Estoques de carbono em sedimentos de manguezal ao longo da costa brasileira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Araújo, Ana Cecília Alves Pereira de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/43172
Resumo: As mudanças climáticas intensificadas pelas atividades humanas é um dos maiores desafios ambientais globais do tempo contemporâneo. Nesse contexto, os ecossistemas costeiros vegetados, especialmente os manguezais, desempenham papel essencial na mitigação climática por sua elevada capacidade de sequestro e armazenamento de carbono (C). Esses ambientes, conhecidos como sistemas de carbono azul, acumulam grandes quantidades de matéria orgânica (MO) nos sedimentos, contribuindo para a regulação do ciclo do carbono e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos costeiros. O Brasil, que abriga uma das maiores extensões contínuas de manguezais do planeta, apresenta considerável variabilidade ambiental, o que reforça a importância de compreender os fatores que controlam os estoques de carbono sedimentar. O presente estudo avaliou a variabilidade dos estoques de carbono em sedimentos de manguezais sob condições ambientais e influências antrópicas contrastantes em três regiões do Brasil, Norte (Salinópolis, PA), Nordeste (Itapessoca, PE) e Sudeste (Itacuruçá, RJ). Foram analisadas as fontes de MO, os teores elementares e isotópicos de carbono e nitrogênio, além dos estoques de carbono, relacionando-os a gradientes ambientais e antrópicos. Partiu-se da hipótese de que tanto fatores regionais, como o regime de marés, quanto características locais controlam a deposição e preservação do carbono. Os resultados apontaram contrastes marcantes entre as regiões. Em Salinópolis (N1), os sedimentos apresentaram fração fina predominante, baixos teores de C (média 2,5%) e o menor estoque (3043 gC.m⁻²), compatíveis com outros estudos em ambientes de macromarés. Em Itapessoca (NE1), foram observados teores intermediários de carbono (média 4,0%) e estoque de 9593 gC.m⁻², além de variabilidade vertical que pode sugerir alternância de condições deposicionais. Já Itacuruçá (SE1) exibiu os maiores teores e estoque de carbono, média 4,7% e 13869 gC.m⁻², associados à maior acumulação da matéria orgânica sedimentar. As assinaturas isotópicas de δ¹³C indicaram o predomínio de fontes terrígenas do tipo C3 em todas as regiões analisadas, com indícios de mistura com fontes de plantas C4 em Itapessoca. Os valores da razão C:N corroboraram a predominância de matéria orgânica autóctone proveniente de vegetação C3 nos três locais de estudo, mas também sugerem, em N1, a contribuição de fontes adicionais associadas a efluentes ou material algal. Já as assinaturas de δ¹⁵N confirmaram o predomínio de fontes típicas de manguezal de plantas C3, porém, diferentemente da razão C:N, não apontaram influência significativa de efluentes ou de origem algal em N1. Em síntese, os resultados indicam que os estoques de carbono em manguezais brasileiros são moldados pela interação entre gradientes ambientais e condicionantes locais, refletindo diferentes dinâmicas de deposição, preservação e exportação da MO. Reconhecer essa combinação de fatores é fundamental para fortalecer estratégias de mitigação e conservação ambiental voltadas aos ecossistemas costeiros.
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O Brasil, que abriga uma das maiores extensões contínuas de manguezais do planeta, apresenta considerável variabilidade ambiental, o que reforça a importância de compreender os fatores que controlam os estoques de carbono sedimentar. O presente estudo avaliou a variabilidade dos estoques de carbono em sedimentos de manguezais sob condições ambientais e influências antrópicas contrastantes em três regiões do Brasil, Norte (Salinópolis, PA), Nordeste (Itapessoca, PE) e Sudeste (Itacuruçá, RJ). Foram analisadas as fontes de MO, os teores elementares e isotópicos de carbono e nitrogênio, além dos estoques de carbono, relacionando-os a gradientes ambientais e antrópicos. Partiu-se da hipótese de que tanto fatores regionais, como o regime de marés, quanto características locais controlam a deposição e preservação do carbono. Os resultados apontaram contrastes marcantes entre as regiões. Em Salinópolis (N1), os sedimentos apresentaram fração fina predominante, baixos teores de C (média 2,5%) e o menor estoque (3043 gC.m⁻²), compatíveis com outros estudos em ambientes de macromarés. Em Itapessoca (NE1), foram observados teores intermediários de carbono (média 4,0%) e estoque de 9593 gC.m⁻², além de variabilidade vertical que pode sugerir alternância de condições deposicionais. Já Itacuruçá (SE1) exibiu os maiores teores e estoque de carbono, média 4,7% e 13869 gC.m⁻², associados à maior acumulação da matéria orgânica sedimentar. As assinaturas isotópicas de δ¹³C indicaram o predomínio de fontes terrígenas do tipo C3 em todas as regiões analisadas, com indícios de mistura com fontes de plantas C4 em Itapessoca. Os valores da razão C:N corroboraram a predominância de matéria orgânica autóctone proveniente de vegetação C3 nos três locais de estudo, mas também sugerem, em N1, a contribuição de fontes adicionais associadas a efluentes ou material algal. Já as assinaturas de δ¹⁵N confirmaram o predomínio de fontes típicas de manguezal de plantas C3, porém, diferentemente da razão C:N, não apontaram influência significativa de efluentes ou de origem algal em N1. Em síntese, os resultados indicam que os estoques de carbono em manguezais brasileiros são moldados pela interação entre gradientes ambientais e condicionantes locais, refletindo diferentes dinâmicas de deposição, preservação e exportação da MO. Reconhecer essa combinação de fatores é fundamental para fortalecer estratégias de mitigação e conservação ambiental voltadas aos ecossistemas costeiros.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorClimate change, intensified by human activities, is one of the greatest global environmental challenges. In this context, vegetated coastal ecosystems, especially mangroves, play an essential role in climate mitigation due to their high capacity for carbon (C) sequestration and storage. These environments, known as blue carbon systems, accumulate large amounts of organic matter (OM) in sediments, contributing to the regulation of the carbon cycle and the maintenance of coastal ecosystem services. Brazil, which harbors one of the largest continuous mangrove extensions on the planet, presents considerable environmental variability, reinforcing the importance of understanding the factors that control sedimentary carbon stocks. This study evaluated the variability of carbon stocks in mangrove sediments under contrasting environmental conditions and anthropogenic influences in three regions of Brazil: North (Salinópolis, PA), Northeast (Itapessoca, PE), and Southeast (Itacuruçá, RJ). The sources of OM, elemental and isotopic carbon and nitrogen contents, and carbon stocks were analyzed, relating them to environmental, climatic, and anthropogenic gradients. The hypothesis was that both regional factors, such as tidal regimes, and local characteristics control carbon deposition and preservation. The results showed striking contrasts between the regions. In Salinópolis (N1), the sediments presented a predominantly fine fraction, low C contents (average 2.5%), and the lowest stock (3043 gC.m⁻²), consistent with other studies in macrotidal environments. In Itapessoca (NE1), intermediate carbon contents (average 4.0%) and a stock of 9593 gC.m⁻² were observed, in addition to vertical variability that may suggest alternating depositional conditions. Itacuruçá (SE1) exhibited the highest carbon content and stock, averaging 4.7% and 13869 gC.m⁻², associated with the greatest accumulation of sedimentary organic matter. δ¹³C isotopic signatures indicated the predominance of C3 terrigenous sources in all analyzed regions, with evidence of mixing with C4 plant sources in Itapessoca. C:N ratio values corroborated the predominance of autochthonous organic matter from C3 vegetation in the three study locations, but also suggest, in N1, the contribution of additional sources associated with effluents or algal material. δ¹⁵N signatures confirmed the predominance of typical mangrove sources of C3 plants, but, unlike the C:N ratio, did not indicate a significant influence of effluents or algal origin in N1. In summary, the results indicate that carbon stocks in Brazilian mangroves are shaped by the interaction between latitudinal gradients and local conditions, reflecting different dynamics of deposition, preservation, and export of OM. Recognizing this combination of factors is fundamental to strengthening mitigation and environmental conservation strategies focused on coastal ecosystems.86 f.Machado, Wilson Thadeu Vallehttp://lattes.cnpq.br/9250125302396616Nogueira, Leonardo Amorahttp://lattes.cnpq.br/5587921008725148Ramos, Rut Amelia Díazhttp://lattes.cnpq.br/6451370564174519Abuchacra, Rodrigo Coutinhohttp://lattes.cnpq.br/2549004681703128http://lattes.cnpq.br/6906631738225105Araújo, Ana Cecília Alves Pereira de2026-04-17T20:44:45Z2026-04-17T20:44:45Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfARAÚJO, Ana Cecília Alves Pereira de. Estoques de carbono em sedimentos de manguezal ao longo da costa brasileira. 2025. 88 f. 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