Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros: plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Oliveira, Cynthia Valéria lattes
Orientador(a): Coelho, Flávia de Freitas
Banca de defesa: Bieber, Ana Gabriela Delgado, Schiavetti, Alexandre
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Lavras
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada
Departamento: Departamento de Biologia
País: brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufla.br/handle/1/46756
Resumo: Unidades de conservação de uso sustentável constituem excelente alternativa para conservação da natureza e das riquezas bioculturais das comunidades e territórios. Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Pandeiros, norte de Minas Gerais, coexistem rica comunidade biológica de transição Cerrado-Caatinga e comunidades camponesas e tradicionais. Ademais, recentes estudos pioneiros na América do Sul avaliam a viabilidade técnica e ecológica da remoção da pequena hidroelétrica do Pandeiros, afluente e berçário de peixes do São Francisco. Neste contexto, nosso primeiro artigo estudou a recolonização anual por formigas quanto à diversidade específica e remoção de diásporos em ambientes ripários do Pandeiros. Utilizamos armadilhas de queda epigéicas e coleta ativa com diásporos artificiais em oito transectos lineares de até 80 m, perpendiculares à água. Encontramos 29 gêneros e 113 morfoespécies de formigas, predominando generalistas e oportunistas; a taxa de remoção de diásporos e a parcela de formigas potencialmente removedoras foram baixas. Não encontramos variação entre estação seca e chuvosa para riqueza e composição de espécies, remoção de diásporos e cobertura de gramíneas; a outra variável ambiental, densidade de plantas lenhosas, aumentou na chuvosa. Observamos riqueza e composição diferenciadas com relação à distância da água, indicando o ecótone água-terra atuando como possível filtro ambiental para a recolonização por formigas. Assim, sugerimos medidas de revegetação da área após a eventual remoção da barragem, complementando esse processo ecológico da mirmecofauna, e novos estudos sobre a recolonização de formigas e seus processos ecológicos em ambientes ripários. No segundo artigo, caracterizamos o conhecimento ecológico local (CLE) sobre formigas, suas atividades e importâncias observadas e atribuídas por 24 habitantes de Pandeiros. Utilizamos índices etnoecológicos de consenso e destacamos o grupo das cortadeiras, especialmente a formiga-de-mandioca e rapa-rapa, seguidas da formiga-malagueta, todas com sinonímias. Além dessa abordagem clássica, para analisar uma entrevista com participante-chave aproximamos o dialogismo da filosofia da linguagem bakhtiniana da metodologia materialista histórico-dialética dos núcleos de significação. Cotejamos nossos resultados entre si e com dimensões do conhecimento científico relativo às formigas, à história e ao contexto socioambiental da APA e do sertão mineiro. Convergindo e aprofundando todos os resultados, vimos que as cortadeiras são o centro dinâmico e organizador do CEL mirmecológico em Pandeiros, ao seu redor orbitando outras etnoespécies em diferentes graus de concentração e dispersão do CEL. Acreditamos que seja pela grande interação entre cortadeiras e pessoas no trabalho agrícola e pelo impacto negativo sobre alimentos básicos da subsistência característica sertaneja, especialmente a mandioca. Finalmente, relacionando os artigos, identificamos uma distância decorrente de aparente desconhecimento: a remoção de diásporos por formigas não é facilmente observada e não integrou o CEL mirmecológico, ainda que seja um processo ecológico fundamental para dispersão de plantas, e o entendimento geral de formigas é negativamente associado à praga agrícola. Assim, ressaltamos a necessidade de construir formas participativas de diálogo e produção entre os conhecimentos científico e popular, viabilizar atividades conjuntas para valorizar e apreender novas dimensões do CEL da comunidade e partilhar o que temos aprendido com as pessoas e as formigas às margens do rio Pandeiros.
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spelling 2021-07-15T17:49:13Z2021-07-15T17:49:13Z2021-07-152021-04-30OLIVEIRA, C. V. Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros: plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça? 2021. 126 p. Dissertação (Mestrado em Ecologia Aplicada) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2021.https://repositorio.ufla.br/handle/1/46756Unidades de conservação de uso sustentável constituem excelente alternativa para conservação da natureza e das riquezas bioculturais das comunidades e territórios. Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Pandeiros, norte de Minas Gerais, coexistem rica comunidade biológica de transição Cerrado-Caatinga e comunidades camponesas e tradicionais. Ademais, recentes estudos pioneiros na América do Sul avaliam a viabilidade técnica e ecológica da remoção da pequena hidroelétrica do Pandeiros, afluente e berçário de peixes do São Francisco. Neste contexto, nosso primeiro artigo estudou a recolonização anual por formigas quanto à diversidade específica e remoção de diásporos em ambientes ripários do Pandeiros. Utilizamos armadilhas de queda epigéicas e coleta ativa com diásporos artificiais em oito transectos lineares de até 80 m, perpendiculares à água. Encontramos 29 gêneros e 113 morfoespécies de formigas, predominando generalistas e oportunistas; a taxa de remoção de diásporos e a parcela de formigas potencialmente removedoras foram baixas. Não encontramos variação entre estação seca e chuvosa para riqueza e composição de espécies, remoção de diásporos e cobertura de gramíneas; a outra variável ambiental, densidade de plantas lenhosas, aumentou na chuvosa. Observamos riqueza e composição diferenciadas com relação à distância da água, indicando o ecótone água-terra atuando como possível filtro ambiental para a recolonização por formigas. Assim, sugerimos medidas de revegetação da área após a eventual remoção da barragem, complementando esse processo ecológico da mirmecofauna, e novos estudos sobre a recolonização de formigas e seus processos ecológicos em ambientes ripários. No segundo artigo, caracterizamos o conhecimento ecológico local (CLE) sobre formigas, suas atividades e importâncias observadas e atribuídas por 24 habitantes de Pandeiros. Utilizamos índices etnoecológicos de consenso e destacamos o grupo das cortadeiras, especialmente a formiga-de-mandioca e rapa-rapa, seguidas da formiga-malagueta, todas com sinonímias. Além dessa abordagem clássica, para analisar uma entrevista com participante-chave aproximamos o dialogismo da filosofia da linguagem bakhtiniana da metodologia materialista histórico-dialética dos núcleos de significação. Cotejamos nossos resultados entre si e com dimensões do conhecimento científico relativo às formigas, à história e ao contexto socioambiental da APA e do sertão mineiro. Convergindo e aprofundando todos os resultados, vimos que as cortadeiras são o centro dinâmico e organizador do CEL mirmecológico em Pandeiros, ao seu redor orbitando outras etnoespécies em diferentes graus de concentração e dispersão do CEL. Acreditamos que seja pela grande interação entre cortadeiras e pessoas no trabalho agrícola e pelo impacto negativo sobre alimentos básicos da subsistência característica sertaneja, especialmente a mandioca. Finalmente, relacionando os artigos, identificamos uma distância decorrente de aparente desconhecimento: a remoção de diásporos por formigas não é facilmente observada e não integrou o CEL mirmecológico, ainda que seja um processo ecológico fundamental para dispersão de plantas, e o entendimento geral de formigas é negativamente associado à praga agrícola. Assim, ressaltamos a necessidade de construir formas participativas de diálogo e produção entre os conhecimentos científico e popular, viabilizar atividades conjuntas para valorizar e apreender novas dimensões do CEL da comunidade e partilhar o que temos aprendido com as pessoas e as formigas às margens do rio Pandeiros.Conservation units for sustainable use are excellent alternative for preserving nature and biocultural richness of communities and territories. In the Pandeiros River Environmental Protection Area (EPA), north of Minas Gerais, a rich Cerrado-Caatinga transition biodiversity and peasant and traditional communities coexist. In addition, pioneering studies in South America evaluate the feasibility of removing the small hydroelectric plant at Pandeiros, na important affluent of São Francisco River. In this context, our first chapter studied the annual recolonization by ants regarding specific diversity and removal of diaspores in riparian environments of Pandeiros. We used epigeic pitfalls and active collection with artificial diaspores in eight linear transects of up to 80 m, perpendicular to water. We found 29 genera and 113 ant morphospecies, predominant generalists and opportunists; rate of removal of diaspores and potential removers ants were low. There was not variation between dry and rainy season for species richness and composition, removal of diaspores and grass cover; other environmental vegetation variable, plant density, increased in the rainy season. We observed variation on richness and composition in relation to the distance from water, indicating water-land ecotone acting as possible environmental filter for recolonization by ants. Thus, we suggest measures to revegetate the area after eventual dam removal, complementing this ecological mirmecofauna’s process, and new studies about ants recolonization and their ecological processes in riparian environments. In the second chapter, we characterize the local ecological knowledge (LEK) about ants, their activities and importance observed and attributed by 24 inhabitants of Pandeiros. We used ethnoecological indices of participant’s consensus and we highlighted the group of leaf-cutters, especially the “formiga-de-mandioca” (manioc-ant) and rapa-rapa, followed by the “formiga-malagueta” (fire-ant), all with synonyms. In addition to this classic approach, to analyze an interview with a key participant, we approach the dialogism of Bakhtinian's philosophy of language to the signification nuclei based on historical-dialectical materialism. We compare our results with scientific knowledge regarding ants, the history and socio-environmental context both of EPA and the Minas Gerais hinterland ("sertão"). Converging and deepening all the results, we saw that the leaf cutters ants are the dynamic and organizing center of the myrmecological LEK in Pandeiros, around it orbiting other ethnospecies in different degrees of concentration and dispersion. We believe that it is due to the great interaction between leaf cutters ants and people in agricultural work and the negative impact on staple foods of region's characteristic subsistence, especially manioc. Finally, relating the chapters, we identified a distance due to apparent ignorance: removal of diaspores by ants is not easily observed and has not integrated the myelecological LEK, although it is a fundamental ecological process for plant dispersion; in fact, the general understanding of ants is negatively associated with agricultural pests. Thus, we emphasize the need to build participatory forms of dialogue and production between scientific and popular knowledge, enable joint activities to value and apprehend new dimensions of the community's LEK and share what we have learned with people and ants on the banks of the Pandeiros River.Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG)Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)Universidade Federal de LavrasPrograma de Pós-Graduação em Ecologia AplicadaUFLAbrasilDepartamento de BiologiaEcologia AplicadaFormigas - DiversidadeFormiga-cortadeiraMirmecologiaRemoção de diásporosEtnoecologiaAnts - DiversityLeaf-cutting antMyrmecologyDiaspore removalEthnoecologyFormigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros: plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça?Ants in ecological processes on the margins of the Pandeiros River: forest planters or farming cutters?info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisCoelho, Flávia de FreitasRibas, Carla RodriguesQueiroz, Antônio César Medeiros deBieber, Ana Gabriela DelgadoSchiavetti, Alexandrehttp://lattes.cnpq.br/2353093111430487Oliveira, Cynthia Valériainfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da UFLAinstname:Universidade Federal de Lavras (UFLA)instacron:UFLAORIGINALDISSERTAÇÃO_Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça.pdfDISSERTAÇÃO_Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça.pdfapplication/pdf2470924https://repositorio.ufla.br/bitstreams/dd073eb7-8b7c-4ee0-b50f-886c48926a4e/downloada1811659e0dd4e8cde52d65deaeca304MD51trueAnonymousREADLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-8953https://repositorio.ufla.br/bitstreams/c67fa8ed-e41b-4285-a354-7bf967857f97/download760884c1e72224de569e74f79eb87ce3MD52falseAnonymousREADTEXTDISSERTAÇÃO_Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça.pdf.txtDISSERTAÇÃO_Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça.pdf.txtExtracted texttext/plain103079https://repositorio.ufla.br/bitstreams/ecfe1bfd-cd53-47ec-85e5-7568b378451c/download7870f96a3eb1e6bf6b694bbfdef7f98cMD53falseAnonymousREADTHUMBNAILDISSERTAÇÃO_Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça.pdf.jpgDISSERTAÇÃO_Formigas em processos ecológicos às margens do rio Pandeiros plantadoras de floresta ou cortadeiras de roça.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg3524https://repositorio.ufla.br/bitstreams/a24b29c9-d0ea-413e-919e-2fd59caa020d/download363b606773029a90b814e40de2906e24MD54falseAnonymousREAD1/467562025-08-06 11:04:55.981open.accessoai:repositorio.ufla.br:1/46756https://repositorio.ufla.brRepositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufla.br/server/oai/requestnivaldo@ufla.br || repositorio.biblioteca@ufla.bropendoar:2025-08-06T14:04:55Repositório Institucional da UFLA - Universidade Federal de Lavras (UFLA)falseREVDTEFSQcOHw4NPIERFIERJU1RSSUJVScOHw4NPIE7Dg08tRVhDTFVTSVZBCk8gcmVmZXJpZG8gYXV0b3I6CmEpIERlY2xhcmEgcXVlIG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlIMOpIHNldSB0cmFiYWxobyBvcmlnaW5hbCwgZSBxdWUKZGV0w6ltIG8gZGlyZWl0byBkZSBjb25jZWRlciBvcyBkaXJlaXRvcyBjb250aWRvcyBuZXN0YSBsaWNlbsOnYS4KRGVjbGFyYSB0YW1iw6ltIHF1ZSBhIGVudHJlZ2EgZG8gZG9jdW1lbnRvIG7Do28gaW5mcmluZ2UsIHRhbnRvIHF1YW50bwpsaGUgw6kgcG9zc8OtdmVsIHNhYmVyLCBvcyBkaXJlaXRvcyBkZSBxdWFscXVlciBvdXRyYSBwZXNzb2Egb3UKZW50aWRhZGUuCmIpIFNlIG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlIGNvbnTDqW0gbWF0ZXJpYWwgZG8gcXVhbCBuw6NvIGRldMOpbSBvcwpkaXJlaXRvcyBkZSBhdXRvciwgZGVjbGFyYSBxdWUgb2J0ZXZlIGF1dG9yaXphw6fDo28gZG8gZGV0ZW50b3IgZG9zCmRpcmVpdG9zIGRlIGF1dG9yIHBhcmEgY29uY2VkZXIgw6AgVW5pdmVyc2lkYWRlIEZlZGVyYWwgZGUgTGF2cmFzIG9zCmRpcmVpdG9zIHJlcXVlcmlkb3MgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EsIGUgcXVlIGVzc2UgbWF0ZXJpYWwgY3Vqb3MKZGlyZWl0b3Mgc8OjbyBkZSB0ZXJjZWlyb3MgZXN0w6EgY2xhcmFtZW50ZSBpZGVudGlmaWNhZG8gZSByZWNvbmhlY2lkbwpubyB0ZXh0byBvdSBjb250ZcO6ZG8gZG8gZG9jdW1lbnRvIGVudHJlZ3VlLiBTZSBvIGRvY3VtZW50byBlbnRyZWd1ZSDDqQpiYXNlYWRvIGVtIHRyYWJhbGhvIGZpbmFuY2lhZG8gb3UgYXBvaWFkbyBwb3Igb3V0cmEgaW5zdGl0dWnDp8OjbyBxdWUKbsOjbyBhIFVuaXZlcnNpZGFkZSBGZWRlcmFsIGRlIExhdnJhcywgZGVjbGFyYSBxdWUgY3VtcHJpdSBxdWFpc3F1ZXIKb2JyaWdhw6fDtWVzIGV4aWdpZGFzIHBlbG8gcmVzcGVjdGl2byBjb250cmF0byBvdSBhY29yZG8uCgo=
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