Morfodinâmica fluvial em áreas semiáridas: o Rio Jaguaribe à jusante da Barragem do Castanhão, CE- Brasil
| Ano de defesa: | 2024 |
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Resumo: | Estudos sobre morfodinâmica fluvial em áreas semiáridas aindasão pouco discutidos na América do Sul, em especial no Brasil. Considerando arelevância do tema o trabalho propõe contribuir para o saber sobre o comportamentode canais nestas áreas, avaliando a dinâmica fluvial do RioJaguaribe-CE-Brasil, à jusante da Barragem do Castanhão e as possíveisalterações (1) hidrológicas, (2) sedimentológicas e (3) morfológicas, analisandodados no período anterior e posterior a construção da mesma. A metodologia contou com a análise de dados históricos devazão (7 estações) e sedimento (4 estações), além de coletas diretas em campodurante os anos de 2009 e 2010, em que foram coletados dados de perfilagemtopográfica no canal, vazão, sedimento (suspensão e fundo) e erosão de margens(pinos de erosão) em 11 estações distribuídas à jusante da Barragem doCastanhão. Análises comparativas de fotografias aéreas e imagens de diferentesanos possibilitaram observações quanto às variações morfológicas do canal eáreas potenciais a erosão de margens, bem como à evolução do uso e ocupação daplanície. Os resultados hidrológicos mostram (1) redução ~76% nasmédias de vazões diárias e ~80% nos picos de descarga após a construção dabarragem. Por outro lado, baixos fluxos (<10 m3 s-1), comuns em cerca de70-90% do ano, foram aumentados após a construção da barragem. Na análise desedimentos (2), observou-se que os valores de concentração de sedimentos foramreduzidos em 41%, estimando-se uma diminuição em mais de 50% nas taxas detransporte em suspensão. De acordo com dados de transporte de fundo acredita-seque este possa representar 68% do total transportado, sendo necessário maioresestudos. A análise morfológica (3) evidenciou pontos de erosão com recuo demargens da ordem de 1-7 m ano-1 no período analisado (1958-2010). Entretanto, otrecho de 23 km a jusante da barragem demonstrou aceleração no recuo de margens(2x) entre 2003 e 2010 em relação ao período anterior a construção da Barragem.Em suma, as evidências da pesquisa indicaram que o rio tendea passar por uma lenta, mas progressiva redução de seu nível de base, uma vezque a redução da capacidade e competência do rio foi causada pela regularizaçãodos picos de descarga. Assim, a inserção da barragem do Castanhão em 2002,aparece como um marco alterando a dinâmica hidrológica, sedimentológica emorfológica do canal do Jaguaribe que agora busca outras formas de equilíbrio.Ademais, estudos como o realizado no Jaguaribe, enfocando o comportamento decanais a jusante de barramentos são necessários no planejamento e gestão dosrecursos hídricos, de modo essencial no Ceará, onde o Governo do Estado tempriorizado e investido numa forte política de açudagem. |
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