A eloquência nas Confissões de Agostinho
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
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| Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-graduação em Filosofia
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| Departamento: |
ICH – Instituto de Ciências Humanas
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| País: |
Brasil
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| Palavras-chave em Português: | |
| Área do conhecimento CNPq: | |
| Link de acesso: | https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/18133 |
Resumo: | O presente trabalho pretende tratar de uma questão inerente à unidade do opus magnum de Agostinho a saber: as Confissões. A obra se nos apresenta de maneira não coesa, pois envolve três elementos constitutivos: teses teológicas e filosóficas e narrativas autobiográficas. Tais teses são e devem legitimamente serem abordadas pela Teologia, pela Filosofia e pelas Letras Clássicas. Resta, no entanto, uma questão de grande importância: há uma unidade na presente obra? A linguagem eloquente, enquanto potência de expressão na dada língua, enquanto estrutura própria de uma cultura, se abrem para a possibilidade de comunicação e criação, isto é, não somente demonstrar, mas comover e gerar a conversão. A fala e a escrita, expressões da linguagem, não reproduzem somente os sentidos, mas também criam uma disposição interna daquele que ouve e daquele que fala, daquele que escreve e daquele que lê. Agostinho, em sua maneira de exprimir através de diálogo apresenta as Confissões como triálogo (com Deus, com o leitor e consigo mesmo). Assim, o Bispo de Hipona não visa simplesmente demonstrar, ele quer criar, excitar uma disposição interna sem abandonar a comunicação e o ato de mostrar da mesma. Ademais, levantamos a seguinte hipótese de pesquisa: a unidade das confissões e a escolha da eloquência como meio de transmissão se dá, sobretudo, pelos temas abordados na obra. Optamos por qualificar tais temas como fenômenos abissais, sejam eles: fenômenos desmedidos, sine mensura (do latim – sem medida, incapacidade de determinação de grandeza ou de aferição e impossibilidade de ser mensurado). Diante da desmedida, mediante o abismo que tais fenômenos provocam em nossa alma inquieta, eles não podem ser calados. Porém, como deles falar? Agostinho, diametralmente, opta em contraposição ao Discurso Apofântico, justamente, por este conter em si a incapacidade inexpressiva (limitação da linguagem) em proferir a potencialidade máxima dos fenômenos incomensuráveis que transcendem os limites da mensuração declarativasignificativa do verbum humano. A eloquência passa a ser a solutio para o transmitir plenamente as riquezas e as complexidades das experiências, interpretações, representações, significados, conceitos, prismas, afetos e dores que transcendem as intrínsecas limitações da linguagem humana lógico-predicativo, como por exemplo: o desejo de eternidade, a consciência da mortalidade, a presença da memória que transgrede o tempo se fazendo confissão. |
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A linguagem eloquente, enquanto potência de expressão na dada língua, enquanto estrutura própria de uma cultura, se abrem para a possibilidade de comunicação e criação, isto é, não somente demonstrar, mas comover e gerar a conversão. A fala e a escrita, expressões da linguagem, não reproduzem somente os sentidos, mas também criam uma disposição interna daquele que ouve e daquele que fala, daquele que escreve e daquele que lê. Agostinho, em sua maneira de exprimir através de diálogo apresenta as Confissões como triálogo (com Deus, com o leitor e consigo mesmo). Assim, o Bispo de Hipona não visa simplesmente demonstrar, ele quer criar, excitar uma disposição interna sem abandonar a comunicação e o ato de mostrar da mesma. Ademais, levantamos a seguinte hipótese de pesquisa: a unidade das confissões e a escolha da eloquência como meio de transmissão se dá, sobretudo, pelos temas abordados na obra. Optamos por qualificar tais temas como fenômenos abissais, sejam eles: fenômenos desmedidos, sine mensura (do latim – sem medida, incapacidade de determinação de grandeza ou de aferição e impossibilidade de ser mensurado). Diante da desmedida, mediante o abismo que tais fenômenos provocam em nossa alma inquieta, eles não podem ser calados. Porém, como deles falar? Agostinho, diametralmente, opta em contraposição ao Discurso Apofântico, justamente, por este conter em si a incapacidade inexpressiva (limitação da linguagem) em proferir a potencialidade máxima dos fenômenos incomensuráveis que transcendem os limites da mensuração declarativasignificativa do verbum humano. A eloquência passa a ser a solutio para o transmitir plenamente as riquezas e as complexidades das experiências, interpretações, representações, significados, conceitos, prismas, afetos e dores que transcendem as intrínsecas limitações da linguagem humana lógico-predicativo, como por exemplo: o desejo de eternidade, a consciência da mortalidade, a presença da memória que transgrede o tempo se fazendo confissão.This paper aims to address an issue inherent to the unity of Augustine's opus magnum, namely: the Confessions. The work is presented to us in a non-cohesive manner, since it involves three constituent elements: theological and philosophical theses and autobiographical narratives. Such theses are and should legitimately be addressed by Theology, Philosophy and Classical Literature. However, a question of great importance remains: is there a unity in this work? Eloquent language, as a power of expression in a given language, as a structure specific to a culture, opens up the possibility of communication and creation, that is, not only demonstrating, but also moving and generating conversion. Speech and writing, expressions of language, do not only reproduce the senses, but also create an internal disposition of the one who listens and the one who speaks, of the one who writes and the one who reads. Augustine, in his way of expressing himself through dialogue, presents the Confessions as a trialogue (with God, with the reader and with himself). Thus, the Bishop of Hippo does not simply aim to demonstrate, he wants to create, to excite an internal disposition without abandoning communication and the act of showing it. Furthermore, we raise the following research hypothesis: the unity of confessions and the choice of eloquence as a means of transmission is given, above all, by the themes addressed in the work. We chose to qualify such themes as abysmal phenomena, namely: immeasurable phenomena, sine mensura (from the latin – without measure, inability to determine greatness or measurement and impossibility of being measured). Faced with immeasurability, given the abyss that such phenomena provoke in our restless soul, they cannot be silenced. However, how can we speak of them? Augustine, diametrically, chooses to oppose the Apophantic Discourse, precisely because it contains within itself the inexpressive incapacity (limitation of language) to express the maximum potentiality of the incommensurable phenomena that transcend the limits of the declarative-significant measurement of the human verbum. Eloquence becomes the solutio to fully transmit the riches and complexities of experiences, interpretations, representations, meanings, concepts, prisms, affections and pains that transcend the intrinsic limitations of the logical-predicative human language, such as: the desire for eternity, the awareness of mortality, the presence of memory that transgresses time by making itself a confession.FAPEMIG - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas GeraisporUniversidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)Programa de Pós-graduação em FilosofiaUFJFBrasilICH – Instituto de Ciências Humanashttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/info:eu-repo/semantics/openAccessCNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIAEloquênciaFilosofiaTeologiaLetrasVerbumConfissõesFenômenos abissaisAgostinhoEloquencePhilosophyTheologyLiteratureVerbumConfessionsAbyssal phenomenaAugustineA eloquência nas Confissões de Agostinhoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisreponame:Repositório Institucional da UFJFinstname:Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)instacron:UFJFORIGINALeduardoalvimpassarellafreire.pdfeduardoalvimpassarellafreire.pdfapplication/pdf1611481https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/18133/4/eduardoalvimpassarellafreire.pdffc2756dc9d5e0ab6df71473fa7089506MD54LICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-81748https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/18133/5/license.txt8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD55CC-LICENSElicense_rdflicense_rdfapplication/rdf+xml; charset=utf-8811https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/18133/2/license_rdfe39d27027a6cc9cb039ad269a5db8e34MD52TEXTeduardoalvimpassarellafreire.pdf.txteduardoalvimpassarellafreire.pdf.txtExtracted texttext/plain349047https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/18133/6/eduardoalvimpassarellafreire.pdf.txtd4e40fde5a4bb2dab44826b81ff1d0b5MD56THUMBNAILeduardoalvimpassarellafreire.pdf.jpgeduardoalvimpassarellafreire.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1131https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/18133/7/eduardoalvimpassarellafreire.pdf.jpgcb164b3cc6df296ed201fc6305f09fa9MD57ufjf/181332025-02-01 04:06:52.418oai:hermes.cpd.ufjf.br:ufjf/18133Tk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufjf.br/oai/requestopendoar:2025-02-01T06:06:52Repositório Institucional da UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)false |
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