Anos de óleo, sangue e chumbo: a Petrobras e a ditadura empresarial-militar brasileira (1964-1988)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Carvalho, Julio Cesar Pereira de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/87559/0013000018tw0
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Oil
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/37101
Resumo: O objetivo central deste estudo é analisar as relações entre a Petrobras, os militares e as classes dominantes brasileiras durante a ditadura empresarial-militar (1964-1988). O ponto de partida da pesquisa foi calcado em análise histórica das relações sociais que embasaram as políticas petrolíferas entre 1930 e 1964, exposta em capítulo específico. Constatou-se, nesta seção, que o golpe que derrubou o governo João Goulart significou a alocação da Petrobras, de forma desnuda e efetiva, no cerne da contrarrevolução preventiva que embala a estrutura de funcionamento das classes dominantes brasileiras. Tendo isso em vista, a hipótese que regeu o "núcleo duro" desta pesquisa foi fortemente influenciada pela pesquisa de René Dreifuss, mais especialmente o seu livro "1964: a conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe". O cientista político demonstrou que o golpe de 1964 e a ditadura então instituída foram construídos, elementarmente, por segmentos militares e empresariais. Por conseguinte, a hipótese da tese partiu da presunção de que com a Petrobras não foi diferente, sendo seus quadros constituídos, ao longo do regime, por componentes das burguesias e por membros das Forças Armadas. Com o uso do aparato teórico-metodológico marxista gramsciano foram analisadas as trajetórias coletivas de todos os componentes do alto escalão da Petrobras entre 1964 e 1988, de modo a qualificar o perfil dos militares ali inseridos e perceber a existência de intelectuais orgânicos empresariais naquelas funções. Além disso, foram averiguadas mobilizações de aparatos privados de hegemonia em relação às diretrizes petrolíferas do Estado. Como conclusão, verificou-se que a estrutura administrativa do sistema Petrobras foi predominantemente integrada, por um lado, por agentes vinculados ao empresariado brasileiro, o que contraria a tese de autores que afirmam que a estatal, na ditadura, passou a ser gerida por "tecnocratas" alheios às relações/interesses políticos. Por outro lado, o primeiro escalão da Petrobras também foi composto por componentes das Forças Armadas atrelados à Escola Superior de Guerra. Em decorrência desse cenário, a estatal do petróleo se configurou tanto como um importante pivô da Doutrina de Segurança Nacional de combate aos "inimigos internos" quanto como uma viabilizadora da concentração e centralização de capitais privados específicos, sobretudo aqueles atuantes no ramo petroquímico. Junto a isso, a Petrobras seguiu sendo um vetor da contrarrevolução preventiva brasileira mesmo no processo de abertura para a democracia, em um cenário no qual trabalhadores da categoria puderam atuar politicamente de forma mais enfática e que as burguesias passaram a pleitear a privatização do sistema Petrobras.
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Tendo isso em vista, a hipótese que regeu o "núcleo duro" desta pesquisa foi fortemente influenciada pela pesquisa de René Dreifuss, mais especialmente o seu livro "1964: a conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe". O cientista político demonstrou que o golpe de 1964 e a ditadura então instituída foram construídos, elementarmente, por segmentos militares e empresariais. Por conseguinte, a hipótese da tese partiu da presunção de que com a Petrobras não foi diferente, sendo seus quadros constituídos, ao longo do regime, por componentes das burguesias e por membros das Forças Armadas. Com o uso do aparato teórico-metodológico marxista gramsciano foram analisadas as trajetórias coletivas de todos os componentes do alto escalão da Petrobras entre 1964 e 1988, de modo a qualificar o perfil dos militares ali inseridos e perceber a existência de intelectuais orgânicos empresariais naquelas funções. Além disso, foram averiguadas mobilizações de aparatos privados de hegemonia em relação às diretrizes petrolíferas do Estado. Como conclusão, verificou-se que a estrutura administrativa do sistema Petrobras foi predominantemente integrada, por um lado, por agentes vinculados ao empresariado brasileiro, o que contraria a tese de autores que afirmam que a estatal, na ditadura, passou a ser gerida por "tecnocratas" alheios às relações/interesses políticos. Por outro lado, o primeiro escalão da Petrobras também foi composto por componentes das Forças Armadas atrelados à Escola Superior de Guerra. Em decorrência desse cenário, a estatal do petróleo se configurou tanto como um importante pivô da Doutrina de Segurança Nacional de combate aos "inimigos internos" quanto como uma viabilizadora da concentração e centralização de capitais privados específicos, sobretudo aqueles atuantes no ramo petroquímico. Junto a isso, a Petrobras seguiu sendo um vetor da contrarrevolução preventiva brasileira mesmo no processo de abertura para a democracia, em um cenário no qual trabalhadores da categoria puderam atuar politicamente de forma mais enfática e que as burguesias passaram a pleitear a privatização do sistema Petrobras.Conselho Nacional de Deselvolvimento Científico e TecnológicoThe central objective of this study is to analyze the relationships between Petrobras, the military, and the Brazilian ruling classes during the corporate-military dictatorship (1964- 1988). The starting point of the research was grounded in a historical analysis of the social relations that underpinned oil policies between 1930 and 1964, presented in a specific chapter. It was found in this section that the coup that toppled the João Goulart government signified the allocation of Petrobras, in a stark and effective manner, at the heart of the preventive counter-revolution that underpins the operational structure of the Brazilian ruling classes. With this in mind, the hypothesis guiding the core of this research was heavily influenced by René Dreifuss’s work, particularly his book "1964: The Conquest of the State. Political Action, Power, and Class Coup." The political scientist demonstrated that the 1964 coup and the ensuing dictatorship were fundamentally constructed by military and business segments. Consequently, the thesis hypothesis was based on the presumption that Petrobras was no different, with its ranks composed, throughout the regime, of members of the bourgeoisie and the Armed Forces. Using the Gramscian Marxist theoretical-methodological framework, the collective trajectories of all senior Petrobras officials from 1964 to 1988 were analyzed to qualify the profile of the military personnel included and to identify the presence of organic intellectuals from the business sector within the state-owned company. Furthermore, the mobilization of private hegemony apparatuses in relation to state oil policies was examined. In conclusion, it was found that the administrative structure of the Petrobras system was predominantly integrated, on one hand, by agents linked to the Brazilian business community, which contradicts the thesis of authors who claim that the state-owned company, during the dictatorship, came to be managed by “technocrats” detached from political relations. On the other hand, the senior management of Petrobras was also composed of members of the Armed Forces affiliated with the Escola Superior de Guerra (War College). As a result of this scenario, the state oil company emerged both as an important pivot of the National Security Doctrine in combating “internal enemies” and as an enabler of the concentration and centralization of specific private capitals, especially those operating in the petrochemical sector. Along with that, Petrobras continued to be a vector of the Brazilian preventive counterrevolution even during the process of liberalization, in a scenario where workers in the sector could act politically more emphatically, and the bourgeoisie began to advocate for the privatization of the Petrobras system.455 f.Fontes, Virginia Maria Gomes de MattosIvo, Alex de SouzaPraun, Lucieneida DováoCampos, Pedro Henrique PedreiraLemos, Renato Luís do Couto Neto eCarvalho, Julio Cesar Pereira de2025-03-05T13:07:50Z2025-03-05T13:07:50Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfCARVALHO, Julio Cesar Pereira de. Anos de óleo, sangue e chumbo: a Petrobras e a ditadura empresarial-militar brasileira (1964-1988). 2024. 455 f. Tese (Doutorado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Instituto de História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2024.https://app.uff.br/riuff/handle/1/37101ark:/87559/0013000018tw0CC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFF2025-03-05T13:07:51Zoai:app.uff.br:1/37101Repositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202025-03-05T13:07:51Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
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