a matter of transforming awareness into insurgency and spectacle into active critique of the structures that sustain racial inequality.244 f.http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/CC-BY-NCinfo:eu-repo/semantics/openAccessDa branquitude: espetáculo de ser branco e alerta de ser negroinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisBranquitudeNegritudeRacismoPacto NarcísicoSalário PsicológicoNegro - BrasilRacismoWhitenessBlacknessRacismNarcissistic PactPsychological SalaryMestrado acadêmicoUniversidade Federal FluminenseInstituto de Ciências Humanas e FilosofiaPrograma de Pós-Graduação em Sociologia2026Niterói, RJObjetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todosporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFFORIGINALDissertação FINAL - Armando.pdfDissertação FINAL - Armando.pdfDissertação de mestradoapplication/pdf1967206https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/43668/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20FINAL%20-%20Armando.pdff9d342bcd861d1d8974ca06c8e184095MD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81866https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/43668/2/license.txt43cd690d6a359e86c1fe3d5b7cba0c9bMD521/436682026-07-23 09:39:08.738oai:app.uff.br:1/43668TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkNvbSBhIGFwcmVzZW50YcOnw6NvIGRlc3RhIGxpY2Vuw6dhLCB2b2PDqiAobyBhdXRvciAoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCAgdHJhZHV6aXIgKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIApzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIChpbmNsdWluZG8gbyByZXN1bW8pIHBvciB0b2RvIG8gbXVuZG8gbm8gZm9ybWF0byBpbXByZXNzbyBlIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIApmb3JtYXRvcyDDoXVkaW8gb3UgdsOtZGVvLgoKVm9jw6ogY29uY29yZGEgcXVlIG8gRGVwb3NpdGEgcG9kZSwgc2VtIGFsdGVyYXIgbyBjb250ZcO6ZG8sIHRyYW5zcG9yIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIHF1YWxxdWVyIG1laW8gb3UgZm9ybWF0byAKcGFyYSBmaW5zIGRlIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiB0YW1iw6ltIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIERlcG9zaXRhIHBvZGUgbWFudGVyIG1haXMgZGUgdW1hIGPDs3BpYSBkZSBzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIHBhcmEgZmlucyBkZSBzZWd1cmFuw6dhLCBiYWNrLXVwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiBkZWNsYXJhIHF1ZSBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gw6kgb3JpZ2luYWwgZSBxdWUgdm9jw6ogdGVtIG8gcG9kZXIgZGUgY29uY2VkZXIgb3MgZGlyZWl0b3MgY29udGlkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EuIApWb2PDqiB0YW1iw6ltIGRlY2xhcmEgcXVlIG8gZGVww7NzaXRvIGRhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gbsOjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgaW5mcmluZ2UgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgCmRlIG5pbmd1w6ltLgoKQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBEZXBvc2l0YSBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhLgoKQ0FTTyBBIFBVQkxJQ0HDh8ODTyBPUkEgREVQT1NJVEFEQSBURU5IQSBTSURPIFJFU1VMVEFETyBERSBVTSBQQVRST0PDjU5JTyBPVSBBUE9JTyBERSBVTUEgQUfDik5DSUEgREUgRk9NRU5UTyBPVSBPVVRSTyAKT1JHQU5JU01PLCBWT0PDiiBERUNMQVJBIFFVRSBSRVNQRUlUT1UgVE9ET1MgRSBRVUFJU1FVRVIgRElSRUlUT1MgREUgUkVWSVPDg08gQ09NTyBUQU1Cw4lNIEFTIERFTUFJUyBPQlJJR0HDh8OVRVMgCkVYSUdJREFTIFBPUiBDT05UUkFUTyBPVSBBQ09SRE8uCgpPIERlcG9zaXRhIHNlIGNvbXByb21ldGUgYSBpZGVudGlmaWNhciBjbGFyYW1lbnRlIG8gc2V1IG5vbWUgKHMpIG91IG8ocykgbm9tZShzKSBkbyhzKSBkZXRlbnRvcihlcykgZG9zIGRpcmVpdG9zIAphdXRvcmFpcyBkYSBwdWJsaWNhw6fDo28sIGUgbsOjbyBmYXLDoSBxdWFscXVlciBhbHRlcmHDp8OjbywgYWzDqW0gZGFxdWVsYXMgY29uY2VkaWRhcyBwb3IgZXN0YSBsaWNlbsOnYS4KRepositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202026-07-23T12:39:08Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false |
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