“Não quero lembrar, mas não consigo esquecer”: uma etnografia sobre o cotidiano de mulheres que foram vítimas de violência sexual

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Silva, Cristiane Santos Marcelino da
Orientador(a): Silva, Ana Paula da lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/44542
Resumo: Esta dissertação investiga como mulheres que vivenciaram violência sexual — na infância, adolescência ou vida adulta, em contextos intra e/ou extrafamiliares, negociam, ao longo do tempo, as marcas subjetivas e sociais dessas experiências. O estudo busca compreender não apenas os efeitos imediatos da violência, mas também as formas pelas quais ela permanece, retorna e se transforma no cotidiano, inclusive por meio do silêncio. Parte-se do pressuposto de que o silêncio, frequentemente interpretado como ausência de enfrentamento, pode constituir uma estratégia de autopreservação diante das múltiplas consequências que a revelação da violência pode produzir na vida das mulheres. A pesquisa articula diferentes materiais empíricos, incluindo observações registradas em diários de campo produzidos durante minha atuação como assistente social no Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Violência (NACA), bem como a experiência de campo realizada junto ao Movimento de Mulheres de São Gonçalo. Ao longo do processo investigativo, tornou-se evidente que a escolha do tema também se relaciona à minha própria trajetória, o que levou à incorporação da autoetnografia como um dos eixos metodológicos. A partir de contribuições da antropologia feminista, o trabalho analisa o silenciamento não apenas como consequência da violência sexual, mas como parte de uma tecnologia cultural de gênero que produz culpa, vergonha e responsabilização das vítimas, funcionando como mecanismo de controle social. Nesse sentido, examina-se como esses sentimentos se inscrevem nas trajetórias das mulheres e reaparecem em diferentes momentos e relações. Ao tensionar as fronteiras entre experiência pessoal, prática profissional e produção acadêmica, a dissertação propõe uma reflexão situada sobre o que significa pesquisar a violência sexual a partir de dentro das instituições, das relações e das próprias experiências.
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O estudo busca compreender não apenas os efeitos imediatos da violência, mas também as formas pelas quais ela permanece, retorna e se transforma no cotidiano, inclusive por meio do silêncio. Parte-se do pressuposto de que o silêncio, frequentemente interpretado como ausência de enfrentamento, pode constituir uma estratégia de autopreservação diante das múltiplas consequências que a revelação da violência pode produzir na vida das mulheres. A pesquisa articula diferentes materiais empíricos, incluindo observações registradas em diários de campo produzidos durante minha atuação como assistente social no Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Violência (NACA), bem como a experiência de campo realizada junto ao Movimento de Mulheres de São Gonçalo. Ao longo do processo investigativo, tornou-se evidente que a escolha do tema também se relaciona à minha própria trajetória, o que levou à incorporação da autoetnografia como um dos eixos metodológicos. A partir de contribuições da antropologia feminista, o trabalho analisa o silenciamento não apenas como consequência da violência sexual, mas como parte de uma tecnologia cultural de gênero que produz culpa, vergonha e responsabilização das vítimas, funcionando como mecanismo de controle social. Nesse sentido, examina-se como esses sentimentos se inscrevem nas trajetórias das mulheres e reaparecem em diferentes momentos e relações. Ao tensionar as fronteiras entre experiência pessoal, prática profissional e produção acadêmica, a dissertação propõe uma reflexão situada sobre o que significa pesquisar a violência sexual a partir de dentro das instituições, das relações e das próprias experiências.This dissertation investigates how women who have experienced sexual violence, whether in childhood, adolescence, or adulthood, and whether in intra- or extrafamilial contexts, negotiate the long-term subjective and social consequences of these events. Rather than focusing solely on the immediate aftermath, the study examines how violence persists, resurfaces, and reshapes everyday life, even when it remains unspoken. I argue that silence, often interpreted as a lack of confrontation, frequently constitutes the only viable strategy of self-preservation, as disclosure can produce repercussions across multiple dimensions of a woman’s life. The research draws on several layers of material: interviews and case notes produced during my work as a Social Worker at the Program for the Care of Children and Adolescents Victims of Violence (NACA); field diaries accumulated throughout years of professional practice; and observations from my engagement with the Women’s Movement of São Gonçalo. Over the course of the research, however, it became impossible to ignore that my choice of topic was not exclusively professional or intellectual; it is also intertwined with my own history. This recognition leads me to incorporate autoethnography as a central methodological approach, acknowledging that my emotions, resistances, and personal displacements constitute an integral part of the knowledge produced. From this perspective, I analyze silence not merely as a consequence of violence but as part of a gendered dispositif that produces guilt, shame, and misplaced responsibility in victims, operating as a mechanism of social control. Drawing on feminist scholarship and the anthropology of emotions, I explore how such affective states become embedded in women's lives and reappear in various contexts, like a buoy that, despite efforts to submerge it, inevitably rises back to the surface. Ultimately, this dissertation seeks to interrogate the boundaries between personal experience, professional practice, and academic inquiry, offering a situated and ethically engaged reflection on what it means to study sexual violence from within: within institutions, within relationships, and, most critically, within oneself.104 p.CC-BY-NCinfo:eu-repo/semantics/openAccess“Não quero lembrar, mas não consigo esquecer”: uma etnografia sobre o cotidiano de mulheres que foram vítimas de violência sexualinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisviolência sexualautoetnografiagênerosilêncioViolência sexualViolência contra a mulherDireitos da mulherSilêncioGênerosexual violenceautoethnographygendersilenceMestrado acadêmicoUniversidade Federal FluminenseInstituto de Estudos Comparados em Administração de ConflitosPrograma de Pós-Graduação em Justiça e Segurança2025Niterói, RJObjetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninasporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFFORIGINALDISSERTAÇÃO CRISTIANE MARCELINO.docx 2 (1) 1 - Copiar (3) (2) - Cristiane Santos Marcelino.pdfDISSERTAÇÃO CRISTIANE MARCELINO.docx 2 (1) 1 - Copiar (3) (2) - Cristiane Santos Marcelino.pdfapplication/pdf830275https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/44542/1/DISSERTA%c3%87%c3%83O%20CRISTIANE%20MARCELINO.docx%202%20%281%29%201%20-%20Copiar%20%283%29%20%282%29%20-%20Cristiane%20Santos%20Marcelino.pdf2a64b92be3f4c47c871a1126aafe90f5MD51LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81866https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/44542/2/license.txt43cd690d6a359e86c1fe3d5b7cba0c9bMD521/445422026-09-28 13:21:11.352oai:app.uff.br:1/44542TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkNvbSBhIGFwcmVzZW50YcOnw6NvIGRlc3RhIGxpY2Vuw6dhLCB2b2PDqiAobyBhdXRvciAoZXMpIG91IG8gdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IpIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIApJbnN0aXR1Y2lvbmFsIG8gZGlyZWl0byBuw6NvLWV4Y2x1c2l2byBkZSByZXByb2R1emlyLCAgdHJhZHV6aXIgKGNvbmZvcm1lIGRlZmluaWRvIGFiYWl4byksIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIApzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIChpbmNsdWluZG8gbyByZXN1bW8pIHBvciB0b2RvIG8gbXVuZG8gbm8gZm9ybWF0byBpbXByZXNzbyBlIGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIApmb3JtYXRvcyDDoXVkaW8gb3UgdsOtZGVvLgoKVm9jw6ogY29uY29yZGEgcXVlIG8gRGVwb3NpdGEgcG9kZSwgc2VtIGFsdGVyYXIgbyBjb250ZcO6ZG8sIHRyYW5zcG9yIGEgc3VhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBwYXJhIHF1YWxxdWVyIG1laW8gb3UgZm9ybWF0byAKcGFyYSBmaW5zIGRlIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiB0YW1iw6ltIGNvbmNvcmRhIHF1ZSBvIERlcG9zaXRhIHBvZGUgbWFudGVyIG1haXMgZGUgdW1hIGPDs3BpYSBkZSBzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIHBhcmEgZmlucyBkZSBzZWd1cmFuw6dhLCBiYWNrLXVwIAplIHByZXNlcnZhw6fDo28uCgpWb2PDqiBkZWNsYXJhIHF1ZSBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gw6kgb3JpZ2luYWwgZSBxdWUgdm9jw6ogdGVtIG8gcG9kZXIgZGUgY29uY2VkZXIgb3MgZGlyZWl0b3MgY29udGlkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EuIApWb2PDqiB0YW1iw6ltIGRlY2xhcmEgcXVlIG8gZGVww7NzaXRvIGRhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gbsOjbywgcXVlIHNlamEgZGUgc2V1IGNvbmhlY2ltZW50bywgaW5mcmluZ2UgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgCmRlIG5pbmd1w6ltLgoKQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIHZvY8OqIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgCm9idGV2ZSBhIHBlcm1pc3PDo28gaXJyZXN0cml0YSBkbyBkZXRlbnRvciBkb3MgZGlyZWl0b3MgYXV0b3JhaXMgcGFyYSBjb25jZWRlciBhbyBEZXBvc2l0YSBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgCm5lc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBlIHF1ZSBlc3NlIG1hdGVyaWFsIGRlIHByb3ByaWVkYWRlIGRlIHRlcmNlaXJvcyBlc3TDoSBjbGFyYW1lbnRlIGlkZW50aWZpY2FkbyBlIHJlY29uaGVjaWRvIG5vIHRleHRvIApvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhLgoKQ0FTTyBBIFBVQkxJQ0HDh8ODTyBPUkEgREVQT1NJVEFEQSBURU5IQSBTSURPIFJFU1VMVEFETyBERSBVTSBQQVRST0PDjU5JTyBPVSBBUE9JTyBERSBVTUEgQUfDik5DSUEgREUgRk9NRU5UTyBPVSBPVVRSTyAKT1JHQU5JU01PLCBWT0PDiiBERUNMQVJBIFFVRSBSRVNQRUlUT1UgVE9ET1MgRSBRVUFJU1FVRVIgRElSRUlUT1MgREUgUkVWSVPDg08gQ09NTyBUQU1Cw4lNIEFTIERFTUFJUyBPQlJJR0HDh8OVRVMgCkVYSUdJREFTIFBPUiBDT05UUkFUTyBPVSBBQ09SRE8uCgpPIERlcG9zaXRhIHNlIGNvbXByb21ldGUgYSBpZGVudGlmaWNhciBjbGFyYW1lbnRlIG8gc2V1IG5vbWUgKHMpIG91IG8ocykgbm9tZShzKSBkbyhzKSBkZXRlbnRvcihlcykgZG9zIGRpcmVpdG9zIAphdXRvcmFpcyBkYSBwdWJsaWNhw6fDo28sIGUgbsOjbyBmYXLDoSBxdWFscXVlciBhbHRlcmHDp8OjbywgYWzDqW0gZGFxdWVsYXMgY29uY2VkaWRhcyBwb3IgZXN0YSBsaWNlbsOnYS4KRepositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202026-09-28T16:21:11Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false
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