Utilização da ultrassonografia em articulação temporomandibular na avaliação diagnóstica de alterações em indivíduos com artrite reumatoide

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Furtado, Daiana Martins de Campos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/43163
Resumo: A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune inflamatória sistêmica que pode acometer a articulação temporomandibular (ATM), frequentemente associada a dor e limitação funcional. A ultrassonografia (USG) representa um método promissor para avaliação de alterações inflamatórias e estruturais dessa articulação, porém sua correlação com manifestações clínicas e atividade sistêmica da AR ainda é pouco definida. Este estudo teve como objetivo investigar a prevalência de disfunção temporomandibular (DTM) em indivíduos com AR e avaliar, por meio da USG de alta resolução, os principais achados inflamatórios e estruturais da ATM. Foram avaliados 97 participantes com diagnóstico confirmado de AR (194 ATMs), com idade média de 59,8 anos, tempo médio de doença de 10,3 anos e predominância do sexo feminino (85,6%). Todos foram submetidos a avaliação clínica, odontológica e reumatológica, aplicação de questionários padronizados, exames laboratoriais e USG da ATM e da 2ª articulação metacarpofalangeana (MCF). As medidas ultrassonográficas incluíram as distâncias cápsula articular–côndilo mandibular (CA–CM) e borda glenoidal–côndilo mandibular (BG–CM), obtidas nos planos longitudinal e transversal, nas posições de boca aberta e fechada. A prevalência de DTM foi de 67,0%, com acometimento bilateral em 53,6%. Houve associação significativa entre DTM e dor orofacial, cefaleia, ansiedade, limitação funcional mandibular e pior qualidade de vida (p<0,05), sem relação com tempo de doença, autoanticorpos ou uso de terapias biológicas. Na USG, observaram-se sinovite em 25,3%, estreitamento do espaço articular em 32% e erosões ósseas em 14,4% das ATMs avaliadas. O sinal de fluxo vascular intra-articular pelo power doppler foi detectado em menos de 5% dos casos, demonstrando baixa sensibilidade para essa articulação. As medidas ecográficas apresentaram desempenho diagnóstico significativo. A distância CA–CM mostrou AUC ROC de 0,84 (IC95%: 0,78–0,90), com ponto de corte de 1,7 mm, sensibilidade de 82%, especificidade de 80% e valor preditivo negativo superior a 90% para detecção de sinovite. A distância BG–CM apresentou AUC entre 0,79 e 0,81 para detecção de erosões e estreitamento articular. O modelo logístico combinando CA–CM ≥1,7 mm e dor à palpação resultou em escore preditivo de sinovite com AUC de 0,86 (IC95%: 0,81–0,91; p<0,001). Não houve correlação significativa entre os achados ultrassonográficos da ATM e da 2ª MCF, sugerindo mecanismos distintos de acometimento articular. Os resultados confirmam elevada prevalência de DTM em indivíduos com AR, frequentemente bilateral e com impacto funcional e psicossocial relevante. A USG mostrou alta acurácia e aplicabilidade na detecção de alterações inflamatórias e estruturais da ATM, permitindo sua identificação precoce independentemente da duração da doença. O escore preditivo proposto representa uma ferramenta inédita e potencialmente útil no rastreamento e monitoramento clínico da AR.
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A ultrassonografia (USG) representa um método promissor para avaliação de alterações inflamatórias e estruturais dessa articulação, porém sua correlação com manifestações clínicas e atividade sistêmica da AR ainda é pouco definida. Este estudo teve como objetivo investigar a prevalência de disfunção temporomandibular (DTM) em indivíduos com AR e avaliar, por meio da USG de alta resolução, os principais achados inflamatórios e estruturais da ATM. Foram avaliados 97 participantes com diagnóstico confirmado de AR (194 ATMs), com idade média de 59,8 anos, tempo médio de doença de 10,3 anos e predominância do sexo feminino (85,6%). Todos foram submetidos a avaliação clínica, odontológica e reumatológica, aplicação de questionários padronizados, exames laboratoriais e USG da ATM e da 2ª articulação metacarpofalangeana (MCF). 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O escore preditivo proposto representa uma ferramenta inédita e potencialmente útil no rastreamento e monitoramento clínico da AR.Rheumatoid arthritis (RA) is a systemic autoimmune inflammatory disease that may affect the temporomandibular joint (TMJ), often associated with pain and functional limitation. Ultrasonography (US) represents a promising method for assessing inflammatory and structural changes in this joint; however, its correlation with clinical manifestations and systemic disease activity in RA remains poorly defined. This study aimed to investigate the prevalence of temporomandibular disorder (TMD) in individuals with RA and to evaluate, using high-resolution US, the main inflammatory and structural findings of the TMJ. A total of 97 participants with confirmed RA diagnosis (194 TMJs) were evaluated, with a mean age of 59.8 years, mean disease duration of 10.3 years, and predominance of females (85.6%). All participants underwent clinical, dental, and rheumatological assessments, completion of standardized questionnaires, laboratory tests, and US examinations of the TMJ and the second metacarpophalangeal joint (MCP). Ultrasonographic measurements included the articular capsule–mandibular condyle (AC–MC) and glenoidal rim–mandibular condyle (GR–MC) distances, obtained in longitudinal and transverse planes, with the mouth in closed and open positions. The prevalence of TMD was 67.0%, with bilateral involvement in 53.6% of cases. There was a significant association between TMD and orofacial pain, headache, anxiety, mandibular functional limitation, and poorer quality of life (p<0.05), with no correlation to disease duration, autoantibody status, or biological therapy use. On US, synovitis was observed in 25.3%, joint space narrowing in 32%, and bone erosions in 14.4% of TMJs. Intra-articular vascular flow signal by power Doppler was detected in fewer than 5% of cases, indicating low sensitivity for this joint. Ultrasonographic measurements showed significant diagnostic performance. The AC–MC distance demonstrated an ROC AUC of 0.84 (95% CI: 0.78–0.90), with a cutoff value of 1.7 mm, 82% sensitivity, 80% specificity, and a negative predictive value above 90% for detecting synovitis. The GR–MC distance showed AUC values ranging from 0.79 to 0.81 for detecting erosions and joint space narrowing. The logistic model combining AC–MC ≥1.7 mm and tenderness on palpation resulted in a predictive score for synovitis with an AUC of 0.86 (95% CI: 0.81–0.91; p<0.001). No significant correlation was found between TMJ and second MCP ultrasonographic findings, suggesting distinct mechanisms of joint involvement. The results confirm a high prevalence of TMD among individuals with RA, often bilateral and with relevant functional and psychosocial impact. US demonstrated high accuracy and applicability in detecting inflammatory and structural changes in the TMJ, enabling early identification regardless of disease duration. The proposed predictive score represents a novel and potentially useful tool for clinical screening and monitoring in RA.110 p.Picciani, Bruna Lavinas Sayedhttp://lattes.cnpq.br/2423352002303148Mendonça, José Alexandrehttp://lattes.cnpq.br/7028526373154386Picciani, Bruna Lavinas Sayedhttp://lattes.cnpq.br/2423352002303148Mendonça, José Alexandrehttp://lattes.cnpq.br/7028526373154386Assaf, Andréa Videirahttp://lattes.cnpq.br/9038896005686396http://lattes.cnpq.br/1278540213101850Furtado, Daiana Martins de Campos2026-04-13T14:20:54Z2026-04-13T14:20:54Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfFURTADO, Daiana Martins de Campos. Utilização da ultrassonografia em articulação temporomandibular na avaliação diagnóstica de alterações em indivíduos com artrite reumatoide. 2025. 110 f. Dissertação (Mestrado em Odontologia) - Programa de Pós- Graduação em Odontologia, Instituto de Saúde de Nova Friburgo, Universidade Federal Fluminense. Nova Friburgo, RJ, 2025.https://app.uff.br/riuff/handle/1/43163CC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFF2026-04-13T14:20:54Zoai:app.uff.br:1/43163Repositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202026-04-13T14:20:54Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
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